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segunda-feira, 2 de março de 2026

Dente quebrou ou trincou? O que fazer nos primeiros minutos para salvar o sorriso?

Atitudes imediatas podem ser decisivas para preservar a estrutura natural do dente e evitar tratamentos mais complexos no futuro 

 

Você já mordeu algo mais duro e sentiu aquele “estalinho” estranho no dente? Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, problemas bucais estão entre as condições de saúde mais comuns no mundo, e traumas dentários fazem parte dessa estatística, especialmente entre jovens e adultos ativos. O que muita gente não sabe é que, em caso de fratura, os primeiros minutos podem fazer toda a diferença para salvar o dente.

“Do ponto de vista clínico, as fraturas dentárias podem envolver desde o esmalte até estruturas mais profundas, como dentina, polpa e raiz. Quando há comprometimento da polpa, existe risco de contaminação bacteriana, inflamação e necrose do tecido interno”, explica o dentista Dr. Paulo Yanase, da Oral Sin. Segundo ele, o tempo entre o trauma e o atendimento profissional influencia diretamente no prognóstico. “Os primeiros minutos após a fratura são decisivos para aumentar as chances de preservar o dente natural.”

Mas afinal, o que fazer imediatamente quando o dente quebra ou lasca? Veja os principais cuidados na hora do acidente:

1-Controle o sangramento corretamente: utilize uma gaze limpa e faça compressão leve por alguns minutos. Evite enxaguar de forma vigorosa, pois isso pode deslocar coágulos importantes para a cicatrização inicial.

2- Guarde o fragmento do dente da forma adequada: se houver um pedaço quebrado, coloque-o em soro fisiológico ou leite. Esses líquidos ajudam a manter a hidratação da estrutura dentária até a avaliação profissional, aumentando as chances de reaproveitamento.

3- Proteja o dente afetado: evite mastigar do lado lesionado e dê preferência a alimentos macios e frios até o atendimento. O calor pode intensificar a sensibilidade se houver exposição da dentina.

4- Não tente “resolver” em casa: lixar o dente, usar cola instantânea ou qualquer substância caseira pode causar danos irreversíveis à estrutura dental e dificultar o tratamento posterior.

Adiar o tratamento, mesmo quando não há dor, pode abrir caminho para complicações. “Uma pequena fratura pode permitir a entrada de bactérias e evoluir para infecção da polpa, exigindo tratamento de canal. Em situações mais graves, pode haver comprometimento ósseo e até perda do dente. Nosso foco sempre é preservar a estrutura natural, seja com restaurações, reconstruções ou outros recursos modernos. Quanto mais cedo o paciente procura ajuda, mais conservador tende a ser o tratamento”, finaliza o Dr.

  

Oral Sin

 

Terapeuta de 31 anos morre após FIV: especialista esclarece riscos

 Médica especialista esclarece que eventos fatais são extremamente raros, mas reforça que nenhum procedimento invasivo é isento de risco.


A morte da terapeuta de 31 anos após complicações relacionadas a um procedimento de Fertilização in Vitro (FIV) em São Paulo, causou comoção e levantou questionamentos sobre os riscos envolvidos na reprodução assistida.

Embora a FIV seja considerada um procedimento seguro e amplamente realizado no mundo todo, como qualquer intervenção médica invasiva, ela não é isenta de riscos, ainda que eventos graves sejam raríssimos.

Dra. Paula Fettback, ginecologista e obstetra, especialista em Reprodução Humana pela FEBRASGO, explica que é fundamental abordar casos como esse com responsabilidade técnica, respeito à paciente e clareza científica.

“A Fertilização in Vitro envolve diferentes etapas, cada uma com perfis de risco distintos. A grande maioria dos procedimentos é de baixa complexidade cirúrgica e baixo risco anestésico, mas nenhum procedimento invasivo é completamente isento de complicações”, afirma.
 

Quais são os principais riscos?

Entre as intercorrências descritas na literatura médica estão:

  • Complicações anestésicas durante a punção folicular, procedimento realizado sob sedação ou anestesia venosa;
  • Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO), associada à resposta exagerada aos hormônios utilizados na estimulação;
  • Sangramentos agudos ou infecções pélvicas após a coleta de óvulos;
  • Eventos tromboembólicos, especialmente em pacientes com fatores de risco prévios.

Segundo a especialista, a ocorrência de eventos fatais em reprodução assistida é estatisticamente excepcional.

“Estamos falando de um evento extremamente raro, mas que se insere dentro do risco inerente à prática médica. A medicina trabalha com redução de risco, nunca com risco zero”, destaca.
 

O que reduz complicações? 

A segurança em reprodução humana depende de protocolos rigorosos em todas as etapas do tratamento. No pré-operatório, são fundamentais avaliação clínica detalhada, exames laboratoriais atualizados, estratificação de risco anestésico (classificação ASA), avaliação de risco tromboembólico e consentimento informado completo.

Durante o procedimento, devem ser seguidos protocolos como monitorização contínua da paciente, presença obrigatória de anestesista habilitado, equipamentos de emergência testados e checklist de segurança cirúrgica no modelo da OMS.

Já no pós-operatório, é essencial monitorização em sala de recuperação até critérios clínicos seguros de alta, orientações claras sobre sinais de alerta e canal de comunicação ativo para intercorrências tardias.

“A segurança é resultado de protocolo, treinamento contínuo da equipe e capacidade de resposta rápida a eventos inesperados”, explica.
 

Monitoramento integrado faz diferença

A especialista também ressalta que a reprodução assistida deve ser conduzida de forma multidisciplinar, considerando não apenas o aspecto ginecológico.

Estado metabólico, função tireoidiana, risco cardiovascular, perfil inflamatório e trombofílico devem ser avaliados com atenção. Além disso, o impacto emocional do tratamento não pode ser negligenciado.

“Pacientes em tratamento de fertilidade vivenciam alto nível de estresse. Um modelo multidisciplinar aumenta a previsibilidade clínica e a segurança global do processo”, pontua.

Outro ponto central é o entendimento dos riscos pela paciente.

“O consentimento informado não deve ser apenas um documento formal. Ele precisa ser um processo educativo. A paciente deve compreender que a FIV é segura, mas que sedação e anestesia, mesmo rotineiras, possuem riscos inerentes”, afirma.

Para a médica, transparência técnica aliada à empatia fortalece a relação médico-paciente e permite decisões mais conscientes.

A Dra. Paula Fettback também manifestou solidariedade à família da paciente.

“É uma situação profundamente delicada. Casos como esse reforçam a importância de protocolos rigorosos e de uma comunicação clara sobre riscos, mesmo quando estatisticamente raros.”

 

Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR. Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020)


Dia Mundial da Obesidade: Hospital Cardiológico Costantini alerta que excesso de peso é um dos principais fatores de risco para doenças do coração

Especialistas reforçam que a obesidade sobrecarrega o coração, favorece doenças silenciosas e pode acelerar quadros como infarto e AVC


No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, o Hospital Cardiológico Costantini chama a atenção para um dado que preocupa a comunidade médica: o excesso de peso é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, que seguem entre as maiores causas de morte no Brasil e no mundo. Mais do que uma questão estética, a obesidade é uma condição clínica que impacta diretamente o funcionamento do coração e compromete a qualidade e a expectativa de vida.

De acordo com especialistas, cada quilo a mais representa também uma sobrecarga adicional ao sistema cardiovascular. O coração precisa bombear sangue para uma quantidade maior de tecido corporal, aumentando a demanda cardíaca, elevando a pressão arterial e favorecendo alterações metabólicas que criam um ambiente propício para doenças graves. “O coração é um órgão resiliente, mas ele também tem limites. O excesso de peso sobrecarrega seu funcionamento e cria condições propícias para o surgimento de doenças silenciosas, que muitas vezes só se manifestam em fases avançadas”, alerta a Dra. Bianca Prezepiorski, médica cardiologista e Diretora de Governança Clínica do Hospital Cardiológico Costantini.


Como a obesidade compromete o sistema cardiovascular

O acúmulo de gordura corporal está diretamente relacionado a uma série de alterações que impactam o sistema circulatório. Entre as principais consequências estão:

  • Hipertensão arterial, resultado do aumento da demanda sanguínea e da maior resistência nos vasos.
  • Dislipidemia, com elevação de colesterol e triglicerídeos.
  • Diabetes tipo 2, frequentemente associada à resistência à insulina em pessoas com obesidade.
  • Apneia do sono, distúrbio que agrava a pressão arterial e prejudica a oxigenação do organismo.

Essas condições formam um cenário de risco elevado para infarto, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC). “A obesidade é um dos principais inimigos silenciosos do coração. Muitas vezes o paciente não percebe danos imediatos, mas ao longo dos anos o excesso de peso favorece o acúmulo de placas de gordura nas artérias e pode levar a complicações graves”, explica Dra. Bianca.


Doença crônica e risco progressivo

Especialistas destacam que a obesidade deve ser compreendida como uma doença crônica, multifatorial, e não apenas como resultado de hábitos inadequados. Fatores genéticos, ambientais, hormonais e comportamentais influenciam no ganho de peso e na dificuldade de controle.

O impacto no coração é progressivo: o aumento constante da pressão sobre o órgão pode levar ao espessamento do músculo cardíaco, à perda de eficiência no bombeamento do sangue e, em casos mais graves, à insuficiência cardíaca.

“Não se trata apenas de emagrecer por estética. O controle do peso corporal reduz significativamente o risco de infarto e AVC, melhora o controle da pressão e do diabetes e amplia a expectativa de vida”, reforça a cardiologista.


Prevenção: pequenas mudanças, grandes resultados

A boa notícia é que a prevenção é possível. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico periódico são pilares fundamentais para reduzir riscos.

Segundo a especialista do Hospital Cardiológico Costantini, mudanças graduais, porém consistentes, no estilo de vida têm impacto direto na saúde cardiovascular.

“Cada quilo a menos pode representar um alívio real para o coração. Controlar o peso é um gesto de autocuidado e uma estratégia concreta de prevenção. Quanto antes essa consciência for incorporada ao dia a dia, maiores são as chances de manter o coração saudável ao longo da vida”, afirma.


Sinais de alerta

Embora a prevenção deva ser prioridade, alguns sintomas exigem atenção imediata. Dor no peito, falta de ar, palpitações, cansaço excessivo e inchaço nas pernas devem ser investigados.

“O acompanhamento médico regular é essencial, especialmente para quem já apresenta fatores de risco. Identificar alterações precocemente pode evitar complicações graves e salvar vidas”, conclui Dra. Bianca.

 

Hospital Cardiológico Costantini
https://hospitalcostantini.com.br/

 

Quando o raro deixa de ser invisível: O desafio sistêmico das doenças raras

Por que as doenças raras se tornaram um teste decisivo para a equidade, a sustentabilidade e a inovação em saúde. 


No vasto ecossistema da saúde global, a palavra “raro” frequentemente carrega o peso do isolamento e do esquecimento. No entanto, ao se analisarem os dados, a raridade se revela como um fenômeno de massa. Estima-se que 300 milhões de pessoas no mundo vivam com alguma das mais de 7 mil doenças raras identificadas. Se esses indivíduos formassem uma nação, ela seria o terceiro país mais populoso do planeta, atrás apenas da China e da Índia. Diante de tal magnitude, o silêncio não é apenas uma ausência de som, mas uma barreira que limita o acesso oportuno ao diagnóstico e ao tratamento.

Neste Dia Mundial das Doenças Raras, a visibilidade não pode ficar apenas no discurso: deve se traduzir em política pública, inovação e acesso real. A transformação desse cenário depende de um tripé inegociável: ciência de ponta, visibilidade estratégica e um advocacy fortalecido e liderado pelas associações de pacientes. Sem a articulação desses pilares, a inovação corre o risco de ficar confinada ao laboratório, sem chegar efetivamente a quem dela precisa.

O impacto de uma doença rara é multidimensional e, com frequência, devastador para o núcleo familiar. O percurso costuma ser marcado pela chamada “odisseia diagnóstica”: em média, um paciente leva entre cinco e sete anos para obter uma confirmação clínica, após consultar cerca de oito especialistas diferentes (RARE Diseases International, 2024). Esse atraso não é inócuo: permite a progressão de danos irreversíveis e gera um desgaste profundo — na saúde do paciente, no equilíbrio emocional e econômico da família e no sistema de saúde.

O impacto socioeconômico e familiar é igualmente significativo. Um estudo da EveryLife Foundation estimou que o custo total das doenças raras nos Estados Unidos alcançou quase um trilhão de dólares em um único ano, ao considerar tanto os custos diretos quanto a perda de produtividade. Esse número ilustra a magnitude do desafio econômico que as doenças raras representam para qualquer sistema de saúde. Em contextos com redes de proteção social mais limitadas, a carga pode ser ainda mais severa. Estima-se que cerca de 65% dos cuidadores, em sua maioria mulheres, precisem abandonar suas carreiras profissionais para se dedicar integralmente ao cuidado do paciente. Essa realidade arrasta famílias inteiras para ciclos de vulnerabilidade financeira crônica e exclusão produtiva.

Além disso, a saúde mental constitui um fator crítico. A carga emocional de viver com uma doença para a qual cerca de 95% dos casos ainda não conta com um tratamento aprovado pela FDA ou pela EMA (Global Genes, 2024) é considerável. A incerteza prolongada se traduz em taxas de ansiedade e depressão significativamente superiores às observadas em pessoas com doenças crônicas prevalentes. Quem vive com uma doença rara enfrenta uma dupla carga: a da própria patologia e a da incompreensão social.

Historicamente, as associações de pacientes eram percebidas principalmente como redes de apoio emocional. Hoje, consolidaram-se como atores-chave na transformação política e científica. O advocacy contemporâneo não se limita a demandar respostas: participa na construção de soluções. O papel dessas organizações é fundamental para facilitar o acesso a terapias inovadoras, como as gênicas e celulares, que exigem uma reconfiguração profunda dos sistemas de saúde.

Essas associações atuam em âmbitos onde o Estado e o mercado frequentemente não chegam. A aceleração regulatória continua sendo um desafio pendente em muitos países. Organizações como EURORDIS na Europa, NORD nos Estados Unidos e Casa Hunter no Brasil têm desempenhado um papel determinante ao posicionar perante agências como ANVISA, FDA e EMA a adoção de marcos de avaliação mais flexíveis, que incorporem evidências de mundo real (RWE). Esta abordagem é fundamental quando os ensaios clínicos tradicionais são limitados pelo reduzido número de pacientes.

Essas associações atuam em âmbitos onde o Estado e o mercado frequentemente não chegam. A aceleração regulatória continua sendo um desafio pendente em muitos países. Organizações como EURORDIS na Europa, NORD nos Estados Unidos e Casa Hunter no Brasil têm desempenhado um papel determinante ao posicionar perante agências como ANVISA, FDA e EMA a adoção de marcos de avaliação mais flexíveis, que incorporem evidências de mundo real (RWE). Esta abordagem é fundamental quando os ensaios clínicos tradicionais são limitados pelo reduzido número de pacientes.

Outro desafio estrutural é a falta de dados e registros de pacientes. Em doenças de baixa prevalência, a informação torna-se o ativo mais estratégico. Neste contexto, as associações impulsionam e organizam registros que permitem compreender a história natural da doença, facilitar o desenvolvimento de ensaios clínicos em populações historicamente sub-representadas e gerar condições mais favoráveis para o investimento em pesquisa e desenvolvimento. Isso não apenas amplia a atividade investigativa, mas também promove uma maior inclusão e diversidade na geração de evidência disponível.

No entanto, o maior desafio continua sendo a sustentabilidade do sistema. A pressão sobre os orçamentos sanitários é uma realidade estrutural. Diante de recursos públicos limitados, o advocacy qualificado participa do desenho de modelos de financiamento inovadores, como os acordos de pagamento por resultados (risk-sharing), que buscam compatibilizar a incorporação de tecnologias disruptivas com a estabilidade financeira e a viabilidade a longo prazo dos sistemas de saúde.

Olhar para as doenças raras deve se tornar um chamado à ação coletiva. A realidade não é homogênea: enquanto alguns países consolidaram marcos regulatórios específicos, como o Orphan Drug Act nos Estados Unidos ou planos estratégicos em diversos países europeus, outros ainda enfrentam desafios estruturais que vão desde a expansão da triagem neonatal até a construção de registros robustos.

O potencial para liderar em genética e medicina de precisão existe em múltiplas regiões do mundo. No entanto, essa liderança só será sustentável se forem desenvolvidos ecossistemas capazes de integrar, de maneira efetiva, a ciência, a política pública e a comunicação estratégica.

Dar voz às pessoas que vivem com uma doença rara não é um ato de caridade: é uma obrigação de saúde pública e um compromisso com os direitos humanos. Cada vez que um país incorpora uma terapia para uma doença rara, não apenas amplia o acesso; fortalece a transparência, a equidade e a humanidade de seu sistema de saúde como um todo.

Neste 28 de fevereiro, reafirmamos que o raro não pode continuar sendo invisível. A forma como respondemos às doenças raras define, em última instância, a qualidade e a equidade dos sistemas de saúde.

 


Giuliana Gregori
Director, Healthcare, LLYC Brasil

Rafael Escofet
Managing Director & Global Healthcare Lead, LLYC


Mitos e verdades sobre escovação

Cerca de 90% da população declara escovar os dentes até duas vezes ao dia, segundo Pesquisa Nacional de Saúde, feita pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, no período de 2013 a 2019

 

As doenças bucais, embora em grande parte evitáveis, representam um grande problema de saúde pública em muitos países e afetam as pessoas ao longo de toda a vida, causando dor, desconforto, desfiguração e até mesmo a morte. Estima-se que as doenças bucais afetem cerca de 3,7 bilhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, os cuidados diários mostram um cenário misto: cerca de 90% da população declara escovar os dentes até duas vezes ao dia, mas a adoção de práticas completas como o uso regular de fio dental ocorre em pouco mais de 60% das pessoas, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, feita pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no período de 2013 a 2019.

Esses números sinalizam que ainda há muito espaço para educação em saúde bucal, sobretudo no que se refere a rotinas corretas de higiene e ao combate a mitos que circulam no dia a dia das pessoas.

Para esclarecer dúvidas comuns sobre escovação e higiene oral de maneira objetiva, o Dr. Paulo Zahr, fundador da Odontocompany, comenta abaixo os principais mitos e verdades que cercam a escovação e os cuidados com os dentes.


Verdades

  1. Escovar os dentes duas vezes ao dia com técnica correta é essencial para prevenir cáries e doenças gengivais. Entre essas escovações, a mais importante é a noturna, que é indispensável, pois durante o sono o fluxo salivar diminui significativamente, deixando os dentes mais vulneráveis ao ataque bacteriano.
  2. O uso do fio dental diariamente complementa a escovação, alcançando áreas onde a escova não chega.
  3. Enxaguante bucal pode ajudar a reduzir bactérias e refrescar o hálito, mas não substitui a escovação.
  4. Dentistas recomendam usar uma escova de cerdas macias para evitar lesões no esmalte e gengivas e substituir a cada 3–4 meses ou antes, se deformar.
  5. Agendar consultas regulares com o dentista é parte fundamental da manutenção da saúde bucal.


Mitos

  1. Escovar com força limpa melhor — na verdade, força excessiva pode desgastar o esmalte e machucar as gengivas.
  2. Enxaguante substitui o fio dental — ele ajuda, mas não remove resíduos ou placa entre os dentes como o fio dental faz.
  3. Escovar mais de duas vezes ao dia não significa limpar melhor — o que realmente importa é a técnica correta e o tempo de escovação
  4. Se não sinto dor, meus dentes estão saudáveis — muitas doenças orais evoluem sem dor e só causam sintomas em fases avançadas
  5. Mastigar chiclete sem açúcar substitui a escovação — chicletes podem estimular a saliva, mas não removem placa como a escova e o fio dental.

Esse conjunto de mitos e verdades ajuda a esclarecer práticas corretas de higiene bucal e reforça a importância de adotar uma rotina completa — escovação técnica, uso de fio dental, acompanhamento profissional e escolhas conscientes de produtos. Segundo Dr. Paulo, esses hábitos são a forma mais eficaz de prevenir doenças bucais e manter sorrisos saudáveis ao longo da vida.


A higiene inadequada dos fones de ouvido pode afetar a saúde do ouvido

O uso de fones de ouvido sem fio se tornou parte da rotina de milhões de brasileiros — no trabalho, na academia, no transporte público e até durante o sono. Mas junto com a praticidade, surge uma dúvida cada vez mais comum nos consultórios: usar fones intra-auriculares pode causar infecção?

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, a resposta não é tão simples quanto um “sim” ou “não”. “O fone em si não causa infecção. O problema está na combinação entre uso prolongado, ambiente úmido e higienização inadequada”, explica o especialista.
 

O que acontece com o ouvido de quem usa fones sem fio?

O canal auditivo possui uma microbiota própria — um conjunto de micro-organismos que vivem ali naturalmente e ajudam a manter o equilíbrio da região. Assim como ocorre na pele ou no intestino, existe uma convivência harmoniosa entre bactérias “boas” e o organismo.

Quando utilizamos fones intra-auriculares por muitas horas, principalmente durante atividades físicas ou em ambientes quentes, criamos um cenário propício para alterações nesse equilíbrio:

  • Aumento de umidade
  • Elevação da temperatura local
  • Redução da ventilação natural do canal auditivo

Esse microambiente abafado pode favorecer o crescimento excessivo de bactérias e fungos, aumentando o risco de otite externa, conhecida popularmente como “infecção do ouvido externo”.
 

Fones de ouvido sem fio aumentam o risco de infecção?

De acordo com o otorrino, o risco existe — mas está muito mais relacionado ao comportamento do usuário do que ao dispositivo em si.

“O uso contínuo por muitas horas, compartilhar fones com outras pessoas e não higienizar adequadamente são os principais fatores de risco.”

Além disso, pequenas escoriações causadas pela introdução frequente do fone podem facilitar a entrada de micro-organismos.
 

Sintomas que merecem atenção

Os sinais mais comuns de infecção do canal auditivo incluem:

  • Dor ao tocar a orelha
  • Coceira intensa
  • Sensação de ouvido tampado
  • Secreção
  • Vermelhidão ou inchaço

Em casos mais avançados, pode haver dor intensa e dificuldade para mastigar.
 

Higienização do fone de ouvido é essencial para a saúde auditiva

O especialista orienta algumas medidas práticas:

️ Limpar os fones regularmente com pano levemente umedecido com álcool 70%

️ Evitar usar os fones com o ouvido molhado

️ Não compartilhar dispositivos

️ Dar intervalos durante o uso prolongado

️ Manter o ouvido seco após banho ou piscina

Importante: não se deve introduzir cotonetes ou objetos pontiagudos no ouvido para “limpeza”, pois isso pode remover a camada protetora natural de cerúmen e aumentar o risco de infecção.
 

Mito ou verdade: fones sem fio são vilões do ouvido?

Fones de ouvido sem fio não são vilões, mas podem contribuir para infecções quando associados a uso prolongado e má higienização.

“A tecnologia não é o problema. O cuidado é que faz a diferença”, conclui o otorrinolaringologista. Com hábitos simples de higiene e atenção aos sinais do corpo, é possível manter a saúde auditiva mesmo em uma rotina cada vez mais conectada.
 

 

FONTES: 

Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros – otorrinolaringologista. Médico otorrinolaringologista pela UNIFESP. Pós-graduação pela UNIFESP. Especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.

 

É Só a Idade?” Ou o Estilo de Vida Está Antecipando os Problemas de Próstata nos Homens

Sedentarismo, excesso de cafeína, estresse crônico e má hidratação estão entre os fatores que vêm antecipando sintomas urinários em homens a partir dos 40 anos, e até antes

 

Durante décadas, sintomas como jato urinário fraco, vontade frequente de urinar, acordar várias vezes à noite ou sensação de esvaziamento incompleto foram atribuídos exclusivamente ao envelhecimento masculino. A narrativa era simples: passou dos 50? A próstata aumenta, e isso é inevitável. 

Mas a medicina atual começa a desenhar um cenário mais complexo e mais preocupante. 

Segundo o urologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Dr. Alexandre Sallum Bull, muitos homens estão apresentando sintomas urinários cada vez mais cedo, e não apenas por alterações hormonais naturais. “O que vemos hoje no consultório é uma combinação entre predisposição biológica e um estilo de vida que favorece inflamação, retenção urinária inadequada e sobrecarga prostática”, explica. 

A próstata pode até crescer com o tempo, mas a intensidade dos sintomas depende de muito mais do que a idade.

 

A próstata não adoece sozinha

A hiperplasia prostática benigna (HPB), condição caracterizada pelo aumento não cancerígeno da próstata, é comum com o avanço da idade. Porém, o que determina o impacto clínico dessa alteração é o ambiente metabólico e inflamatório em que o corpo está inserido. 

Estudos mostram que obesidade abdominal, resistência à insulina, inflamação crônica de baixo grau e sedentarismo estão associados à piora dos sintomas do trato urinário inferior. O tecido prostático é altamente sensível a alterações hormonais e metabólicas. Quanto mais inflamação sistêmica, maior a tendência de sintomas. 

“O homem moderno trabalha sentado por horas, dorme pouco, vive sob estresse constante, consome ultraprocessados e bebe pouca água. Esse conjunto cria um cenário perfeito para a piora urinária”, afirma Alexandre Sallum.

 

Cafeína, álcool e refrigerantes: irritantes invisíveis da bexiga


Outro fator frequentemente negligenciado é o consumo elevado de substâncias irritantes. 

Cafeína, álcool, bebidas energéticas e refrigerantes estimulam a produção de urina e aumentam a irritabilidade da bexiga. Em homens que já possuem aumento prostático discreto, isso pode desencadear sintomas desproporcionais ao tamanho real da glândula. 

“O paciente muitas vezes acredita que o problema está exclusivamente na próstata, quando na verdade há um componente comportamental agravando o quadro”, explica o urologista. 

A ingestão insuficiente de água também desempenha papel importante. Urina muito concentrada irrita o trato urinário e aumenta a sensação de urgência e desconforto. 

 

Estresse crônico e o eixo hormonal masculino

O estresse persistente eleva níveis de cortisol e interfere na regulação hormonal masculina. Há evidências de que alterações no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal podem influenciar a saúde prostática indiretamente, além de impactar sono, libido e metabolismo. 

Homens que dormem menos de seis horas por noite apresentam maior incidência de sintomas urinários e inflamatórios. A privação do sono favorece processos inflamatórios sistêmicos, que também afetam o trato urinário. 

Um dos grandes problemas é que muitos homens só procuram avaliação quando os sintomas já interferem na qualidade de vida. No entanto, os primeiros sinais costumam ser discretos: 

  • jato urinário levemente mais fraco
  • aumento da frequência urinária
  • necessidade de acordar uma vez à noite
  • demora maior para iniciar a micção 

Esses sinais, quando negligenciados, tendem a evoluir. A prevenção não é apenas rastrear câncer. É acompanhar a saúde prostática antes que a obstrução seja significativa.

 

A boa notícia: é possível reverter o curso

A abordagem moderna para sintomas prostáticos vai além da prescrição de medicamentos. Mudanças no estilo de vida demonstram impacto real na evolução do quadro: 

  • redução de peso abdominal
  • prática regular de atividade física
  • melhora da qualidade do sono
  • redução de cafeína e álcool
  • hidratação adequada
  • controle metabólico (glicemia e colesterol) 

Quando necessário, há tratamentos farmacológicos eficazes e, em casos mais avançados, técnicas minimamente invasivas que aliviam a obstrução com rápida recuperação. O mais importante é entender que envelhecer não significa necessariamente sofrer com sintomas urinários severos. O estilo de vida tem papel decisivo nesse processo.

 

A nova perspectiva da saúde masculina

O Dr. Alexandre Sallum Bull conclui: “A próstata não deve ser vista apenas sob a lente do câncer. Ela é parte de um sistema maior, que envolve metabolismo, hormônios, sono, intestino e saúde cardiovascular. A mensagem central é clara, muitos sintomas atribuídos à idade podem ser consequência de escolhas diárias repetidas ao longo dos anos”. 

Dr. Alexandre Sallum Bull CRM 129592 - Médico Urologista. Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).



Doenças gastrointestinais no início do ano: o que muda com calor, viagens e alimentação fora de casa

Mudanças na rotina, altas temperaturas e refeições fora de casa aumentam o risco de infecções, intoxicações e desconfortos digestivos nos primeiros meses do ano

 

O início do ano costuma vir acompanhado de viagens, refeições fora de casa e uma rotina menos previsível. Somadas ao calor intenso, essas mudanças criam um cenário propício para o aumento de doenças gastrointestinais, como diarreia, intoxicações alimentares, refluxo, gastrite e infecções intestinais. 

Segundo o Dr. Armindo Matheus, diretor médico da Nova Saúde, esse é um período que exige atenção especial ao sistema digestivo. “O calor acelera a proliferação de bactérias e aumenta o risco de contaminação dos alimentos. Quando isso se soma a escolhas feitas fora de casa, o risco de problemas gastrointestinais cresce consideravelmente”, explica.

 

Calor e conservação dos alimentos

As altas temperaturas impactam diretamente a segurança alimentar. Alimentos mal refrigerados, expostos por longos períodos ou manipulados sem os cuidados adequados tornam-se um ambiente favorável para bactérias e vírus. “Mesmo alimentos aparentemente inofensivos podem causar intoxicações quando não são bem armazenados. No verão, esse risco é ainda maior”, alerta o médico.

 

Viagens e mudanças no funcionamento do intestino

Durante viagens, o organismo passa por adaptações que afetam o funcionamento do intestino. Alterações nos horários das refeições, consumo de água de procedência desconhecida e longos períodos sem se alimentar adequadamente podem provocar diarreia, constipação e dor abdominal. “É comum que pessoas que não têm histórico de problemas digestivos apresentem sintomas durante ou após viagens, principalmente em regiões mais quentes”, afirma o Dr. Armindo.

 

Excessos e sobrecarga do sistema digestivo

O começo do ano também é marcado por exageros alimentares. Bebidas alcoólicas, alimentos gordurosos e refeições volumosas sobrecarregam o estômago e favorecem crises de refluxo, azia e gastrite. “O problema não está em um episódio isolado, mas na repetição dos excessos ao longo de vários dias. O sistema digestivo sente rapidamente essa sobrecarga”, destaca.

 

Hidratação como aliada da digestão

A desidratação, comum nos dias quentes, piora os sintomas gastrointestinais. A falta de líquidos compromete a digestão, altera o trânsito intestinal e intensifica desconfortos como constipação ou diarreia.

“Muitas pessoas só percebem a desidratação quando os sintomas aparecem. Manter o consumo de água ao longo do dia é fundamental para proteger o intestino”, orienta o especialista.

 

Quando procurar ajuda médica

O diretor médico da Nova Saúde reforça que sintomas persistentes não devem ser ignorados. Dor abdominal intensa, febre, vômitos frequentes ou diarreia prolongada exigem avaliação médica. 

“O início do ano deve ser um período de retomada com mais equilíbrio. Pequenos cuidados no dia a dia ajudam a evitar problemas que podem comprometer o descanso, as viagens e a qualidade de vida”, conclui o Dr. Armindo Matheus. 



Nova Saúde
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No Brasil a obesidade só cresce e já atingiu o aumento de 118% entre 2006 e 2024, segundo o Ministério da Saúde. Segundo projeções globais, até 2035 cerca de metade da população mundial poderá viver com sobrepeso ou obesidade


A obesidade não deve ser vista apenas como uma questão estética, mas como uma doença crônica com impacto direto no aparelho digestivo e no metabolismo corporal — com reflexos sobre o fígado, pâncreas e risco cardiometabólico. Quem explica é o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa.

Dados recentes revelam que a obesidade segue em rápido crescimento no Brasil e no mundo. No país, o aumento de casos entre adultos atingiu 118% entre 2006 e 2024, segundo o último levantamento do Vigitel 2025, do Ministério da Saúde — que monitora fatores de risco para doenças crônicas.

Esse cenário preocupa porque a gordura em excesso não é apenas um acúmulo de tecido adiposo: ela altera fisiologicamente o organismo, promovendo inflamação crônica e interferindo no funcionamento de órgãos essenciais.

“Obesidade é uma doença digestiva e metabólica, e não um problema de vontade ou estética. A gordura visceral altera a sinalização hormonal, prejudica o fígado e o pâncreas e aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares”, destaca o cirurgião do aparelho digestivo que alerta ainda que a obesidade condiciona uma série de outras desordens metabólicas.
 

Impactos da obesidade no fígado, pâncreas e metabolismo

A obesidade está diretamente ligada a distúrbios digestivos e metabólicos:

  • Fígado gorduroso (esteatose/Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease – MASLD): condição comum em pessoas com obesidade, podendo evoluir para inflamação e fibrose hepática se não tratada adequadamente.
  • Pâncreas e resistência à insulina: o excesso de gordura corporal contribui para a resistência insulínica, fator central no desenvolvimento do diabetes tipo 2.
  • Risco cardiometabólico aumentado: obesidade eleva significativamente as chances de doenças cardiovasculares, hipertensão e complicações metabólicas associadas.

A obesidade também é um dos principais fatores de risco para outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como alguns tipos de câncer e condições respiratórias, o que amplia ainda mais seu impacto sobre o sistema de saúde.
 

Obesidade é um problema de saúde pública, não de estética

Segundo projeções globais, até 2035 cerca de metade da população mundial poderá viver com sobrepeso ou obesidade, com implicações profundas para os sistemas de saúde, qualidade de vida e expectativa de vida.

No Brasil, estimativas apontam que uma parte substancial da população adulta já vive com obesidade hoje, e as tendências demográficas sugerem que esse número pode continuar crescendo nas próximas décadas, especialmente sem políticas públicas eficazes de prevenção e tratamento.

“A obesidade não pode ser vista como falha individual. É uma condição clínica complexa, influenciada por fatores genéticos, ambientais, estilo de vida e desigualdades sociais. O combate efetivo exige ações integradas de saúde pública, educação, alimentação adequada e acesso ao tratamento especializado”, ressalta o cirurgião.
 

Abordagem multidisciplinar e tratamento da obesidade

O tratamento eficaz da obesidade exige acompanhamento multidisciplinar — envolvendo médicos, nutricionistas, psicólogos e, quando indicado, intervenção cirúrgica. Entre as opções terapêuticas, a cirurgia bariátrica é reconhecida como tratamento eficaz para casos severos ou quando outras estratégias clínico-nutricionais não são suficientes, especialmente em pacientes com comorbidades associadas.

“A indicação cirúrgica não é estética, mas médica e funcional — com objetivos de reduzir risco de complicações metabólicas e melhorar sobrevida e qualidade de vida”, finaliza o médico especialista em obesidade.
 

Dr Rodrigo Barbosa - cirurgião digestivo sub-especializado em cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco 


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