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segunda-feira, 2 de março de 2026

Quando o “GPS” da sua internet começa a mentir: Infoblox Threat Intel revela ameaça que compromete roteadores

Uma nova pesquisa da Infoblox Threat Intel revela como os invasores se infiltram silenciosamente em roteadores e redirecionam seu tráfego DNS para uma rede DNS paralela, conduzindo os usuários silenciosamente por uma teia oculta de atividades maliciosas 

Imagine que você está a caminho de um restaurante novo digita o endereço no aplicativo de mapas e inicia a rota. Tudo parece normal, até você chegar a um lugar completamente diferente. Alguém desviou o aplicativo de forma silenciosa. Na maior parte do tempo, ele até leva você ao destino correto, mas, de vez em quando, faz um desvio para outro endereço que rende lucro aos responsáveis pela fraude quando você chega lá. 

A mais recente campanha de ameaças descoberta pela Infoblox Threat Intel faz exatamente isso com seu roteador e, consequentemente, com sua conexão de internet. Depois que os invasores comprometem seu roteador, você pode até digitar o endereço web correto, mas outra pessoa decide para onde você será redirecionado. É importante destacar que todos os usuários da rede Wi-Fi passam pela mesma experiência. 

Esta nova pesquisa mostra que o hacker se infiltra silenciosamente em roteadores mais antigos e altera um componente crítico: suas configurações de DNS. Dessa forma, todos os dispositivos que utilizam o roteador comprometido consultam os servidores DNS hospedados pela Aeza em vez dos servidores do provedor de serviços de internet (ISP). A partir daí, um Sistema de Distribuição de Tráfego (TDS) baseado em HTTP identifica os usuários e os direciona seletivamente por meio de plataformas de tecnologia de publicidade que frequentemente levam à vitimização.

 

O que acontece nos bastidores:

  • Roteadores comprometidos ao redor do mundo: o agente compromete remotamente roteadores, especialmente modelos mais antigos, e altera suas configurações de DNS. A partir daí, todo telefone, laptop, dispositivo inteligente ou IoT conectado a esses roteadores passa a depender, por padrão, de uma infraestrutura de DNS controlada pelos atacantes. A escala é global, com os pesquisadores observando evidências de atividade em mais de três dezenas de países.
  • DNS sombra hospedado na Aeza: em vez de usar os resolvedores do provedor de internet (ISP), os roteadores comprometidos passam a enviar todas as consultas de DNS para resolvedores hospedados na Aeza International, uma empresa de hospedagem chamada de “bulletproof”, sancionada pelo governo dos Estados Unidos em julho de 2025. Esses resolvedores “sombra” normalmente respondem de forma correta a sites grandes, como o Google, mas se comportam de maneira altamente imprevisível para outros domínios, redirecionando usuários específicos para o TDS malicioso dos atacantes.
  • Capturando vítimas no TDS: quando o tráfego chega ao TDS, os usuários são identificados por fingerprinting e verificados para confirmar se vieram de um roteador comprometido. Ao passar por essas checagens, são redirecionados por plataformas de marketing de afiliados e, com frequência, acabam sendo levados a conteúdos maliciosos. 

“A maioria das pessoas nunca pensa em quem seu roteador consulta para obter informações sobre a internet - elas simplesmente confiam que a resposta está correta”, disse Renée Burton, vice-presidente da Infoblox Threat Intel . “Esta campanha mostra o quão perigoso é quando essa confiança é silenciosamente sequestrada: uma vez que os invasores controlam o DNS no roteador, eles obtêm um controle silencioso sobre todas as conexões de internet dos dispositivos conectados a ele e podem transformar a navegação comum em um desvio lucrativo.” 

A solução prática é atualizar o roteador para um modelo mais moderno. No âmbito organizacional, as equipes de TI devem tratar o DNS como uma infraestrutura crítica de segurança, implementando controles capazes de identificar e bloquear tráfego direcionado a resolvedores maliciosos conhecidos e a redes de DNS sombra. 

Para mais informações e detalhes, leia nosso blog post.


Infoblox
infoblox.com
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Planejamento Sucessório: quais os impactos com a Reforma Tributária?

  

O cenário tributário brasileiro vive um momento de transformação histórica que impõe ao empresário a necessidade imediata de proteger o patrimônio construído ao longo de uma vida, sob pena de ver uma parcela significativa desse legado ser consumida por impostos no momento da sucessão.  

Com a regulamentação da Reforma Tributária trazida pela Lei Complementar nº 227/2026, a janela de oportunidade para realizar a transferência de quotas aos herdeiros com menor custo fiscal está se fechando rapidamente. A grande preocupação reside não apenas na mudança da base de cálculo do ITCMD — que passa a exigir o valor de mercado dos ativos em vez do valor contábil — mas, principalmente, no horizonte de elevação brusca das alíquotas.  

Embora o teto máximo atual fixado pelo Senado Federal seja de 8%, existem propostas avançadas em discussão legislativa para dobrar esse limite para 16%, havendo, inclusive, debates para que a tributação alcance patamares próximos a 20%, em um movimento de alinhamento às práticas internacionais de tributação sobre heranças. 

Para os contribuintes do Estado de São Paulo, por exemplo, existe, hoje, uma faixa de isenção de ITCMD para doações de pequeno montante limitada a 2.500 UFESPs anuais — o que equivale a, aproximadamente, 96 mil reais em 2026. No entanto, essa estratégia exige cautela técnica absoluta, especialmente para quem possui indústrias ou comércios com Inscrição Estadual ativa. 

A existência da Inscrição Estadual coloca a sociedade sob um monitoramento fiscal diferenciado pela Secretaria da Fazenda, exigindo que a alteração contratual seja formalizada e o ITCMD recolhido ou declarado, independentemente de o valor da doação estar dentro da faixa de isenção, uma vez que o fisco estadual cruza dados corporativos com muito mais rigor do que em sociedades puramente prestadoras de serviços. 

Além do aspecto financeiro, a segurança jurídica da operação é fundamental e depende da estrita observância das regras societárias e civis. A transferência das quotas como adiantamento de legítima deve respeitar integralmente as cláusulas do contrato social vigente, como o direito de preferência e os quóruns de aprovação, para evitar que disputas familiares ou nulidades futuras coloquem em risco a continuidade do negócio.  

A validade dessa operação perante terceiros e o próprio Fisco só se concretiza com o registro da alteração na Junta Comercial, momento que também cristaliza a data do fato gerador do imposto, protegendo o contribuinte de aumentos futuros de alíquota.  

Por fim, o ciclo do planejamento só se encerra com a correta informação à Receita Federal: a doação deve refletir na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física tanto do doador, que baixa a participação em seu patrimônio, quanto dos donatários, que devem lançar o ingresso das quotas como rendimento isento.  

Diante dessas complexidades e do risco iminente de um salto na tributação para até 16% ou mais, a condução desse processo por advogados e contadores especializados é indispensável para garantir que a sucessão ocorra de maneira lícita, eficiente e financeiramente viável.   



Luciana Nogueira - Advogada Tributarista, fundadora e presidente do Instituto de Direito Tributário Contemporâneo (IDTC).

Taís Baruchi - CEO na PKF BSP, fundadora e diretora do Instituto de Direito Tributário Contemporâneo (IDTC).


PKF BSP
www.pkfbrazil.com.br


Entre descontos reais e decisões conscientes: como a tecnologia pode fortalecer os direitos do consumidor no Dia do Consumidor


Especialista da Seconds Tecnologia analisa comportamento, competitividade entre marketplaces e os impactos da transparência nas relações de consumo


No próximo 15 de março, o Dia do Consumidor reforça um debate que ganha cada vez mais relevância no ambiente digital: informação é poder e, no comércio eletrônico, pode significar economia real, segurança jurídica e decisões de compra mais conscientes.

Dados do Google Consumer Insights indicam que a maioria dos consumidores brasileiros pesquisa online antes de finalizar uma compra, mesmo quando a aquisição ocorre em loja física. Já pesquisas da Ebit|Nielsen apontam que preço, confiança na loja e prazo de entrega seguem entre os principais fatores de decisão. O comportamento revela um consumidor mais criterioso, comparativo e atento às práticas do mercado.

Nesse cenário, a tecnologia tem desempenhado papel central na ampliação da transparência.

“O consumidor brasileiro amadureceu digitalmente. Hoje ele compara histórico de preços, busca avaliações reais e verifica reputação antes de concluir uma compra. A decisão não é mais impulsiva, é estratégica”, afirma Thiago Trincas, CEO da Seconds Tecnologia.


Falso desconto x desconto real: o desafio da transparência

Em períodos promocionais, como o Dia do Consumidor, cresce também a preocupação com práticas conhecidas como “falso desconto”, quando há elevação prévia do preço para simular uma redução mais agressiva.

A legislação brasileira, por meio do Código de Defesa do Consumidor, determina que a informação deve ser clara, precisa e ostensiva. Além disso, órgãos de defesa do consumidor e plataformas de monitoramento vêm ampliando a fiscalização sobre variações atípicas de preços em datas sazonais.

“A tecnologia permite rastrear o comportamento histórico dos preços e identificar distorções. Isso contribui não apenas para proteger o consumidor, mas também para fortalecer empresas que atuam com ética e transparência”, destaca Trincas.

Ferramentas de inteligência de dados, segundo ele, vêm sendo utilizadas tanto por varejistas quanto por consumidores para monitorar oscilações e garantir que o desconto anunciado represente, de fato, uma vantagem real.


Como o consumidor pesquisa antes de comprar

O processo de decisão está cada vez mais fragmentado e multicanal. Antes de clicar em “comprar”, o consumidor costuma:

  • Comparar preços em diferentes marketplaces
  • Verificar avaliações e comentários de outros usuários
  • Pesquisar reputação da loja em sites especializados
  • Conferir prazo de entrega e política de trocas
  • Avaliar custo-benefício entre marcas e categorias

Relatórios da PwC Brasil sobre comportamento do consumidor indicam que conveniência e confiança são tão determinantes quanto o preço final. Ou seja, desconto isolado já não é suficiente para garantir conversão.

“O consumidor atual valoriza previsibilidade e segurança. Ele quer saber se está fazendo um bom negócio, e isso envolve não apenas pagar menos, mas receber exatamente o que foi prometido”, afirma o CEO da Seconds.


Marketplaces mais competitivos por categoria

O crescimento dos marketplaces ampliou a concorrência e tornou o ambiente mais dinâmico. Segundo dados do setor divulgados pela ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), categorias como eletrônicos, eletrodomésticos, moda e itens para casa concentram grande parte do volume de buscas e disputas de preço.

Cada marketplace tende a apresentar maior competitividade em determinadas categorias, influenciado por logística, volume de sellers e políticas comerciais específicas. Essa dinâmica impacta diretamente o valor final ao consumidor.

“A competição entre marketplaces beneficia o consumidor quando há equilíbrio e clareza nas regras. O desafio está em garantir que essa disputa seja baseada em eficiência operacional e não em práticas que distorçam preços ou informações”, pontua Trincas.


Dia do Consumidor como marco de conscientização

Mais do que uma data promocional, o Dia do Consumidor se consolida como oportunidade de reforçar educação financeira, consumo consciente e uso inteligente da tecnologia.

Em um ambiente digital cada vez mais sofisticado, a combinação entre dados, fiscalização e comportamento informado tende a elevar o padrão das relações de consumo.

“A tecnologia não substitui o direito do consumidor, mas pode ampliá-lo. Quando informação e transparência caminham juntas, todos ganham, empresas sérias, plataformas e principalmente o consumidor”, conclui Thiago Trincas.



Seconds
https://www.seconds.com.br


O que esperar do setor energético em 2026?


Ondas de calor recordes, fortes tempestades, tornados e crises hídricas. Eventos como esses estão se tornando cada vez mais frequentes, mostrando que o setor energético já sente, na prática, os efeitos de um planeta em transformação. E é justamente diante dessas intensas variações climáticas que as empresas do setor precisam, urgentemente, repensar sua matriz energética e modelo de gestão, propondo novas formas inovadoras de atender à necessidade da população mundial sem agravar, ainda mais, o equilíbrio ecológico. 

A demanda global de energia, segundo um relatório divulgado pela AIE (Agência Internacional de Energia), aumentou 2,2% em 2024, quase o dobro da média anual da última década - impulsionada, dentre tantos fatores, pelas altas temperaturas, maior demanda industrial e expansão da inteligência artificial, a qual consome grande quantidade de energia em suas operações. 
 
Para que se adequem a essa realidade, veja a seguir algumas tendências que devem acompanhar e se preparar: 

#1 Energias renováveis: elas deixaram de ser uma promessa futurista e se tornaram o principal vetor de crescimento do setor elétrico global, sendo um elemento central para a transição energética diante dos desafios climáticos e da demanda crescente. Hoje, a China se destaca como um dos países que mais investem nessas fontes. No Brasil, também temos forte potencial de exploração, principalmente em energias fotovoltaicas microgrid e eólica, com foco na região Nordeste. 

#2 Manual da ANEEL: na intenção de padronizar e orientar procedimentos no setor elétrico brasileiro, este manual faz com que essas empresas tenham um olhar mais criterioso a respeito de sua governança, como parte integral de seu portfólio de inovação. E, para ajudá-las nesse sentido, existem diversas metodologias reconhecidas internacionalmente, como a ISO 27001, capaz de auxiliar as organizações a manterem uma gestão eficaz mesmo diante de um cenário global marcado por incertezas e ameaças constantes. 

#3 Computação quântica: essa prestação de serviços permitirá a realização de simulações em um tempo muito mais veloz do que ocorre atualmente – o que, para o setor de energia, será extremamente vantajoso, de forma que as empresas consigam aplicá-la em suas pesquisas de desenvolvimento (PD&I) com bem mais agilidade, testando, por exemplo, novos tipos de projetos, infraestrutura e redes para geração e transmissão de energia. Apenas no primeiro trimestre de 2025, como prova disso, foram acumulados mais de US$ 1,25 bilhão em investimentos nessa tecnologia, segundo o Relatório Global da Indústria de Tecnologia Quântica. 

#4 Mudanças climáticas: cada vez mais frequentes e intensas, acabam aumentando, inevitavelmente, o consumo de energia pela população, além de também prejudicarem redes de transmissão em casos de chuvas fortes e ventanias, como exemplo. Insistir nos mesmos moldes é fatal para a continuidade de problemas quanto a esse fornecimento, sendo urgente a busca por novos e melhores projetos apoiados por uma governança eficaz que assegure este bom desempenho a longo prazo. 

A entrada do ano de 2026 exige decisões mais rápidas, estratégicas e conscientes pelo setor energético, garantindo sua resiliência e sustentação de crescimento. Sem uma governança por trás deste novo mindset, será cada vez mais difícil mitigar impactos graves à população e ao meio ambiente. O futuro não aguarda, e exige atitudes inovadoras desde já.  

 

Alexandre Pierro - mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.


Por que em 2026 a indústria brasileira ainda perde dinheiro?

 

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 68% das empresas no país consideram a eficiência operacional um dos principais desafios a serem superados. O dado evidencia uma preocupação latente; no entanto, o caminho mais estratégico para romper essa barreira é, sem dúvida, a gestão integrada. 

Talvez você já esteja cansado de ouvir sobre a importância de unir processos e os ganhos gerados no dia a dia. Mas, este é um assunto que precisa ser reforçado, pois a ausência dessa integração significa, na prática, perda de dinheiro. 

Atualmente, o setor industrial brasileiro pode ser observado sob dois principais cenários. De um lado, estão empresas em fase de desenvolvimento que utilizam planilhas como principal ferramenta de gestão. De outro, organizações mais maduras que, embora possuam sistemas estruturados, continuam recorrendo a controles manuais de forma paralela. 

O que parece inofensivo em um primeiro momento pode gerar prejuízos significativos, afinal, dados inconsistentes levam a decisões equivocadas. Gerir um negócio sem uma fonte única e confiável de informações significa conviver com retrabalhos, falhas operacionais e erros que impactam diretamente a lucratividade. 

Quando financeiro, produção e fiscal não atuam de forma integrada, os erros deixam de ser pontuais e passam a ser sistêmicos. A falta de visibilidade compromete a tomada de decisão e reduz a capacidade de resposta, elevando o custo operacional e direcionando recursos para investimentos sem previsibilidade de retorno. 

No campo tributário, a fragmentação de informações amplia a exposição a riscos fiscais. Indicadores conflitantes entre áreas geram inconsistências, autuações e multas que poderiam ser evitadas com processos alinhados. 

Na operação, o impacto é igualmente crítico. Sem conexão entre demanda e planejamento, a produção pode acelerar sem lastro comercial, transformando o que deveria ser receita em capital imobilizado. O estoque parado deixa de ser apenas um indicador e passa a representar margem comprometida e pressão sobre o caixa. 

Para todos esses cenários, o ERP se apresenta como a ferramenta ideal. O sistema integra e define processos, garante fluxo de informações em tempo real, reduz retrabalhos e proporciona transparência em todas as áreas. 

No entanto, nenhum software entrega resultados sozinho. Seu sucesso depende da escolha de uma solução aderente aos processos industriais e do suporte de especialistas, que, livres dos “vícios” do negócio, identificam oportunidades de melhoria e orientam a implementação para alinhar sistema e operação de forma eficiente. 

Em 2026, mesmo em meio aos avanços da transformação digital, a indústria brasileira ainda enfrenta perdas significativas devido à falta de integração entre processos e áreas, e o diferencial competitivo estará nas empresas que conseguirem alinhar estratégia, operação e informação. 

Um ERP bem implementado funciona como elo entre operação, estratégia e decisão. Processos integrados, governança eficaz e tomada de decisão baseada em informações confiáveis não apenas evitam desperdícios, mas convertem eficiência operacional em resultados concretos.  

Em um mercado cada vez mais dinâmico, a capacidade de operar de forma organizada, com processos claros e dados consistentes é um passo essencial para proteger a margem e sustentar o crescimento da empresa de forma consistente. 

  

Fernando Bosnic - coordenador de projetos na ABC71. 



Oscar 2026: veja 10 filmes indicados que podem ajudar nos estudos para o Enem ou cair na prova

Freepik
A sétima arte já foi citada em edições anteriores do Exame Nacional do Ensino Médio


Para além do enredo e do entretenimento, o cinema configura-se como uma linguagem multimídia complexa e potente, que articula imagem, som, trilha sonora, fotografia, roteiro, direção de arte, montagem e atuação para construir sentidos. Essa combinação de elementos permite o acesso a diferentes formas de expressão de um mesmo conteúdo, ampliando as possibilidades de compreensão e análise. Ao mesmo tempo, cada obra audiovisual apresenta um recorte cultural específico sobre os temas abordados, refletindo contextos históricos, sociais e ideológicos.  

Segundo Paulo Rogerio Rodrigues, coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), é fundamental considerar, ainda, que todo filme carrega a visão particular de um diretor, de uma corrente estética ou de um gênero cinematográfico. “Essa característica amplia o repertório interpretativo dos estudantes, pois os convida a comparar perspectivas, identificar intencionalidades, reconhecer escolhas narrativas e analisar como determinados recursos constroem significados. Esse exercício fortalece habilidades como leitura crítica, análise simbólica, argumentação e articulação de diferentes linguagens, competências essenciais para avaliações externas, especialmente o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)”. 

Na visão do educador da Aubrick, o contato sistemático e reflexivo com o cinema também estimula a criatividade. A linguagem cinematográfica permite a construção de representações simbólicas ricas e provocativas, que dialogam diretamente com o universo de crianças e adolescentes. Ao interpretar metáforas visuais, enquadramentos, trilhas sonoras e estratégias narrativas, o estudante amplia sua capacidade de abstração e de elaboração de ideias, aspecto fundamental na produção escrita. 

Além disso, o cinema possibilita a retomada e a problematização de episódios históricos, movimentos culturais e interpretações literárias, contribuindo para a consolidação de um sólido arcabouço cultural. “Filmes que abordam contextos históricos, por exemplo, podem aprofundar discussões iniciadas em sala de aula; adaptações literárias favorecem comparações entre linguagens; e obras que retratam transformações sociais ampliam o repertório sociocultural, elemento indispensável para a construção de argumentos consistentes na redação”, acrescenta. 

Nesse sentido, o cinema não apenas complementa o trabalho pedagógico, mas o potencializa. Ao dialogar com diferentes áreas do conhecimento, como História, Literatura, Filosofia, Sociologia, Artes e Linguagens, promove uma aprendizagem interdisciplinar e contextualizada. 

“Para além do enredo, o cinema, enquanto linguagem multimídia, mobiliza diferentes formas de expressão e, por isso, estimula de maneira consistente o pensamento crítico, a interpretação de múltiplas linguagens e a leitura simbólica da realidade, competências amplamente exigidas no Enem. Ao consumir cinema de forma reflexiva, o estudante aprende a identificar intencionalidades, reconhecer recortes culturais e analisar diferentes perspectivas sobre um mesmo tema, algo essencial para resolver questões interdisciplinares e construir uma redação consistente, com repertório sociocultural legitimado e articulado”, conclui Rodrigues.
 

COMO O CINEMA JÁ FOI CITADO NO ENEM?

 

Reprodução Enem

Na edição de 2022, uma das questões abordou, por exemplo, o documentário “Elena”, de Petra Costa, obra em que a diretora brasileira resgata a trajetória de sua irmã, que se mudou para Nova York com o sonho de ser atriz.  

Já na prova de 2023, o filme indiano “Como Estrelas na Terra” teve o seu cartaz e sinopse usados em uma questão de Espanhol para discutir a dislexia e como o olhar sensível de um professor de arte muda a vida do protagonista Ishaan.

 

 

Reprodução Enem

 

Na edição de 2025, quando o tema da proposta de redação foi "Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, a atriz Fernanda Montenegro foi citada em um dos textos de apoio, mencionando suas memórias sobre habitar o tempo e a velhice com dignidade.

 

Reprodução Enem


 FILMES INDICADOS AO OSCAR 2026 QUE DIALOGAM COM O ENEM 

Entre as dezenas de produções cinematográficas indicadas ao Oscar 2026, cuja cerimônia acontece em 15 de março, o docente da Aubrick elenca 10 deles, que podem servir como ferramenta estratégica de estudo, ampliando o repertório sociocultural dos candidatos e fortalecendo a capacidade de argumentação exigida no exame.
 

1. O AGENTE SECRETO (4 indicações) 


Sinopse: Marcelo, um especialista em tecnologia acusado de atividades subversivas, se muda de São Paulo para Recife em 1977, na tentativa de escapar dos agentes do governo. Ele chega à capital pernambucana e, em pouco tempo, começa a desconfiar que está sendo espionado por seus vizinhos. Filme representante do Brasil na premiação, concorre em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator para Wagner Moura. Direção: Kleber Mendonça Filho.

Temas abordados: dialoga com ditadura militar, repressão política, direitos humanos e vigilância do Estado, temas recorrentes em História, Sociologia e na redação do Enem.

Classificação indicativa: 16 anos.

Onde assistir: em cartaz nos cinemas.
 


2. ALABAMA: PRESOS DO SISTEMA (1 indicação)
 

Sinopse: filmado com celulares contrabandeados, o documentário oferece uma perspectiva chocante da corrupção, violência e resistência prevalecentes em um dos sistemas prisionais mais perigosos dos EUA. Direção: Andrew Jarecki e Charlotte Kaufman.

Temas abordados: aborda sistema prisional, desigualdade racial e social, violência institucional e cidadania, conteúdos frequentes em Ciências Humanas e temas sociais da redação.

Classificação indicativa: 16 anos.

Onde assistir: streaming HBO Max.


 

3. AVATAR: FOGO E CINZAS (1 indicação)
 

Sinopse: após a devastadora guerra contra a RDA e a perda do seu filho mais velho, Jake Sully e Neytiri devem enfrentar uma nova ameaça: o Povo das Cinzas, uma nova e agressiva tribo Na’vi, conhecida por sua violência extrema e sede de poder. O misterioso clã é composto por guerreiros que controlam o fogo e cuja lealdade pode desequilibrar o destino do planeta. Direção: James Cameron.

Temas abordados: explora meio ambiente, exploração de recursos naturais, conflitos culturais e colonialismo, assuntos cobrados em Geografia, Biologia e na redação.

Classificação indicativa: 14 anos.

Onde assistir: em cartaz nos cinemas.
 

4. F1: O FILME (4 indicações)


 

Sinopse: Sonny Hayes foi o fenômeno mais promissor da Fórmula 1 da década de 1990, até um acidente na pista. Trinta anos depois, seu ex-companheiro de equipe, Ruben Cervantes, o convence a voltar e pilotar ao lado do estreante Joshua Pearce e assim ter sua última tentativa de ser o melhor do mundo. O passado de Sonny o persegue e ele descobre que não se pode trilhar o caminho para a redenção sozinho. Direção: Joseph Kosinski.

Temas abordados: trata de superação, ética, trabalho em equipe e pressão psicológica, temas ligados à Educação Física, Filosofia e competências socioemocionais.

Classificação indicativa: 12 anos.

Onde assistir: streaming Prime Video.


 

5. FOI APENAS UM ACIDENTE (1 indicação)
 

Sinopse: quando o mecânico Vahid encontra por acaso o homem que acredita ter sido seu torturador na prisão, ele o sequestra decidido a se vingar. Mas a única pista sobre a identidade de Eghbal é o som peculiar de sua perna protética. Vahid então recorre a um grupo de outras vítimas libertas em busca de confirmação, e o perigo só aumenta. Direção: Jafar Panahi.

Temas abordados: discute tortura, justiça, vingança e memória coletiva, conectando-se a direitos humanos, ética e contextos autoritários cobrados no Enem.

Classificação indicativa: 14 anos.

Onde assistir: em cartaz nos cinemas.


 

6. HAMNET: A VIDA ANTES DE HAMLET (8 indicações)
 

Sinopse: o filme conta a poderosa história de amor e perda que inspirou a criação da obra-prima atemporal de William Shakespeare, Hamlet. Agnes, esposa do escritor, luta para suportar a dor da perda do filho, Hamnet. Direção: Łukasz Żal.

Temas abordados: relaciona literatura, memória, luto e relações familiares, dialogando com Linguagens, Literatura e análise simbólica de narrativas.

Classificação indicativa: 14 anos.

Onde assistir: em cartaz nos cinemas.


 

7. SE EU TIVESSE PERNAS, EU TE CHUTARIA (1 indicação)
 

Sinopse: Linda é uma mãe que se vê à beira de um colapso, ao lidar com a doença misteriosa da filha, a ausência do marido e o desmoronamento de seu próprio teto; o que a força a viver com a filha num motel. Ela não encontra apoio em ninguém, nem mesmo no terapeuta, que é hostil, e precisa lidar com a frustração, o desespero e o isolamento crescentes, numa tentativa de resolver os problemas que a cercam. Direção: Mary Bronstein.

Temas abordados: aborda saúde mental, vulnerabilidade social, maternidade e exclusão, assuntos presentes em Ciências Humanas e propostas de redação.

Classificação indicativa: 16 anos.

Onde assistir: em cartaz nos cinemas.


 

8. SONHOS DE TREM (3 indicações)
 

Sinopse: um lenhador leva uma vida tranquila enquanto lida com o amor e a perda em uma época de profundas transformações nos Estados Unidos do começo do século XX. Direção: Clint Bentley.

Temas abordados: retrata transformações sociais, trabalho e modos de vida no início do século XX, dialogando com História, Geografia e leitura histórica contextualizada.

Classificação indicativa: 14 anos.

Onde assistir: streaming Netflix.


 

9. UMA BATALHA APÓS A OUTRA (13 indicações)
 

Sinopse: um revolucionário fracassado que vive isolado com a filha luta para achá-la após ela desaparecer, ambos enfrentando as consequências do passado dele. Direção: Paul Thomas Anderson.

Temas abordados: discute consequências do passado político, militância, responsabilidade e relações familiares, temas ligados à cidadania e ética social.

Classificação indicativa: 16 anos.

Onde assistir: streaming HBO Max.


 

10. VALOR SENTIMENTAL (9 indicações)
 

Sinopse: as irmãs Nora e Agnes reencontram seu pai distante, o carismático Gustav, diretor outrora renomado que oferece a Nora um papel naquele que espera ser seu filme de retorno. Quando Nora recusa a proposta, descobre que ele deu o papel a uma jovem estrela de Hollywood, ambiciosa e entusiasmada. De repente, as duas irmãs precisam lidar com a complicada relação com o pai e com a presença inesperada de uma atriz americana inserida bem no meio das complexas dinâmicas familiares. Direção: Joachim Trier.

Temas abordados: aborda relações familiares, identidade, frustrações e o papel da arte, conectando-se a Filosofia, Sociologia e Linguagens.

Onde assistir: em cartaz nos cinemas.

Classificação indicativa: 14 anos.
 

O especialista: Paulo Rogerio Rodrigues é coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick. Profissional com larga trajetória na educação básica com foco na gestão pedagógica e educacional desde a Educação Infantil até os anos finais do Ensino Fundamental 2, com MBA em Gestão Escolar e especialização em Educação Antirracista, Bilinguismo e Neuropsicologia.



International Schools Partnership – ISP
Para mais informações, acesse o site.


O marco da profissão multimídia e a mudança de patamar dos influenciadores digitais no Brasil

Sancionada em janeiro de 2026, a Lei nº 15.325 representa um avanço importante na forma como o Brasil passa a tratar o trabalho de quem cria conteúdo digital. Conhecida popularmente como a “lei dos influenciadores”, a norma tem alcance mais amplo: ela reconhece juridicamente a atividade de multimídia, que envolve criação, produção, gestão e monetização de conteúdos nas plataformas digitais. 

A lei não cria uma nova profissão nem impõe barreiras de entrada. Seu objetivo é dar contornos jurídicos a uma realidade já consolidada e economicamente relevante. Ao fazer isso, contribui para organizar um mercado que cresceu rapidamente e, em muitos casos, de maneira informal, exigindo agora maior profissionalização de quem atua de forma recorrente e comercial nas redes. 

Um dos pontos centrais do texto legal é a opção por definir o profissional de multimídia a partir das atividades exercidas, e não por diplomas ou registros formais. A lei descreve um conjunto amplo de funções ligadas à produção e à circulação de conteúdos digitais, de maneira flexível e compatível com a constante transformação do setor. Também deixa claro que essas atribuições não excluem nem substituem outras profissões, garantindo a convivência entre diferentes áreas que atuam no ambiente digital. 

O caminho legislativo até a sanção reforçou esse equilíbrio. Durante a tramitação, foram retiradas exigências que poderiam restringir a liberdade profissional, preservando o reconhecimento da atividade sem criar obstáculos artificiais em um mercado marcado por trajetórias diversas. 

No caso dos influenciadores digitais, a relação com a nova lei é prática. Sempre que a atuação envolve criação de conteúdo, gestão de plataformas e exploração econômica da audiência, há aderência ao conceito de profissional multimídia. A lei não cria o influenciador, mas oferece um enquadramento jurídico mais claro para atividades que já produzem impacto econômico e social. 

Os efeitos mais visíveis estão na formalização. Conteúdos patrocinados e parcerias comerciais tendem a ser tratados como atividades econômicas regulares, com reflexos em contratos, tributação e organização financeira. A norma funciona, assim, como uma linha divisória entre a criação eventual e a atuação profissional no mercado digital. 

No conjunto, a Lei nº 15.325/2026 sinaliza uma mudança de paradigma. Ao reconhecer juridicamente o trabalho digital e impor maior clareza às relações econômicas, o novo marco fortalece o setor e aumenta a responsabilidade de quem monetiza audiência, consolidando um mercado mais maduro e previsível.

 

Bruno da Costa Fuente -, advogado sócio do escritório GMP|GC, é especialista em direito digital e empresarial

 

domingo, 1 de março de 2026

Estudo revela os tipos de brinquedos mais vendidos para cães e o que tutores priorizam na hora da compra

 

Shutterstock

Pesquisa fomenta discussão sobre a importância do brincar para a saúde física e mental dos cachorros e levanta pontos de atenção para donos de pets

 

Na hora de escolher brinquedos para cães, muitos tutores ainda decidem com base na emoção e na diversão imediata, sem considerar as reais necessidades físicas e comportamentais do animal. É o que revela um estudo realizado pela Cobasi, empresa pioneira no Brasil no conceito de megaloja com produtos para pets, casa e jardim, que analisou os hábitos de compra de consumidores entre janeiro de 2024 a setembro de 2025. O relatório aponta que critérios essenciais para o bem-estar dos pets ainda são pouco priorizados.

De acordo com a pesquisa, os brinquedos mais procurados na rede foram bichinhos de pelúcia, bolinhas, mordedores, itens feitos de corda e brinquedos interativos. Entre os fatores que influenciam a decisão de compra, 34,5% dos tutores afirmaram priorizar a diversão do pet, seguidos por durabilidade dos materiais (28,3%), segurança (14,2%), indicação para idade, porte e necessidade do animal (12,5%), aparência (4,7%) e preço (6%).

Os resultados da pesquisa dados acendem um alerta sobre a forma como os brinquedos são escolhidos. Muitos tutores compram brinquedos pensando apenas no momento da diversão, mas o impacto dessas escolhas é diário e duradouro. Quando não são adequados ao perfil do cão, podem gerar frustração e a não contribuição com o bem-estar dos pets.

Mais do que entretenimento, brincar é uma atividade essencial para a saúde física e mental dos cachorros. Os brinquedos corretos ajudam a estimular a cognição, reduzir o estresse, prevenir ansiedade, fortalecer músculos, melhorar a coordenação motora, contribuem com a saúde bucal e favorecem a socialização.


Tipos de brinquedos e funções


Estímulo mental e redução do tédio

Brinquedos como dispensadores de alimento, tapetes de lamber e itens recheáveis auxiliam no desenvolvimento do raciocínio, da concentração e da tomada de decisão, sendo especialmente indicados para pets que passam longos períodos sozinhos ou comem de forma muito acelerada.


Mastigação e saúde bucal

Já os brinquedos de nylon, com texturas e formatos anatômicos ou saborizados, ajudam a aliviar o estresse, satisfazem o instinto natural de mastigar e contribuem para a limpeza dos dentes e a saúde da gengiva.


Gasto de energia e interação

Bolinhas e frisbees são indicados para cães mais ativos, estimulando corrida e coordenação motora, e reforçando a interação entre pets e humanos. Também fortalecem a obediência e o foco com o uso de comandos simples de busca e devolução.


Conforto e estímulo instintivo

Bichinhos de pelúcia, inclusive versões com apito ou recursos eletrônicos, estimulam instintos naturais, oferecem conforto e podem ajudar na redução do estresse, especialmente em cães mais sensíveis ou em fase de adaptação.

Observar o comportamento do pet no dia a dia é fundamental para entender quais estímulos são necessários. Cães com ansiedade de separação, filhotes em fase de dentição, animais muito ativos ou aqueles que precisam de mais estímulo mental demandam brinquedos diferentes. O brinquedo certo se torna um grande aliado no desenvolvimento e bem-estar do animal.


Na hora da compra

Além da função de cada brinquedo, outros fatores devem ser considerados, como a confiabilidade da marca, idade do pet, porte, força da mordida e histórico comportamental. Avaliar essas características ajuda a garantir uma escolha mais segura, durável e alinhada às necessidades do cão.

Pesquisar sobre os produtos, entender as funcionalidades e conhecer o próprio pet são passos essenciais para uma compra mais consciente. Quando o brinquedo é bem escolhido, os benefícios aparecem no comportamento, na saúde e até na qualidade de vida do animal.

 

Cobasi


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