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terça-feira, 12 de agosto de 2025

O novo tédio: como o excesso de estímulos está colapsando o trabalho e a cultura das empresas

Vivemos saturados de conteúdo, dopamina e distrações — e agora não sabemos mais sustentar o silêncio, a repetição ou o tempo das organizações. Entenda por que o tédio virou um problema estratégico.


Vivemos um tempo curioso: nunca estivemos tão entretidos, conectados, estimulados, e ainda assim, nunca estivemos tão tomados por um tédio profundo, difuso, difícil de nomear. Não se trata mais do tédio contemplativo da infância ou do vazio criativo que precede uma boa ideia. Este é outro tédio: o tédio do excesso.

Começa no indivíduo, mas não para nele. Essa incapacidade crescente de sustentar o silêncio, de permanecer presente diante da lentidão, da repetição ou do não saber, vaza das telas para a cultura e das casas para as empresas. Gerações inteiras foram condicionadas a evitar qualquer pausa, e agora ocupam posições estratégicas em organizações que exigem constância, foco e construção de longo prazo.

O resultado? Um descompasso brutal. Enquanto a cultura digital reduziu a paciência coletiva a segundos, o tempo das organizações segue operando em trimestres, ciclos, processos e relações. E nessa colisão silenciosa entre o imediatismo do indivíduo e a complexidade do sistema, nasce o novo mal-estar do nosso tempo. O tédio, hoje, não é uma falha pessoal. É um sinal de ruptura coletiva.

 

E é por isso que precisamos repensá-lo com urgência.

Segundo a Gallup (2023), 62% dos trabalhadores globais relatam falta de motivação frequente no trabalho, um índice que vem crescendo nos últimos 5 anos. Mas mais do que desmotivação, o que existe é incapacidade estrutural de sustentar o tempo das coisas. Ou seja: o que está em colapso não é só o engajamento, é a relação com o tédio.

 

O tédio do excesso

Ao contrário do que se pensa, o tédio moderno não nasce da falta de estímulo, mas do excesso deles. Um tédio anestesiado, que não vem da escassez, mas da saturação. Um ruído branco contínuo que, longe de nos provocar reflexão, apenas nos esgota. Vivemos cercados de conteúdo, barulho, movimento. Mas sem pausa, o tempo se dilui e a atenção se esfarela.

Esse tédio é sintoma de uma sociedade que foi treinada para evitar o silêncio a qualquer custo. Preenchemos cada brecha do dia com alguma forma de distração: uma notificação, uma aba nova, um episódio em segundo plano. Como afirma Sherry Turkle, do MIT, “estamos juntos, mas sozinhos”, constantemente conectados, mas desconectados de nós mesmos.

Nos tornamos intolerantes ao intervalo. Viciados em pequenos choques de estímulo. E toda vez que o mundo desacelera, sentimos desconforto, não porque há algo errado, mas porque fomos condicionados a fugir do vazio. O tédio não é mais um espaço para a criação. É visto como falha de performance.

 

O tédio como negócio

O mercado entendeu rápido: onde há desconforto, há oportunidade. E assim nasceu a economia do alívio, que transformou o tédio em produto. Se antes o tédio era um espaço natural entre estímulos, hoje ele é tratado como falha, e deve ser imediatamente preenchido com dopamina.

Aplicativos, plataformas, criadores de conteúdo, até mesmo marcas, todos aprenderam a oferecer micro recompensas para manter a mente ocupada. TikTok, Instagram Reels, YouTube Shorts, Netflix e Spotify criaram sistemas de engajamento baseados em “dopamina sob demanda”. Cada deslize, um estímulo. Cada clique, uma dose. O algoritmo substituiu o intervalo.

O problema é que isso não gera presença, gera dependência. E o resultado é uma geração que nunca aprende a lidar com o desconforto necessário à criação, ao aprendizado e à convivência. Como mostra um estudo da APA (American Psychological Association, 2022), mais de 72% dos jovens adultos nos Estados Unidos relatam dificuldade em sustentar foco ou lidar com situações de baixa estimulação, um efeito colateral direto do uso contínuo de plataformas de estímulo rápido.

Mas o impacto não fica do lado de fora. Esse indivíduo estimulado, fragmentado, impaciente, entra todos os dias nas organizações. E é aí que o tédio se infiltra por outra porta, agora como colapso de cultura.

O tédio infiltrado: sintomas de um descompasso cultural

O que acontece fora das empresas não fica do lado de fora. A intolerância ao tédio, moldada por anos de superestimulação digital e ciclos de recompensa imediata, se infiltra nas organizações como um ruído persistente. E ela não chega discretamente. Chega como um conjunto de sintomas cada vez mais visíveis, e cada vez menos compreendidos.

Veja os principais sinais que indicam esse mal-estar estrutural:

1. A repetição virou castigo.
Tarefas que antes compunham a espinha dorsal da entrega, como seguir processos, executar com consistência, sustentar cadência, agora são percebidas como opressivas. O colaborador médio atual associa repetição à estagnação. O que é essencial para a excelência operacional passou a ser visto como punição.

2. O tempo das empresas colapsou diante do tempo das redes.
Enquanto a vida digital opera em segundos e confirmações instantâneas, as organizações ainda trabalham com metas anuais, ciclos semestrais e entregas projetadas para meses. A espera que antes era norma agora soa como negligência. Uma avaliação de desempenho a cada 12 meses parece abandono em comparação ao algoritmo que responde em tempo real.

3. Cresce a intolerância ao silêncio e à lentidão.
Reuniões mais longas, espaços de reflexão, momentos de imersão profunda em problemas complexos são cada vez menos suportados. Tudo que escapa da lógica da recompensa imediata tende a ser abandonado ou criticado como “desalinhado com a cultura ágil”.

4. Baixa resiliência emocional à frustração.
Projetos de longo prazo, decisões com impacto diferido, necessidade de iteração, tudo isso se torna emocionalmente desgastante para equipes acostumadas à dopamina do curto prazo. A frustração que antes era parte do jogo agora vira motivo de desengajamento.

5. Trocas rápidas e falta de profundidade relacional.
A busca constante por novidade enfraquece vínculos organizacionais. Troca-se de função, de time ou até de empresa com mais frequência. Isso compromete a formação de cultura, confiança e senso de pertencimento, três pilares da performance sustentável.

Esses sintomas não indicam preguiça, falta de talento ou ausência de comprometimento. Eles revelam um descompasso entre o tempo psicológico da nova geração e o tempo institucional das empresas. A cultura organizacional, quando não atualizada, se torna um palco de fricção permanente.

Ou a organização aprende a lidar com essa nova mente, ou continuará tentando resolver com incentivo aquilo que exige reinvenção estrutural.

 

O tédio remediado: pare de tentar reviver os anos 90

Não adianta mais cobrar das pessoas a mesma lógica de atenção, disciplina e resiliência emocional que funcionava há 30 anos. O mundo mudou. O ser humano mudou. Mas muitas empresas ainda funcionam como se estivéssemos em 1998.

A aceleração tecnológica, a hiperestimulação digital e a busca por gratificação instantânea moldaram a psique coletiva. Uma geração inteira foi condicionada a evitar o desconforto, rejeitar a espera e buscar validação em tempo real. Ao colocar essas pessoas dentro de organizações que ainda operam em ciclos longos, metas anuais e silêncios estratégicos, o resultado é um descompasso profundo entre expectativa e estrutura.

O pior erro seria tentar voltar no tempo. Não se trata de transformar o trabalho em TikTok, mas de construir uma nova cultura de presença, que respeite o novo funcionamento psíquico das pessoas sem perder a essência do que precisa ser construído.

A seguir, cinco comandos pragmáticos para fazer isso acontecer:

 

1. Reduza o tempo dos ciclos sem reduzir a ambição dos projetos

Não espere doze meses para dizer se alguém está indo bem. Ciclos longos de avaliação e feedback não fazem mais sentido em um mundo onde o Instagram entrega validação em 15 segundos.


O que fazer:


Implemente ciclos trimestrais com checkpoints mensais. Use ferramentas como OKRs em cadência curta para dar visibilidade ao progresso. Divida projetos longos em missões curtas com entregas claras a cada 30 dias. Isso aumenta a motivação e a sensação de avanço.

 

Exemplo: A empresa brasileira Gupy reduziu seus ciclos de planejamento estratégico de 12 para 3 meses, com checkpoints quinzenais entre áreas, aumentando a velocidade de entrega e a clareza de impacto.

 

2. Transforme líderes em narradores ativos do porquê

Pare de pressupor que todos entendem o propósito. O cérebro estimulado precisa de repetição e contexto emocionalpara criar conexão com o trabalho.

 

O que fazer:


Treine líderes para narrar os ciclos de trabalho, reforçando o sentido das entregas. Contextualize decisões. Traduza metas em impacto real. Use histórias, não apenas indicadores. Crie rituais de abertura e fechamento de ciclos que reforcem conquistas e aprendizados.

Exemplo: Na ThoughtWorks, os líderes são treinados em storytelling de produto e propósito, criando um ambiente onde o time entende por que está fazendo o que faz, mesmo em tarefas rotineiras.

 

3. Incorpore estímulos de progressão no dia a dia

Gente que sente progresso fica. Gente que sente tédio desliga.

 

O que fazer:


Introduza gatilhos de avanço visível, como dashboards compartilhados, medalhas simbólicas, mini entregas celebradas publicamente. Não é gamificação rasa. É dar ao colaborador o mesmo senso de progressão que ele encontra nas plataformas que usa fora do trabalho.

Exemplo: O Nubank utiliza check-ins visuais e pequenos rituais semanais para celebrar o progresso das squads, reforçando o senso de construção coletiva.

 

4. Crie pausas com intenção, não só com café

Burnout não começa com excesso de trabalho, mas com ausência de sentido e de respiro.

 

O que fazer:
Institua rituais semanais de pausa intencional, como “horas sem reunião”, “doses de reflexão” e “encontros não performáticos”. Use o tempo para conversas reais, análise de aprendizados ou simplesmente silêncio compartilhado. Tempo vazio também constrói valor.

Exemplo: A Dropbox criou o conceito de “Core Collaboration Hours” e “Deep Work Wednesdays”, com ganho significativo de foco, qualidade de entrega e bem-estar.

 

5. Trate o tédio como dado de cultura, não como falha de gente

Tédio repetido não é preguiça. É desalinhamento estrutural.

 

O que fazer:


Crie canais para que as pessoas relatem onde sentem mais desconexão, desuso de talentos e falta de clareza. Mapeie essas zonas como parte do diagnóstico de cultura. O tédio, bem interpretado, aponta onde o sistema está falhando.

Exemplo: O Hubspot faz rodadas trimestrais com times para identificar tarefas de “baixo valor percebido” e realocar talentos para áreas de maior impacto.

 

O tédio como uma urgência mal compreendida

O tédio deixou de ser um incômodo individual e se tornou um problema estratégico nas organizações. Ele está presente nas reuniões que não engajam, nas metas que ninguém entende, nas lideranças ausentes e nos times ansiosos que pulam de tarefa em tarefa sem saber o porquê. E, mais grave ainda: está nas culturas que confundem agitação com relevância.

Ignorar o tédio é pagar caro por uma falsa produtividade. É operar com equipes mentalmente exaustas, emocionalmente descoladas e estruturalmente incapazes de sustentar o tempo da construção. Empresas que não souberem corrigir sua relação com o tédio não apenas perderão talentos, perderão sentido. E, sem sentido, tudo vira processo. E processo sem propósito é apenas uma máquina girando no vazio.

Reconfigurar esse pacto com o tédio não é um luxo filosófico. É uma necessidade competitiva. Organizações que reabilitarem o espaço da pausa, da reflexão e da presença serão aquelas capazes de criar estratégias mais profundas, culturas mais saudáveis e produtos mais humanos. O tédio, se bem acolhido, é a antessala da criatividade. A porta de entrada da reinvenção.

A pergunta não é mais se você vai lidar com isso.
É se você vai lidar agora, ou quando já for tarde.

 

Reprodução
Piero Franceschi
Partner na StartSe
Atualizado: 6 ago 2025

Fonte: https://www.startse.com/artigos/como-o-excesso-de-estimulos-esta-colapsando-o-trabalho-e-a-cultura-das-empresas/?utm_campaign=start-seu-dia&utm_medium=organic&_hsenc=p2ANqtz-_r_En-PjBJixlPar7N3lrfdW5UV6-CKCom6Tke7B-PpMTsYCzLAkqeY9K-3WSIljKw9Xf9Ipvrym0CZ9iq02zK8Jn7PjXccH00f-p_4vB995rEdE8&_hsmi=375512000&utm_source=newsletter


Portal do Detran-SP já faz transferência de veículos em 1 minuto

Com chegada do serviço ao site do Detran-SP, número de transferências diárias quase triplicou desde o final de junho


A Transferência Digital de Veículos, também chamada de TDV, acaba de ganhar mais uma possibilidade de acesso. O recurso, que permite a transmissão da propriedade de uma moto ou automóvel em questão de minutos, por vezes até segundos, está agora disponível no portal do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP). Este é mais um caminho para realizar a TDV, lançada em março de 2024 no aplicativo Poupatempo e que passou a ter conexão com a Carteira Digital de Trânsito (CDT). A TDV pode ser feita de qualquer lugar, em qualquer dia da semana, das 6h às 22h, via celular e agora também pelo computador. 

Para realizar a transferência digital de um veículo pelo portal do Detran-SP, assim como acontece no aplicativo do Poupatempo, é preciso ter conta de nível prata ou ouro na plataforma GOV.BR. A conta é gratuita: a cor se refere ao nível de proteção de dados. A prata requer validação por biometria facial ou cadastro do usuário em um banco online. O selo ouro pede a biometria ou cadastro via certificado digital. Para o reconhecimento facial, conhecido como teste de vida, o cidadão logado no site do Detran-SP deverá acessar também a plataforma GOV.BR e mirar o rosto com a câmera do celular, seguindo as instruções da página. A medida de segurança barra suspeitas de fraude.

A transferência digital é rápida graças a uma solução tecnológica que entrelaça recursos diversos, como inteligência artificial e criptografia, conectando o sistema do Detran-SP a diferentes bancos de dados – por exemplo, o do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o da Secretaria da Fazenda do estado de São Paulo. A combinação de ferramentas cria a hiperautomação, nome dado à tecnologia que independe de intervenção humana. O próprio preenchimento de dados é feito pelo sistema, que colhe as informações nas plataformas a que está vinculado, liberando o usuário da tarefa. Se encontrar alguma pendência ligada ao cidadão, como multa ou IPVA atrasado, a TDV suspenderá a operação e dará um aviso.

 



Uma vez preenchidos e avalizados os dados do cidadão pela TDV e feito o seu reconhecimento facial na plataforma GOV.BR, a operação é concluída com a confirmação de um token - um código de validação novo a cada intervalo de tempo.  

“A transferência digital de veículos foi pensada para facilitar a vida do cidadão, que antes precisava investir horas e recursos financeiros em deslocamentos para realizar a operação, subtraindo tempo do trabalho ou da vida em família”, afirma Vinícius Novaes, diretor de Veículos Automotores (DVA) do Detran-SP.

 

Economia de milhões

De março de 2024 até hoje, cálculos do Detran-SP e da Prodesp - empresa de tecnologia do estado de São Paulo responsável pelo desenvolvimento da TDV - a ferramenta já proporcionou uma economia de cerca de R$ 23 milhões. Esse cálculo leva em conta tudo o que deixou de ser gasto no período: desde o custo do cidadão com locomoção à contratação de intermediários (acionados em 60% dos casos), passando pelo valor do tempo médio despendido em um ponto de atendimento físico e pelo investimento no reconhecimento de firma em cartório. Foram R$ 21,6 milhões poupados pela sociedade e R$ 1,6 milhão pelos cofres públicos – com aluguel de espaço, energia e equipamentos.  

Do lançamento até agora, a TDV soma 70.649 operações, uma média de 147 transações diárias, número que já subiu para cerca de 400 por dia desde 27 de junho, quando a transferência digital chegou ao site do Detran-SP.

 

Inovação premiada

Inovadora, a TDV do Detran-SP conquistou diversos prêmios no último ano. Em setembro de 2024, a ferramenta foi a vencedora da premiação internacional Gartner Eye on Innovation Awards for Government (Gartner de olho na inovação entre os governos, em tradução livre), da consultoria Gartner. O Brasil não conquistava um troféu na competição desde 2021, edição que destacou uma ferramenta da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul.  

Um mês antes, a TDV havia faturado o segundo prêmio na categoria Órgãos Estaduais, da premiação Agilidade Brasil, do Agile Trends GOV 2024, o maior evento de inovação e agilidade voltado para o setor público no País. Ao todo, duzentos casos de todo o Brasil disputou troféus na competição. Em junho, o aplicativo já havia chamado a atenção de outra premiação, o Troféu HDI 2024, da qual foi finalista na categoria Iniciativa de TI ao Cidadão. A cerimônia de premiação aconteceu durante o Expogov Brasília 2024, evento de serviços de TI com foco no setor público. 


Leis avançam, mas autistas adultos continuam invisíveis no Brasil, aponta estudo

Uma nova pesquisa, publicada na revista científica Revista Foco, revela um paradoxo: embora o Brasil possua uma legislação robusta para a proteção dos direitos da pessoa autista, a ausência de políticas públicas voltadas para a vida adulta perpetua uma "invisibilidade institucionalizada".

Um novo estudo dos pesquisadores André Luiz Alvarenga de Souza e Sabrina Inacio Massuda expõe uma contradição no tratamento do autismo no Brasil. A análise, publicada na Revista Foco, demonstra que, enquanto as leis avançaram no reconhecimento formal dos direitos, a aplicação prática e as políticas públicas continuam focadas quase exclusivamente na infância, deixando a população autista adulta desassistida e marginalizada.

A pesquisa aponta para o que chama de "infantilização normativa". Leis como a Lei Berenice Piana (nº 12.764/2012) foram marcos importantes, mas o seu foco em diagnóstico precoce e inclusão na educação básica fez com que o sistema negligenciasse as necessidades da vida adulta. O Censo de 2022 mostra que 54% da população autista do país já é adulta, mas os dados revelam uma exclusão progressiva: apenas 0,8% dos autistas com mais de 25 anos frequentam o ensino superior.

Este abandono institucional contrasta com o perfil cognitivo desta população. O estudo refuta o estigma de que o autismo está sempre ligado à deficiência intelectual, citando dados que mostram que cerca de 59% dos autistas têm QI médio ou superior. Para reforçar que as barreiras são sociais e não intelectuais, a pesquisa menciona casos documentados de altas capacidades, como relatados pelo neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, membro de sociedades de alto QI e de grupos para estudos com autistas como o RG-TEA.

Segundo os autores, esta invisibilidade se reflete em todas as áreas da vida adulta. No mercado de trabalho, persistem barreiras e práticas capacitistas, mesmo com a existência de leis de cotas. Na saúde, os dados são alarmantes: um levantamento citado no artigo mostra que 64,7% dos autistas adultos nunca receberam orientação sobre sexualidade e 78% com mais de 50 anos não possuem um plano terapêutico continuado.

A pesquisa conclui que a inclusão plena exige uma rutura com os paradigmas que infantilizam o autismo. É preciso que a neurodiversidade seja reconhecida como um pilar da cidadania ao longo de toda a vida, com a criação de políticas de empregabilidade, moradia, saúde mental e, principalmente, com a escuta ativa dos próprios autistas como especialistas das suas vivências na formulação de novas leis e ações.


PMEs podem escolher número de parcelas para quitar débitos com a Receita Federal

Medida é importante para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte não sejam excluídas do Simples Nacional e possam adequar o pagamento à sua realidade financeira

Os microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) interessadas em regularizar os débitos com a Receita Federal do Brasil (RFB) agora podem escolher a quantidade de parcelas paa quitar a dívida. Por meio do sistema de parcelamento ordinário, o órgão permite que os contribuintes escolham, no momento da solicitação, a quantidade de parcelas que desejam pagar. Isto permite a donos de pequenos negócios terem mais autonomia para escolher o plano que se adeque melhor à sua realidade financeira.

A medida é importante para que a empresa não seja excluída do Simples Nacional. Além disso, a renegociação das dívidas permite que os pequenos negócios tenham acesso a uma série de benefícios, como participar de compras públicas. De acordo com a Receita Federal, o limite máximo é de 60 parcelas. Os valores mínimos por parcela seguem definidos em R$ 300,00 para empresas do Simples Nacional, e R$ 50,00 para os microempreendedores individuais.

De acordo com Pedro Pessoa, analista de Políticas Públicas do Sebrae, essa é uma grande oportunidade para os empreendedores, pois a decisão de renegociar os débitos garante solidez ao pequeno negócio, além de economia. "Parcelar esse pagamento permite que a empresa esteja com condições estáveis para participar de mercados mais exigentes que demandam essa certidão de regularidade, além de garantir uma visão de futuro sem débitos"

A funcionalidade já está disponível no Portal do Simples Nacional, e no Centro Virtual de Atendimento (e-CAC) da Receita Federal.

 

Agência Sebrae

Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/pmes-podem-escolher-numero-de-parcelas-para-quitar-debitos-com-a-receita-federal

 

Argentina atrai brasileiros na temporada de neve com bom custo-benefício e variedade de experiências

Com alta de 200% na busca pela moeda local, destinos de inverno no país vizinho cativa turistas do Brasil; veja como se planejar para fazer essa viagem ainda em 2025

 

A temporada de neve segue movimentando os destinos de inverno na Argentina, especialmente no início de agosto, época que marca a metade do inverno no Hemisfério Sul. Segundo dados da Travelex Confidence, maior especialista em câmbio do mundo, o interesse dos brasileiros por viagens ao país vizinho cresceu consideravelmente em 2025. Um reflexo disso foi a procura pelo peso argentino, que teve um aumento de 200% no volume transacionado entre os meses que antecederam a alta-temporada (abril a junho). 

A maior procura pela moeda oficial da Argentina está diretamente relacionada ao crescente interesse dos brasileiros por experiências na neve que tenham bom custo-benefício e deslocamentos rápidos. Com condições climáticas ideais para a prática de esportes de inverno de julho a setembro, com temperaturas médias próximas dos 3 °C e possibilidade de neve intensa em regiões de altitude, o país oferece atrações para todos os perfis de viajantes: desde iniciantes no esqui até famílias em busca de lazer na neve, casais em lua de mel ou aventureiros atrás de pistas desafiadoras. 

Para aproveitar a reta final do inverno na Argentina é preciso, antes de tudo, de planejamento. Um ponto mandatório neste contexto, por exemplo, é a contratação de um seguro viagem com cobertura médica — que passou a ser exigência para a entrada no país vizinho desde maio deste ano. A definição da cidade de destino, compra de moeda local e alternativa em modelos de pagamento, além da conectividade de internet em um país estrangeiro, são outros pontos que precisam estar no radar do turista brasileiro antes de embarcar.

 

Os destinos mais procurados e suas experiências 

Bariloche, na Patagônia argentina, é o destino sul-americano de neve mais requisitado. A cidade é cercada por montanhas e lagos, e abriga a tradicional estação Cerro Catedral, com mais de 120 km de pistas e uma estrutura completa de hospedagem, gastronomia e serviços. A região também é conhecida pelo après-ski animado e pelas lojas especializadas em roupas e equipamentos de inverno. 

Já San Martín de los Andes encanta pela atmosfera charmosa e paisagens cinematográficas. Lá está localizada a estação Chapelco, considerada uma das mais bonitas do país, com excelente estrutura para famílias e destaque para trilhas panorâmicas e esportes como snowboard e trenó. Villa La Angostura, próxima dali, é mais tranquila e acolhedora, perfeita para quem está começando ou busca dias de relaxamento em meio à natureza, com foco no Cerro Bayo, que tem pistas ideais para iniciantes. 

Na região de Mendoza, Las Leñas atrai esquiadores mais experientes com pistas longas e declives acentuados, além da possibilidade de esqui noturno sob iluminação artificial. É um destino mais exclusivo, com resorts integrados às montanhas. No extremo sul, Ushuaia, conhecida como a cidade mais austral do mundo, abriga a estação Cerro Castor, que oferece a temporada de neve mais longa do Hemisfério Sul e combina esportes com paisagens exuberantes, como glaciares e florestas nevadas. O destino também é excelente para quem busca aventura, com opções como snowmobile, patinação no gelo e trekking na neve.

 

Organização financeira: passo essencial para viajar com tranquilidade 

Viajar durante a temporada de inverno exige atenção especial ao planejamento financeiro. “É muito importante estimar todos os custos envolvidos antes do embarque, incluindo passagens, hospedagem, alimentação, transporte local, ingressos para as atrações e seguro viagem com cobertura para esportes de inverno”, afirma Jorge Arbex, diretor do Grupo Travelex Confidence. Uma reserva adicional para emergências também é recomendada. 

O recomendável é que, sempre que possível, a aquisição da moeda estrangeira seja feita de forma parcelada, ao longo dos meses anteriores à viagem. Essa prática ajuda a reduzir o impacto das oscilações do câmbio, evitando grandes variações de última hora.

 

Use a moeda local e diversifique as formas de pagamento 

Apesar de o dólar ser aceito na maioria dos estabelecimentos argentinos, a orientação é levar pesos argentinos. “Ao adquirir a moeda local, o turista evita a necessidade de realizar conversões no destino ou em aeroportos, onde as taxas costumam ser menos vantajosas, ou fazer uma ‘dupla conversão’, do real para o dólar e do dólar para o peso argentino, por exemplo”, explica Jorge Arbex. 

Levar parte do valor em papel-moeda é importante para despesas corriqueiras, como táxis, lanches e compras locais. Outra opção prática é o cartão pré-pago internacional, aceito em milhares de estabelecimentos. Ele funciona como um cartão de débito, pode ser recarregado antes e durante a viagem, e ainda ajuda no controle dos gastos, com a taxa de câmbio definida no momento da recarga. Para quem busca ainda mais segurança, o seguro viagem também está disponível e pode ser contratado de forma simples, direto pelo site ou aplicativo.

 

Considere contratar planos de conectividade e seguro de viagem 

Ter um chip internacional durante a estadia na Argentina também é um detalhe muito importante. A conectividade garante acesso aos serviços bancários e meios de pagamentos online a qualquer momento, sem depender de redes Wi-Fi públicas, que podem ser insuficientes e inseguras, por exemplo. Além disso, aplicativos como Google Maps e Waze são indispensáveis para explorar as cidades, ajudando o turista a chegar aos destinos com eficiência. 

A tecnologia eSIM é uma ótima opção, ativado digitalmente e sem a necessidade de adquirir uma versão física, em que o usuário pode selecionar o plano de dados mais adequado para o período em que vai passar no exterior e, dessa forma, assegurar uma comunicação estável e sem interrupções, de acordo com suas necessidades de dados. 

Por conta da obrigatoriedade imposta pelo governo argentino para que turistas só possam entrar no país com um seguro viagem válido, de preferência com cobertura mínima de US$ 30 mil para despesas médicas e hospitalares, a contratação desse serviço é indispensável para garantir tranquilidade e segurança durante a estadia no exterior. A Travelex Confidence oferece uma opção de Seguro-Viagem Internacional, que pode ser contratado online, por telefone e nas lojas. A abrangência é completa, com assistência médica, odontológica, telemedicina, além de garantia em casos de perda de bagagem. 

Com estrutura turística consolidada, paisagens deslumbrantes e moeda mais acessível, a Argentina reafirma seu papel como o destino de neve mais buscado por brasileiros em 2025, reunindo diversão, segurança e economia para quem quer aproveitar o fim do inverno com estilo.

 

Grupo Travelex Confidence

 

Modelo computacional aprimora o planejamento de usinas de hidrogênio verde

O hidrogênio emite apenas vapor d’água quando usado como
combustível e é o elemento mais abundante do Universo
 (
imagem: Freepik versão)

Ferramenta matemática visa minimizar gastos totais de capital e operacionais e, ao mesmo tempo, garantir a robustez do desempenho diante de instabilidades no fornecimento de energia renovável, uma vez que sol e vento são fontes intermitentes

 

O hidrogênio é o elemento mais abundante do Universo e pode ser utilizado como combustível limpo, emitindo apenas vapor d’água quando consumido em células a combustível ou turbinas. No entanto, ele não se encontra de forma isolada na natureza, sendo necessário extraí-lo de compostos como a água (HO) ou o gás natural (CH).

O chamado “hidrogênio verde” é aquele produzido por meio da eletrólise da água, um processo que separa o hidrogênio do oxigênio utilizando eletricidade proveniente exclusivamente de fontes renováveis, como solar ou eólica. Dessa forma, o ciclo completo, da produção ao uso, do hidrogênio não gera emissões de carbono – ao contrário do “hidrogênio cinza” ou “azul”, derivados de fontes fósseis. Por essa razão, o hidrogênio verde é visto como uma peça-chave para a descarbonização de setores industriais de difícil eletrificação, como siderurgia, transporte pesado e produção de fertilizantes.

No entanto, a variabilidade das fontes de energia renovável (FER) impõe desafios ao planejamento e à operação de plantas de hidrogênio verde. Para enfrentar esses desafios, um estudo propõe novo modelo com vista a minimizar gastos totais de capital e operacionais e, ao mesmo tempo, garantir a robustez do desempenho diante da incerteza no fornecimento de energia renovável.

Artigo a respeito, tendo como primeiro autor Luis Oroya, pesquisador do Departamento de Sistemas e Energia da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (FEEC-Unicamp), foi publicado na revista International Journal of Hydrogen Energy.

“O novo modelo, chamado de X DRO, sigla para Extreme Distributionally Robust Optimization, foi concebido para lidar com as incertezas extremas que afetam a geração de energia renovável, como variações abruptas de clima, demanda elétrica e disponibilidade de insumos. Em vez de trabalhar apenas com cenários médios ou extremos isolados, como fazem os métodos convencionais, o X DRO considera distribuições ambíguas de probabilidade e busca soluções robustas mesmo diante dos piores cenários possíveis”, diz Oroya. “O objetivo é garantir a continuidade da operação e a viabilidade econômica de sistemas complexos, nos quais a produção de hidrogênio verde esteja integrada não apenas a fontes fotovoltaicas e eólicas, mas também à rede convencional de energia elétrica.”

A metodologia inclui a seleção de cenários representativos e extremos para entrada no modelo, de modo a refletir a variabilidade das FER. O modelo opera em duas etapas.

“Na primeira etapa, são consideradas decisões de planejamento, incluindo o dimensionamento de unidades fotovoltaicas e eólicas, sistemas de armazenamento de energia em baterias, eletrolisadores e tanques de armazenamento de hidrogênio. A segunda etapa trata das decisões operacionais, relacionadas à troca de energia com a rede elétrica, à produção e ao armazenamento do hidrogênio e às probabilidades de pior cenário de geração das FER. Esse tipo de abordagem é crucial para o dimensionamento realista de plantas energéticas híbridas, especialmente quando se busca combinar múltiplas fontes renováveis”, detalha o pesquisador.

Para tornar essa abordagem computacionalmente viável, os autores reformularam o problema original em termos de “programação linear inteira mista” (MILP, na sigla em inglês) e utilizaram um algoritmo que permite decompor o problema em subproblemas mais simples e resolver cada um iterativamente (por repetição, ajuste e refinamento contínuo).

A MILP é uma técnica usada para maximizar ou minimizar uma função linear (por exemplo, tempo, custo etc.) sujeita a um conjunto de restrições lineares (disponibilidade de recursos, capacidade de produção etc.). É “inteira” porque algumas variáveis só podem assumir valores inteiros (número de equipamentos, número de turnos etc.). E “mista” porque outras variáveis podem assumir qualquer valor real dentro de um intervalo (quantidade de energia gerada, lucro etc.).

“Nos testes realizados, o modelo X DRO demonstrou ser capaz de encontrar soluções mais econômicas e confiáveis do que os métodos tradicionais. Além disso, mostrou uma capacidade superior de adaptação a flutuações rápidas e severas nas condições operacionais, característica fundamental para sistemas baseados em fontes intermitentes como o sol e o vento”, detalha Oroya.


Esquema de produção de hidrogênio verd
 (imagem: Luis Oroya/FFEC-Unicamp)

Outro diferencial da proposta é o tratamento unificado das múltiplas redes de energia envolvidas. A pesquisa adotou uma modelagem integrada dos vários sistemas, permitindo que fluxos energéticos sejam redistribuídos de forma flexível conforme as necessidades e as oportunidades de economia.


Energia para comunidades isoladas

Sobre o uso do hidrogênio verde, além de seu emprego como combustível veicular, em células a combustível, ou como combustível para uso industrial, em turbinas, Oroya aponta outra possibilidade: fonte de energia elétrica para comunidades isoladas, como as existentes em várias localidades da Amazônia. “Muitas dessas comunidades, que não têm acesso à rede elétrica, poderão se beneficiar de sua capacidade de armazenar grandes quantidades de energia renovável por longos períodos, permitindo iluminação e operação de equipamentos mesmo em períodos prolongados de baixa geração solar”, afirma.

Quanto à possibilidade de colocar imediatamente em prática o modelo X DRO, o engenheiro dá um exemplo: “Temos na Universidade Estadual de Campinas um eletroposto e um ônibus elétrico em operação. No futuro próximo, poderemos contar com uma planta para produção de hidrogênio verde integrada a uma estação de abastecimento, viabilizando a operação de um ônibus movido por célula a combustível. Seria uma unidade-piloto com aplicação bem definida. O modelo permitiria planejar essa solução alternativa e comparar seus prós e contras em relação à solução elétrica já existente”.

Oroya é, atualmente, doutorando na FEEC. O estudo faz parte de seu projeto de pesquisa “Planejamento e operação de sistemas de produção de hidrogênio verde: uma abordagem robusta”, apoiado pela FAPESP.

“O desenvolvimento do modelo X DRO representa um avanço metodológico importante para o planejamento energético sob incertezas, pois alia rigor matemático com aplicabilidade prática em sistemas sustentáveis e complexos, como os de produção de hidrogênio verde”, diz seu orientador de doutorado, o professor Marcos Julio Rider Flores.

O artigo Distributionally robust optimization for green hydrogen plant planning considering extreme scenarios pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0360319925016404.

 

José Tadeu Arantes

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/modelo-computacional-aprimora-o-planejamento-de-usinas-de-hidrogenio-verde/55548

 

72% dos pais não poupam para o futuro dos filhos: como o seguro de vida pode transformar essa realidade?

Ferramenta estratégica ganha espaço em meio à falta de educação financeira familiar

 

Uma pesquisa do Serasa, intitulada “Finanças Infantis”, mostra que 72% dos pais não realizam investimentos para o futuro dos filhos. O dado reforça a importância de ampliar o planejamento financeiro familiar. Nesse contexto, o seguro de vida se apresenta como uma solução estratégica: além de proteger a renda em casos de imprevistos, garante estabilidade e bem-estar a longo prazo, evitando que situações inesperadas comprometam os projetos da família.

 

Essa falta de preparo pode ter raízes culturais, já que 56% dos pais afirmam não se lembrar de terem recebido orientações sobre finanças na infância. O reflexo desse vazio educativo aparece em outro dado preocupante: 24% dos entrevistados, segundo levantamento da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida em 2024, apontaram desinteresse como motivo para não contratar um seguro de vida. A preocupação cresce ao considerar que muitos desses indivíduos são provedores do lar e que, em sua ausência, os dependentes ficariam desamparados.

 

Mais do que uma indenização em caso de falecimento, o seguro de vida oferece coberturas em vida, como para doenças graves ou invalidez, que garantem a continuidade da renda e dos compromissos familiares, mesmo diante de imprevistos que afetam diretamente a capacidade de prover.

 

Para José Luiz Florippes, diretor de vendas da Omint Seguros e pai de uma menina, o seguro de vida desempenha um papel estratégico no planejamento familiar. “Ainda é comum associar o seguro de vida apenas à ausência, mas ele é, na verdade, uma expressão concreta de cuidado no presente”, afirma.

 

Além da proteção imediata, o seguro também pode ser compreendido como um instrumento de educação financeira. “Ao contratá-lo, o responsável sinaliza aos filhos a importância de se preparar para o futuro, conviver com riscos e adotar atitudes responsáveis desde cedo”, explica Florippes.

Outro benefício é que, diferentemente de um investimento, o seguro de vida oferece alavancagem imediata, já que garante o valor integral contratado logo após o pagamento da primeira parcela, proporcionando liquidez diante de qualquer evento previsto em apólice.

 

Por que o seguro de vida importa 

·     Proteção em vida: cobre casos de doenças graves e invalidez, garantindo a continuidade da renda mesmo que o pai enfrente um problema incapacitante.  

·     Produto com propósito: além de amparar financeiramente, representa um compromisso educacional. Ao contratar o seguro, o pai sinaliza ao filho a importância de conviver com risco, responsabilidade e proteção. 

·     Legado financeiro consciente: o seguro pode ser usado como exemplo prático de planejamento para os filhos, mostrando que pensar no futuro faz parte da segurança emocional e material da família. 

“Quando falta planejamento financeiro, falta também a oportunidade de ensinar, na prática e pelo exemplo, como cuidar do futuro. Os dados mostram que muitos pais não investem nem mesmo o mínimo, o que revela um ciclo preocupante: a ausência de preparo hoje pode comprometer o amanhã”, comenta Florippes.

 

Omint Seguros


Digitalização da saúde na mira do Judiciário

O crescimento recente dos chamados "hubs de saúde" — plataformas digitais integradas às farmácias, que oferecem consultas médicas, telemedicina e venda de medicamentos e suplementos — exige atenção redobrada dos profissionais e empresas envolvidos. Embora essas iniciativas possam promover inovação tecnológica e ampliar o acesso aos serviços de saúde, é essencial respeitar os limites impostos pela legislação sanitária e pela ética profissional. 

Uma decisão recente da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, no caso envolvendo a rede farmacêutica Pague Menos, reacendeu importantes discussões sobre a legalidade e os riscos regulatórios desse modelo. A sentença destacou que a oferta de serviços médicos vinculados à atividade comercial das farmácias pode configurar violação ao Código de Ética Médica, além de prática abusiva como a venda casada — proibida pelo artigo 39, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90). 

Não se trata de um caso isolado, mas de uma tendência cada vez mais presente no mercado da saúde: a estruturação de serviços médicos online acoplados a plataformas de venda. A telemedicina, que surgiu como resposta emergencial à pandemia e foi consolidada com a Lei nº 14.510/2022, trouxe avanços significativos no acesso ao cuidado. Hoje, além das consultas síncronas (ao vivo), também são permitidas as chamadas teleconsultas assíncronas, nas quais o paciente responde a questionários online e o médico analisa posteriormente. 

Na prática profissional, observo um crescimento expressivo na solicitação de pareceres sobre os riscos dessas iniciativas. São cada vez mais comuns projetos estruturados nesse modelo, desde startups até grandes multinacionais. O foco, em muitos casos, recai sobre nichos comerciais altamente lucrativos, como serviços de emagrecimento, prescrição de hormônios ou suplementos, e dispositivos injetáveis com apelo estético. Não é raro encontrar divulgação de canetas de GLP-1 (semaglutida, tirzepatida) para perda de peso com base apenas em formulários automatizados, sem avaliação presencial — ou sequer virtual — do paciente. 

Chama atenção o risco de caracterização da captação e intermediação indevida de fórmulas magistrais, sobretudo quando há envolvimento com farmácias de manipulação. Trata-se de tema amplamente judicializado até cerca de quinze anos atrás, e que foi enfrentado com a promulgação da Lei nº 11.951/2009, que incluiu, na Lei nº 5.991/1973, a proibição desse tipo de prática. Na época, o foco estava na interação entre farmácias de manipulação e drogarias que atuavam como intermediárias entre paciente e laboratório. 

Além do risco clínico, preocupa a banalização do ato médico. A consulta torna-se item de assinatura. O cuidado vira etapa do funil de vendas. O médico, um carimbador de decisões comerciais. O paciente, um consumidor que já inicia sua jornada de saúde com um produto predeterminado. Não é exagero dizer que estamos diante de uma linha tênue entre a inovação regulada e um modelo de negócio predatório. 

Para a magistrada que proferiu a decisão, a prestação de serviços médicos sem o devido registro no Conselho Regional de Medicina configura prática irregular e perigosa, sujeitando as empresas a multas e suspensão das atividades. 

Estaria o médico se tornando uma mera peça na engrenagem comercial, enquanto o paciente se vê cada vez mais desassistido? 

Por outro lado, acredito fortemente na possibilidade de se estabelecerem parcerias éticas e responsáveis entre prescritores e farmácias, desde que pautadas por critérios regulatórios bem definidos e práticas transparentes. A decisão judicial mencionada serve de alerta e deve ser compreendida como orientação educativa: inovações tecnológicas não podem suplantar exigências estruturais e éticas. 

Assim, recomenda-se cautela às empresas do setor farmacêutico ao investir nessas plataformas, garantindo, acima de tudo, o respeito à autonomia profissional, às normas sanitárias vigentes e ao Código de Defesa do Consumidor — evitando riscos regulatórios relevantes e protegendo, sobretudo, a saúde e a segurança dos pacientes. 

A decisão da Justiça Federal do RS acerta ao impor limites. Não se trata de frear a digitalização da saúde, mas de reafirmar distinções éticas inegociáveis. Medicina e farmácia são profissões com finalidades distintas. Um médico não deve prescrever com base em interesses comerciais. 



Claudia de Lucca Mano - advogada e consultora empresarial atuando desde 1999 na área de vigilância sanitária e assuntos

Santana


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