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terça-feira, 23 de abril de 2024

Longevidade: confira seis dicas práticas para viver mais e de forma mais saudável

A geriatra do Hospital Edmundo Vasconcelos, Priscila Abiko, oferece orientações sobre hábitos que podem trazer mais qualidade de vida e tranquilidade para o futuro


Você já parou para pensar no que é preciso fazer para viver por mais tempo (e melhor)? É claro que não há uma receita única e milagrosa que possa resolver todos os problemas, já que a longevidade depende de muitos fatores diferentes. Mas há alguns hábitos e cuidados que podem ser tomados para ampliar não só a quantidade de anos vividos, mas também a qualidade de vida que se reflete na independência, vitalidade e ausência de dor ou limitações na vida de cada pessoa.

“A maioria destes hábitos para uma vida longa parecerá bastante clichê e realmente são, justamente por já serem conhecidos e comprovados cientificamente há muito tempo e assim já terem caído no conhecimento popular. Minha estratégia para inserir esses clichês na rotina do paciente é explicar porque e como cada uma destas medidas é importante e determinante no envelhecimento bem-sucedido”, destaca Priscila Abiko, geriatra do Hospital Edmundo Vasconcelos.

Segundo a especialista, seis fatores são essenciais para ter uma vida mais longa e mais saudável e podem gerar uma estrutura sólida para as adversidades que podem surgir, o que a geriatra define como reserva fisiológica. “A reserva fisiológica é como uma poupança que fazemos ao longo da vida para podermos usar quando for necessário, por exemplo frente a uma infecção, queda, infarto ou qualquer outro adoecimento. Se não criamos esta poupança, não teremos recursos no organismo para combater estas adversidades de maneira satisfatória. O mesmo se aplica ao desenvolvimento de uma mente sã para enfrentar as dificuldades emocionais e perdas que ocorrem com o envelhecimento”, destaca. Por isso, nunca é tarde para começar a colocar essas orientações em prática. Confira os seis pontos destacados pela médica.

Dica 1 - Exercícios

A primeira dica essencial é a realização de exercícios físicos regulares. “A melhor atividade é aquela que você pode fazer, considerando seu estado físico e recurso financeiro. Comece com poucos minutos por dia e aumente progressivamente, até a meta mínima de 150 minutos programados por semana”, explica ela. Segundo a médica, a melhor estratégia é alternar exercícios aeróbicos (caminhada vigorosa, corrida, bicicleta, dança e outros esportes), já que esses fortalecem o coração e a circulação sanguínea, melhora a capacidade pulmonar, reduz obesidade, reduz o estresse e aumenta o bem-estar; com os exercícios anaeróbicos (como musculação e pilates), que geram aumento da força muscular, equilíbrio, fortalecimento ósseo e redução da obesidade.

Dica 2 - Alimentação

Uma alimentação balanceada é um fator preponderante para a vitalidade. “Se alimente de comida “de verdade”, como carnes (que oferecem proteínas), legumes (que são antioxidantes e ricos em vitaminas), salada, frutas e grãos. Evite industrializados, alimentos gordurosos e com muito açúcar (não se esqueça que pão, macarrão, bolacha, entre outros carboidratos se transformam em açúcar dentro do organismo por mais que sejam salgados) ”, destaca a geriatra. Ela ressalta que uma alimentação rica em gorduras e carboidratos e pobre em proteínas, vegetais, frutas e leguminosas também gera obesidade, diabetes, doenças inflamatórias e aumento do risco cardiovascular.

Dica 3 – Manter-se ativo

Priscila ressalta que exercitar o cérebro também contribui e muito para uma vida mais longa e saudável. “Uma mente ativa reduz taxa de demência e é essencial para a saúde mental e física. É importante manter-se ativo seja trabalhando, se comprometendo com trabalhos, compromissos e atividades sociais, com a leitura, tendo tarefas e metas diárias, praticando jogos e outras atividades, além das interações sociais”, enaltece. Segundo ela, essas atividades colaboram para prevenir quadros demenciais e para regular o sistema interno de bem-estar. Mas ela alerta que é preciso estar atento ao excesso de trabalho e ao estresse excessivo que causa danos oxidativos. 

Dica 4 – Cuidar da parte psicológica

Ao se falar em evitar o estresse, no campo psicológico tratar doenças psiquiátricas como ansiedade e depressão é de fundamental importância para uma vida longa. “Estudos comprovam que pessoas com depressão possuem uma expectativa de vida de 10 a 15 anos menor que a população em geral. Isso se deve a liberação de hormônios do estresse, aumento de fatores inflamatórios sem falar da associação de doenças psiquiátricas com suicídio e abuso de substâncias”, reforça. Segundo a médica, algumas práticas para evitar o adoecimento mental são a meditação, yoga, mindfulness, psicoterapia e atividades de lazer.

Dica 5 – Parar de fumar e de consumir álcool em excesso

A especialista firma que parar de fumar melhora praticamente todos os órgãos e funcionamento do corpo. “Reduz as ocorrências de infartos, AVCs, doenças pulmonares, oncológicas, enfisema pulmonar e demência. Como o tabagismo é uma doença, busque ajuda médica para receber um tratamento completo e assim aumentar a taxa de sucesso em parar de fumar”, diz. De acordo com ela, evitar o consumo de álcool excessivo também é essencial para evitar quadros relacionados a doenças hepáticas, deficiência vitamínica e nutricional, neoplasias e demências.

Dica 6 – Tratar as doenças, realizar exames preventivos e procurar um médico

É importante sempre cuidar e tratar de doenças já existentes como diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, obesidade, entre outros. “O abandono dos tratamentos indicados pode gerar complicações graves e até fatais”, garante a geriatra do Hospital Edmundo Vasconcelos. Para além dos tratamentos, também é essencial investir na prevenção de doenças, realizando os exames de rotina (ou check-ups) para identificar alterações de saúde precocemente. “Assim será possível instituir tratamento o mais rápido possível, antes que a doença se agrave e traga sequelas maiores”, afirma. Alguns dos exames mais relevantes são aqueles ligados aos cânceres de intestino, mama, colo de útero, osteoporose, hipertensão e diabetes.

Para estar atento a tudo isso, Priscila Abiko oferece uma orientação final. “Faça consultas periódicas ao seu médico de confiança. O tratamento de doenças e o diagnóstico precoce podem te proporcionar não apenas uma vida mais longa, mas também com qualidade, independência, sem limitações para usufruir do que traz sentido e felicidade”, finaliza.

 

 Hospital Edmundo Vasconcelos

www.hpev.com.br

 

Qual a diferença entre Canabidiol e THC?

 

Psiquiatra explica as nuances destes dois compostos vegetais de cannabis e seus benefícios

 

Você sabia que o canabidiol (CDB) e o tetrahidrocanabinol (THC), substâncias retiradas da planta cannabis, podem ter propriedades benéficas no tratamento de diversas doenças?

 

Entrevistamos Higor Caldato (@drhigorcaldato), médico psiquiatra e sócio do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais), especialista em psicoterapias e transtornos alimentares, para saber as diferenças, o uso farmacêutico e seus benefícios. Confira: 

O conjunto de substâncias presentes na cannabis fazem parte de um grupo chamado de fitocanabinóides, os mais conhecidos e estudados são o CBD e o THC. Eles podem ser utilizados medicinalmente em diversos transtornos como mais uma alternativa terapêutica, geralmente associada ao tratamento convencional que já está sendo feito. 

 

CBD x THC  


·         Efeitos psicoativos: 

O THC é conhecido por ser psicoativo, o que significa que pode causar alterações no estado mental e na percepção, levando a sensações de euforia, relaxamento ou aumento da sensibilidade sensorial. 

O CBD, por outro lado, não é psicoativo e não causa os mesmos efeitos de alteração do estado mental. Na verdade, alguns estudos sugerem que o CBD pode até mesmo atenuar os efeitos psicoativos do THC.

 

·         Propriedades terapêuticas: 

O THC é amplamente utilizado para tratar uma variedade de condições médicas, incluindo dor crônica, náuseas e vômitos associados à quimioterapia, perda de apetite e distúrbios do sono.

 

O CBD também possui uma ampla gama de propriedades terapêuticas, incluindo a redução da ansiedade, alívio da dor, controle de convulsões em condições como epilepsia, redução da inflamação e melhoria da qualidade do sono.

 

·         Efeitos colaterais: 

O THC pode causar efeitos colaterais como boca seca, olhos vermelhos, aumento da frequência cardíaca, coordenação motora prejudicada e, em algumas pessoas, ansiedade ou paranoia.

 

O CBD geralmente é bem tolerado e causa menos efeitos colaterais, que geralmente são leves e incluem fadiga, mudanças de apetite e diarreia em algumas pessoas.

 

·         Legislação: 

Devido aos seus efeitos psicoativos, o THC é regulamentado de forma mais estrita em muitos países, incluindo restrições à prescrição e à venda.

 

O CBD, por outro lado, é geralmente mais acessível e menos regulamentado, sendo legal em muitos países quando derivado de cânhamo industrial com baixo teor de THC. No entanto, as leis variam de acordo com o país e o estado.

 

Em resumo, enquanto o THC é conhecido por seus efeitos psicoativos e é frequentemente usado para tratar uma variedade de condições médicas, o CBD é não psicoativo e possui uma ampla gama de propriedades terapêuticas, tornando-se uma opção atraente para muitos pacientes.

 

Por isso, iremos explorar os principais pontos do uso do canabidiol medicamentoso. É de suma importância lembrar que para importar ou adquirir produtos à base de canabidiol no Brasil, é necessário que o paciente ou seu representante legal obtenha uma prescrição médica, registrada em receituário próprio, e solicite uma autorização de importação junto à Anvisa. A importação é realizada mediante a apresentação de documentos específicos e aprovação prévia do órgão.

 

Além disso, a comercialização de medicamentos à base de canabidiol no Brasil está sujeita à regulamentação da Anvisa e os produtos devem atender a requisitos de qualidade, segurança e eficácia estabelecidos pela agência.

 

Por isso, Higor argumenta que não se deve iniciar o tratamento sem orientação médica, busque informar-se sobre o assunto e familiarizar-se sobre os potenciais benefícios e riscos para a condição que deseja tratar, porém não tome nenhuma decisão e não inicie o tratamento sem orientação médica. Certifique-se de escolher produtos de alta qualidade, preferencialmente de marcas respeitáveis. Não abandone as outras formas de tratamento, o CBD pode ser uma terapia útil, mas na grande maioria dos casos é melhor utilizado como parte de uma abordagem terapêutica mais abrangente.

 

Tratamento de problemas de saúde mental

 

Segundo o psiquiatra, o CBD pode influenciar para a melhora da saúde mental e para o bem-estar emocional em alguns transtornos. Existe um sistema chamado endocanabinoide no nosso organismo, responsável pela regulação e pelo equilíbrio de uma série de processos internos do nosso corpo, um conjunto de receptores presentes em órgãos como o cérebro que interagem com as moléculas da planta cannabis.

 

Existe mais evidências científicas dos benefícios relacionados à ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Para depressão, as pesquisas são menos conclusivas, porém alguns estudos sugerem que o canabidiol pode ter propriedades antidepressivas.

 

O sistema endocanabinóide e seus benefícios começaram a ser estudados e terem maiores esclarecimentos e evidências na literatura científica a partir do ano 2000; e desde então, tem se revelado que a terapia com canabinóides pode apresentar benefícios terapêuticos aos quadros comportamentais, neurológicos, psiquiátricos e inflamatórios.

 

Canabidiol e distúrbios do espectro autista (TEA)

 

Vários estudos em andamento buscam esclarecer o que vários relatos de casos evidenciam na prática nos pacientes com TEA:  

·         Melhora da interação social

·         Ajuste comportamental com melhora da hiperatividade e irritabilidade 

·         Benefícios na comunicação verbal

 

Controle de sintomas do Parkinson 

 

Pesquisas clínicas sugerem que o CBD pode ter propriedades neuroprotetoras e anti-inflamatórias que podem ajudar a proteger os neurônios dopaminérgicos e a reduzir a inflamação do cérebro, ambos fatores associados à doença de Parkinson.

 

Em relação aos sintomas não-motores, o paciente pode apresentar benefícios pelas propriedades ansiolíticas apresentadas pela terapêutica com CBD, além de ajudar a regular o sono e os sintomas gastrointestinais.

 

Possíveis riscos ou efeitos colaterais 


Caldato diz que embora seja considerada uma substância segura, o CBD pode causar efeitos colaterais como: 

·         Boca seca, 

·         Sonolência, 

·         Náusea

·         Mudança do apetite. 

Em relação ao potencial de dependência ou abuso do CBD em pacientes com transtornos mentais, até agora não há evidências substanciais que demonstrem que o canabidiol medicinal tenha potencial de dependência química.

 

Benefícios dos canabinóides

 

No geral, o uso do CBD pode ajudar no melhor controle dos sintomas ansiosos como pensamento acelerado, irritabilidade, dificuldade para relaxar, dores crônicas; pode também trazer melhor ajuste do sono, por exemplo. Com os possíveis benefícios gerados pelo tratamento, o paciente pode estar mais disposto e emocionalmente mais estável, inclusive, para um maior aproveitamento da psicoterapia em função do gerenciamento de suas emoções.

 

 



FONTE:

Higor Caldato (@drhigorcaldato), médico psiquiatra e sócio do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais), especialista em psicoterapias e transtornos alimentares. Graduado em medicina pelo Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos (ITPAC/FAHESA) e fez sua residência médica em psiquiatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), bem como suas especializações em psicoterapias e transtornos alimentares também pela universidade carioca.



REFERÊNCIAS:

Russo, E. B. (2011). Taming THC: potential cannabis synergy and phytocannabinoid-terpenoid entourage effects. British journal of pharmacology, 163(7), 1344-1364.

Pennypacker, S. D., & Romero-Sandoval, E. A. (2020). CBD and THC: do they complement each other like Yin and Yang?. Pharmacotherapy: The Journal of Human Pharmacology and Drug Therapy, 40(11), 1152-1165.

Iffland, K., & Grotenhermen, F. (2017). An update on safety and side effects of cannabidiol: a review of clinical data and relevant animal studies. Cannabis and cannabinoid research, 2(1), 139-154.

White, C. M. (2019). A review of human studies assessing cannabidiol's (CBD) therapeutic actions and potential. The Journal of Clinical Pharmacology, 59(7), 923-934.

Mechoulam, R., & Parker, L. A. (2013). The endocannabinoid system and the brain. Annual review of psychology, 64, 21-47.

Almeida, D. L., & Devi, L. A. (2020). Diversity of molecular targets and signaling pathways for CBD. Pharmacology research & perspectives, 8(6), e00682.

Gaoni, Y., & Mechoulam, R. (1964). Isolation, structure, and partial synthesis of an active constituent of hashish. Journal of the American chemical society, 86(8), 1646-1647.

Bilbao, A., & Spanagel, R. (2022). Medical cannabinoids: A pharmacology-based systematic review and meta-analysis for all relevant medical indications. BMC medicine, 20(1), 259.


Cientistas do Brasil e da Índia criam tratamento promissor contra tumores sólidos

As nanomicelas quiméricas são compostas por fosfolipídios (NMs),
 docetaxel (DTX), substância usada para matar as células tumorais,
e o anti-inflamatório dexametasona (DEX)
 (
imagem: acervo dos pesquisadores)
Em testes com animais, nanopartículas contendo substâncias já aprovadas para uso humano reduziram a inflamação no microambiente biológico em que cânceres desse tipo se instalam e vicejam, facilitando a ação do sistema imune

Artigo publicado recentemente no Journal of Controlled Release detalha o resultado de colaboração científica internacional que desenvolveu uma alternativa para o tratamento dos tumores sólidos por meio da inibição do chamado microambiente tumoral inflamatório (tumour microenvironment ou TME).

Tumores sólidos costumam ser os tipos de câncer de tratamento mais desafiador por causa da dificuldade de penetração dos fármacos. O microambiente tumoral inflamatório, onde os tumores estão alojados, contém várias células e substâncias do próprio paciente que impedem as células de defesa de combater o tumor. “Muitas vezes essas células e moléculas ajudam o tumor a crescer e, por isso, dizemos que ele escapa da vigilância do sistema imune”, explica Lúcia Helena Faccioli, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) e coordenadora da Central de Quantificação e Identificação de Lipídeos (Ceqil), instalada com apoio da FAPESP por meio do Programa Equipamentos Multiusuários.

“Há sempre um cabo de guerra entre células imunológicas promotoras e inibidoras de tumores no TME, onde metabólitos, mediadores lipídicos, citocinas e quimiocinas desempenham um papel importante no domínio da natureza imunossupressora”, escrevem os autores do artigo, que incluem a pesquisadora Viviani Nardini, do Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas da FCFRP-USP, e cientistas de instituições indianas liderados por Avinash Bajaj, chefe do Laboratório de Nanotecnologia e Química Biológica do Centro Regional de Biotecnologia de Faridabad, no estado indiano de Haryana.

A equipe desenvolveu nanomicelas – partículas muito pequenas, medindo entre 1 e 100 nanômetros – compostas de diferentes substâncias e, por isso, chamadas de quimeras. As nanomicelas quiméricas produzidas são compostas por fosfolipídios (NMs), docetaxel (DTX), substância usada para matar as células tumorais, e dexametasona (DEX), um anti-inflamatório muito empregado para diminuir a produção de várias substâncias inflamatórias, como a prostaglandina E2 (PGE2).

Os estudos em animais de laboratório mostraram que essas partículas (NMs+DTX+DEX), ministradas por via intravenosa, foram muito eficientes, diminuindo o tamanho de tumores e aumentando a sobrevida dos animais: os não tratados morrem sempre ao redor de 28-30 dias, mas os tratados sobrevivem até 44-50 dias, explica Faccioli.

“O tratamento induziu uma diminuição superior a cinco vezes no volume do tumor em comparação com tumores não tratados no modelo de câncer de cólon”, detalha Bajaj. As nanomicelas reduziram e alteraram as células presentes ao redor do tumor, aquelas que impedem a ação do sistema imune, favoreceram o aumento de tipos específicos de leucócitos que matam células tumorais e também inibiram a liberação de PGE2, substância inflamatória presente no microambiente tumoral que diminui a ação antitumoral de determinadas células de defesa.

“Embora esses estudos tenham sido feitos em animais, os resultados são muito promissores e abrem possibilidades de estudos em humanos, já que as partículas são formadas por compostos já aprovados para utilização humana”, comemora Faccioli, que realizou seu pós-doutorado no National Heart and Lung Institute da Universidade de Londres.

Além da USP e do laboratório coordenado por Avinash Bajaj, participam da pesquisa o Amity Institute of Integrative Sciences and Health (Haryana), o Departamento de Cirurgia Oncológica do All India Institute of Medical Sciences (Nova Déli), o Instituto Nacional de Imunologia (Nova Déli) e o Instituto Nacional de Genômica Biomédica (Kalyani, Bengala Ocidental).

O artigo Engineered nanomicelles inhibit the tumour progression via abrogating the prostaglandin-mediated immunosuppression pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0168365924001615.



Ricardo Muniz
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/cientistas-do-brasil-e-da-india-criam-tratamento-promissor-contra-tumores-solidos/51457


A evolução dos Raios-X: dos tubos de raios catódicos ao digital

Prestes a completar 130 anos, a fantástica descoberta do Raio-X continua relevante até hoje. 

 

No início de novembro de 1895, durante um experimento sem pretensão realizado pelo o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen, com um tubo de raios catódicos coberto com um papelão grosso, ele percebeu que uma tela fluorescente que estava descartada em seu escritório iluminou-se a mais de um metro de distância assim que o tubo foi ligado.  

Intrigado, Roentgen intuiu que o tubo era capaz de emitir raios invisíveis, e após uma nova série de experimentos, colocou diferentes materiais entre o tubo e a tela, descobrindo que os raios podiam penetrar madeira, vidro e borracha. O físico então teve a ideia de colocar a própria mão no caminho dos raios invisíveis, e pode verificar o contorno dos seus ossos. 

O físico pediu então que sua esposa Anna Bertha Roentgen se coloca a sua mão esquerda no chassi da tela, juntamente com um filme fotográfico, e durante 15 minutos ficou parada com a radiação procedente do tubo incidindo sobre sua a mão.  

Quando o filme foi revelado, sua esposa soltou um grito de terror ao ver expostos seus ossos – para Anna Berth os raios eram percursores da morte. Essa é considerada a primeira radiografia da História, e teria sido realizada no dia 22 de dezembro de 1895. 

Apenas 6 dias depois, em 28 de dezembro, o físico entregou um relatório para a Sociedade Físico-Médica de Würzburg, Alemanha, descrevendo todas suas descobertas. A repercussão foi praticamente imediata dentro do meio acadêmico, com médicos do mundo todo ávidos em poder enxergar dentro do corpo humano sem precisar dissecar o paciente. 

Físicos, químicos, cientistas e pesquisadores tentavam replicar as experiências de Roentgen, na expectativa de encontrar possíveis novas aplicações, além da explicação e compreensão do fenômeno em si. Envolto em muitos mistérios, inclusive para o seu descobridor, que não conhecia todas as suas propriedades, Roentgen decidiu batizar sua descoberta de “Raios X”. 

Hoje sabemos que os Raios X pertencem ao campo do eletromagnetismo, juntamente com a luz visível, o ultravioleta, o infravermelho e as radiações gama, além das ondas de rádio. O comprimento da onda é o principal fator de diferenciação entre os tipos de radiação. 

A descoberta continua tão relevante hoje quanto a 130 anos, além de ter possibilitado o avanço em outras áreas de exames diagnósticos. A partir dos Raios X de Roentgen foram desenvolvidas as técnicas de angiografia, cineangiocoronariografia e tomografia computadorizada, todas se utilizam dos Raios-X de diferentes formas. A radioterapia, usada no tratamento de neoplasias, também emprega esse tipo de radiação. 

Já a radiografia, tornou-se um exame simples, rápido, indolor e não invasivo. A era digital trouxe ainda mais praticidade, uma vez que os equipamentos atuais permitem uma melhor visualização da região interna do corpo humano, sem a necessidade da revelação de filmes radiográficos. 

Na Radiografia Digital, a captura da imagem é feita a partir de placas de circuitos que permitem a geração de uma imagem digital dos tecidos humanos. Além de ser um processo mais seguro, e de dispensar a utilização de filmes radiológicos, Raio-X digital converte em impulsos elétricos a radiação que atravessou a área examinada, gerando uma imagem em pixels em poucos segundos, eliminando a necessidade de armazenar as tradicionais chapas de Raio-X, liberando espaço físico e reduzindo o tempo necessário para processamento. 

Dessa forma, os arquivos podem ser vistos nas telas de computadores, com uma maior resolução. Há ainda a opção de imprimir o exame sem perda de resolução, ou do compartilhamento da imagem com o pacientes ou outros especialistas, gerando ainda mais agilidade no atendimento aos pacientes.

 Além disso, o aparelho Raio-X digital é bem menor do que um Raio-X tradicional, podendo ser portátil. Livre de gastos com insumos e de problemas com descarte dos elementos tóxicos, o Raio-X Digital une uma descoberta revolucionária de quase 130 anos com o que há de mais moderno era digital, para criar uma solução única de diagnóstico. 

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26 de abril - Dia Nacional da Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial

Desafios e impactos da hipertensão arterial no cenário da Saúde no Brasil 

Com números alarmantes e desafios persistentes, a doença se destaca como uma ameaça silenciosa à saúde pública, exigindo conscientização e intervenções eficazes para prevenção e controle.

 

A hipertensão arterial, popularmente conhecida como pressão alta, é uma condição de saúde que afeta uma parcela significativa da população brasileira. Embora muitos associem a hipertensão a sintomas como tontura, falta de ar e dor de cabeça, a realidade é que essa doença é frequentemente assintomática, o que a torna ainda mais perigosa. Se não for controlada, a hipertensão pode reduzir a expectativa de vida do indivíduo.

No Brasil, estima-se que a hipertensão atinja cerca de 32,5% dos adultos, o que representa aproximadamente 36 milhões de pessoas. Alarmantemente, mais de 60% dos idosos também são afetados por essa condição. A hipertensão arterial contribui, direta ou indiretamente, para metade das mortes por doenças cardiovasculares no país. No entanto, muitas pessoas desconhecem sua condição, ou não seguem um tratamento adequado, devido à ausência de sintomas evidentes.

Em Minas Gerais, a situação da hipertensão arterial apresenta números preocupantes, com seis em cada dez mineiros diagnosticados com o problema enfrentando um quadro fora de controle. De acordo com dados do programa federal Previne Brasil, apenas 35% dos hipertensos no estado realizaram a medição da pressão arterial nos últimos seis meses, um critério essencial para o acompanhamento adequado do paciente. Em comparação com outros estados, Minas Gerais se encontra abaixo da média, com números mais próximos aos piores marcadores, como Roraima (23%), seguido pelo Rio de Janeiro e Acre (ambos com 24%), enquanto os melhores índices estão no Ceará (47%) e em Alagoas (45%).

“As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, sendo a hipertensão muito comum na população e um grande fator de risco para essas doenças. Manter a pressão arterial dentro dos valores considerados saudáveis reduz o risco de danos aos vasos sanguíneos e ao coração, prevenindo complicações graves como o infarto e acidente vascular cerebral (AVC)”, afirma o cardiologista Dr. Conrado Lelis Ceccon, do Mater Dei Santa Clara.

Dados do Instituto Nacional de Cardiologia revelam um crescimento nas internações por infarto no Brasil entre os anos 2008 e 2022. Tanto homens quanto mulheres foram afetados, com um aumento médio mensal de 158% e 157%, respectivamente. “O risco de hipertensão arterial e infarto aumenta com a idade, tanto para homens quanto para mulheres. No entanto, nas últimas décadas, tem-se observado um aumento nas internações por infarto em faixas etárias mais jovens, possivelmente devido a fatores como estilos de vida não saudáveis, obesidade e estresse. É importante destacar que a prevenção e o controle da pressão arterial devem ser priorizados em todas as idades”, alerta o médico.

De acordo com o cardiologista, a hipertensão é um dos fatores responsáveis pela lesão vascular por endurecimento e estreitamento das artérias (processo conhecido como aterosclerose) que, associada a fatores inflamatórios, pode ocasionar o rompimento das placas de gordura seguida da ativação do sistema de coagulação com a formação de um coágulo. A obstrução do vaso por esse coágulo reduz a oferta de sangue com oxigênio e nutrientes para o músculo cardíaco, o que ocasiona a morte destas células – processo grave e potencialmente fatal, conhecido como infarto. No Brasil, há 36 milhões de adultos diagnosticados com essa condição, o que eleva consideravelmente o risco de problemas cardíacos.

Por outro lado, a hipertensão secundária pode surgir como resultado de condições médicas subjacentes, como doença renal, distúrbios da tireoide ou problemas nas glândulas suprarrenais. Essas condições podem levar a uma elevação súbita e severa na pressão arterial, exigindo um tratamento específico para a causa subjacente.

“Um dos principais desafios é que a maioria das pessoas com hipertensão não sabe que têm a condição (hipertensão frequentemente não ocasiona sintomas ou leva a sintomas inespecíficos). Além disso, mesmo quando diagnosticados, muitos pacientes não aderem ao tratamento recomendado, seja por esquecimento, efeitos colaterais dos medicamentos ou falta de compreensão da importância do tratamento contínuo”, afirma Conrado.

Além do sexo e da idade, quatro fatores de risco – diabetes, tabagismo, pressão arterial elevada e colesterol elevado – contribuem de forma importante para o risco cardiovascular, especialmente quando combinados. Outras condições ou hábitos podem também contribuir indiretamente como obesidade, falta de atividade física e alimentação não saudável. “É crucial abordar todos esses fatores para reduzir o risco de infarto em pacientes com hipertensão arterial”, reforça Conrado. 


O que difere os sintomas gripais dos sintomas da coqueluche?

Divulgação
Doença que ataca as vias respiratórias é altamente infecciosa

 

Tosse persistente, respiração ofegante, secreção nasal, febre e fadiga. Os sinais se assemelham aos sintomas gripais, mas podem indicar a presença de uma doença não tão comum, mas altamente infecciosa: a coqueluche. 

A doença que pode atingir qualquer pessoa, é mais comum em bebês menores de seis meses de idade, que ainda não foram completamente vacinados e estão mais vulneráveis. No entanto, adultos e adolescentes também podem contrair a doença, especialmente porque a imunidade fornecida pela vacinação na infância pode diminuir ao longo do tempo. 

A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis, que se aloja nas vias respiratórias. A transmissão ocorre através de gotículas expelidas durante espirros e tosse. É possível que alguém seja portador do microrganismo e não apresente sintomas, aumentando assim o potencial de disseminação da doença. 

“A bactéria se aloja no nariz e na faringe, e o perigo pode surgir depois que ela migra para traqueia, brônquios e pulmões. As fases posteriores são caracterizadas por crises de tosses intensas que podem provocar chiados, cianose e vômitos, devido ao esforço para respirar”, explica o médico e professor do curso de Medicina da Faculdade Pitágoras, André Negrelli. 

Negrelli aponta que o tratamento da coqueluche é feito com uso de antibióticos que ajudam a combater a infecção e reduzir a gravidade dos sintomas; medicamentos que aliviam a tosse e isolamento da pessoa contaminada, já que se trata de uma infecção de fácil contágio. “Vale lembrar que todas as medidas devem ser aplicadas respeitando a orientação médica já que cada organismo pode reagir de forma diferente de acordo com a agressividade da bactéria e histórico de saúde”, salienta o médico. 

 

Prevenção 

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a coqueluche e é frequentemente administrada como parte da vacinação infantil de rotina, é recomendada para bebês e crianças em várias doses, começando aos 2 meses de idade. Além disso, vacinas de reforço são recomendadas para adolescentes e adultos, pois a imunidade conferida pela vacina pode diminuir ao longo do tempo. 

“Recomenda-se que mulheres grávidas recebam a vacina contra a coqueluche durante cada gravidez, idealmente entre a 27ª e 36ª semana da gestação. Isso ajuda a proteger o recém-nascido, já que os anticorpos passam da mãe para o bebê antes do nascimento, proporcionando proteção temporária até que o bebê possa receber suas próprias imunizações”, destaca o André Negrelli. 

Praticar boa higiene pode ajudar a prevenir a propagação da coqueluche e outras doenças respiratórias. Isso inclui lavar as mãos regularmente com água e sabão, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar (preferencialmente com um lenço de papel descartável ou o cotovelo flexionado) e evitar o contato próximo com pessoas doentes. 



Faculdade Pitágoras
Para mais informações, acesse o site


TRANSTORNO DE ESPECTRO AUTISTA: BREVE ANÁLISE DA LEI Nº 12.764/2012

 

Conforme o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (Centers for Disease Control and Prevention - CDC), estimava-se que, em 2022, cerca de 2,2% da população acima de 18 anos possuía transtorno espectro autista.


No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esclarece que não há um número oficial a respeito da prevalência do autismo no país. Conforme o “Canal Autismo”, há um estudo piloto na cidade de Atibaia (SP), com 20 mil habitantes, que estimava 1 pessoa com espectro autista para cada 367 criança. Em 2023, estimava-se que havia aproximadamente 6 milhões de pessoas no transtorno espectro autista.


Diante da fragilidade dos dados sobre essa parcela da população, os quais são capazes de influenciar a formulação de políticas públicas, a Lei nº 13.861, de 18 de julho de 2019, acrescentou o parágrafo único ao artigo 17 da Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, para que os censos demográficos realizados a partir de 2019 incluíssem as especificidades inerentes ao transtorno do espectro autista. Dessa forma, mesmo que os diagnósticos não representem com precisão os casos, já apresentam informações dotadas de maior verossimilhança com a realidade.


Nesse viés, é importante ressaltar que o principal marco legislativo foi a Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012, que institui a “Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista”, a qual considera como pessoa com transtorno do espectro autista aquelas que apresentam (artigo 1º, §1º, incisos I e II):


I - deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação e da interação sociais, manifestada por deficiência marcada de comunicação verbal e não verbal usada para interação social; ausência de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento; 


II - padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos.

 

A Política Nacional pauta-se, portanto, na necessidade em promover a intersetorialidade para o desenvolvimento das ações, a participação da comunidade, a atenção às questões de saúde (diagnóstico precoce, atendimento multidisciplinar, acesso à mediação e nutrientes), o estímulo à inserção no mercado de trabalho. Além disso, ainda contempla iniciativas voltadas a promover a informação, a pesquisa científica e a formação de profissionais para atendimento (artigo 2º da Lei nº 12.764/2012).


No que tange aos direitos da pessoa com transtorno do espectro autista, o artigo 3º da Lei nº 12.764/2012 ainda apresenta 3º um rol meramente exemplificativo, dentre os quais destacam-se o direito à: vida digna, integridade (física e moral), segurança, lazer, proteção, bem como o direito ao acesso à saúde à educação, à moradia, ao mercado de trabalho, à previdência social e à assistência social. 


Por outro lado, no que diz respeito às proteções, a referida lei reitera disposições constitucionais ao apresentar o dever de proteger a pessoa com transtorno do espectro autista de qualquer tratamento desumano, degradante ou de qualquer forma de discriminação (artigo 4º da Lei nº 12.764/2012), conforme artigo 3º, inciso IV, 5º, inciso III, e outros da CF. Nessa perspectiva de vedação à discriminação, o texto legal ainda contempla a vedação de planos de saúde privados impedirem a participação de pessoas com espectro autista, bem como de escolas recusarem a matrícula de aluno com transtorno de espectro autista ou outro tipo de deficiência.


Para além das questões supramencionadas, que enfatizam a legislação própria sobre o tema, a pessoa com espectro autista ainda goza de toda a proteção garantida à pessoa com deficiência, disposta no Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) ou em outras disposições legais e constitucionais espaças pelo ordenamento. Há, inclusive, disposições que asseguram direitos à pessoa com espectro autista e quiçá que poderão beneficiar familiares/ responsáveis, dos quais ressalte-se:


(i) o Benefício de Prestação Continuada (BPC) previsto no que garante um salário-mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família (artigo 20, Lei nº 8.742/1993);


(ii) caso a empresa aérea exija a presença de um acompanhante para a pessoa com deficiência, concederá ao acompanhante desconto de no mínimo 80% da tarifa cobrada do passageiro com deficiência (artigo 48, §1º, Resolução 009, de 05 de junho de 2007);


(iii) a Isenção de IPI Imposto sobre Produtos Industrializados) e/ou IOF (Imposto sobre operações financeiras) na aquisição de veículos, nos termos da RFB nº 1.769/2017;

 

Dentre as alterações recentes da Lei nº 12.764/2012, está o acréscimo do artigo 3º-A pela Lei nº 13.977/2020, a qual instituiu a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea). O documento possui como objetivo “garantir atenção integral, pronto atendimento e prioridade no atendimento e no acesso aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social.”. Por essa razão, contempla os dados pessoais e a fotografia da pessoa com transtorno do espectro autista, bem como os dados pessoais do responsável legal ou cuidador.


Conforme o exposto verifica-se que a legislação apresenta disposições relevantes sobre o tema, não apenas voltadas aos direitos que nos soam mais abstratos (vida, saúde, segurança, etc.), mas visando a promoção de políticas públicas assistenciais direitos às pessoas com transtorno do espectro autista. Entretanto, realizando uma análise do tema conforme a vertente do “Direito Achado na Rua”, a “a lei é uma referência, mas por meio das ações da sociedade consegue-se tirá-la do papel, dar-lhe vigor e vitalidade, modificá-la”. 


Ou seja, mesmo que haja relevantes disposições sobre o tema, mostra-se essencial fomentar “a criação e o desenvolvimento de Políticas públicas voltadas à melhor qualidade do acesso à educação, aos tratamentos multidisciplinares, ao acompanhamento de profissionais qualificados, assim como para o incentivo às pesquisas direcionadas aos autistas”, tal como objetivou a Lei nº. 12.764/2012.


Portanto, em datas como a de hoje em que se potencializa a discussão sobre direitos, nesse caso sobre os direitos relacionados às pessoas com Transtorno do Espectro Autista, é essencial destacar a importância de uma educação em direitos humanos, a qual possa pauta-se “na tolerância em relação às diferenças, na solidariedade, na justiça social, na sustentabilidade” e visa promover avanços na defesa dos direitos fundamentais para todos os seres humanos.

 

Thais Marques 


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