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sábado, 20 de abril de 2024

Saber escutar nos aproxima das pessoas

 

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Desde que desenvolvemos a linguagem, passamos a valorizar os grandes oradores. Na escola, os melhores alunos são os que dão as melhores respostas. Nas organizações não é diferente. Quem fala bem, se dá bem. Admiramos e promovemos líderes capazes de comunicar com clareza uma mensagem, envolver, cativar e persuadir outros por meio de sua linguagem.

O que tenho observado é que a habilidade que mais faz falta nas pessoas, especialmente nos líderes que acompanho é a escuta. Dada nossa educação, não é difícil perceber porque a escuta ainda não é valorizada, portanto não é desenvolvida. Nas empresas, executivos e executivas são valorizados pela arte da fala, tornam-se grandes contadores de histórias ou grandes negociadores.

São homens e mulheres reconhecidos por sua incrível capacidade de influenciar pessoas pela arte da fala. Sua capacidade de escutar fica em segundo plano. Sequer percebem que não sabem escutar. Sabem ouvir, mas alguns estão longe de saberem escutar.

Em minha trajetória, percebo que aprender a ter boa oratória é muito mais fácil que aprender a escutar. Porém, existe uma saída, pois aos poucos esse jogo está mudando. Para algumas organizações a empatia na liderança é uma habilidade valorizada.

Fala-se cada vez mais de uma liderança humanizada. Isso significa uma liderança que gosta e cuida de gente. E o que seria da empatia sem a escuta? Se não soubermos escutar, não poderemos compreender o que a outra pessoa está experienciando.

Escutar é difícil. Por si só, a escuta já é um problema. Para o filósofo chileno Rafael Echeverría, escutar é igual a “ouvir + interpretar”. A nossa capacidade de processar, interpretar e julgar a informação é nossa principal aliada e ao mesmo tempo nossa principal inimiga na escuta. Ao escutarmos, podemos acessar o mundo do outro. Por isso, a escuta é tão poderosa.

E ao escutarmos, interpretando o mundo do outro, podemos nos afastar do nosso. Nossa interpretação pode ser o oposto do que o outro tem a nos dizer. Contudo, se escutarmos bem, corremos o risco de aprender e de nos transformar pela fala do outro.

Quando escutamos verdadeiramente, mudamos. Não é possível sair da mesma forma que entramos em uma conversa, se nossa escuta for genuína. O que o outro fala, me impacta de diversas maneiras. Como o outro fala pode me levar a diversos lugares, dependendo da minha forma de ver o mundo.

Se conseguirmos suspender, por alguns minutos, nossa forma de ver o mundo para colocar a lente do outro, uma conversa se torna um portal aberto para novas possibilidades de ver, de ser e de fazer. Se somos capazes de escutar e perceber esse lugar de onde o outro fala, não tem erro. Sairemos transformados.

É por isso que nossa escuta é tão importante. Nos aproxima de qualquer pessoa, por mais diferente que esta pessoa seja de nós. Mas isso só é possível se tivermos interesse, se conseguirmos desapegar e estivermos suficientemente curiosos para conhecer até aquilo que achamos que já sabemos.

Esse é meu convite para você: escute de verdade. Seu mundo nunca mais será o mesmo. 

 

Roberta Perdomo - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e autora do livro “Eu não nasci para liderar”.


O propósito da mulher vai além do autoconhecimento: a chave está na autenticidade

 

De acordo com Alana Anijar, psicóloga especialista em TCC, muitas mulheres não conseguem enxergar seu propósito diante de tantas obrigações e expectativas que são depositadas nelas

 

Mark Twain, escritor norte-americano, tem uma frase que reforça a importância de ter um propósito de vida: “Há dois dias particularmente importantes em nossas vidas: um é o dia em que nascemos, e o outro o dia em que descobrimos o porquê”. Entretanto, apesar da importância, muitas mulheres não conseguem enxergar seu propósito diante de tantas obrigações e expectativas depositadas nelas. 

O primeiro passo para combater a sensação de que os dias são vividos sem significado é desenvolver consciência sobre si mesma, pensamentos e emoções. O autoconhecimento permitirá que as mulheres entrem em contato e consigam identificar seus valores, mas, para poder viver com propósito, é necessário externalizar as conclusões de tais reflexões e fazer com que o próprio comportamento seja pautado na consciência adquirida. Isso envolve autenticidade e autoestima, ou seja, envolve ser verdadeiro consigo e se aceitar como é. 

“A busca pelo propósito da mulher é uma jornada de autenticidade e autoaceitação”, diz Alana Anijar, psicóloga especialista em Terapia Cognitivo Comportamental. “É sobre se libertar das expectativas externas e se permitir ser verdadeiramente quem você é, sem desculpas ou concessões”, completa.
 

A busca pela autenticidade envolve reconhecer e aceitar todas as partes de si mesma — as boas, as ruins e as imperfeições. É sobre permitir-se ser vulnerável e se expressar genuinamente, sem medo de julgamento ou rejeição. 

À medida que mais mulheres se comprometem com essa jornada de autodescoberta e autenticidade, elas estão catalisando uma mudança significativa na sociedade. Estão desafiando as normas tradicionais de gênero, redefinindo o sucesso e inspirando outras mulheres a se unirem a elas nessa jornada de empoderamento e realização pessoal.

 

Alana Anijar - psicóloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), especializada em Terapia Cognitivo Comportamental e mestranda. Fundou junto com o marido, em março de 2020, o Psi do Futuro, especialistas em empreendedorismo digital para psicólogos, ajudando milhares de estudantes e profissionais a conquistar a tão sonhada agenda lotada e viver bem da profissão. Hoje, já alcançou mais de 3 milhões de pessoas direta e indiretamente para mostrar que a Psicologia pode ser moderna, dinâmica e acessível para todos.


Conteúdo de qualidade sobre saúde mental é ‘detox’ perfeito para algoritmos


Com grande capilaridade e acesso facilitado, as mídias sociais podem se configurar como ferramentas valiosas para nossas vidas, possibilitando a distribuição democrática da informação, oportunizando múltiplas formas de expressão e gerando conexões ágeis na esfera profissional e pessoal. No entanto, seu uso disfuncional tem se tornado, lamentavelmente, um lugar comum nos últimos tempos.

Ataques em escolas que, de alguma forma, são inspirados ou estimulados por usuários dessas redes; ações massivas contra celebridades ou pessoas comuns, em julgamentos morais sem qualquer espaço ao contraditório, nos chamados “cancelamentos”; disseminação de notícias deliberadamente falsas e desinformação para obtenção de dividendos eleitorais. Infelizmente, todos já ouviram falar de uma ou mais situações com essas características.

No Congresso Nacional, o projeto de lei que propõe a regulação das plataformas digitais por onde circulam essas informações torna obrigatória a moderação do conteúdo publicado na internet de modo que condutas consideradas irregulares possam ser identificadas, sinalizadas ou excluídas. E a responsabilidade por esse “detox” passa a ser das próprias plataformas, que deverão zelar pelo que é entregue aos usuários por meio de seus algoritmos.

Se, por um lado, as redes sociais são enormes fontes de tristeza, dor e ódio, pois se beneficiam da circulação de notícias falsas, campanhas de desinformação e da polarização política, por outro, é possível encontrar formas mais saudáveis de prender a atenção de quem as utiliza. Informação de qualidade pode dar ibope.

Estudos conduzidos por pesquisadores do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, em colaboração com Redes da Maré e Fiocruz, mostraram que a tecnologia pode ser uma importante aliada nos cuidados com a saúde mental, principalmente de jovens. E, em um cenário de reduzido acesso a profissionais capacitados na promoção dessa necessidade, ela pode se tornar crucial para garantir um pouco de conforto e bem-estar, especialmente para quem vive em contextos de maior vulnerabilidade.

Vale lembrar que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2019), 970 milhões de pessoas sofrem de distúrbios mentais em todo o mundo, sendo que 82% delas vivem em países de baixa e média renda. Além disso, esses países possuem menos do que um profissional de saúde mental para cada 100 mil habitantes (WHO 2022).

Como parte dos estudos conduzidos no conjunto das favelas da Maré no Rio de Janeiro, o levantamento feito com 357 participantes mostrou que 79% dos entrevistados consideram importante ter mais informações sobre saúde mental em formatos como áudios, vídeos e aplicativos. Desses formatos, os com maior grau de preferência foram os aplicativos (59%) e vídeos (56%), seguidos por áudios (35%) e livretos (32%).

A maior parte dos respondentes (63,6%) também expressou interesse em participar de atividades envolvendo cuidados com a saúde mental, sendo que a maioria dos que expressaram esse desejo (47%) demonstraram interesse em realizar tais encontros de maneira tanto presencial quanto online.

Ao mesmo tempo, embora 62% dos respondentes considerem que serviços digitais visando a saúde mental sejam úteis, pouquíssimos participantes do levantamento (4%) chegaram a utilizá-los em algum momento de suas vidas.

A conclusão da pesquisa, que teve apoio do escritório de Atlanta do Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC-Atlanta) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), revela que o potencial de uso da telessaúde para os cuidados com a saúde mental em comunidades vulnerabilizadas é pouco explorado, havendo oportunidades que podem ser cobertas por políticas públicas capazes de promover serviços digitais para populações em desvantagem socioeconômica.

A atuação governamental deve ter como foco medidas para ampliar a popularidade da telessaúde e das ações de educação em saúde mental, ampliando a penetração de soluções comerciais para dar mais opções aos pacientes, principalmente os com reduzido acesso à saúde mental, como os jovens que residem em comunidades vulneráveis.

Para atender às necessidades desse público, entretanto, deve-se trabalhar com design, formato e linguagem compatíveis com a realidade cultural e educacional dessas populações. Eis nossa principal sugestão às donas do Instagram, Facebook, X (ex-Twitter), YouTube, TikTok e assemelhados: com suas enormes capacidades de impulsionar o que esse público gosta de ver e assistir nas redes sociais, por que não começar a identificar, capacitar e promover conteúdos que contribuam – ao invés de minar – a saúde mental de nossa juventude?

Talvez resida aí uma estratégia potencialmente promissora para a tão necessária desintoxicação dos algoritmos. 



Felipe Moretti - psicólogo, pós-doutorando do Instituto D´OR de Pesquisa e Ensino, onde desenvolve pesquisas com apoio da FAPESP sobre soluções digitais de promoção de saúde mental, como a plataforma (Link)

Ronald Fischer - doutor em Psicologia Social pela Universidade de Sussex, e pesquisador no Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino, onde lidera estudos sobre culturas, crenças e intervenções em saúde mental 

Fernando Bozza - médico, pesquisador titular da FIOCRUZ, coordena pesquisas em Medicina Intensiva no Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino e liderou diversos estudos relacionados à COVID-19 em comunidades vulneráveis no Rio de Janeiro.


Técnicas de Neuromodulação não invasiva para melhorar o desempenho profissional

Ansiedade, depressão, Burnout e outras questões emocionais são temas muitas vezes negligenciados no agitado cotidiano de escritórios e empresas. Além dos tratamentos tradicionais, a aplicação de técnicas de Neuromodulação não invasiva oferece um caminho para a conquista de uma saúde mental sólida, promovendo benefícios que ultrapassam as barreiras profissionais.

Sem abordagem medicamentosa, essas técnicas estão, comprovadamente, mostrando uma série de benefícios na área para a otimização do desempenho humano. Por meio de um dispositivo equipado com eletrodos, é possível a leitura da atividade cerebral em tempo real permitindo ao paciente que regule o cérebro para atingir uma frequência mais funcional. 

O tratamento é desenvolvido por algumas técnicas que cito abaixo, de acordo com o histórico das necessidades do paciente.

Neurofeedback por eletroencefalografia: promove a autorregulação, já que condiciona o cérebro a operar em uma nova frequência, resultando em melhorias no raciocínio, foco, concentração e memória.

Neurofeedback por hemoencefalografia: possibilita a oxigenação da região pré-frontal, uma área do cérebro que desempenha papel vital em uma variedade de funções, desde o controle inibitório até a tomada de decisões.

Estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC): atua na resolução de problemas, oferecendo melhor regulação emocional e redução da ansiedade no ambiente de trabalho. Também é recomendada em casos de depressão, por gerar mais ânimo na realização das tarefas diárias.

Neuromodulação auricular vagal (tVNS): gera resultados positivos na redução de questões cognitivas e emocionais, tais como depressão, ansiedade e transtornos de humor. 

Fotobiomodulação intranasal (tBPM): potencializa a ação das outras técnicas e pode ser feita pelo paciente em casa, por 15 minutos diários. 

Neuromodulação por ondas binaurais: também potencializa a ação das outras por meio de um aplicativo baixado no celular do paciente, melhorando o foco e a concentração, além do combate à insônia.




Rita Brum - Psicóloga, pós-graduada em Administração de RH, mestre em Psicologia, especialista em Design de Carreira, em Avaliação Psicológica e Análise de Perfil Comportamental. Autora da obra “Neuromodulação não invasiva” (Literare Books). Instagram: @ritacbrum


Você sabe o que é um mapa mental?

 


Conheça a eficiência e como aplicar os mapas mentais em discursos e oratória


O mapa mental, reconhecido por sua eficácia como ferramenta de visualização, desempenha um papel crucial na oratória, oferecendo aos falantes uma metodologia clara e estruturada para apresentar suas ideias. A fonoaudióloga e especialista em comunicação, Mirna Abou Rafée, explica que esta técnica não só facilita a organização do discurso, mas também aprimora a capacidade de expressão do orador, permitindo uma entrega mais coerente e persuasiva. 

Criar um mapa mental para a oratória é mais do que apenas desenhar conexões entre ideias; é sobre construir uma base sólida para um discurso eficaz. Ao identificar e visualizar claramente as principais ideias

 e sua sequência lógica, o orador pode evitar desvios desnecessários e focar em transmitir sua mensagem de forma direta e eficiente. Isso assegura que o público receba uma comunicação clara, reduzindo as chances de mal-entendidos. 

Os mapas mentais também são excelentes para organizar informações complexas. Ao representar visualmente conceitos interligados, eles facilitam a explicação de relações e conexões de uma maneira que é intuitivamente compreensível para a audiência. Isso não só mantém os ouvintes engajados, mas também torna a apresentação mais dinâmica e fácil de seguir.

Outro aspecto fundamental dos mapas mentais é sua contribuição para a memorização e o domínio do conteúdo. Este método envolve diferentes áreas do cérebro, fortalecendo a retenção e a recuperação de informações. Durante a apresentação, o mapa mental atua como um guia mental, permitindo que o orador recupere detalhes importantes com confiança e transmita seu conhecimento de forma eficaz.

 

A flexibilidade é outra vantagem inestimável dos mapas mentais na oratória. Ao contrário de um roteiro rígido, um mapa mental oferece uma estrutura que suporta adaptações em tempo real, essencial para responder a perguntas do público ou ajustar o discurso às mudanças no tempo disponível. Esta adaptabilidade permite ao orador lidar com situações imprevistas com agilidade e confiança, garantindo que a mensagem principal seja sempre entregue de forma eficaz.


Criar um mapa mental eficaz envolve algumas técnicas e dicas fundamentais que podem ajudar a maximizar seus benefícios, especialmente quando usado para estruturar discursos ou projetos complexos. Aqui estão algumas dicas para criar um mapa mental:

 

1 - Comece com uma ideia central: No centro do seu mapa mental, coloque a ideia principal ou o tema do discurso. Isso servirá como o núcleo a partir do qual todas as outras ideias irão irradiar. 

2 - Use palavras-chave: Em vez de frases longas, use palavras-chave ou pequenas frases para representar ideias. Isso mantém o mapa claro e fácil de revisar rapidamente. 

3 - Empregue cores e ícones: Utilize diferentes cores e ícones para diferenciar entre temas ou seções distintas. Isso não só torna o mapa mais visualmente atraente, mas também ajuda na organização e na memorização das informações. 

4 - Estabeleça ligações: Conecte as ideias secundárias à ideia central com linhas ou setas. Isso mostra a relação entre os diferentes conceitos e como eles contribuem para o tema geral. 

5 - Desenvolva camadas e hierarquia: Organize as informações em camadas de importância ou em uma estrutura hierárquica. Comece com ideias gerais e vá detalhando cada uma delas em subpontos mais específicos. 

6 - Mantenha flexibilidade: Deixe espaço para adições futuras. Um dos benefícios do mapa mental é sua adaptabilidade; você pode sempre adicionar novas ideias ou conexões conforme necessário. 

7 - Utilize imagens: Sempre que possível, inclua imagens. Isso pode ser especialmente útil para visualizar conceitos ou para pessoas que têm uma memória visual forte. 

8 - Use ferramentas digitais: Considere o uso de softwares de mapa mental, que oferecem recursos como modelos, opções de compartilhamento e integrações com outras ferramentas. Isso pode simplificar a criação e a edição de mapas mentais complexos. 

9 - Pratique a apresentação: Use o mapa mental para praticar seu discurso. Isso ajudará a solidificar o fluxo do discurso em sua mente e a ajustar o mapa conforme você encontra maneiras mais eficazes de comunicar suas ideias. 

“Com a aplicação dessa ferramenta, oradores de todos os níveis podem esperar uma melhoria significativa em sua capacidade de envolver e informar o público, garantindo que suas apresentações sejam não apenas ouvidas, mas verdadeiramente compreendidas e lembradas.”. Finaliza Mirna Abou Rafée.  



Mirna Abou Rafée - Fonoaudióloga formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Especialista em voz pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia com duas pós-graduações Mentora de comunicação de líderes e executivos de empresas de diversos segmentos. Participação no programa de neurociências na Universidade de Yale em Connecticut/USA
www.yutter.com.br

 

Transtornos do neurodesenvolvimento: cada criança tem seu tempo?

 

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Membro da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, Hélio van der Linden Júnior explica a importância do diagnóstico precoce 

 

Durante anos, foi comum ouvir que cada criança tem seu tempo, seja porque está demorando para falar/andar ou até por ter seletividade alimentar. A ciência indica que não são normais os atrasos no desenvolvimento e que a demora pode ser um sinal de alerta para um transtorno do neurodesenvolvimento. 

Os transtornos do neurodesenvolvimento são condições que começam durante a infância, afetando o desenvolvimento de habilidades em várias áreas, como linguagem, comunicação, habilidades motoras, sensoriais e socioemocionais. 

O neurologista infantil da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI), Hélio van der Linden Júnior, alerta para a importância dos pais prestarem atenção no desenvolvimento das crianças. “Hoje em dia, a sociedade está mais atenta a isso do que há alguns anos em que se admitia que ‘toda criança tem seu tempo’ e com isso se perdia um tempo precioso de oportunidade para o diagnóstico e intervenção precoce. Quanto mais precoce for o apoio clínico, melhor o resultado. Então, se há alguma dúvida, alguma suspeita de algum atraso, procure um especialista para fazer uma boa avaliação e, eventualmente, começar o tratamento adequado”.  

O diagnóstico precoce tem um papel fundamental nas estratégias de intervenção e tratamento. Identificar um transtorno do neurodesenvolvimento o mais cedo possível permite o início imediato de terapias, a busca por programas educacionais adaptados e apoio psicológico tanto para a criança quanto para sua família. Essas intervenções minimizam os impactos do transtorno, promovendo um desenvolvimento mais saudável. “Dentro dos transtornos do neurodesenvolvimento, há o Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtornos de Aprendizagem, Transtorno no Desenvolvimento da Linguagem, entre outros”, explica o neurologista infantil da SBNI, Hélio van der Linden Júnior. 

Cada um desses transtornos tem características específicas, mas todos compartilham um impacto significativo na vida da criança e de sua família. Atrasos no marco do desenvolvimento, dificuldades persistentes de comunicação ou interação social, comportamentos repetitivos ou estereotipados, impulsividade extrema, problemas de atenção ou dificuldades de aprendizagem podem ser indicadores de um cenário que requer investigação clínica.

 

Como romper o tabu da terapia para homens

 Para doutor em psicologia, com abordagem integrada e fundamentada na psicologia é possível criar um cenário mais acolhedor 

 

Quando o assunto é a saúde emocional dos homens existem certos tabus, já que muitos ainda relutam em buscar ajuda profissional, seja por receio, preconceito ou falta de informação. 

Segundo Danilo Suassuna, doutor em psicologia e diretor do Instituto Suassuna, que oferece pós-graduação e forma psicólogos atuantes, é preciso um olhar atento para essa questão, já que muitos homens sofrem calados por receios infundados de buscar ajuda. “A terapia é uma jornada essencial para o bem-estar e equilíbrio emocional independentemente do gênero, por isso é preciso que falemos mais sobre o tema, estimulando os homens a reconhecerem a existência do problema”, diz. 

De acordo com o doutor em psicologia, a negligência da saúde emocional masculina é um fenômeno complexo e multifacetado, que demanda uma abordagem igualmente diversificada. “É fundamental desmantelar a cultura do silêncio e o estigma associado à vulnerabilidade masculina e desestigmatizar a questão da terapia”, afirma. 

Ele sugere a implementação de campanhas de conscientização para combater mitos e estigmas. “É importante ressaltar que buscar ajuda não é um sinal de fraqueza, mas sim um ato de coragem e responsabilidade consigo mesmo”, explica. 

Quebrar o tabu da terapia para homens é uma tarefa complexa, que demanda ação em várias frentes, segundo o especialista. “Ao promover uma abordagem integrada e fundamentada na psicologia, é possível criar um cenário mais acolhedor e propício para que os homens cuidem de sua saúde emocional, contribuindo assim para o bem-estar coletivo e a construção de uma sociedade mais saudável e equilibrada”, avalia. 

Confira orientações de Danilo Suassuna para que homens sejam mais estimulados a fazer terapia:

  • Facilitação do Acesso a Profissionais Qualificados: Assegurar que os homens tenham fácil acesso a psicólogos e terapeutas qualificados é essencial, segundo Danilo Suassuna. “Profissionais com experiência comprovada e atualizados com as melhores práticas e abordagens baseadas em evidências são indispensáveis para um tratamento eficaz”.
  • Grupos de Apoio para Homens: Criar e promover grupos de suporte que ofereçam um espaço seguro para homens compartilharem suas experiências e sentimentos é uma iniciativa valiosa. Esses grupos podem funcionar como um catalisador para a quebra do tabu, mostrando aos participantes que eles não estão sozinhos em suas jornadas.
  • Incentivo à Solidariedade Masculina: Estimular a formação de redes de apoio entre homens reforça a ideia de que compartilhar vulnerabilidades é um ato de força, não de fraqueza. 
  • Encorajamento à Busca de Ajuda Profissional: Reiterar a importância da busca por ajuda profissional é crucial. Utilizar campanhas educativas e iniciativas para desmistificar a terapia e destacar seus benefícios contribui para a mudança de perspectiva sobre a saúde emocional masculina.
  • Desconstrução de Estereótipos de Gênero: Trabalhar ativamente para mudar normas sociais e crenças que perpetuam estereótipos de gênero prejudiciais é um passo vital.
  • Promoção da Inteligência Emocional: Incentivar o desenvolvimento de habilidades de inteligência emocional entre os homens é uma ferramenta poderosa. Ajudá-los a reconhecer, compreender e expressar suas emoções de forma saudável pode transformar vidas.

 


Danilo Suassuna - Doutor em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2008), possui graduação em Psicologia pela mesma instituição. Autor do livro “Histórias da Gestalt-Terapia – Um Estudo Historiográfico”. Professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás e do Curso Lato-Sensu de Especialização em Gestalt-terapia do ITGT-GO. Coordenador do NEPEG Núcleo de estudos e pesquisa em gerontologia do ITGT. É membro do Conselho Editorial da Revista da Abordagem Gestáltica. Consultor Ad-hoc da revista Psicologia na Revista PUC-Minas (2011). Para mais informações acesse o instagram: @danilosuassuna.


Instituto Suassuna
Para mais informações, acesse o site ou através do instagram e canal no youtube.
 

Sentimento de Solidão

 

A dor da solidão, o sentimento de desamparo, tornou-se mal alastradiço. Fala-se em crise de valores: os salvacionismos terrenos, liberalismo e comunismo, prometiam a felicidade geral. Com a queda, ou o desencantamento, dessas certezas ideológicas, as pessoas teriam sobrado sem pauta: cada qual que fosse arranjar o próprio sentido da vida.

Como a vida não tem sentido que não seja o sentido que lhe damos, ou historicamente inventamos, muita gente se perdeu. Ou se transmudou para sítio que não é igual, mas é a mesma coisa: conheço ex-marxista que, na falta de céu comunista na Terra, tornou-se em pastor; promete céu noutro lugar. Os sem causa para proselitismo arranjam causa para fazer pregação.

Não me parece uma boa alternativa, seja porque a proporção de alinhados aos salvacionismos laicos era escassa (quantos liberais ou comunistas você conhece?), seja porque a atualidade oferece muito mais valores do que o passado: ecologia, igualdade de gênero, batalha ao racismo, combate à corrupção estão em debate público com significativa militância.

O anonimato do indivíduo avulso nas multidões das grandes cidades é opressivo. O fenômeno, ademais, não poupou os lugarejos. Consta que os gregos evitavam que suas urbes crescessem acima de cinquenta mil habitantes, temendo a deterioração da qualidade de vida. De fato, ser ninguém numa megalópole é desagradável, mas pior é ser ninguém em uma cidadezinha.

Culpou-se a oferta de coisas a serem desejadas (tenho, logo existo), mas que nunca são alcançadas. Tudo foi convertido em mercadoria (Marx) e as mercadorias atiçam nos nossos desejos. Tem propaganda de tudo, para todo mundo, mas o todo mundo não tem meios para quase nada, mesmo que pague o dobro do preço no que se nomeia carnê de prestação.

Ainda que geralmente as pessoas aprendam a viver em conformação ao seu status, deve ser frustrante constatar a incapacidade de comprar o algo com que nos seduziram. Não tenho, todavia, dados empíricos para sustentar a hipótese, ademais solidão não escolhe classe social. Claro, antes triste, mas rico, do que pobre e triste, mas isso não garante companhia significativa.

Talvez a longevidade... A evolução leva eras para formar as condições de sobrevivência de um organismo. A humanidade, contudo, em meio século dobrou o seu tempo médio de vida; só ainda não aprendeu a curtir essa existência longa com que a ciência (capitalista) a agraciou.

Isso não alterou a tristeza que decorre do sentimento de solidão. Aliás, há alguns milênios existem longevos, ou seja, já havia a condição genética. Se hoje existem mais idosos é apenas devido às oportunidades ambientais, as de higiene, sobretudo. De toda sorte, o que importa dizer é que as angústias atingem indistintamente velhos e jovens.

Patrícia Pozza (A importância da vida de relação, Notisul, 04abr11) e Dráuzio Varela (Solidão Crônica, FSP, 23mar11) alertam para a degradação orgânica, cerebral inclusive, do solitário. Patrícia sugere “empenho para o incremento e as aquisições na vida de relação, na vida afetiva”; Dráuzio diz que “criamos possibilidades ilimitadas de interações sociais, mas que, contraditoriamente, o contingente dos que se queixam da falta de alguém com quem compartilhar sentimentos íntimos aumenta em todos os países”.

Nunca se rematou o assunto. Psicanalistas e existencialistas advertem que somos mesmo esta incompletude ambulante. Não sei e quase concluo que ninguém sabe o que fazer para aplacar essa eterna demanda por interação. Talvez, como tantos filósofos nos dizem, esse seja apanágio da humanidade e de humanidade.

Bem, Jean-Paul Sartre disse por um personagem seu que “o inferno são os outros”. Valter Hugo Mãe, por outra figura, o contraria: “O inferno não são os outros. Eles são o paraíso [...]. A humanidade começa nos que te rodeiam, e não exatamente em ti. Sobre essa condição humana, Aristóteles – lá se vão milênios – pontificou: Quem for incapaz de se associar, ou não sente essa necessidade [...] será um bicho ou um deus”.

Se eu supusesse pressupostos para abrandar a situação, apostaria em duas coisas: somos seres em relação, não há solução individual para as dores do mundo (ocorre-me Nenhum homem é uma ilha, John Donne); crendices ideológicas (as religiosas, inclusive) não levam, como de fato nunca levaram, a porto seguro nenhum. A humanidade será o que a humanidade, coletivamente, fizer dela.

Ninguém “ama teu semelhante como a ti mesmo” (pieguice cristã), contudo, nisso de que falo vai amor ao próximo (fraternidade). Cuidado com o semelhante na vida em comum civilizada, como já há alguma em alguns lugares do mundo. Seja; o próximo não é objeto de piedade; ele tem, sobre todas as coisas, o mesmo direito que tu te dás a ti. Um próximo à altura: um interlocutor para divagar sobre a vida. 


Léo Rosa de Andrade
Doutor em Direito pela UFSC.
Psicanalista e Jornalista.


"A cobrança e a exaustão está deixando a sociedade doente"

 

Em entrevista, Fabiana C.O. explica como utilizou a literatura para conversar acerca da sobrecarga feminina e comenta as consequências deste peso no cotidiano das mulheres 

 

As mulheres estão sobrecarregadas. E isso já foi constatado em dados: o Think Olga, organização não-governamental que promove equidade de gênero, registrou em levantamento que 86% das brasileiras consideram ter muita responsabilidade no cotidiano. Entre as entrevistadas de 36 a 55 anos, cerca de seis em cada dez afirmaram ser responsáveis diretamente por alguém. Fruto desta realidade de exaustão feminina, Fabiana C.O. decidiu utilizar a literatura para conscientizar sobre os efeitos do excesso de tarefas, deveres e obrigações.

Assim surgiu Sra. Capa, que narra a tentativa de uma filha de entender a relação com a mãe. Aos poucos, ela percebe como a sobrecarga faz parte da vida da figura materna e como também está presente na própria vida. “Como mulher, eu fui ensinada, e vejo isso com todas ao meu redor, que precisamos dar conta de tudo, custe o que custar. Parece que em algum momento vamos ganhar uma estrelinha para pôr no peito. Infelizmente esse reconhecimento não chega e acaba levando muitas mulheres à exaustão”, explica a autora.

Abaixo, ela comenta a importância de dar visibilidade ao tema por meio da literatura, relaciona o tema com a própria trajetória de vida e dá detalhes sobre o enredo da obra:


1 – Em “Sra. Capa”, você retrata a história de uma mulher comum que, com seus medos, traumas e problemas com a saúde mental, criou uma família inteira. Por que você decidiu dar visibilidade a essas situações, tão comuns no cotidiano das mulheres?

Fabiana C.O.: Trazer o comum foi fruto da minha observação, do quanto essa situação é tão normal que banalizamos. Quando um sentimento ou situação é banalizado, ele perde força e até deixa de existir. Como mulher, eu fui ensinada, e vejo isso com todas ao meu redor, que precisamos dar conta de tudo, custe o que custar. Parece que em algum momento vamos ganhar uma estrelinha para pôr no peito. Infelizmente esse reconhecimento não chega e acaba levando muitas mulheres à exaustão. Na verdade, o reconhecimento não devia ser buscado, e precisamos falar sobre isso. A cobrança, a exaustão e o não se olhar está deixando a sociedade doente. Mas como é tão comum e faz parte do que somos, não paramos para observar que algo precisa ser feito.


2 – A narrativa é contada a partir da perspectiva de Sol, filha de Ana. Que paralelos você traça entre filha e mãe? Como as duas representam as relações familiares atuais?

Fabiana C.O.: Eu acredito muito na importância do olhar que precisamos ter para as pessoas do nosso convívio. Quando Sol narra a história de sua mãe, você percebe claramente a preocupação, o cuidado e um certo amor. Mas se você olhar por outro ângulo, você vê uma menina sobrecarregada, que não olha para a sua vida com o foco preciso.

Costumo dizer que existe um padrão entre as personagens em alguns momentos. E esses padrões estão no nosso dia a dia; se a gente não olhar para isso, repetimos o que o ambiente familiar nos ensina. Atualmente temos a chance de termos relações com mais diálogos e trazer as trocas para um espaço de afeto e compreensão muito maior do que as gerações passadas. É nossa responsabilidade aproveitar e fazer diferente. Podemos encontrar um equilíbrio. Para mim as duas representam a chance de a gente olhar para isso independentemente da posição que atuamos.


3 – Como a literatura é uma ferramenta para propor o diálogo sobre a sobrecarga das mulheres na sociedade?

Fabiana C.O.: Quando escolho a literatura, entendo que trago para o leitor aquela famosa frase: “parece vida real!  Você escreveu sobre mim”. A ficção do texto faz parte da vida de todos. Se eu apenas falasse sobre a mulher na sociedade em outros meios, a mensagem não teria o mesmo poder. A literatura é capaz de emocionar e de conectar. Literatura é arte, e acredito que essa conexão ultrapassa o ato de ler e entra no coração das pessoas. Depois de ler, a gente reflete, fala, revê e recalcula nossa própria rota se o problema lido faz parte do nosso dia a dia. Literatura é arte, e a arte tem o poder de tocar nossas almas.


4 - Você é mãe e enfrentou uma luta contra crises de depressão. O que há de pessoal sobre sua própria história no livro “Sra. Capa”?

Fabiana C.O.: Comecei a ter crises de depressão com 15 anos, e minha mãe foi a pessoa que mais me apoiou e ficou ao meu lado. Quando ela teve um momento pós-luto do meu avô, eu já com meus 22 anos, não acreditei que ela não tinha o olhar e cuidado para com ela. Costumo dizer que 80% do livro é inspirado na observação que fiz com minha mãe e na sua história. Ela é nordestina, passou pelo luto paterno, saiu de sua terra ainda criança pois perdeu uma irmã e assim por diante. Tudo isso está no livro. A migração da minha mãe, assim como todas as adversidades que ela viveu a transformaram em uma “Sra. Capa”, e ela me criou. Não pontuo no livro vários fatores e crises minhas, mas algo importante na minha cura foi entender que eu precisava estar bem e me amar antes de amar minhas filhas. Foi uma quebra de padrão e um ensinamento muito importante. O pedir ajuda e falar com alguém também é algo que trago da minha experiência. Algo que eu busco semear no mundo.


5 – Como você espera que as mulheres adultas recebam esta obra? E o que as jovens leitoras podem aprender com o livro?

Fabiana C.O.: Acredito que as mulheres adultas têm chance de conhecer suas capas. Torço para que elas entendam que achar um equilíbrio é importante. Algumas, mesmo em silêncio, poderão rever os sentimentos e a relação com sua mãe ou com filhas/filhos. Um olhar de empatia e entendimento pode ser iniciado. Se este ente querido tiver partido, acredito que o questionamento sobre a vida dessa pessoa irá surgir. A pessoa que lê “Sra. Capa” tem a chance de fazer diferente.

Para as jovens, vejo a possibilidade de rever e construir essa capa com menos peso. De entender que sua mãe é um ser que sente, o que traz mais conexão e respeito entre as gerações. Minhas leitoras adolescentes sempre citam que deixaram de ver a mãe como heroína, e isso tem ajudado nas trocas do dia a dia.


6 - “Sra. Capa” faz parceria com ONGs que profissionalizam mulheres em situação de vulnerabilidade. Pode contar mais sobre esse projeto?

Fabiana C.O.: Claro! Desde o começo, imaginei o livro sendo entregue em um saquinho de veludo vermelho. Busquei parcerias e apresentei a ideia para os dirigentes das ONG’S. As duas ONG’s atuam em comunidades e possibilitam uma nova profissão e ofício para as mulheres inscritas no curso de costura. Todas as participantes são remuneradas por cada saquinho produzido. O sorriso de uma costureira que faz 1 saquinho e da outra que faz 50 é o mesmo, pois você entende a superação de cada uma e de como aprender a costura e tudo que fizeram para chegar no produto final tem sentido e uma importância inexplicável. Já escutei de uma mulher: “consegui um emprego, pois aprendi a mexer na máquina overlock costurando o seu saquinho”. Meu coração fica como? Enorme! Isso dá outro peso para o meu trabalho, faz eu acreditar mais.

Divulgação
 Fabiana C.O

 Sobre a autora: Empresária com MBA em Gestão de Empresas e Negócios, pós-graduação em Filosofia e Autoconhecimento e formação em Marketing de Moda, Fabiana Carvalho de Oliveira nasceu em Guarulhos e mora na capital de São Paulo. Após 15 anos de trabalho no mercado têxtil, decidiu explorar o mercado editorial e conversar com o público feminino ao publicar Sra. Capa. A obra, que trata sobre a sobrecarga feminina, complementa a trajetória profissional que hoje a autora trilha: é palestrante em escolas, empresas e ONGs para falar sobre o valor do autoconhecimento e de respeitar os próprios sentimentos. Também é fundadora do “Eu Posso Ser Você”, espaço de escrita voltado para mulheres. Com essa mudança na carreira, passou a assinar como Fabiana C.O.

Instagram @eupossoservoce
LinkedIn Fabiana C.O.
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Site www.eupossoservoce.com


Estudo do CEUB relaciona frequência de treinos com bem-estar mental

 

Quem pratica exercícios físicos de 3 a 4 vezes por semana com intensidade moderada apresenta melhor quadro emocional 

 

Todo mundo já sabe que movimentar o corpo fortalece os músculos e ossos, melhora a qualidade do sono, a capacidade respiratória e reduz a ansiedade. O que poucos sabem é que, não necessariamente, quem treina mais vezes por semana tem mais bem-estar emocional, apesar do melhor bem-estar físico. Foi o que comprovou pesquisa do curso de Educação Física do Centro Universitário de Brasília (CEUB), ao analisar os impactos da intensidade, frequência e volume dos exercícios na saúde física e mental. 

O estudo concluiu que a prática de exercício físico é um instrumento de melhoria da saúde mental, sendo a frequência moderada (de 3 a 4 vezes na semana) a mais interessante para a mente do indivíduo. Quando se avalia apenas o bem-estar físico, a frequência de 5 vezes gerou melhores resultados. Os 141 participantes voluntários, com idade entre 18 e 65 anos, foram entrevistados sobre estado geral da saúde, limitações físicas, qualidade de vida e o estado de estresse. 

Isabel Miranda, estudante do 6º semestre de Educação Física do CEUB e autora da pesquisa, explica que os aspectos físicos e mentais foram avaliados de forma separada, considerando que cada indivíduo possuiu seus próprios parâmetros de avaliação. Para além da análise sobre a capacidade física, limitação e dor, no quesito mental, foram considerados fatores emocionais, níveis de estresse e até ideação suicida.  

“Avaliamos os dois cenários com parâmetros diferentes. Ainda assim, o bem-estar físico, do ponto de vista fisiológico, gera adaptações saudáveis para o bem-estar emocional. Ainda que haja essa relação, cada um tem suas especificidades”, explica Isabel, acrescentando: “Por isso, não necessariamente quem treina mais vezes na semana tem melhor bem-estar emocional, apesar de ter o melhor bem-estar físico”. O Ministério da Saúde recomenda a prática de atividades físicas por, pelo menos, 150 minutos por semana.

 

Equilíbrio até na prática de exercícios

A pesquisa do CEUB alerta que nem sempre a maior frequência, intensidade e volume de exercício são mais benéficas para a saúde mental. Os resultados mostram que “o equilíbrio, até quando se trata de exercício físico, é importante”. Ao comparar quem pratica exercícios todos os dias, quem está sedentário (13 participantes) e aqueles que mantém a frequência de 3 a 4 vezes, o primeiro grupo apresentou um pior estado de saúde mental. 

“Podemos relacionar esse resultado a um possível exagero ou vício em praticar exercício físico de 5 a 7 dias por semana, sem permitir descanso ou momentos de lazer. Atletas de alto rendimento que praticam exercícios todos os dias, sem descanso, relataram algum problema de saúde mental, devido ao excesso da prática e das cobranças envolvidas, como a síndrome de burnout”, adverte Isabel. Ela indica aprofundar a pesquisa, distinguindo e comparando as modalidades praticadas quanto ao efeito na saúde física e mental. 

A coordenadora do curso de Educação Física do CEUB e atual orientadora de Isabel Miranda em outro projeto de iniciação científica, Renata Elias Dantas, ressalta a característica multidisciplinar da pesquisa e enfatiza ser gratificante ver alunos interessados pela área de melhora da qualidade de vida das pessoas. “Temos essa preocupação de mostrar para os alunos as diversas possibilidades de atuação, como saúde, esporte, qualidade de vida ou melhora de comorbidades”, completa.

 

Suicídio: o preocupante aumento da taxa entre crianças e jovens e a importância de falar sobre o tema

 

FREEPIK

No período de 2011 a 2022, observou-se um crescimento alarmante na taxa de suicídio entre jovens no Brasil, aumentando em média 6% ao ano, enquanto as notificações de autolesões na mesma faixa etária cresceram 29% ao ano. Esses dados, provenientes de um levantamento realizado pela Fiocruz Bahia em colaboração com acadêmicos de Harvard, destacam a urgência de uma resposta coletiva diante dessa realidade preocupante. Infelizmente, ainda existe muito tabu quando o assunto é suicídio.

 

É necessário, primeiramente, entender que falar sobre o problema é parte da solução. O suicídio frequentemente está associado a um quadro depressivo nesses jovens, que, ao se agravar, pode evoluir para a ideação suicida, manifestando-se em desejos de automutilação e outros comportamentos de autodestruição. Nesse contexto, o diálogo sensível, afetuoso e acolhedor desempenha um papel fundamental ao conduzir esses indivíduos ao tratamento adequado. Uma simples conversa pode fazer a diferença e até salvar vidas.

 

O suicídio figura como uma das principais causas de mortalidade entre os adolescentes, estando intrinsecamente relacionado às questões de saúde mental, com a depressão assumindo um papel significativo nesse cenário. Portanto, é imprescindível identificar e abordar os fatores de risco associados ao suicídio, dada a sua profunda repercussão nas famílias, comunidades e sistemas de saúde em escala global.

 

Como profissional da área de saúde mental, observo que ainda enfrentamos grandes desafios ao lidar com esses casos. Muitas vezes, os responsáveis pelos jovens se sentem incapazes de oferecer o suporte necessário. É urgente, então, promover mais diálogo entre pais, mães, familiares, professores e toda a sociedade, destacando a importância de estarmos atentos e prontos para intervir diante dessa realidade delicada.

 

Se, em algum momento, você ouvir uma criança ou adolescente expressar frases como "o mundo seria melhor sem mim" ou "eu só quero dormir e nunca mais acordar", é crucial estar atento, pois isso pode ser um sinal de alerta. Não entre em desespero, mas busque ajuda profissional imediata, pois tais palavras podem ser um pedido de socorro, indicando um possível risco de suicídio. Diante de qualquer indício de sofrimento emocional, não hesite em encaminhar o jovem a um profissional de saúde.

 

Para a psiquiatra da infância e da adolescência, Tatiana Moya: “É essencial que o ambiente ao redor do jovem não o julgue quando ele compartilha seus sentimentos suicidas. Pensamentos adversos na saúde mental devem ser tratados com a mesma seriedade que problemas físicos, como diabetes ou asma. Quando a sociedade, incluindo profissionais de saúde e pais, aborda isso com naturalidade, os adolescentes se sentirão mais seguros para buscar ajuda. A rede de suporte do adolescente e do profissional de saúde deve demonstrar profunda compreensão, empatia e compaixão frente ao sofrimento do adolescente e que, nesta situação de sentimentos intensos e adversos, a ideação suicida é algo que pode ocorrer. Mas que todos estão ali para dar total suporte e assegurar que medidas serão tomadas para que este sofrimento diminua sem que ele se mate. Que o mal-estar profundo é transitório e que tempos melhores virão”, destacou.

 

Por isso, é fundamental não romantizar o suicídio e ter maturidade para discutir abertamente esse assunto. Uma comunicação clara sobre os sintomas e os cuidados necessários é eficaz na prevenção desse problema entre os jovens. Reconhecer os sinais de suicidalidade e nunca os ignorar é crucial, pois os jovens que se sentem desesperançados e deprimidos correm o risco de se tornarem desesperados.

 

Este é o primeiro artigo de uma série sobre o tema "Suicídio", que pretendo publicar aqui com o intuito de promover esse debate urgente e necessário para a sociedade. Além disso, convido você a conhecer mais sobre as pesquisas e os métodos de tratamento de saúde mental com Mindfulness, por meio do site: www.brasilmindfulness.com.

 

Vitor Friary psicólogo clínico especializado em Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness e diretor do Centro de Mindfulness. 


Tatiana Moya - psiquiatra da infância e da adolescência.


sexta-feira, 19 de abril de 2024

Shopping Penha, em parceria com a ONG Amora Movimento Animal, realiza feira de adoção de cães e gatos


“Adote um Amigo” acontecerá no dia 27/04 e também receberá doação de ração


O Shopping Penha, localizado na zona leste de São Paulo, em parceria com a ONG Amora Movimento Animal, promove mais uma feira de adoção de cães e gatos. O evento acontecerá no dia 27/04, das 11h às 17h na portaria da Rua Betari.

Todos os pets disponíveis para adoção, estão vacinados, vermifugados e castrados, garantindo assim que estejam protegidos para serem recebidos em seus novos lares. 

Também será possível que o público doe ração e itens para cães e gatos, que serão encaminhados para a Ong Repeteco. O ponto de arrecadação fica localizado no Estacionamento G2, próximo ao Supermercado Sonda.

“Pretendemos incentivar a prática da adoção responsável e promover o encontro de tutores e seus novos amigos peludos, por isso firmamos essa parceria com a ONG Amora Movimento Animal, que apresenta total comprometimento com a causa, comenta Julia Lima, gerente de marketing do shopping.

 

Serviço: “Adote um Amigo” - Campanha Adoção de Animais.

Data: 27/04.

Onde: Shopping Penha.

Horário: das 11h às 17h.

Endereço: Portaria da rua Betari.

 


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