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terça-feira, 16 de março de 2021

Tuberculose: se tem tratamento, porque há óbito?

No dia 24 de março comemora-se o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, uma das 10 principais causas de morte no mundo. No mesmo ano em que o Brasil liderou as estratégias globais de luta contra a doença, contabilizamos 73.864 mil novos casos


A tuberculose, doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, é provavelmente um dos problemas mais desafiadores da saúde pública mundial.  Apenas em 2018, cerca de 10 milhões de pessoas ficaram doentes e 1,5 milhão morreram em decorrência de suas complicações.

No Brasil, em 2019, ano em que lideramos as estratégias globais contra a tuberculose, registramos 2.459 casos a menos da doença, comparados a 2018. Ainda segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, houve uma redução de 8% no número de óbitos na última década (4.881 óbitos em 2008), em 2018, 4.490 pessoas morreram no país.

Mas se há cura, porque os números são tão altos? Existem alguns pontos importantes para se entender e desmistificar sobre a tuberculose que o Dr. Felipe de Andrade Magalhães, diretor médico do Jaleko vai explicar. Fique atento.


  • Infecção:

Transmitida pelo Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch, a tuberculose é contagiosa mesmo quando latente. Uma pessoa infectada pode servir como reservatório para o bacilo, e boa parte da população mundial pode estar infectada, sem saber e nunca sequer desenvolver a doença. O problema é que esse organismo pode não conseguir eliminar o bacilo, e então quando a imunidade ficar baixa ele é reativado e, então, se tornar infectante. Como a grande parte das doenças respiratórias transmissíveis o contágio se dá pelo ar ou proximidade de pessoas infectadas (tosse, espirro, gotículas). Estima-se que, durante um ano, um indivíduo com baciloscopia positiva pode infectar, em média, de 10 a 15 pessoas dentro de sua comunidade, a contaminação ocorre entre pacientes que passam algum tempo junto, portanto as pessoas mais próximas são os mais infectados.  A doença afeta principalmente os pulmões, mas pode acometer outros órgãos e sistemas em casos mais raros, como linfonodos, pleura e meninge.


  •  Sintomas:

Os principais sintomas na forma pulmonar, que além de ser a mais frequente é também a principal causa pela propagação da transmissão da doença, são tosse por mais de duas semanas, produção de catarro, em casos mais graves escarro com sangue, febre baixa, dor no peito, cansaço/fadiga, sudorese noturna e emagrecimento.

Já em sua forma extrapulmonar, que acomete outros órgãos que não o pulmão, mais comuns em pessoas que vivem com o HIV ou com comprometimento imunológico, os sintomas são; febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento, cansaço/fadiga. Eventualmente até mesmo pessoas sem comorbidades podem desenvolver formas extrapulmonares.


  • Diagnóstico:

O diagnóstico para tuberculose é realizado por exames bacteriológicos, como Baciloscopia, teste rápido molecular para tuberculose e cultura para microbactéria. E por imagem, que são considerados exames complementares, como radiografia e/ou tomografia de tórax.


  • Tratamento:

É muito importante lembrar que o tratamento para tuberculose é oferecido gratuitamente pelo SUS, e dura em média, seis meses. Infelizmente, o abandono é um dos motivos que mais levam ao óbito e ao aumento da resistência da bactéria ao tratamento. Apesar da melhora dos sintomas aparecer já nas primeiras semanas, a cura só é garantida ao final da terapia. No Brasil, a cada 10 pessoas, pelo menos uma abandona o uso dos medicamentos.

O tratamento é feito com doses combinadas de medicamentos que são padronizadas pelo ministério da saúde. Além da importância de seguir as recomendações é imprescindível que o paciente adote hábitos de higiene, evite aglomerações e compreenda que estamos sobrevivendo a maior crise sanitária de doenças respiratórias já vista na história mundial. E com a imunidade baixa, este paciente estará suscetível a diversos outros tipos de enfermidades.

A tuberculose é um grande desafio médico da atualidade, apesar de seu agente ter sido descrito no século XIX. Há dificuldades com o estigma da doença, a busca por pacientes em estágios iniciais, e o alto índice de abandono do tratamento, que dura meses. Questões como essas combinadas à crise sanitária que estamos vivenciando podem ser altamente alarmantes, por isso é muito importante que campanhas sejam endossadas e médicos estejam sempre atentos, não só aos cuidados, mas também para agirem como agentes de saúde.” ressalta, Magalhães.

 



Felipe Magalhães - médico e diretor científico da EdTech Jaleko, graduado na UFF- Universidade Federal Fluminense, com residência clínica médica no Hospital Adventista Silvestre e residência em nefrologia na UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é também coordenador da comissão de residência médica do Hospital Federal da Lagoa.


Março é o mês mundial da conscientização da endometriose

Março é o Mês Mundial da Conscientização da Endometriose


A endometriose é uma doença crônica que atinge cerca de 10% das mulheres em idade fértil em todo o mundo. Além de ser uma enfermidade que pode causar dores muitos fortes e até mesmo incapacitantes, existe uma enorme desinformação sobre a doença tanto das pacientes como entre os próprios ginecologistas, o que dificulta o diagnóstico e afeta de forma grave a qualidade de vida destas mulheres.

Um estudo global realizado pela World Endometriosis Research Foundation revelou que mulheres portadoras da doença demoraram, em média, 7 anos para obter o diagnóstico de endometriose. O levantamento foi feito em 2011 com 1.418 pessoas do sexo feminino entre 18 e 45 anos.

A demora no diagnóstico – fruto da desinformação - é um dos motivos que levaram à criação do Março Amarelo – Mês Mundial da Conscientização da Endometriose – justamente para alertar as mulheres sobre a importância de estarem atentas aos principais sintomas da doença e também de procurarem um especialista no assunto, capacitado para realizar o diagnóstico correto da enfermidade.

“A mensagem principal é: a mulher não precisa sentir cólicas”, afirma Fernando Guastella, ginecologista formado pela USP e especialista em endometriose. “Se o médico afirmar que cólicas são normais, mas você estiver incomodada com a dor, procure outro profissional”, completa.

Professor responsável pelo setor de ultrassonografia ginecológica do centro de ensino médico CETRUS, Guastella ensina aos alunos, há 12 anos, como diagnosticar de forma correta a endometriose.

A seguir, ele dá dicas importantes sobre os sintomas da doença, informações sobre a causa, diagnóstico e tratamento.

 

O que é endometriose

E endometriose é uma doença caracterizada pela presença de células do endométrio fora do útero. O endométrio é o tecido da camada interna do útero. Todo mês, o útero se prepara para a fecundação do óvulo. Quando ela não ocorre, o endométrio descama e as células endometriais se desprendem e saem com o sangue menstrual. Em algumas mulheres, no entanto, as células endometriais podem migrar no sentido oposto e, se existir a predisposição para o desenvolvimento da doença, podem se multiplicar fora do útero, como no ovário, trompas, bexiga ou intestino causando a endometriose.


Atenção aos sintomas!  

  • Observe seu ciclo menstrual. Cólicas leves, moderadas, mas principalmente intensas, podem ser sintoma de endometriose. Se a dor lhe incomoda, procure um ginecologista e faça uma avaliação. 
  • Se você nunca teve cólica menstrual na vida e passa a ter, fique alerta. Pode ser sintoma de alguma alteração no aparelho reprodutor feminino. Na dúvida, consulte um ginecologista. 
  • Dor durante a relação sexual também pode ser sintoma de endometriose. Não dor na penetração, mas na parte mais profunda da vagina. 
  • Infertilidade, independentemente de sintomas dolorosos. 
  • Dor pélvica crônica ou distensão abdominal 
  • Dor para evacuar, diarreia ou constipação durante o período menstrual. 
  • Dor para urinar durante o período menstrual

 

A importância do diagnóstico correto

O primeiro passo para o diagnóstico é o exame ginecológico clínico. O exame físico (toque vaginal) consegue detectar cerca de 70% das lesões de endometriose localizadas na região retrocervical (atrás do colo do útero).

O diagnóstico de endometriose, no entanto, precisa ser confirmado por meio da realização dos exames corretos. “O que ocorre, muitas vezes, é que o médico pede para que a paciente faça um ultrassom transvaginal e nada é diagnosticado. E a mulher continua a sofrer com dores. O correto, para detectar a endometriose com exatidão, é fazer um ultrassom transvaginal com preparo intestinal.

Assim é possível estabelecer, com precisão, os focos de endometriose tanto no aparelho reprodutor feminino, no intestino e também em outros órgãos”, diz Fernando Guastella. “Há casos em que a mulher tem focos de endometriose em mais de uma região”, completa.

Outro método de detecção da doença é através da ressonância magnética. “A ressonância magnética e a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal apresentam capacidade diagnóstica semelhante, sendo muitas vezes, complementares. Um estudo recente determinou que quando os dois métodos são realizados na mesma paciente, a acurácia diagnóstica é próxima de 100%”, relata o ginecologista.

Segundo Fernando Guastella, também é muito importante que os exames sejam realizados por profissionais especializados no diagnóstico da endometriose. “É muito melhor fazer os exames com quem tem experiência no diagnóstico da doença. Caso contrário os resultados podem ser ruins”, afirma.


Causa

Existe uma predisposição genética na ocorrência da endometriose. Isso significa que, se um parente próximo tem ou teve a doença, a chance de aparecimento da enfermidade aumenta. “Não quer dizer que porque sua mãe teve, você terá também. Mas a probabilidade cresce”, explica o ginecologista.

E por que algumas mulheres, mesmo com predisposição genética, tem a doença e outras não? “Sabemos que as condições do ambiente em que a mulher vive modulam a ocorrência da endometriose. Stress, ansiedade e deficiências imunológicas podem desencadear a doença”, completa Fernando Guastella.


Tratamento

A endometriose é uma doença crônica, ou seja, que não tem cura, mas pode ser controlada. O tratamento é feito com mudanças no estilo de vida e hormônios que interrompem o ciclo menstrual. Quando os sintomas não forem controlados com o tratamento ou em casos mais graves, é necessária a realização de cirurgia para a retirada dos focos da doença. As intervenções cirúrgicas geralmente são feitas através de laparoscopia, ou cirurgia robótica, métodos minimamente invasivos.


Infertilidade 

A endometriose dificulta a vida de quem quer engravidar?  A resposta é sim. De um terço a metade das mulheres com endometriose têm dificuldade para engravidar. Fernando Guastella explica que isso ocorre devido ao processo inflamatório crônico desencadeado pela endometriose ou por alterações anatômicas do aparelho reprodutor, ou ambas as causas.

 

Doença evitável é a terceira causa de morte por câncer entre as mulheres no mundo

Março é mês de prevenção do tumor de colo uterino; 90% das mortes ocorrem em países de média a baixa renda

 

Anualmente, cerca de 311.000 mulheres morrem por câncer de colo uterino, sendo que aproximadamente 90% dessas mortes ocorrem em países de média a baixa renda. No panorama global atual das neoplasias malignas, o tumor é o quarto tipo de câncer mais comumente diagnosticado entre as mulheres, e a terceira causa de morte por câncer entre elas. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer estima para o triênio de 2020 a 2022 uma média de 16.000 novos casos de câncer de colo uterino por ano, representando o terceiro câncer mais comum entre as mulheres brasileiras. De acordo com o oncologista Leonardo Roberto da Silva, do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia, apesar desse cenário, o câncer de colo uterino é uma doença evitável. “Além disso, é potencialmente curável, quando diagnosticado precocemente e tratado de forma adequada”. 

O câncer de colo uterino é causado por uma infecção viral sexualmente transmissível. O vírus responsável é chamado papilomavírus humano (HPV), um vírus de DNA que apresenta mais de 200 sorotipos. Dentre eles, 14 tipos são causadores de câncer, sendo denominados de alto risco. “Os tipos mais comumente associados ao câncer de colo uterino são o 16 e o 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos desse tipo de câncer. A grande maioria das pessoas será infectada pelo HPV em algum momento da vida, sendo o maior pico de infecção logo após o início da vida sexual ativa. Além disso, sabe-se que algumas pessoas sofrerão infecções repetidas”, explica o oncologista. 

Frequentemente, a infecção pelo HPV sofre resolução espontânea, em um período que pode chegar a dois anos. No entanto, em alguns casos, a infecção pode persistir e levar ao desenvolvimento de lesões precursoras e, eventualmente, o câncer de colo uterino. “O tempo médio entre a infecção e o desenvolvimento do câncer de colo uterino é de 15-20 anos. Existem alguns fatores que estão associados ao aumento do risco de persistência da infecção pelo HPV e, consequentemente, do desenvolvimento do câncer. São eles: deficiências do sistema imune, tabagismo (ativo e passivo), e concomitância de outras infecções sexualmente transmissíveis (como gonorreia e clamídia)”, esclarece o médico.

 

Estratégias de prevenção 

Segundo o oncologista, é possível reduzir o número de novos casos da doença e, em última instância, reduzir também o número de mortes causadas pelo câncer em questão. “A prevenção do câncer de colo uterino envolve a tomada de ações com o objetivo de reduzir o risco de desenvolvimento da doença. A primeira delas  é a prevenção da infecção pelo HPV com a vacina quadrivalente, introduzida no Programa Nacional de Imunização (PNI) no ano de 2014, recomendada para meninas com idade entre 9 e 13 anos e para meninos com idade de 11 a 13 anos. Elas são capazes de prevenir mais de 95% das infecções pelo HPV tipos 16 e 18, mas também oferecem proteção cruzada com outros tipos menos comuns. As vacinas contra o HPV são bastante seguras. A segunda estratégia  baseia-se no rastreamento do câncer de colo uterino. O objetivo é detectar lesões precursoras de câncer ou mesmo o câncer, porém nos seus estágios mais iniciais. Atualmente, dispomos de três medidas para rastreamento: a. exame de Papanicolaou; b. inspeção visual do colo uterino com aplicação de ácido acético; c. exame para detecção de infecção por HPV de alto risco. A recomendação da OMS é de que todas as mulheres sejam submetidas a no mínimo um exame de rastreamento entre os 30 e 49 anos de idade”, explica.

 No ano de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma campanha mundial para o aceleramento da eliminação do câncer de colo uterino, com o compromisso de 194 países para a adoção de medidas que visam atingir esse objetivo. Tais medidas devem ser atingidas até o ano de 2030, com o objetivo de atingir uma incidência de no máximo 4 casos por 100.000 mulheres, fazendo com que o câncer de colo uterino deixe de ser um problema de saúde pública. Em estudo publicado recentemente, com base em uma análise de 78 países de baixa e média renda, estimou-se que, caso as metas da OMS sejam alcançadas, até o ano de 2120 serão evitadas quase 61 milhões de mortes por câncer de colo uterino. Ao longo dos próximos 10 anos, quase metade das mortes evitadas ocorreria na África sub-Sahariana.   

O programa da OMS para o aceleramento da eliminação do câncer de colo uterino envolve três medidas: cobertura de vacinação de 90% das meninas até os 15 anos; cobertura de rastreamento do câncer de colo uterino de 70%, aos 35 anos e aos 45 anos, com testes adequados e de qualidade e, garantia de que 90% das mulheres com doença de colo uterino (lesões precursoras ou câncer) recebam tratamento adequado e em tempo hábil. “Em 2020, pesquisadores publicaram uma análise de modelos estatísticos considerando 78 países de baixa e média renda para a avaliação dos resultados de longo prazo da associação da vacinação contra HPV ao rastreamento. Estimou-se que quando realizada apenas a vacinação, 60% dos países atingiriam uma incidência de até 4 casos/100.000 mulheres (o alvo definido pela OMS). A combinação com o exame de rastreamento elevou essa porcentagem de países para 99%. Além disso, a eliminação do câncer de colo uterino seria alcançada 11-31 anos antes com a estratégia combinada (vacinação + rastreamento), quando comparada à vacinação apenas. Ou seja, uma combinação potencial de reduzir significativamente o impacto do câncer de colo uterino no mundo”, finaliza Dr. Leonardo.

 

 

 

Leonardo Roberto da Silva - formado em Oncologia Clínica pela Universidade Federal Minas Gerais, é oncologista do Caism/Unicamp, com função docente junto aos residentes em Oncologia Clínica da Unicamp. É mestre em Oncologia Mamária pela Unicamp e doutorando na área de Oncologia Mamária pela FCM-Unicamp, com extensão na Baylor College of Medicine – Houston/Texas, EUA.  É membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e da Sociedade Europeia de Oncologia Clínica (ESMO). Leonardo faz parte do corpo clínico de oncologistas do Grupo SOnHe –  Sasse Oncologia e Hematologia e atua no Radium Instituto de Oncologia, no Hospital e Maternidade Madre Theodora e no Hospital Santa Tereza. 

 

Grupo SOnHe - Sasse Oncologia e Hematologia

www.sonhe.med.br 

Redes sociais @gruposonhe.

 

Cientistas relatam manifestações gastrointestinais e mecanismos da COVID-19

Recentemente, o Prof. Zhu Shu, da Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC), e o Prof. Richard A. Flavell, da Universidade de Yale, publicaram um artigo de revisão na Nature Reviews Gastroenterology and Hepatology. Eles resumiram sistematicamente as manifestações gastrointestinais em pacientes com covid-19 e exploraram os possíveis mecanismos de sintomas intestinais causados pela infecção por coronavírus

Embora as manifestações clínicas de doença sejam principalmente febres, tosse e imagens pulmonares, sintomas gastrointestinais também foram relatados. Cerca de 50% dos pacientes com covid-19 apresentaram RNA do SARS-CoV-2 detectável em suas amostras fecais. A evidência de infecção intestinal pelo novo coronavírus também foi relatada com base em vários estudos in vitro e in vivo em animais.

A expressão intestinal do receptor SARS-CoV-2 e da serina protease permanece em nível relativamente alto. Partículas de vírus e inflamação intestinal foram detectadas na autópsia e biópsia dos intestinos do paciente. O camundongo, hamster, macaco rhesus e outros modelos animais que podem ser usados para investigar a infecção intestinal do vírus também foram avaliados no estudo.

O risco de transmissão fecal-oral da doença foi também revista no artigo.

Este trabalho aprofundou a compreensão das manifestações gastrointestinais da covid-19 e sugere uma relação potencial entre infecções intestinais e gravidade da doença. É importante para a compreensão da patogenicidade e mecanismo de transmissão do vírus e para o desenvolvimento de estratégias científicas de prevenção e controle.

 

 

Fonte: Meng Guo et al, Potential intestinal infection and faecal-oral transmission of SARS-CoV-2, Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology (2021). DOI: 10.1038/s41575-021-00416-6

 

Rubens De Fraga Júnior - professor da disciplina de gerontologia da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná. Médico especialista em geriatria e gerontologia.

 

#Fato ou #Fake: Exames laboratoriais

 

Laboratório de Análises Clínicas de Presidente Prudente esclarece as principais dúvidas sobre exames laboratoriais

 

Muitas dúvidas surgem ao agendar um exame laboratorial, as pessoas normalmente não sabem o que é permitido ou não antes da coleta. O Laboratório Unilab reuniu nesta publicação alguns #fatos e #fakes para esclarecer as principais dúvidas sobre os exames laboratoriais para que as pessoas possam realizar seus exames com segurança.

 

Água quebra o Jejum: #FAKE

Não! Beber água não interfere no jejum e é importante que a pessoa esteja hidratada para realizar os exames. Entretanto, deve-se respeitar o hábito do paciente e beber o suficiente para saciar a sede. O excesso de água pode afetar alguns resultados de exames de urina. 

Outras bebidas podem provocar alterações nos componentes sanguíneos, como sucos, cafés e refrigerantes, e são proibidos durante o período de jejum.

 

Posso fazer atividade física e depois colher o sangue: #FAKE

O exercício físico altera, para mais ou para menos, alguns parâmetros, como a glicemia, CPK (Atividade do músculo) e dosagem de fator VIII de coagulação, por exemplo. Logo, não é recomendado fazer atividade física e depois coletar sangue.

Em caso de urgências, a coleta poderá ser realizada com restrição. Contudo, não deixe de informar ao laboratório sua rotina de atividades para que possíveis alterações no sangue possam ser consideradas.

 

Não posso fazer uso de bebida alcoólica na véspera do exame: #FATO

A ingestão do álcool pode alterar, principalmente, o perfil lipídico (Triglicérides e Ldl-Colesterol) e exames que avaliam a função do fígado, mesmo ingerindo 72 horas antes do exame.

Uma pequena dose, como um cálice de vinho ou um copo pequeno de cerveja, até são tolerados na véspera do exame. 

Fique atento: Mais que isso, deverá aguardar 72 horas, no mínimo, para a coleta!

 

Exame de urina tem que ser a primeira ida da manhã: #FAKE

A urina pode ser colhida a qualquer hora do dia, com um intervalo de 3 horas sem urinar, ou o máximo de tempo que conseguir reter a urina, em frascos fornecidos pelo laboratório.

Em alguns casos, o médico pode solicitar que seja a primeira urina da manhã.

 

Mudar a alimentação antes do exame altera os resultados: #FATO

Sua alimentação deve ser a mesma que você costuma comer no seu dia a dia. Quando você muda seus hábitos alimentares para realizar exames, os resultados podem sofrer alterações. 

Fique atento: Para exame de perfil lipídico, o ideal é manter a dieta habitual por 5 dias antes da coleta para um resultado mais preciso.

 

Jejum de 12 horas é obrigatório para exames de sangue: #FAKE

Graças aos avanços das metodologias diagnósticas, o exame de perfil lipídico pode ser realizado sem a necessidade do jejum de 12 horas, já que o consumo de alimentos antes da realização desses exames (desde que habituais e sem sobrecarga de gordura), causa baixa ou nenhuma interferência na análise.

Entretanto, ainda existem exames que necessitam de jejum de 08 horas, como testes de tolerância à glicose e à lactose, glicemia e insulina. 

Fique atento: O médico solicitante é quem deverá avaliar se há ou não a necessidade de jejum prolongado para o exame de perfil lipídico.

 

Dia Nacional do Câncer de Colo Uterino

 

Câncer de colo de útero é o terceiro tumor mais frequente nas mulheres


Doença, silenciosa nos estágios iniciais, tem no exame de Papanicolau e na vacinação contra HPV as principais formas de prevenção    

 

O câncer do colo de útero, também chamado de câncer cervical, é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina (atrás apenas do câncer de mama e do câncer colorretal), e a quarta causa de morte por câncer em mulheres no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), as estimativas de incidência de câncer do colo de útero, para 2021, são de 16.590 novos casos no país. 

O médico oncologista da Fundação São Francisco Xavier, Luciano Viana, reforça que é extremamente importante as mulheres se prevenirem, antes do aparecimento de sintomas. “Muitas vezes as pessoas esperam aparecer sintomas para dar uma atenção e buscar saber o que está acontecendo. O câncer uterino é uma doença que não manifesta sintomas na fase inicial. Alguns sintomas como sangramento, corrimento e dor durante o ato sexual podem aparecer, mas em geral, ocorrem à medida que a doença ganha proporção”. 

O diagnóstico do câncer de colo de útero é realizado por meio do exame preventivo, conhecido como Papanicolau. De acordo com o Ministério da Saúde, a idade preconizada para realização do exame é de 25 a 64 anos, sendo recomendado uma vez ao ano. Mas, o oncologista reforça que o exame preventivo deve fazer parte da rotina de todas as mulheres que têm vida sexual ativa. “É extremamente importante que a mulher que pratica atividade sexual, independentemente da idade, faça o acompanhamento com um médico ginecologista, para avaliação da rotina dos exames preventivos e para orientação da prática sexual segura”, orienta Luciano. 

A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) é uma opção indicada para a prevenção. O Ministério da Saúde implementou no calendário vacinal, em 2014, a vacina tetravalente contra o HPV para meninas de 9 a 13 anos e, desde 2017 está disponível para meninos entre 11 e 14 anos. “A vacinação, tanto para meninas quanto para meninos é fundamental, pois diminui a chance de quando iniciarem a atividade sexual, transmitirem o vírus para as mulheres. A orientação médica, a vacina contra o HPV e a realização do exame preventivo (Papanicolau) são medidas que se complementam como ações de prevenção e diagnóstico precoce, uma vez que a vacina não protege contra todos os tipos oncogênicos do HPV”; reforça Luciano. 

O tratamento para o câncer de colo de útero tem avançado muito nos últimos anos, de acordo com dr. Luciano, e deve ser avaliado e orientado por um médico especialista. O tipo ideal para o tratamento vai depender do estágio de evolução da doença da paciente, do tamanho do tumor e de fatores especiais, como idade e o desejo de ter filhos. Entre os tratamentos estão a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia.

 

 

Fundação São Francisco Xavier


Pandemia: Tutti Odonto explica como realizar tratamentos dentários com segurança para o profissional e para o paciente

Veja as dicas para manter a saúde bucal evitando a contaminação em casa ou no consultório do dentista 


A pandemia de COVID-19 trouxe a necessidade de diversos profissionais readequarem suas práticas em prol da segurança. A área odontológica, que demanda um contato muito próximo entre os profissionais e seus pacientes, além do contato com a saliva, um dos principais vetores de transmissão do vírus, é considerada de alto risco. Isso sem falar nos profissionais da saúde bucal que atendem aos pacientes que necessitam desse tipo de cuidado nas UTIs, onde o risco de contaminação é ainda maior.

Com tudo isso, a Tutti Odonto, especializada no tratamento dentário inclusivo para toda a família, desde crianças, até idosos, pessoas com necessidades especiais ou mobilidade reduzida, reuniu dicas que podem ser úteis no momento do cuidado dentário, baseadas nas recomendações do Ministério da Saúde (MS), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Conselho Federal de Odontologia (CFO) e de pesquisadores do setor.

 

DICAS PARA O PACIENTE

1. LAVAR AS MÃOS ANTES DE ESCOVAR OS DENTES: Muita gente, inconscientemente acaba por fazer a sua higiene bucal sem antes lavar as mãos e, com isso, acaba aumentando muito o risco de contaminar a escova, a si mesmo ou alguém próximo (se você é cuidador ou escova os dentes de terceiros, sejam crianças ou adultos).


2. JAMAIS COMPARTILHAR A ESCOVA DE DENTES: Não importa se é alguém próximo, nunca se deve compartilhar a escova de dentes, pois essa é uma das formas mais rápidas de propagação de vírus e de transmissão de doenças.


3. NÃO GUARDAR ESCOVAS DE DENTES DENTRO DO MESMO COPO OU EM LUGARES QUE PROPICIE O CONTATO ENTRE ELAS: Pelo mesmo motivo, certifique-se de que as cabeças das escovas de dentes também sejam mantidas separadas umas das outras, de preferência cada escova com a cabeça mergulhada dentro de um copinho individual, com alguma solução desinfetante como por exemplo enxaguante bucal diluído com um pouco de água.


4. FECHE A TAMPA DO VASO SANITÁRIO ANTES DE DAR DESCARGA: Quase todos nós guardamos a escova de dentes no banheiro. Toda vez que alguém dá a descarga, uma parte do spray da privada voa para fora e contamina o ambiente e a sua escova. Portanto, certifique-se de que sua escova esteja a uma distância segura da privada e feche a tampa antes de dar descarga.


5. TROQUE SUA ESCOVA DE DENTES REGULARMENTE: Os especialistas recomendam trocar a escova de dentes pelo menos a cada três meses. Talvez até mais cedo, se as cerdas se esgarçarem.


6. USO DE PRÓTESES MÓVEIS: Assim como as escovas de dentes, as próteses devem ser armazenadas separadamente e higienizadas antes de serem reutilizadas. Para isso, é necessária antes a lavagem adequada das mãos.

 

DICAS PARA OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE DENTÁRIA

1. PROTEÇÃO INDIVIDUAL: Medidas rígidas em relação aos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) devem ser adotadas. A COVID-19 exigiu reforços à paramentação adotada na gripe aviária (2012).


2. LAVAGEM DAS MÃOS: uma vez que a contaminação ocorre principalmente pelo contato direto nos olhos, mucosa nasal e bucal, a lavagem adequada das mãos com água e sabão é uma das mais eficientes formas de proteção individual e de interrupção de transmissão cruzada relacionada ao vírus e a outras doenças.


2. USO DE PRÓTESES NAS UTIs: Caso o paciente faça o uso de prótese, ela deve ser removida e não deve ser armazenados no hospital.


4. CUIDADOS BUCAIS NAS UTIs: A descontaminação da cavidade bucal e da faringe do paciente é indicada previamente ao procedimento odontológico. Obviamente ela deverá ser feita apenas se houver tempo hábil, sem que haja prejuízo para o procedimento e para o paciente.


A doença do silicone e a síndrome ASIA estão em destaque

- Pacientes estão buscando médicos para retirar o silicone


- Especialista explica as doenças relacionadas à prótese de silicone

 

Uma cirurgia vem ganhando destaque nos consultórios dos cirurgiões plásticos. É o explante, procedimento que retira as próteses de silicone. Pode ser realizada por questões estéticas ou complicações, o que têm sido mais comumente relatadas pelas pacientes que buscam o explante.

A doença do silicone e a síndrome ASIA estão cada vez mais ganhando destaque. É verdade que a cirurgia plástica traz muitos benefícios, incluindo a melhora da autoestima, mas não se pode ofuscar os riscos também presentes.

A doença do silicone é um termo genérico, que pode englobar as complicações relacionadas ao implante. Porém, muitos a associam apenas com toxicidade do silicone, que extravasa do implante sem ele estar rompido. Essa situação é chamada de bleeding.

“É importante lembrar que é comum formar, ao redor de qualquer material implantado, uma cápsula. No caso dos implantes mamários essa cápsula pode ficar endurecida, com deformidade visível e até causar dor. Apesar de raro, existe um linfoma relacionado ao implante mamário e, nesse caso, a cirurgia para remoção do implante é a indicação. A prótese deve ser retirada em bloco, ou seja, o implante intacto dentro de sua cápsula”, explica o cirurgião plástico Dr. Fernando Amato, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

O especialista detalha ainda que implantes rompidos podem ter o silicone migrado para os linfonodos da axila, gerando dor, desconforto e até prejudicando a drenagem linfática da mama e dos braços.

Já no caso da síndrome Ásia, o implante de silicone serve como gatilho para desenvolver sintomas semelhantes aos das doenças reumatológicas como dor nas articulações do corpo, cansaço, distúrbios do sono, perda de cabelo, olho e boca secos.

“Para colocar um implante mamário é necessário que o cirurgião seja sincero com a paciente, expondo todos esses riscos, e a paciente precisa ter maturidade para que nessa escolha seja levada em conta os benefícios e os riscos existentes. Por isso, antes da cirurgia, é importante conversar com o médico sobre todas as dúvidas. A confiança entre médico e paciente é fundamental nessa decisão”, orienta Dr. Fernando Amato.

Mamoplastia de Aumento - Além da importância da amamentação, as mamas são o símbolo da sensualidade feminina e, por isso, desempenham papel importante na estética do corpo, na qualidade de vida e na autoestima da mulher.

A mamoplastia de aumento com implante de silicone é uma das cirurgias plásticas mais realizadas no mundo e, geralmente, são as mulheres mais jovens que procuram pelo procedimento.

Entre as principais dúvidas que a paciente deve esclarecer durante a consulta pré-cirurgia está o tamanho da prótese. “A escolha do volume não deve ser banalizada e deve-se levar em consideração muitas informações como o diâmetro do tórax, o formato das mamas, a elasticidade da pele e o desejo da paciente”, explica Dr. Fernando Amato.

Volumes exagerados, segundo o especialista, aumentam os riscos de complicação cirúrgica e a insatisfação, que variam desde alterações na pele com estrias, configurações com o posicionamento do implante, dificuldade de cicatrização e a exposição do implante.

 


Dr. Fernando C. M. Amato Graduação, Cirurgia Geral, Cirurgia Plástica e Mestrado pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Membro Titular pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), membro da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS).

https://www.instagram.com/meu.plastico.pro/

 

PANDEMIA: Atendimentos ambulatoriais por acidente doméstico crescem 303%



Dados do Ministério da Saúde envolvem crianças e adolescentes; SBCM alerta prevenção


Sem creches e com escolas atuando só de maneira virtual, crianças e adolescentes têm passado todo o tempo dentro de casa, em razão da pandemia. E o lar pode acabar sendo um campo minado, resultando em acidentes domésticos, que tiveram aumento significativo nesse período de isolamento social. Segundo o Ministério da Saúde, os atendimentos ambulatoriais no SUS (Sistema Único de Saúde) por acidentes domésticos — aqueles que não necessitaram de internação — registraram crescimento de 303% em pessoas de 0 a 15 anos. Passou de 7.179 entre março e outubro de 2019 para 28.939 no mesmo período de 2020.

Ainda nesse período de 2020, foram registrados 39.338 atendimentos, entre hospitalares e ambulatoriais, 112% a mais do que em 2019, quando foram contabilizados 18.525 registros.

Quando analisados os casos que necessitaram de internação, de março a outubro de 2020, foram 10.399 atendimentos, o que equivale a 42 casos de acidentes domésticos por dia.  O Ministério da Saúde ressalta que “cabe esclarecer que os procedimentos registrados pelo SUS não representa o número de pessoas atendidas em função de acidente doméstico, tendo em vista que o mesmo paciente pode ser submetido a vários procedimentos, em tempos distintos”.

Neste cenário de aumento dos acidentes domésticos, especialistas em cirurgia da mão têm percebido grande volume de pacientes nesta faixa etária, com lesões causadas por queimaduras, quedas (ao tentar se proteger com as mãos) e cortes causados por instrumentos de cozinha.

“Com o confinamento, as crianças e adolescentes ficam mais agitados e passam a explorar novos lugares na casa, colocando-se em risco”, fala o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Dr. Henrique de Barros Pinto Netto. “A faixa etária de 10 a 15 anos, por exemplo, já conquistou mais autonomia e a vigilância dos pais ou responsáveis é menor. Entretanto, o desejo de viver novas experiências acaba os colocando em situações de risco. Na quarentena, muitos passaram a cozinhar e, havendo um descuido, podem sofrer sérios acidentes, como queimaduras ou cortes”, acrescenta.

 

Prevenção

No ambiente da cozinha, é recomendado que objetos cortantes, alimentos e objetos quentes e produtos químicos sejam deixados fora do alcance, sobretudo dos pequenos, além de ser necessário ter um cuidado extra com o fogão, principalmente quando estiver com o forno ligado ou chamas acesas.

Outro local que merece atenção no tempo de quarentena é o banheiro. Objetos cortantes, como lâminas de barbear e produtos químicos também devem mantidos fora do alcance das crianças.

Colocar proteção em todas as tomadas evita choques, principalmente nas crianças que estão na fase de engatinhar. Barreiras de proteção na escada também são importantes, além de deixar plantas venenosas em local inacessível.

Outro ponto de cuidado fundamental no período de pandemia é com o álcool em gel.

“Tem aumentado muito os registros de problemas envolvendo as crianças e álcool em gel, então, é preciso se atentar a deixar o produto em local bem guardado e que não seja de fácil acesso às crianças”, ressalta o presidente da SBCM. “E para o uso direto na higienização das mãos dos pequenos, o melhor método é a água e sabão, excluindo a necessidade do álcool em gel”, conclui.

 


SBCM - Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão

http://www.cirurgiadamao.org.br/


 

Dificuldade em engolir pode ser sequela grave de refluxo e precisa ser tratada com urgênc

Disfagia é a dificuldade de engolir os alimentos ou sensação de entalamento do alimento
Divulgação
A disfagia, doença mais comum entre idosos, pode afetar também pacientes jovens, especialmente quem sofre de distúrbios do trato intestinal


No próximo 20 de março, celebra-se o Dia Nacional de Atenção à Disfagia (dificuldade de deglutição ou engolir), doença que frequentemente acomete pessoas idosas, mas também é uma sequela grave de casos da Doença de Refluxo Gastroesofágico, que não foram devidamente tratados, podendo, portanto, acometer pessoas jovens. A data foi escolhida porque nesse dia, no ano de 2010, foi publicada a Resolução Conselho Federal Fonoaudiologia (CFFa) nº 383, que dispõe sobre as atribuições e competências relativas à especialidade em Disfagia.

"Quando a disfagia surge em decorrência da doença do refluxo, normalmente é devido a sequelas graves que o refluxo causou”, explica o endoscopista membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Hugo Gonçalo Guedes. O médico destaca que várias outras doenças são tidas como sequelas do refluxo que se estendeu por longo tempo e não foi tratado adequadamente. “Estenoses esofágicas e câncer no esôfago são complicações graves do refluxo e que também podem ocasionar a disfagia baixa, que por si pode dar sintomas graves ou moderados, mas quando relacionada ao refluxo ela tem uma intensidade maior”, esclarece.

Além da dificuldade para engolir os alimentos ou líquidos, outros sinais da disfagia são a sensação de entalamento ou de que o alimento está preso na garganta, tosse e/ou regurgitação nasal. As principais complicações que podem ser ocasionadas pela doença são: o aumento das chances de pneumonia aspirativa; a ampliação do tempo de internações - devido à desnutrição e à desidratação; o desinteresse por alimentos; a debilitação da saúde de modo geral; e a consequente perda da qualidade de vida.

“O paciente que tem refluxo e que depois de algum tempo apresenta sintomas de disfagia precisa procurar o mais breve possível uma assistência médica, preferencialmente de seu médico endoscopista, para que ele possa identificar o fator causal”, afirma Hugo Gonçalo Guedes.



Novo tratamento


O médico ainda ressalta que é  importante que se faça um diagnóstico correto do refluxo por meio de exame de endoscopia, PHmetria e estudo de manometria, para que se identifique a melhor opção de tratamento, que vai desde medidas alimentares, comportamentais, uso de medicamentos e em quadros mais graves cirurgias convencionais ou endoscópicas.

Recentemente, para os casos mais graves de doença do refluxo, o Brasil passou a contar com um novo recurso, a fundoplicatura endoscópica com o dispositivo médico Esophyx. O procedimento busca trazer o mesmo efeito da fundoplicatura cirúrgica, porém de forma muito menos invasiva e com uma recuperação mais rápida.

"Aprovado pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] em outubro do ano passado, esse novo recurso terapêutico é bem menos invasivo, traz menor nível de complicação, resultados efetivos, representando, portanto, menos tempo de afastamento do trabalho e das atividades do dia a dia", informa Eduardo Grecco cirurgião do aparelho digestivo, especialista em endoscopia digestiva, professor da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo e um dos responsáveis pela realização da primeira fundoplicatura endoscópica na América Latina, realizada no Brasil no final do último mês de janeiro.

 

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