No dia 24 de março
comemora-se o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, uma das 10 principais
causas de morte no mundo. No mesmo ano em que o Brasil liderou as estratégias
globais de luta contra a doença, contabilizamos 73.864 mil novos casos
A tuberculose, doença infecciosa causada pela
bactéria Mycobacterium tuberculosis, é provavelmente um dos problemas
mais desafiadores da saúde pública mundial. Apenas em 2018, cerca de 10
milhões de pessoas ficaram doentes e 1,5 milhão morreram em decorrência de suas
complicações.
No Brasil, em 2019, ano em que lideramos as
estratégias globais contra a tuberculose, registramos 2.459 casos a menos da
doença, comparados a 2018. Ainda segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério
da Saúde, houve uma redução de 8% no número de óbitos na última década (4.881
óbitos em 2008), em 2018, 4.490 pessoas morreram no país.
Mas se há cura, porque os números são tão altos?
Existem alguns pontos importantes para se entender e desmistificar sobre a
tuberculose que o Dr. Felipe de Andrade Magalhães, diretor
médico do Jaleko vai explicar. Fique atento.
- Infecção:
Transmitida pelo Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de
Koch, a tuberculose é contagiosa mesmo quando latente. Uma pessoa infectada
pode servir como reservatório para o bacilo, e boa parte da população mundial
pode estar infectada, sem saber e nunca sequer desenvolver a doença. O problema
é que esse organismo pode não conseguir eliminar o bacilo, e então quando a
imunidade ficar baixa ele é reativado e, então, se tornar infectante. Como a
grande parte das doenças respiratórias transmissíveis o contágio se dá pelo ar
ou proximidade de pessoas infectadas (tosse, espirro, gotículas). Estima-se
que, durante um ano, um indivíduo com baciloscopia positiva pode infectar, em
média, de 10 a 15 pessoas dentro de sua comunidade, a contaminação ocorre entre
pacientes que passam algum tempo junto, portanto as pessoas mais próximas são
os mais infectados. A doença afeta principalmente os pulmões, mas pode
acometer outros órgãos e sistemas em casos mais raros, como linfonodos, pleura
e meninge.
- Sintomas:
Os principais sintomas na forma pulmonar, que além
de ser a mais frequente é também a principal causa pela propagação da
transmissão da doença, são tosse por mais de duas semanas, produção de catarro,
em casos mais graves escarro com sangue, febre baixa, dor no peito,
cansaço/fadiga, sudorese noturna e emagrecimento.
Já em sua forma extrapulmonar, que acomete outros
órgãos que não o pulmão, mais comuns em pessoas que vivem com o HIV ou com
comprometimento imunológico, os sintomas são; febre vespertina, sudorese
noturna, emagrecimento, cansaço/fadiga. Eventualmente até mesmo pessoas sem
comorbidades podem desenvolver formas extrapulmonares.
- Diagnóstico:
O diagnóstico para tuberculose é realizado por
exames bacteriológicos, como Baciloscopia, teste rápido molecular para
tuberculose e cultura para microbactéria. E por imagem, que são considerados
exames complementares, como radiografia e/ou tomografia de tórax.
- Tratamento:
É muito importante lembrar que o tratamento para
tuberculose é oferecido gratuitamente pelo SUS, e dura em média, seis meses.
Infelizmente, o abandono é um dos motivos que mais levam ao óbito e ao aumento
da resistência da bactéria ao tratamento. Apesar da melhora dos sintomas
aparecer já nas primeiras semanas, a cura só é garantida ao final da terapia.
No Brasil, a cada 10 pessoas, pelo menos uma abandona o uso dos medicamentos.
O tratamento é feito com doses combinadas de
medicamentos que são padronizadas pelo ministério da saúde. Além da importância
de seguir as recomendações é imprescindível que o paciente adote hábitos de
higiene, evite aglomerações e compreenda que estamos sobrevivendo a maior crise
sanitária de doenças respiratórias já vista na história mundial. E com a
imunidade baixa, este paciente estará suscetível a diversos outros tipos de
enfermidades.
“A tuberculose é um grande desafio médico da
atualidade, apesar de seu agente ter sido descrito no século XIX. Há
dificuldades com o estigma da doença, a busca por pacientes em estágios
iniciais, e o alto índice de abandono do tratamento, que dura meses. Questões
como essas combinadas à crise sanitária que estamos vivenciando podem ser
altamente alarmantes, por isso é muito importante que campanhas sejam
endossadas e médicos estejam sempre atentos, não só aos cuidados, mas também
para agirem como agentes de saúde.” ressalta, Magalhães.
Felipe Magalhães - médico e diretor científico
da EdTech Jaleko, graduado na UFF- Universidade Federal Fluminense, com
residência clínica médica no Hospital Adventista Silvestre e residência em
nefrologia na UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é
também coordenador da comissão de residência médica do Hospital Federal da
Lagoa.
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