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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Apesar da situação, há luz no túnel para a Vale


A tragédia em Brumadinho, no dia 25 de janeiro, causou, entre tantas outras consequências, uma das piores crises do setor de mineração. De 2015 a 2019 vivenciamos uma recorrência de fatos nesse segmento, o que torna difícil prever o que acontecerá daqui para a frente. Apesar disso acredito que, ao contrário de Mariana, Brumadinho terá desdobramentos mais demorados.

Além da recorrência, temos um quadro de muitos outros fatores negativos, como vidas ceifadas, natureza destruída, falta de confiança dos investidores e dos acionistas, negociadores e de toda uma sociedade nacional e internacional. Levando em conta tudo isso, a retomada da confiança na companhia pode ser lenta e até isso acontecer teremos oscilações das ações da Vale na Bolsa, algo já esperado pelo mercado.

Devemos questionar o que será feito no futuro. Economicamente, o mercado entende que a Vale já vinha operando de maneira arriscada. No período de 2000 a 2010, a Vale distribuiu algo em torno de US$ 15 bilhões em dividendos para seus acionistas. Nos anos seguintes, 2011 a 2018, a empresa distribuiu um valor duas vezes maior.

Além disso, no início do período de aumento significativo nos dividendos, o preço do minério de ferro caiu pela metade, entre janeiro de 2011 e janeiro de 2019. Entendo que a estratégia utilizada pela companhia para enfrentar essa queda foi aumentar a produção, talvez em nível maior do que a segurança comportaria, para aumentar o faturamento, ao mesmo tempo em que investiu menos em manutenção, para reduzir gastos.

Esse tipo de estratégia nada tem a ver com incompetência, mas, sim, com um plano que prioriza o lucro em detrimento da segurança. Após a barragem de Brumadinho sucumbir e causar uma tragédia de grandes proporções, o plano ficou mais do que evidente aos olhos do público.

Em consequência, há uma pressão da sociedade civil, dos ministérios públicos, dos investidores e da população pela mudança da estratégia. A lição que aprendemos com tudo o que aconteceu é que há necessidade de seguir e cumprir normas punitivas e preventivas. Não basta corrigir apenas o que há pela frente. Precisamos de leis e normas que reconheçam todos os envolvidos e não apenas quem emite laudos.

Para a retomada da empresa, a transparência é fundamental na transmissão de informações à população e aos investidores. Claramente, a Vale conta com uma equipe técnica competente que possui um mapeamento de risco da situação. Podemos constatar isso no posicionamento rápido da empresa ao descomissionar dez barragens similares a Brumadinho e Mariana. 

Essa agilidade para evitar que mais tragédias como essa se repitam nos mostra que o rompimento das barragens aconteceu por escolhas estratégicas e não por falta de conhecimento. Por isso, a companhia precisa ser transparente e abrir sua investigação por mais que isso seja seu atestado de culpa.

Além das consequências nacionais, a Vale enfrentará uma série de ações vindas dos Estados Unidos, da Ásia e da Europa. A China, grande compradora de minérios, possivelmente se pronunciará. E acredito que a maioria dessas ações deverá resultar em acordos financeiros. 

Do ponto de vista estratégico, considero que a Vale deva voltar para suas raízes. Para isso, é necessária transparência, gestão reestruturada e respostas claras à sociedade.  A companhia também deve reformular a estratégia de remuneração de seus acionistas, visando sustentabilidade do negócio ao longo dos anos.

Apesar da grave situação, há luz no túnel para a Vale. Os bloqueios enfrentados pela mineradora são preventivos e devem ser superados por medidas judiciais em breve, para que não se inviabilize o setor.

O que aconteceu em Mariana e Brumadinho pode ser o ponto de partida para uma nova fase, que marca o fim da estratégia da atual Vale e o possível recomeço de uma tradicional companhia.

Ainda veremos a Vale fechando muitos acordos indenizatórios e isso terá um impacto expressivo em suas finanças, mas ainda assim não será algo que represente risco de fechamento ou falência, o que é positivo não só para a companhia, mas também para a economia em geral.







Fábio Astrauskas - economista, professor e coordenador economista, professor coordenador do Insper e CEO da consultoria Siegen.




1, 2, 3 e já! Tire os planos do papel!


Você já notou como as crianças são decididas quando querem algo? Não tem essa de deixar para depois. Em qualquer brincadeira, logo lançam o famoso grito de guerra: 1 2, 3 e já e...pronto. Se errou ou não deu certo, na grande maioria das vezes, elas não estão nem aí, começam de novo e tentam até conseguir. 

Já fomos crianças e sabemos que funciona assim mesmo. Mas por que nem sempre conseguimos aplicar isso na nossa vida de adulto? 

Aposto que você fez um monte de planos para o ano novo, mas arrisco a dizer que provavelmente ainda não tirou nenhum do papel ou da esfera mental. Errei? 


Pare de se preocupar com a opinião alheia

Muitas vezes, deixamos de dar início a um novo projeto, seja ele pessoal ou profissional, porque ficamos pensando na aceitação das pessoas. 

Por exemplo, muitos executivos têm vontade de compartilharem suas ideias nos canais sociais que temos hoje, mas não fazem isso porque sentem vergonha ou receio do que as outras pessoas podem achar. 


É o tão temido medo do julgamento. Se é a sua vontade, esqueça tudo isso e vá em frente. Se tem medo de errar, contrate o apoio de pessoas especializadas no assunto para apoiá-lo no projeto. A chance de dar errado ou se expor inadequadamente diminui bastante. 


Deixe o perfeccionismo de lado

Outro motivo que impede as pessoas de tirarem o plano do papel é o excesso de perfeccionismo. Não tenho dúvida de que o perfeccionismo é importante para uma entrega de qualidade. Quem é minucioso pode ser, também, um bom líder devido à exigência que terá sobre sua equipe. 

No entanto, apesar de ser uma qualidade, a preocupação exagerada com pequenas coisas pode causar uma série de problemas, como a inércia, por exemplo.

Tenha em mente que a perfeição não existe. Às vezes, o mais certo é colocar um projeto para rodar, mesmo que não esteja 100% como gostaria, e ir ajustando aos poucos. 


Arrisque mais

Você não tem controle sobre todos os riscos. Na verdade, não temos controle sobre nada na vida. Só achamos que temos. Sendo assim, sugiro que você se arrisque mais. A partir do momento que sabe o que quer, comece a agir. Não tenha medo. É preciso arriscar para ter sucesso. 

E o primeiro passo é tirar os planos do papel. Ainda estamos no começo de ano, portanto faça desse ciclo uma etapa inesquecível para a sua vida. Sempre temos chance de melhorar, crescer, inovar e fazer acontecer. E a sua hora é agora!





Braulio Lalau de Carvalho - CEO da Orbitall, empresa do Grupo Stefanini




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