Pesquisar no Blog

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Maldita corrupção




Todo ano a ONG Transparência Internacional divulga o índice de percepção de corrupção no mundo. É um indicador que mostra onde a maracutaia corre mais solta. O relatório mais recente mostra que em 2015 foram avaliados 168 países e o Brasil ficou em 76° lugar. O país ficou com 38 pontos, 5 a menos em relação a 2014, e teve o pior resultado de uma nação quando comparado com o levantamento do ano anterior.

O último relatório da entidade revela que o Brasil divide seu vexatório posto da malandragem com Bósnia e Herzegovina, Burkina Faso, Índia, Tailândia, Tunísia e Zâmbia. De acordo com a ONG a queda expressiva do país no ranking deve-se a roubalheira que tomou conta da Petrobrás. Em um comunicado a entidade diz: "Não é surpreendente que o Brasil, afetado pelo maior escândalo de corrupção de sua história pelo caso Petrobrás, tenha sido o país da América que mais caiu no índice este ano".

É muito triste, mas a situação brasileira no ranking da corrupção já não causa nenhum espanto. A malandragem continua sendo uma endemia. Uma vergonha! Países latino-americanos como Chile e Uruguai são apontados como menos corruptos que o Brasil.

Conforme sempre aponta a Transparência Internacional, a corrupção nos grandes projetos públicos é um dos maiores canais de desvio de dinheiro público e representa um enorme entrave para o desenvolvimento de um país. Os recursos roubados dos cofres públicos diminuem os investimentos em áreas vitais como saúde e educação e nas ações de combate à pobreza.

É revoltante ver o que acontece com o suado dinheiro do contribuinte brasileiro entregue ao poder público. A classe média não aguenta mais pagar tanto imposto e ver que parte dos recursos vai pelo enorme ralo da corrupção. Para piorar, sofre os terríveis efeitos do aumento da miséria causada pela carência de investimentos sociais.

O Brasil precisa empreender uma faxina gigantesca em suas instituições. É necessário combater esse tumor maligno impregnado na vida pública que é a corrupção. Não é possível que o brasileiro tenha que trabalhar mais de quatro meses no ano para abastecer o Estado e uma minoria se aproprie de recursos públicos de maneira inescrupulosa e sorrateira.

O princípio da restrição orçamentária vale para qualquer agente econômico. Mais do que crescer, o país precisa resgatar uma enorme parcela marginalizada da população. Tudo isso demanda recursos que precisam ser aplicados de modo eficaz e eficiente. Com orçamentos públicos já insuficientes frente à grande demanda social, torna-se dramático investir com a corrupção comendo parte do dinheiro. 

Tanto a grande corrupção, que envolve somas vultosas como o superfaturamento de obras e as fraudes em licitações e concorrências, assim como a pequena corrupção, traduzida em valores relativamente baixos de subornos e propinas, condenam cada vez mais pessoas à miséria material, moral e intelectual.

O país deve ser passado a limpo. A degradação moral dos que deveriam zelar pela eficiência na gestão pública e pela qualidade de vida do cidadão contribui para a proliferação da violência e da ignorância.




Marcos Cintra - doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.

Pokémon Go e a responsabilidade por danos causados


 
Em poucos dias, o jogo Pokémon Go virou um fenômeno mundial, se transformando em um objeto de desejo nas regiões onde ainda não havia sido disponibilizado. Baseado em um antigo desenho animado, o aplicativo de smarthphone basicamente transforma o mundo em uma grande arena em que os usuários devem capturar Pokémons – pequenas criaturas nos mais diversos formatos e tamanhos – e batalhar para que estes possam evoluir.

Para tanto, os desenvolvedores do jogo se utilizaram da tecnologia de realidade aumentada, que mescla imagens reais, capturadas através da câmera do aparelho e geolocalização dos usuários, com elementos adicionados artificialmente - no caso, os Pokémons. Estes podem surgir em praticamente qualquer lugar – no meio da rua, nas residências, praças, parques, estabelecimentos comerciais, universidades, etc. Aqui começa apenas uma das polêmicas que tem assolado o novo divertimento mundial.

Com mesma velocidade em que novos adeptos do jogo se espalharam mundo afora, surgiram casos em que os usuários se colocaram nas situações mais inusitadas simplesmente para poder capturar Pokémons. Estas variam: desde do simples atravessar de ruas sem observar o trânsito, colocando-se em extremo perigo de atropelamento, passando por tentativas de captura durante trabalhos de parto, até mesmo pessoas que caíram de penhascos pois aparamente Pokémons surgiram nestes locais.

E as situações polêmicas também já chegaram ao Brasil, onde o jogo está disponível a menos de uma semana. Recentemente foi noticiado que o corpo de um garoto foi encontrado em um riacho no Rio Grande do Sul depois deste ter se afogado ao tentar pegar um Pokémon que ali se encontrava. Em situações como esta, algumas perguntas devem ser feitas: a quem cabe a responsabilidade pela morte do garoto? Será que a tecnologia utilizada estaria colocando, de forma desproporcional e incontrolada, em risco a vida dos usuários do jogo?

É sabido que o jogo utiliza elementos de mapas já existentes para montar o seu mundo virtual. Ademais, leva em consideração não só a quantidade de pessoas que instalaram o aplicativo em determinada região, mas também a experiência dos usuários. Tudo isso através de uma coleta massiva de dados pessoais dos usuários, o que também tem levantado vários questionamentos mundo afora sobre questões relacionadas à privacidade.

Todavia, não é claro quais são os critérios técnicos que o programa de computador utiliza para alocar os Pokémons no espaço. Dependendo de como isso é feito, se situações perigosas não são excluídas ou levadas em consideração, a empresa responsável pelo jogo pode ter que responder judicialmente pelos danos causados aos seus usuários. E o direito brasileiro, apesar dos que muitos falam, detém ferramentais legais para analisar tal situação.

Antes, entretanto, é extremamente necessário entender todos os detalhes do aplicativo. E conscientizar os usuários de alguns perigos atinentes a sair pelas ruas das cidades de cabeça baixa caçando pequenos monstrinhos nos mais diferentes lugares.



Renato Leite Monteiro - professor de Direito Digital da Universidade Presbiteriana Mackenzie

SOJA, GADO, MADEIRA E PALMA RESPONDEM POR UM TERÇO DO DESMATAMENTO MUNDIAL



No Brasil duas iniciativas na Amazônia já estabelecem controles
para impedir a venda de gado criado em áreas desmatadas,
diz estudo baseado em dados do CDP e WWF.


O relatório “Supply Change: Tracking Corporate Commitments to Deforestation-free Supply Chains, 2016”, que usa dados do CDP (Carbon Disclosure Project) e WWF (World Wide Found for Nature), mostra que os quatro maiores commodities agrícolas - óleo de palma, produtos de madeira, soja e gado - são responsáveis por mais de 3,83 milhões de hectares de desmatamento tropical a cada ano – mais de um terço dos 9,9 milhões de hectares de florestas tropicais que são perdidos globalmente por ano.

“Desmatamento é um tema que tem tido grande repercussão em todo o mundo e afetado diretamente as grandes cadeias produtivas. O relatório nos mostra um sensível avanço de grandes players do mercado buscando soluções e efetivamente tomando iniciativas para reduzir e garantir que sua matéria prima não venha de áreas desmatadas. Apesar das iniciativas citadas no estudo, ainda há muito que ser feito para alcançar as metas de desmatamento zero planejadas pelas empresas. Outro ponto que chama atenção é a inercia de alguns setores que não tem iniciativas nesse sentido. Acredito que ainda tem que ser feito um grande trabalho de engajamento, tanto com fornecedores quanto com os clientes, para que eles entendam a importância desse trabalho”, afirma Lauro Marins, gerente do programa CDP Supply Chain na América Latina.

No Brasil
Além disso, o reporte destaca projetos regionais que contribuem para a redução do desmatamento no Brasil. Na Amazônia, por exemplo, existem duas iniciativas para reduzir os impactos ambientais provocados pelo desmatamento - a Moratória da Soja e do Acordo de compra de gado. Esses acordos garantem que soja proveniente de áreas desmatadas não será comercializada. Outro exemplo é a JBS, maior produtora de proteína animal do mundo, que desenvolveu um sistema de monitoramento por satélite que supervisiona a gestão sustentável da compra de gado de fornecedores da companhia, para atingir o compromisso de desmatamento zero.

Panorama Global
O levantamento feito pelo projeto Forest Trends’ Supply Change acompanha o progresso de 579 compromissos públicos firmados por 566 empresas que representam, pelo menos, US$ 7,3 trilhões em capitalização de mercado e que foram identificadas como tendo riscos de desmatamento vinculados a esses quatro commodities dentro de suas cadeias de suprimentos. Destas empresas, 366 firmaram compromissos para mudar para fontes sustentáveis e livres de desmatamento.

O relatório apontou que as empresas são mais propensas a assumirem compromissos relacionados à palma, madeira e celulose. Das empresas ativas na palma, 61% adotaram compromissos, em comparação com apenas 15% e 19% dessas empresas ativas no gado e na soja, respectivamente. A diferença é alarmante, pois se estima que a produção de gado cause dez vezes mais desmatamento do que a palma. Em relação às grandes empresas públicas, nota-se que elas assumem mais compromissos do que companhias menores e privadas. Muitas dessas grandes empresas são entidades voltadas ao consumidor com sede na América do Norte e Europa, longe do dano ambiental causado pela agricultura de commodities.

O relatório também mostrou:

·         Empresas que operam upstream (produtores, processadores e comerciantes) tendem a assumirem mais compromissos do que suas parceiras downstream (fabricantes e varejistas) - e suas promessas são potencialmente mais impactantes.

·         Os atores upstream representam apenas 26% das empresas controladas, mas 80% têm feito um compromisso, em comparação com 62% das empresas downstream.
 

·         A divulgação atual é insuficiente, uma vez que as empresas só têm relatado progresso quantificável em um de cada três compromissos. Mesmo entre compromissos cujas datas-chave já passaram, as empresas têm revelado progressos em menos da metade.



 
Sobre o Supply Change
O Supply Change é um projeto da Forest Trends gerido pela Forest Trends' Ecosystem Marketplace Initiative.
A Ecosystem Marketplace colabora com o CDP e com o WWF, que fornecem tempo de valor inestimável, ideias, redes e dados para o desenvolvimento deste relatório gratuitamente disponível e nosso recurso online Supply-Change.org. Em todos os casos, a colaboração não representa o aval dos colaboradores ou seus respectivos projetos, incluindo o próprio projeto Supply Change.

Sobre o CDP
O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos que provê um sistema global único para que as empresas e cidades meçam, divulguem, gerenciem e compartilhem informações vitais sobre o meio ambiente. O CDP trabalha com as forças do mercado, incluindo 767 investidores institucionais, para motivar as companhias e as cidades a divulgarem seus impactos no meio ambiente, assim como suas ações para reduzi-los. Atualmente, o CDP possui o maior volume de informações sobre mudanças climáticas e água do planeta e procura colocar estes insights na pauta das decisões estratégicas, dos investidores e das decisões políticas.

Posts mais acessados