Especialista esclarece os principais mitos sobre o transporte de animais na terceira idade
O envelhecimento dos animais de estimação traz
novas demandas para os tutores, que precisam adaptar a rotina de cuidados sem
necessariamente abrir mão das atividades que fazem parte da convivência com
seus companheiros. Embora a idade avançada possa exigir precauções adicionais,
ela não representa, isoladamente, uma contraindicação ao transporte.
O tema ganha relevância diante do perfil dos
animais acompanhados pelo mercdo pet. O PetCenso 2025, com mais 1,8 milhão de
cães e gatos cadastrados em seu ecossistema de serviços, identificou que mais
de 30% dos animais analisados eram idosos. Embora os dados não representem
necessariamente toda a população pet brasileira, eles ajudam a dimensionar a
importância de discutir os cuidados específicos dessa fase da vida.
Com o avanço da idade, cães e gatos podem
apresentar alterações na mobilidade, na visão, na audição e na tolerância ao
estresse, além de desenvolver doenças crônicas que demandam acompanhamento.
Essas mudanças não significam que todos os animais idosos tenham limitações,
mas enfatizam que a decisão de viajar deve considerar as condições individuais
de cada pet, em vez de se basear apenas na idade.
Nesse contexto, a preparação começa antes mesmo de
definir o destino. A duração do trajeto, o meio de transporte, as condições de
saúde do animal e a estrutura disponível durante a viagem são aspectos que
precisam ser avaliados. Para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema, a
PETFriendly Turismo, empresa que organiza e planeja o transporte seguro de pets
em viagens nacionais e internacionais, separou fatos e fakes sobre viagens com
pets idosos.
Fatos
A avaliação veterinária deve
fazer parte do planejamento: A consulta antes
da viagem permite identificar condições que podem aumentar os riscos durante o
deslocamento e orientar medidas preventivas. Animais com doenças cardíacas,
respiratórias ou renais, por exemplo, podem precisar de cuidados específicos,
dependendo da gravidade do quadro. O profissional também pode avaliar a
necessidade de medicação, os cuidados com alimentação e hidratação e a
conveniência de realizar trajetos mais curtos.
O meio de transporte
influencia os cuidados necessários: Viajar de carro
permite organizar paradas e adaptar o percurso às necessidades do animal, mas
exige acomodação segura e atenção à temperatura do veículo. No transporte
aéreo, o planejamento envolve outras variáveis, como a regra da companhia, a
possibilidade de viajar na cabine, os limites de peso e as condições de
acomodação. Em ambos os casos, o tutor deve avaliar a duração total do
deslocamento, incluindo esperas e conexões, e verificar se o pet conseguirá
realizar a viagem com segurança.
A preparação do destino é tão
importante quanto o deslocamento: O planejamento
não termina com a chegada ao local. A hospedagem precisa aceitar animais e
oferecer condições compatíveis com suas necessidades, especialmente quando há
limitações de mobilidade ou necessidade de administrar medicamentos em horários
específicos. Também é recomendável identificar previamente clínicas
veterinárias próximas e levar os documentos de saúde, os medicamentos de uso
habitual. Em viagens internacionais, o tutor ainda deve consultar as exigências
sanitárias e documentais do país de destino.
Fakes
Pets idosos não podem viajar: A idade avançada, por si só, não impede cães e gatos de viajar. A
decisão depende principalmente das condições clínicas, da capacidade de tolerar
o deslocamento e das características do percurso. Um animal idoso saudável pode
estar apto a acompanhar o tutor, enquanto outro com uma doença descompensada ou
dificuldade respiratória pode precisar adiar a viagem. Por isso, a avaliação
veterinária é fundamental para determinar se o transporte é adequado e quais
cuidados devem ser adotados.
Sedar o animal é a melhor
maneira de evitar o estresse durante a viagem: A sedação não deve ser considerada uma solução automática para tornar o
transporte mais tranquilo. Dependendo do medicamento e das condições clínicas
do animal, o procedimento pode provocar efeitos adversos e comprometer sua
capacidade de reagir ao ambiente. A indicação deve ser feita exclusivamente por
um médico-veterinário, após avaliar os riscos e benefícios. Em muitos casos, a
adaptação gradual à caixa de transporte, a familiarização com o veículo e a
redução de estímulos estressantes são medidas que podem contribuir para uma
experiência mais confortável.
Se o animal já viajou antes,
não é necessário tomar cuidados adicionais na velhice: A experiência anterior não garante que o pet tenha a mesma tolerância ao
transporte em outra fase da vida. O envelhecimento pode modificar sua
mobilidade, sua sensibilidade a ruídos e sua capacidade de lidar com mudanças
de ambiente. Um trajeto que antes era tranquilo pode passar a exigir pausas
mais frequentes, uma caixa de transporte com acesso facilitado ou um
planejamento diferente. Por isso, o histórico de viagens deve ser considerado,
mas não substitui a avaliação das condições atuais do animal.
“Existe uma percepção de que o envelhecimento, por
si só, impede o animal de viajar, mas essa decisão não deve ser baseada apenas
na idade. O mais importante é entender as condições de saúde de cada pet, as
características do trajeto e a estrutura necessária para garantir seu
bem-estar. Com planejamento e orientação veterinária, muitas famílias conseguem
continuar viajando com seus animais idosos, desde que respeitem seus limites e
reconheçam quando o deslocamento não é a melhor opção. O objetivo não é
simplesmente viabilizar a viagem, mas garantir que ela seja segura e adequada
para aquele animal’', finaliza Juliana Stephani, CEO da PETFriendly
Turismo.

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