Pesquisar no Blog

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Mensageria não é custo: como potencializar a receita dos canais conversacionais?

Quanto custa enviar uma mensagem para um cliente? Essa costuma ser uma das primeiras perguntas feitas quando uma empresa avalia o investimento em canais como SMS, RCS e WhatsApp. Embora o controle de custos seja necessário para qualquer operação, restringir a análise a essa dimensão pode deixar de lado uma questão igualmente importante: quanto essa interação é capaz de gerar para o negócio, em termos de receita? Mudar essa perspectiva exige mais do que adotar novas ferramentas: exige, sobretudo, rever a forma como a mensageria é planejada, integrada e mensurada, de forma que permita explorar novas – e melhores – oportunidades de geração de valor real. 

Apesar de, atualmente, os canais conversacionais terem ganho força nos departamentos de marketing e vendas, surgiram com foco bem mais operacional nas áreas de TI e atendimento, assumindo o papel de ferramentas de suporte e notificações para confirmar um pedido, avisar uma entrega ou resolver um chamado, por exemplo. O orçamento que os sustenta carrega essa origem até hoje: quando um canal nasce resolvendo um problema operacional, ele é medido por eficiência operacional (custo por disparo, taxa de entrega, uptime), deixando de lado métricas como, justamente, quanto aquele disparo gerou de receita. 

Qual a consequência desse mindset? A mensageria acaba sendo alvo de corte em revisões orçamentárias internas, quando é vista como despesa; enquanto, quando encarada como receita, é vista como uma ferramenta de escalabilidade. Na prática, times que fazem essa virada param de tratá-la como linha de custo fixa para uma alavanca variável, testando volume, frequência e canal em função do retorno esperado — exatamente como já fazem com mídia paga.   

Isso se torna especialmente relevante se considerarmos que o comportamento do consumidor mudou mais rápido do que a governança orçamentária em muitas empresas. Hoje, um cliente que responde é um cliente engajado, enquanto aquele que para de responder está dando o primeiro sinal de saída da relação de fidelidade com a marca. Dados divulgados em um estudo da Kantar comprovam isso: 72,4% dos consumidores afirmam ter maior probabilidade de comprar de uma empresa que oferece messaging.  

Se a conversa influencia a probabilidade de compra, ela não deveria ser contabilizada apenas como custo operacional de comunicação. Até porque, tal geração de receita pode ocorrer em, praticamente, todos os pontos da jornada do consumidor, em que exista uma decisão pendente de seu lado. Na pré-venda, uma conversa qualifica intenção e reduz custo de aquisição ao substituir um formulário por um diálogo. Na compra, é capaz de recuperar o carrinho abandonado e resolver uma objeção de última hora. No pós-venda, sustenta o upsell e cross-sell ao aproveitar contexto de uso real do cliente, algo que um e-mail genérico não replica. 

Para que haja essa conversão, três camadas de dados corporativos precisam conversar entre si: de disparo (quem recebeu, quando, por qual canal, com qual conteúdo); de comportamento (quem abriu, respondeu, clicou, comprou, e em quanto tempo); e de receita no CRM ou no sistema de vendas (considerando pedidos, ticket médio e recorrência). Do contrário, de nada adiantará ter uma plataforma de mensageria que saiba que a mensagem foi entregue e um CRM que entenda que a venda aconteceu, sem que ninguém consiga provar que um fator levou ao outro, devido à inexistência de um identificador comum unindo as duas pontas. 

É importante revisar a alocação do orçamento e o ciclo de planejamento, de forma que a mensageria esteja no mesmo bloco de decisão que uma mídia paga e um CRM, sendo avaliada pelo mesmo comitê e no mesmo ciclo, para que a comparação seja justa: considerando o retorno esperado contra retorno esperado, ao invés de custo fixo contra custo variável. Isso também muda a forma como o investimento é aprovado — deixando de ser uma linha fixa definida uma vez por ano, e passando a ser um investimento testável, com hipótese e decisão de escala baseada em resultado. 

Para que a mensageria se torne um verdadeiro motor de receita corporativa, é crucial que as empresas respondam a algumas perguntas estratégicas nesse sentido: “Quanto da receita do último ano passou por uma conversa em algum ponto da jornada, que foi provado com dados?”; “Quem é responsável pela área de orçamento de mensageria, e como essas ações são avaliadas e mensuradas?”; “Se o investimento em conversa fosse cortado pela metade, o que aconteceria com a recuperação de carrinho, upsell e retenção?”; “Os dados de disparo, comportamento e venda estão conectados o suficiente para atribuir receita ao canal, ou só para medir entrega?”; e “Se a mídia paga e mensageria competissem pelo mesmo orçamento, com base no mesmo retorno esperado, a mensageria sobreviveria a essa comparação, hoje?”. 

Empresas que não conseguem responder a essas perguntas, especialmente a última, com dados concretos e confiáveis, terão mais chance de entrar em 2027 investindo em canais não aderentes aos objetivos desejados – enquanto as direcionadas por esses questionamentos podem alavancar sua receita frente aos concorrentes.   

 

Renata Reis - CRO da Pontaltech, empresa especializada em soluções integradas de VoiceBot, SMS, e-mail, chatbot, WhatsApp e RCS.

Pontaltech


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados