Levantamento da Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, do Grupo IAG Saúde, mostra que mais de um terço das internações é de mulheres com menos de 50 anos; quando a doença já se espalhou, o risco de morte durante a internação é 16 vezes maior
O câncer de mama é o tipo de câncer que mais atinge as mulheres no Brasil e, neste mês, a conscientização à prevenção é reforçada com a campanha Outubro Rosa. Para entender como a doença aparece dentro dos hospitais, a Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, do Grupo IAG Saúde, analisou 104.049 internações cujo motivo principal foi o câncer de mama. As altas aconteceram entre janeiro de 2021 e junho de 2026, em hospitais públicos e privados de todo o país.
Os números
não medem quantas mulheres têm a doença no país. Eles mostram o que acontece
quando o câncer de mama leva alguém ao hospital: quem são essas pacientes,
quanto tempo ficam internadas, quais são os desfechos e quanto isso custa.
Quase 1 em cada 100 internações
A cada
mil internações registradas na plataforma, cerca de nove são para tratar o
câncer de mama. Essa proporção se manteve praticamente estável entre 2022 e
2025, sempre em torno de nove a cada mil.
No primeiro semestre de 2026, o número chegou a dez a cada mil internações, contra nove no mesmo período de 2025. Ou seja, em 2026 o câncer de mama passou a responder por uma em cada cem internações. Os especialistas do Grupo IAG Saúde ressaltam que ainda é cedo para saber se esse aumento vai se manter ao longo do ano.
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Fonte: Plataforma DRG Brasil. A proporção é usada porque o número de hospitais participantes varia ao longo dos anos.
Não é uma doença só de mulheres mais velhas
A
idade média das pacientes internadas foi de 56 anos. Um dado chama atenção:
35,8% das internações foram de mulheres entre 18 e 49 anos, ou seja, mais de
uma em cada três. As demais se distribuíram assim:
- 24,5% entre 50 e 59 anos;
- 22% entre 60 e 69 anos;
- 12,8% entre 70 e 79 anos;
- 4,8% com 80 anos ou mais.
“Esse resultado não quer dizer que o câncer de mama esteja aumentando entre as mais jovens, porque o levantamento não mede isso. Ele mostra, porém, que a doença tem peso real também antes dos 50 anos. Vale lembrar ainda que os homens não estão imunes: 0,8% das internações foram de pacientes do sexo masculino”, pontua o presidente do Grupo IAG Saúde, Breno Duarte.
As
internações se dividem de forma quase igual entre as redes pública e privada:
pouco mais da metade das internações (52,3%) foi pelo SUS, e 47,2% por planos
de saúde. Os dados reúnem hospitais das cinco regiões do país.
Internações curtas na maioria dos casos
O levantamento do Grupo IAG Saúde mostra que, em média, as pacientes ficaram 2 dias internadas, um número estável ao longo dos anos. Somadas, as internações representaram mais de 204 mil dias de hospital. A permanência curta é compatível com internações para procedimentos programados, como cirurgias.
A mortalidade durante a internação foi de 3,9% no período. Nos anos analisados, as taxas observadas foram de 4,6% em 2021, 4,1% em 2022, 4,0% em 2023, 3,8% em 2024, 3,7% em 2025 e 3,8% no primeiro semestre de 2026. Esse número se refere apenas a mortes ocorridas durante a hospitalização. Ele não é a taxa de mortalidade do câncer de mama, que depende de todo o acompanhamento da paciente ao longo dos anos.
No conjunto, 6,2% das pacientes precisaram de ventilação mecânica (respiração com ajuda de aparelhos), dentro ou fora da UTI, e 2,7% passaram pela UTI (CTI). As taxas de ventilação mecânica observadas foram de 8,6% em 2021, 8,6% em 2022, 8,1% em 2023, 5,8% em 2024, 4,5% em 2025 e 3,7% no primeiro semestre de 2026.
A
idade pesa nos desfechos. A mortalidade hospitalar foi de 3,0% entre pacientes
de até 49 anos, 3,8% entre 50 e 59 anos, 4,0% entre 60 e 69 anos e 5,8% entre
as de 70 anos ou mais. A necessidade de UTI também foi quase três vezes maior
no grupo mais velho: 5,3%, contra 1,8% nas mais jovens. O tempo médio de
internação passou de 1,9 para 2,2 dias entre esses dois grupos.
Quando o câncer já se espalhou, tudo muda
O achado mais marcante do levantamento envolve as pacientes com metástase, ou seja, quando o câncer já se espalhou para outras partes do corpo. Elas representaram 6,7% das internações, mas apresentaram desfechos muito diferentes das demais:
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Fonte: Plataforma DRG Brasil. Metástase identificada pelos códigos C77 a C79 da CID-10 registrados como diagnósticos secundários.
Em outras palavras, cerca de uma em cada três pacientes com metástase morreu durante a internação. Entre as pacientes sem metástase, essa proporção foi de uma em cada cinquenta.
O impacto aparece também no conjunto. Embora sejam menos de 7% das internações, os casos com metástase concentraram cerca de um quarto de todos os dias de hospital e mais da metade dos óbitos registrados.
“É
importante interpretar esses números com cuidado. Eles mostram que a doença
disseminada está associada a internações mais longas, mais complexas e mais
graves. Trata-se de uma associação: os dados não permitem afirmar em que
momento da doença a metástase surgiu nem atribuir os desfechos a uma causa
única. Ainda assim, o retrato ajuda a dimensionar o peso da doença avançada
dentro dos hospitais”, explica Duarte.
Quanto custam as internações
O custo médio previsto de cada internação foi de R$ 6,5 mil. Somadas, as internações analisadas representaram cerca de R$ 680 milhões em custo assistencial previsto.
Nos casos com metástase, o custo médio foi cerca de 50% maior. Esses casos somaram R$ 66,4 milhões.
“O
câncer de mama leva ao hospital mulheres de todas as idades, inclusive muitas
com menos de 50 anos. Na maioria das vezes, são internações curtas e com baixo
risco. O cenário muda radicalmente quando a doença já se espalhou. Os dados
reforçam a importância de manter os exames em dia, procurar avaliação médica
diante de qualquer alteração nas mamas e garantir acesso rápido ao diagnóstico
e ao tratamento”, conclui o presidente do Grupo IAG Saúde.
Sobre
o levantamento: estudo
observacional, descritivo e retrospectivo com dados de internações registradas
na Plataforma DRG Brasil, com altas entre 1º/01/2021 e 30/06/2026 e câncer de
mama (CID-10 C50) como diagnóstico principal. Os custos correspondem ao custo
assistencial previsto. Os resultados refletem as instituições participantes e
não representam estimativas de incidência ou prevalência na população
brasileira.

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