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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Conheça o “Bosque do Bambi” na Patagônia


Divulgação

Entre árvores centenárias, uma antiga cabana e uma história que envolve Walt Disney, o Bosque dos Arrayanes é um dos passeios mais curiosos de Villa La Angostura

 

Há uma história que acompanha os visitantes do Bosque dos Arrayanes, na província argentina de Neuquén, há décadas: a de que Walt Disney teria passado por ali e encontrado inspiração para criar o cenário de Bambi. A história ganhou força a partir de uma antiga cabana de madeira na Península de Quetrihué, conhecida até hoje como “Cabaña de Disney”. 

No entanto, não há registros de que Disney tenha visitado o bosque. A suposta passagem pela península permanece como uma lenda turística. A verdadeira história do lugar começa muito antes de Hollywood.

 

Uma floresta com árvores de mais de seis séculos

O Bosque dos Arrayanes está localizado na extremidade da Península de Quetrihué, que avança pelo lago Nahuel Huapi, em Villa La Angostura. A área integra o Parque Nacional Los Arrayanes, criado em 1971 e responsável pela proteção de 1.796 hectares de Bosques Patagônicos. 

O protagonista do parque é o arrayán (Luma apiculata), árvore nativa da região que pode ultrapassar 15 metros de altura. Alguns exemplares encontrados na península têm mais de 650 anos. 

É justamente a aparência dessas árvores que chama atenção. O tronco apresenta uma coloração que varia entre canela e laranja, com áreas claras deixadas pela descamação natural da casca. As árvores crescem lentamente e estão associadas a ambientes de solo úmido. O resultado é uma floresta bastante diferente de uma mata convencional, e uma das razões pelas quais o passeio costuma render boas fotografias.

 

O passeio começa antes de chegar ao bosque

Há duas maneiras principais de conhecer o Bosque dos Arrayanes: pela terra ou pelo lago. 

A trilha parte de Villa La Angostura e atravessa a Península de Quetrihué por cerca de 12 quilômetros. O caminho pode ser feito a pé ou de bicicleta e passa por diferentes ambientes da península antes de chegar ao setor onde está a maior concentração de arrayanes. 

Para quem prefere a água, é possível chegar de embarcação pelo lago Nahuel Huapi. Outra alternativa é combinar os dois: caminhar pela península em um dos sentidos e retornar de barco. 

No trecho final do passeio, uma passarela de madeira conduz os visitantes por aproximadamente 800 metros entre os arrayanes. A estrutura também tem uma função de conservação: evita que a circulação de pessoas cause impacto direto sobre o solo e as raízes das árvores.

 

Não são apenas os arrayanes

Apesar de o nome do parque destacar uma única espécie, a paisagem da península é mais diversa. Coihues e ñires (espécies nativas da Patagônia, sendo o coihue uma árvore gigante sempre-verde e o ñire uma menor, que perde as folhas no inverno) também fazem parte da vegetação, enquanto as lagoas Hua Huan e Patagua formam ambientes importantes para a fauna local. 

Entre as espécies registradas está o huillín, uma lontra nativa considerada ameaçada de extinção. Também podem ser encontradas aves como o carpintero pitío, a remolinera araucana e a cachaña, um papagaio dos bosques da Patagônia que detém o recorde de viver mais perto do fim do mundo do que qualquer outro de sua espécie. 

Assim, a visita ao bosque é também uma oportunidade de observar um ecossistema característico da Patagônia andina, e não apenas as árvores que dão nome ao parque.

 

Uma floresta que também precisa ser protegida

O cenário preservado do Bosque dos Arrayanes esconde outro capítulo da história do local: o trabalho de restauração ecológica. 

A presença do arce branco, árvore de grande porte nativa da Europa introduzida na Patagônia como planta ornamental por sua beleza e alta resistência ao frio, passou a representar uma ameaça à vegetação nativa da península. Em 2006, o parque iniciou ações para controlar a espécie e recuperar áreas afetadas. 

O projeto também envolveu a produção de novas plantas nativas a partir de sementes coletadas em Quetrihué. É um trabalho que ajuda a explicar por que algumas estruturas do parque, como as passarelas, são importantes para além da experiência turística.

 

Para combinar com o roteiro: Villa La Angostura

Vale reservar alguns dias para explorar Villa La Angostura além do Bosque dos Arrayanes. Às margens do lago Nahuel Huapi, a cidade é uma boa base para:

  • Percorrer a Rota dos Sete Lagos, um dos roteiros cênicos mais conhecidos da região, com paradas em lagos, mirantes e pequenas localidades. 
  • Conhecer o Cerro Bayo, especialmente no inverno, quando a montanha recebe atividades de neve e esqui. 
  • Explorar as praias e baías do Nahuel Huapi, como Bahía Brava e Bahía Mansa. 
  • Fazer trilhas pela região, aproveitando os diferentes níveis de dificuldade e as paisagens dos Bosques Patagônicos. 
  • Passear pelo centro de Villa La Angostura, com restaurantes, cafés, lojas e construções que preservam características da arquitetura típica da Patagônia. 

 

E afinal, Bambi esteve lá?

A resposta mais precisa é: não há evidências de que Walt Disney tenha estado no Bosque dos Arrayanes ou que o local tenha inspirado diretamente o filme. 

Mas a história continua fazendo parte da experiência de quem visita a península. A chamada Cabaña de Disney, a paisagem incomum dos arrayanes e a tradição em torno da passagem do cineasta acabaram criando uma das curiosidades mais conhecidas do destino. 

Para o visitante, talvez essa seja a melhor maneira de encarar a história: como uma lenda que acompanha um lugar que já tem, por si só, uma história bastante antiga. 

Enquanto a suposta passagem de Disney permanece sem comprovação, algumas árvores do bosque continuam ali, atravessando séculos às margens do Nahuel Huapi.

 

 

Neuquén Tur

O vasto distrito de Neuquén, localizado na Patagônia argentina, com uma extensão territorial de 94.078 km², possui a maior superfície de neve do país e é permeado por majestosas montanhas, vulcões ativos e inativos, termas medicinais, lagos imponentes, bosques, vinhedos, entre outros inúmeros espetáculos que a farta natureza local oferece. A província é um prato cheio para amantes de esportes radicais e natureza, mas também de gastronomia, turismo rural, bem-estar, viagem a dois ou em família. Sua capital homônima, fundada em 1904 e com atualmente aproximadamente 300 mil habitantes, é a cidade mais povoada da Patagônia e um importante centro econômico e cultural. Outras atrações importantes da província incluem San Martin de los Andes, Chapelco, Vila Angostura, Vila Traful, Rota dos Sete Lagos, Caviahue, Lago Hermoso.

 

 Interamerican Network


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