Após a prostatectomia, alguns homens apresentam alterações na ereção, sensibilidade, orgasmo ou controle urinário. A fisioterapia pélvica pode fazer parte dessa reabilitação, mas o tratamento precisa ser individualizado.
A retirada da próstata traz dúvidas que muitos homens demoram
a conversar com a equipe de saúde. Além da preocupação com o tratamento da doença,
surgem questões sobre ereção, sensibilidade, prazer e perda de urina. Essas
mudanças podem afetar a autoestima e a vida a dois, mas não precisam ser
enfrentadas em silêncio.
Após a prostatectomia radical, a recuperação da função
erétil varia de acordo com diversos fatores, como a função sexual antes da
cirurgia, idade, condições de saúde e possibilidade de preservação dos nervos
envolvidos na ereção. Mesmo quando esses nervos são preservados, a recuperação
pode levar tempo e não acontece da mesma forma para todos os pacientes.
Segundo Jullia Mello, fisioterapeuta pélvica, especialista
em Uroginecologia e Obstetrícia e mentora do grupo Pelve Conecta, o primeiro
passo da reabilitação é entender o que mudou e quais são as prioridades daquele
homem.
“Não existe um protocolo único que sirva para todos. Alguns
pacientes chegam preocupados com a ereção; outros, com a perda de urina,
desconforto ou insegurança para retomar a intimidade. O tratamento precisa
partir dessa avaliação.”
Onde entra a fisioterapia pélvica?
A musculatura do assoalho pélvico participa do controle
urinário e também está envolvida em mecanismos relacionados à função sexual
masculina. Por isso, o treinamento dessa musculatura tem papel importante na
reabilitação após a prostatectomia, especialmente no tratamento da
incontinência urinária.
Já quando o objetivo é recuperar a função erétil, o
tratamento pode envolver diferentes estratégias combinadas, como fisioterapia
pélvica, medicamentos, dispositivos de vácuo, reabilitação peniana e, quando
necessário, acompanhamento psicológico ou terapia sexual.
“Recuperar a vida sexual depois da prostatectomia não
depende de uma única técnica. É preciso identificar o que esse paciente precisa
e integrar as estratégias ao longo da recuperação”, explica Jullia.
Na fisioterapia, o acompanhamento pode incluir exercícios
para reconhecer, contrair e relaxar a musculatura pélvica de maneira adequada.
Conforme a avaliação, recursos como biofeedback e eletroestimulação também
podem ser considerados. A escolha das técnicas depende dos sintomas, do tempo
desde a cirurgia e da avaliação individual.
“O paciente não precisa simplesmente aprender a contrair o
assoalho pélvico. Precisamos saber se ele consegue ativar a musculatura
correta, se consegue relaxar e como essa musculatura está respondendo ao
tratamento. É isso que direciona a conduta.”
Sexualidade vai além da ereção
A reabilitação sexual não deve olhar apenas para a ereção.
Após a cirurgia, alguns homens apresentam mudanças na ereção, ejaculação,
sensibilidade ou orgasmo, enquanto outros mantêm diferentes aspectos da função
sexual. Por isso, é importante avaliar individualmente o que mudou — e o que
permaneceu preservado.
A conversa também precisa incluir prazer, intimidade e
expectativas. O objetivo é ajudar cada paciente a recuperar, preservar ou
adaptar sua vida sexual de acordo com sua resposta à cirurgia e com aquilo que
é importante para ele.
O cuidado pode envolver, além da fisioterapia pélvica,
acompanhamento com o urologista e outras abordagens indicadas para a função
sexual.
“Falar sobre sexualidade depois de uma cirurgia de próstata
ainda é difícil para muitos homens. Procurar ajuda permite entender o que pode
ser trabalhado e construir expectativas compatíveis com cada etapa da
recuperação”, conclui Jullia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário