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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Reabilitação sexual masculina: como a fisioterapia pélvica pode ajudar após a cirurgia de próstata

 Após a prostatectomia, alguns homens apresentam alterações na ereção, sensibilidade, orgasmo ou controle urinário. A fisioterapia pélvica pode fazer parte dessa reabilitação, mas o tratamento precisa ser individualizado.

 

A retirada da próstata traz dúvidas que muitos homens demoram a conversar com a equipe de saúde. Além da preocupação com o tratamento da doença, surgem questões sobre ereção, sensibilidade, prazer e perda de urina. Essas mudanças podem afetar a autoestima e a vida a dois, mas não precisam ser enfrentadas em silêncio.

Após a prostatectomia radical, a recuperação da função erétil varia de acordo com diversos fatores, como a função sexual antes da cirurgia, idade, condições de saúde e possibilidade de preservação dos nervos envolvidos na ereção. Mesmo quando esses nervos são preservados, a recuperação pode levar tempo e não acontece da mesma forma para todos os pacientes.

Segundo Jullia Mello, fisioterapeuta pélvica, especialista em Uroginecologia e Obstetrícia e mentora do grupo Pelve Conecta, o primeiro passo da reabilitação é entender o que mudou e quais são as prioridades daquele homem.

“Não existe um protocolo único que sirva para todos. Alguns pacientes chegam preocupados com a ereção; outros, com a perda de urina, desconforto ou insegurança para retomar a intimidade. O tratamento precisa partir dessa avaliação.”


Onde entra a fisioterapia pélvica?

A musculatura do assoalho pélvico participa do controle urinário e também está envolvida em mecanismos relacionados à função sexual masculina. Por isso, o treinamento dessa musculatura tem papel importante na reabilitação após a prostatectomia, especialmente no tratamento da incontinência urinária.

Já quando o objetivo é recuperar a função erétil, o tratamento pode envolver diferentes estratégias combinadas, como fisioterapia pélvica, medicamentos, dispositivos de vácuo, reabilitação peniana e, quando necessário, acompanhamento psicológico ou terapia sexual.

“Recuperar a vida sexual depois da prostatectomia não depende de uma única técnica. É preciso identificar o que esse paciente precisa e integrar as estratégias ao longo da recuperação”, explica Jullia.

Na fisioterapia, o acompanhamento pode incluir exercícios para reconhecer, contrair e relaxar a musculatura pélvica de maneira adequada. Conforme a avaliação, recursos como biofeedback e eletroestimulação também podem ser considerados. A escolha das técnicas depende dos sintomas, do tempo desde a cirurgia e da avaliação individual.

“O paciente não precisa simplesmente aprender a contrair o assoalho pélvico. Precisamos saber se ele consegue ativar a musculatura correta, se consegue relaxar e como essa musculatura está respondendo ao tratamento. É isso que direciona a conduta.”


Sexualidade vai além da ereção

A reabilitação sexual não deve olhar apenas para a ereção. Após a cirurgia, alguns homens apresentam mudanças na ereção, ejaculação, sensibilidade ou orgasmo, enquanto outros mantêm diferentes aspectos da função sexual. Por isso, é importante avaliar individualmente o que mudou — e o que permaneceu preservado.

A conversa também precisa incluir prazer, intimidade e expectativas. O objetivo é ajudar cada paciente a recuperar, preservar ou adaptar sua vida sexual de acordo com sua resposta à cirurgia e com aquilo que é importante para ele.

O cuidado pode envolver, além da fisioterapia pélvica, acompanhamento com o urologista e outras abordagens indicadas para a função sexual.

“Falar sobre sexualidade depois de uma cirurgia de próstata ainda é difícil para muitos homens. Procurar ajuda permite entender o que pode ser trabalhado e construir expectativas compatíveis com cada etapa da recuperação”, conclui Jullia.

 

Fonte: Jullia Mello — fisioterapeuta pélvica, especialista em Uroginecologia e Obstetrícia e mentora do grupo Pelve Conecta.


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