No Dia do
Empreendedor, especialista aponta que aumento das vendas sem controle de custos
pode ampliar despesas e reduzir margens.
Mesas ocupadas, fila na porta e faturamento em alta
podem esconder um negócio com baixa rentabilidade. Para pequenos empreendedores
do setor de alimentação, vender mais não significa necessariamente lucrar mais
quando custos, estoque, desperdícios e produtividade não são acompanhados com a
mesma atenção dedicada às vendas. Dia 05 de outubro é Dia do Empreendedor e o
especialista Thiago Ramos dá dicas para quem deseja investir no setor.
“Um restaurante cheio e mal gerido pode aumentar
seus custos, seja o CMV, custo da mercadoria vendida, seja o CMO, custo da mão
de obra, sem que isso seja compensado pelo aumento do faturamento”, afirma
Thiago Ramos, CEO da FAVO Hospitalidade.
Segundo o executivo, parte do problema está na própria
estrutura dos pequenos negócios. Muitos proprietários acumulam funções de
gestão, compras, financeiro e operação e acabam usando o faturamento como
principal termômetro do desempenho, deixando em segundo plano indicadores de
margem, custos, produtividade, desperdício e resultado por produto.
Entre as perdas menos perceptíveis estão compras
emergenciais sem negociação, estoques excessivos, produtos vencidos,
desperdício de bebidas vendidas em doses ou taças, cortesias sem controle e
equipes maiores do que a operação exige.
Há também sinais que aparecem antes de o problema
chegar ao caixa. Estoque crescendo sem avanço proporcional das vendas, aumento
das compras emergenciais, perda de clientes recorrentes, avaliações negativas e
exaustão de empresários e funcionários podem indicar deterioração da operação.
Para Thiago Ramos, a rentabilidade começa a ser
definida antes mesmo da abertura. O tamanho da cozinha e do salão, o fluxo dos
funcionários e o número de lugares interferem na produtividade e na necessidade
de mão de obra. “Cozinhas ineficientes geram a necessidade de mais pessoas
trabalhando. Cozinhas eficientes fazem com que as pessoas consigam otimizar
suas tarefas”, diz.
Em um restaurante atendido pela FAVO na região dos Jardins, em São Paulo, a comida era bem avaliada, mas o serviço afastava clientes. Após mudanças no layout operacional e treinamento da equipe de salão e liderança, o faturamento cresceu 30%, segundo Ramos.
Para o especialista, o desafio do empreendedor não
é apenas colocar mais clientes dentro do restaurante, mas entender quanto
efetivamente permanece no negócio depois de cada venda.
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