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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Cuidados paliativos: mais de 600 mil brasileiros necessitam de suporte que reforça qualidade de vida para pacientes com doenças graves

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Direcionado a um atendimento multidisciplinar, especialidade médica desmistifica tabus, foca na pessoa e envolve acolhimento integral às famílias

 

Longe de ser uma abordagem restrita aos momentos finais da vida, os cuidados paliativos ganham cada vez mais espaço no debate sobre dignidade e saúde. Segundo a ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos), estima-se que mais de 600 mil adultos e cerca de 34 mil crianças no Brasil necessitem desse tipo de assistência, número que reforça a urgência em desmistificar o tratamento e ampliar o acesso na rede de saúde.  

Apesar do avanço, como a consolidação da Política Nacional de Cuidados Paliativos no SUS, persistem preconceitos de que a modalidade significa "desistir" do paciente. Na prática, trata-se de um modelo ativo de assistência que busca prevenir e aliviar o sofrimento físico, emocional, social e espiritual.  

Segundo a médica clínica do Grupo São Lucas de Ribeirão Preto Dra. Cláudia Serralheiro (CRM 154.809), os cuidados paliativos devem ser integrados preferencialmente desde o diagnóstico de uma enfermidade grave.  

"O estigma de que os cuidados paliativos são indicados apenas quando 'não há mais nada a fazer' é um dos maiores equívocos na prática médica. Na realidade, representam uma abordagem ativa, abrangente e altamente especializada, cujo objetivo é melhorar a qualidade de vida da pessoa e de sua família", afirma a médica. 

Diferente de um protocolo engessado ou da busca por uma medicação específica, o manejo paliativo é pautado no conceito de "dor total". Visando cuidar e tratar sintomas físicos, emocionais, sociais e espirituais. O atendimento une médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais para acolher as diversas dimensões do sofrimento. A atuação integrada permite que a equipe vá além dos exames e sintomas visíveis. 

"A equipe interdisciplinar atua de forma integrada para compreender quem é aquela pessoa e o que ela valoriza. A grande mudança está na pergunta clínica. Em vez de focar apenas em qual doença o paciente tem, a equipe também pergunta quem é esta pessoa e como essa doença está impactando sua vida", destaca.  

A assistência estende-se diretamente aos familiares e cuidadores, auxiliando na gestão da sobrecarga física e emocional, na mediação de conflitos e no processo de luto. Nesse contexto, a comunicação clara e empática torna-se fundamental para alinhar expectativas e tomar decisões difíceis de forma consciente.  

Outro instrumento essencial para garantir o respeito aos desejos do paciente são as Diretivas Antecipadas de Vontade, populares como "testamento vital". O registro permite que a pessoa expresse suas preferências sobre tratamentos e limites terapêuticos para momentos de eventual incapacidade decisória.  

"As Diretivas Antecipadas de Vontade representam uma extensão da autonomia. Quando as vontades do paciente são discutidas e registradas antecipadamente, reduz-se a culpa e a insegurança da família em momentos críticos, garantindo um cuidado alinhado aos seus valores", explica médica.  

Entre curiosidades e fatos sobre as medidas integradas nos cuidados paliativos, estão tópicos como a espiritualidade, que difere de religião. O suporte espiritual busca ajudar a pessoa a encontrar significado, propósito de vida e respostas existenciais, respeitando integralmente as crenças individuais de cada indivíduo.  

Outra questão é que, muitas vezes, o sofrimento do paciente não diminui apenas com uma nova prescrição de medicamentos, mas sim após uma conversa transparente e empática sobre seu prognóstico e medos. Por fim, o cuidado continuado se torna uma etapa essencial em todo processo.  

“A assistência paliativa não se encerra com o falecimento, as equipes mantêm o suporte à família durante o processo de luto para auxiliar em uma travessia mais saudável. Democratizar os cuidados paliativos não é apenas ampliar serviços. É consolidar uma cultura de saúde que reconheça que cuidar, aliviar sofrimento e respeitar a autonomia são responsabilidades tão importantes quanto curar”, conclui.  

  

Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)

 

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