Esbarrar em objetos, evitar ambientes escuros, errar saltos e apresentar mudanças nos olhos ou no comportamento estão entre os indícios que merecem atenção. Oftalmologista veterinário explica como o diagnóstico precoce pode ajudar a preservar a visão e a qualidade de vida dos animais.
A perda de visão em cães e gatos é mais comum do que se imagina, e em muitos casos passa despercebida por semanas ou meses. Um levantamento conduzido pela Universidade de Lisboa mostrou que cataratas aparecem em até 89% dos cães diagnosticados com diabetes mellitus, uma das doenças que mais afetam o cristalino dos animais e que, sem acompanhamento adequado, pode evoluir rapidamente para a cegueira total. O dado reforça um alerta que ganha força nesta quinta-feira (8), Dia Mundial da Visão: assim como acontece com humanos, boa parte dos problemas oculares em pets poderia ser evitada ou controlada com exames de rotina.
O problema é que cães e gatos raramente demonstram dor ou desconforto de forma clara, o que atrasa a busca por ajuda especializada. "Os tutores costumam confundir a perda de visão com simples sinais de envelhecimento ou mudança de humor do animal, e isso faz com que o diagnóstico chegue tarde", explica o médico veterinário Rodrigo Peixoto, pós-graduado em Oftalmologia Veterinária e em Clínica Médica, com atuação voltada à microcirurgia ocular animal.
O primeiro sinal costuma aparecer nas atitudes do pet dentro de casa. Passar a esbarrar em móveis que sempre estiveram no mesmo lugar, hesitar antes de descer uma escada ou errar o cálculo de um salto no sofá são comportamentos que indicam que algo mudou na forma como o animal enxerga o ambiente. Outro indício frequente é a resistência a sair de cômodos bem iluminados ou o desconforto visível em locais escuros, já que a adaptação à pouca luz costuma ser uma das primeiras capacidades comprometidas.
Alterações visíveis nos próprios olhos também merecem atenção redobrada. Um aspecto esbranquiçado ou azulado no cristalino, vermelhidão persistente, secreção constante ou até um aumento no tamanho do globo ocular são sinais físicos que não devem ser ignorados. "Qualquer mudança na aparência dos olhos, por menor que pareça, é motivo para procurar um especialista. Esperar para ver se piora só reduz as chances de reverter o quadro", afirma o veterinário.
Mudanças
de comportamento completam a lista de alertas. Animais que passam a evitar
contato com outros pets da casa, que se tornam mais retraídos ou que demonstram
insegurança em ambientes novos podem estar tentando compensar uma dificuldade
visual que ainda não foi percebida pela família. Segundo Peixoto, o
acompanhamento oftalmológico anual é a principal ferramenta de prevenção,
especialmente em animais idosos ou com doenças sistêmicas como diabetes.
"Muitas causas de cegueira têm tratamento quando identificadas a tempo,
seja por meio de medicação ou de cirurgia. O grande desafio é justamente chegar
antes que o dano se torne irreversível", conclui o médico.
Fonte: Dr. Rodrigo Peixoto | Médico-veterinário com
atuação focada em microcirurgia ocular animal. Pós-graduado em Oftalmologia
Veterinária e em Clínica Médica.
@oftalmologiaveterinariabh
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