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memorizar e revisar conteúdos com mais eficiência
Com a aproximação do Enem e dos principais
vestibulares, estudantes entram na reta final de preparação e precisam
conciliar revisão de conteúdos, resolução de exercícios e simulados com o tempo
cada vez mais curto até as provas. Nesse período, mais do que aumentar a
quantidade de horas diante dos livros, organizar a forma de estudar pode ser
uma estratégia para aproveitar melhor o tempo disponível e identificar quais
conteúdos ainda precisam de atenção.
Para Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP), variar as estratégias de acordo com o
objetivo do estudo pode ajudar o estudante a sair de uma rotina baseada apenas
em releituras e marcações. “Na reta final, é importante que o estudante saiba
diferenciar o que precisa ser aprendido, revisado ou apenas retomado.
Estratégias de estudo ativas ajudam a perceber essas diferenças e permitem
direcionar melhor o tempo para os conteúdos em que ainda existem dificuldades”,
explica o docente.
Confira, abaixo, seis métodos que podem fazer parte da rotina de
estudos.
1. Prática de recuperação (active recall)
Em vez de simplesmente reler o conteúdo várias vezes, a prática de
recuperação consiste em tentar lembrar das informações sem consultar o
material. Depois de estudar um determinado assunto, o estudante pode fechar o
livro ou o caderno e tentar responder perguntas sobre o que acabou de aprender.
Uma maneira simples de colocar a técnica em prática é transformar
os títulos e conceitos de uma matéria em perguntas. Em História, por exemplo,
em vez de reler sobre determinado acontecimento, o estudante pode perguntar a
si mesmo quais foram suas causas, consequências e personagens envolvidos. Em
Matemática, pode tentar resolver um exercício sem consultar a fórmula antes de
conferir a resposta.
“A recuperação ativa exige que o estudante busque a informação na
memória, em vez de apenas reconhecê-la quando ela aparece novamente em um
texto. Esse esforço ajuda a identificar o que realmente foi aprendido e quais
pontos ainda precisam ser retomados”, explica Rifaat.
2. Repetição espaçada
Nem sempre é eficiente concentrar toda a revisão de uma matéria na
véspera da prova. A repetição espaçada propõe distribuir os momentos de revisão
ao longo do tempo, retomando o conteúdo em diferentes intervalos.
Um estudante pode, por exemplo, revisar determinado assunto no dia
em que o aprendeu, retomá-lo alguns dias depois e voltar ao tema
posteriormente. O intervalo pode ser ajustado conforme o nível de domínio:
conteúdos que apresentam maior dificuldade podem ser revisitados com mais
frequência.
A estratégia pode ser combinada com outras técnicas, como
flashcards e prática de recuperação. “Nesse caso, o estudante tenta responder à
pergunta de um cartão antes de consultar a resposta e volta a revisar aqueles conteúdos
que ainda não consegue recuperar com facilidade”, diz o educador da EIA.
3. Estudo intercalado
Outra possibilidade é alternar diferentes conteúdos ou tipos de
exercício durante uma mesma rotina de estudos. Em vez de dedicar várias horas
exclusivamente a um assunto, o estudante pode intercalar diferentes disciplinas
ou habilidades. “A alternância faz com que o estudante precise identificar qual
estratégia deve utilizar diante de cada problema. O objetivo não é simplesmente
variar as matérias para evitar o tédio, mas fazer com que ele pratique
diferentes formas de raciocínio”, afirma Rifaat.
Em Matemática, por exemplo, é possível alternar exercícios que
envolvam diferentes tipos de problemas, em vez de resolver uma longa sequência
de questões praticamente iguais. Já em uma rotina que envolva várias
disciplinas, o estudante pode alternar Matemática, História e Biologia em
blocos previamente planejados.
4. Técnica de Feynman
A técnica de Feynman parte de uma pergunta simples: o estudante
consegue explicar aquilo que acabou de aprender com suas próprias palavras?
Depois de estudar um conteúdo, a proposta é tentar explicá-lo como se estivesse
ensinando o assunto para outra pessoa. Se surgirem dificuldades para explicar
determinado conceito ou se for necessário recorrer constantemente ao material,
este pode ser um sinal de que ainda existem lacunas na compreensão.
O exercício pode ser feito oralmente, por escrito ou até mesmo
gravando uma explicação para ouvir posteriormente. O importante é evitar
simplesmente repetir frases decoradas do livro ou da aula. “Explicar é
diferente de repetir. Quando o estudante precisa organizar uma ideia com as
próprias palavras, ele percebe quais relações compreendeu e onde ainda existem
dúvidas”, diz o especialista.
5. Método Pomodoro
Para quem tem dificuldade em manter a concentração por períodos prolongados, o método Pomodoro pode ajudar na organização da sessão de estudos. A técnica divide o trabalho em períodos de concentração intercalados por pausas curtas.
O estudante pode, por exemplo, estabelecer um período de foco de
25 minutos, seguido por uma pausa de cinco minutos. Após alguns ciclos, faz uma
pausa mais longa. Os intervalos podem ser adaptados à idade, à atividade e à
capacidade de concentração de cada pessoa.
“O Pomodoro pode ser especialmente útil para transformar uma
tarefa grande em etapas menores e mais concretas. Mas a duração dos ciclos não
precisa ser encarada como uma regra absoluta; ela pode ser adaptada à realidade
de cada estudante”, orienta o educador.
Mais importante do que seguir os minutos de maneira rígida é
utilizar a técnica para criar períodos de estudo sem interrupções. Durante o
bloco de concentração, vale deixar de lado notificações, redes sociais e outras
atividades que possam quebrar o foco.
6. Mapas mentais e organização visual
Recursos visuais também podem ser úteis, principalmente quando o
conteúdo envolve muitos conceitos relacionados. Os mapas mentais permitem
organizar uma ideia central e estabelecer conexões com outros conceitos,
utilizando palavras-chave, setas e diferentes níveis de informação.
Depois de estudar determinado tema, o estudante pode tentar
construir o mapa sem consultar o material. Dessa forma, a ferramenta deixa de
ser apenas uma forma de organizar anotações e passa a funcionar também como uma
atividade de recuperação e organização do conhecimento.
Em Biologia, por exemplo, um mapa pode partir de um determinado
sistema do organismo e estabelecer relações entre seus órgãos, funções e
processos. Em História, pode organizar acontecimentos, causas, consequências e
personagens.
“Mais do que deixar o caderno bonito, a organização visual deve
ajudar o estudante a enxergar relações entre as informações. Se o mapa for
construído depois do estudo, ele também permite perceber quais conceitos foram
realmente compreendidos”, afirma Rifaat.
Além da construção ativa, os recursos visuais podem ser
aproveitados para a aprendizagem periférica (ou passiva). Ao fixar mapas
mentais, tabelas de fórmulas ou esquemas conceituais em locais visíveis da casa
— como a parede do quarto ou ao lado do monitor —, o estudante expõe o cérebro
ao conteúdo de forma contínua. Mesmo sem estar estudando ativamente, o contato
diário e involuntário com esse material ajuda a manter os conceitos familiares
e facilita a fixação ao longo do tempo.
Como escolher o método mais adequado?
Não é necessário escolher apenas uma técnica e utilizá-la em todos
os momentos. Os métodos podem ser combinados conforme a finalidade do estudo.
Segundo Rifaat, para aprender um conteúdo novo, por exemplo, o
estudante pode começar com uma leitura ou aula, organizar as principais ideias
e utilizar a técnica de Feynman para verificar a compreensão. Na sequência,
pode recorrer à prática de recuperação para testar o que conseguiu memorizar.
Já para revisar conteúdos, a repetição espaçada pode ajudar a
distribuir os estudos ao longo das semanas, enquanto flashcards podem ser
utilizados para conceitos, definições e informações que precisam ser recuperadas
rapidamente.
Também é importante considerar o tipo de disciplina. Resolver
exercícios pode ser mais relevante para conteúdos que exigem aplicação de
fórmulas e estratégias, enquanto explicar conceitos e estabelecer relações pode
ser mais útil em disciplinas predominantemente conceituais.
“O mais importante é que o estudante deixe de enxergar o estudo
como uma atividade passiva. Ler, grifar ou assistir a uma aula são etapas
importantes, mas é fundamental criar momentos em que ele precise recuperar, aplicar,
explicar e relacionar aquilo que aprendeu”, conclui o docente.
Peter Rifaat - educador e líder escolar com mais de 20 anos de experiência em educação internacional e bilíngue, com estudos em Ciências Comportamentais, liderança e desenvolvimento humano. É formado em Pedagogia e possui certificações internacionais, incluindo DELTA e CELTA (Universidade de Cambridge), além de diversas certificações do International Baccalaureate (IB). Atua na Escola Internacional de Alphaville como Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, Coordenador do Programa do Diploma IB, professor de IBDP Theory of Knowledge (TOK) e membro da equipe de Orientação Universitária e de Carreira (Future Pathways), com foco no desenvolvimento acadêmico, socioemocional e vocacional dos estudantes.
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