A biomédica tricologista Jéssica Magalhães explica por que a queda de cabelo pode ter diferentes origens, quais sinais merecem atenção e por que resultados no tratamento dos fios dependem de investigação, tempo e constância.
Encontrar
fios no travesseiro, no banho ou na escova faz parte do ciclo natural do
cabelo, mas uma mudança significativa no padrão habitual de queda merece
atenção. A perda em grande quantidade, redução perceptível do volume,
afinamento dos fios, surgimento de falhas ou aumento da área do couro cabeludo
aparente são alguns dos sinais que podem indicar que é hora de buscar uma
avaliação. Coceira, descamação, dor ou sensibilidade no couro cabeludo também
devem ser observadas.
Com a
popularização de conteúdos sobre saúde e beleza nas redes sociais, cresce também
a procura por soluções rápidas para interromper a queda, como
suplementos, shampoos e protocolos compartilhados por influenciadores. O
problema é que a queda de cabelo pode estar relacionada a diferentes fatores e
não existe um tratamento único para todos os casos. Tomar vitaminas sem saber
se existe uma deficiência, trocar constantemente os produtos ou reproduzir
receitas encontradas na internet pode não resolver o problema e ainda atrasar
a identificação da causa.
Segundo
a biomédica tricologista Jéssica Magalhães, a queda deve ser
compreendida como um sinal de que alguma alteração pode estar acontecendo, e
não como uma doença única. “Queda de cabelo é um sintoma, não um
diagnóstico. Existem diferentes causas e cada uma exige uma abordagem
específica. Por isso, antes de iniciar uma suplementação, trocar produtos ou
seguir um tratamento indicado nas redes sociais, é importante investigar o que
está acontecendo, considerando o histórico da pessoa, as características dos
fios e do couro cabeludo e, quando necessário, exames e avaliação de outros
profissionais de saúde”, explica.
A
suplementação, por exemplo, não funciona da mesma maneira para todas as
pessoas. Vitaminas e minerais podem ter importância quando existe uma
deficiência identificada, mas o uso indiscriminado não significa
necessariamente melhora da queda ou crescimento mais rápido dos fios. O mesmo
acontece com os shampoos: apesar de serem importantes para os cuidados com o
couro cabeludo e com os cabelos, a simples troca do produto não costuma solucionar
alterações cuja origem esteja relacionada a fatores internos ou ao próprio
ciclo capilar.
A
especialista também chama atenção para situações em que a queda aparece
semanas ou meses depois de determinado acontecimento. Períodos de estresse
intenso, doenças, cirurgias ou mudanças importantes na rotina podem interferir
no ciclo dos fios e fazer com que a queda seja percebida somente algum tempo
depois. Por isso, durante a investigação, é importante considerar
acontecimentos recentes e não apenas o que estava acontecendo no momento em que
os fios começaram a cair.
“É
muito comum a pessoa não conseguir relacionar a queda com algo que aconteceu
meses antes. O cabelo tem um ciclo próprio e algumas alterações só ficam
evidentes posteriormente. Por isso, olhar para o histórico do paciente é
fundamental para entender possíveis gatilhos e direcionar o cuidado”, destaca Jéssica.
Outro
fator que pode comprometer a recuperação é a expectativa por resultados
imediatos. O cabelo possui um ritmo biológico próprio e precisa de tempo
para responder às intervenções. Começar um tratamento e abandoná-lo porque o
resultado não apareceu rapidamente, ou trocar constantemente de protocolo,
produto e suplemento, pode dificultar o acompanhamento da evolução. Além
disso, tratar apenas o fio, sem observar as condições do couro cabeludo e os
fatores relacionados à queda, pode fazer com que a causa continue sem ser
enfrentada.
Por
isso, a orientação é procurar avaliação profissional diante de uma queda
persistente ou diferente do padrão habitual, principalmente quando há falhas,
afinamento progressivo, redução de volume ou alterações no couro cabeludo. A estratégia
deve ser definida a partir da causa e das características de cada pessoa,
e não apenas pela promessa de um resultado rápido.
“O
cabelo responde a tratamento, mas responde principalmente a estratégia, tempo e
constância. Não existe uma solução imediata para todos os casos. O mais
importante é identificar a causa, seguir uma conduta adequada e ter paciência
para respeitar o tempo biológico dos fios. Ficar trocando de tratamento o tempo
todo pode atrasar justamente a recuperação que a pessoa está buscando”, conclui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário