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sábado, 12 de setembro de 2026

Toy Story 5 reacende debate sobre telas: 3 dicas para criar uma relação saudável entre crianças e tecnologia

Especialistas dão dicas de como pais e educadores podem equilibrar o uso da tecnologia sem transformá-la em inimiga

 

A chegada de ‘Toy Story 5’ aos cinemas reacende uma discussão cada vez mais presente entre famílias e educadores: qual deve ser o lugar da tecnologia na infância? No filme da Pixar, os brinquedos se veem diante de um novo desafio com a chegada de uma personagem tecnológica, colocando novamente em pauta a relação das crianças com dispositivos digitais. 

O debate, no entanto, vai além de estabelecer quanto tempo uma criança pode passar diante de uma tela. O desafio está em construir uma relação equilibrada com a tecnologia, sem tratá-la como vilã, mas também sem permitir que ela ocupe o espaço de experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil. 

“Estamos oferecendo às crianças uma quantidade enorme de informação, mas precisamos nos perguntar se estamos criando oportunidades suficientes para que elas aprendam a interpretar o que recebem, conversar sobre o conteúdo que assistem e construir o próprio pensamento”, diz Barbara Stock, bacharel em ciências sociais, comunicadora e cofundadora do projeto Café com Leite na Escola. Criado em parceria com o escritor e comunicador Luciano Pires, o programa educacional complementar nasceu a partir do podcast Café Com Leite e utiliza histórias em áudio como ponto de partida para conversas mediadas, atividades pedagógicas e experiências de reflexão compartilhada para alunos do Ensino Fundamental I. 

Para ajudar pais e responsáveis a construir uma relação mais saudável entre crianças e tecnologia, Bárbara destaca três caminhos:
 

1. Em vez de apenas controlar o tempo de tela, observe o que ela está substituindo

Estabelecer limites para o uso de telas é importante. Porém, a discussão não deve se resumir ao número de minutos diante dos dispositivos eletrônicos. Também é necessário observar o que acontece durante esse período e, principalmente, o que deixa de acontecer por causa dele. 

Brincadeiras, leitura, conversas em família e atividades físicas também são fundamentais para o desenvolvimento infantil. “Mais importante do que transformar a tecnologia em inimiga é garantir que ela não ocupe o lugar das experiências que ajudam a criança a compreender o mundo e a construir o próprio pensamento”, afirma Bárbara.
 

2. Transforme o consumo de conteúdo em oportunidade para conversar

Uma criança pode assistir a um filme, jogar ou acompanhar um vídeo e simplesmente passar para o próximo conteúdo. Esse momento precisa ser transformado em uma oportunidade para conversar e fazê-la refletir sobre a experiência. “Estimular a criança a contar o que assistiu, conversar sobre o que ela achou e como ela teria agido em determinada situação são formas de estimular a interpretação, a solução de problemas, a expressão de ideias e a capacidade de participar de diálogos construtivos”, destaca.
 

3. Crie momentos de escuta sem a interferência das telas

Em uma rotina marcada por estímulos constantes, criar momentos em que a criança simplesmente possa ouvir e conversar pode ser mais importante do que oferecer mais um conteúdo a partir de uma tela.

“Quando uma criança escuta uma história e depois conversa sobre ela, aprende a organizar ideias, interpretar, ouvir o outro, argumentar e construir uma compreensão própria sobre o que foi apresentado”, diz a socióloga.

 

Tecnologia não precisa ser vilã

As crianças continuarão crescendo em um ambiente digital e a escola e a família têm o papel de ajudá-las a desenvolver repertório para lidar com esse universo de maneira mais consciente.

“Nosso projeto partiu de uma constatação incômoda: nunca houve tanto acesso à informação, mas a capacidade de interpretar parece cada vez mais frágil. O desafio é contribuir para que as crianças sejam capazes de escutar, confrontar diferentes pontos de vista, fazer perguntas e pensar antes de responder”, conclui Luciano Pires.

 

Café Com Leite na Escola - programa educacional complementar destinado aos alunos do Ensino Fundamental I, concebido para contribuir com a formação integral da criança por meio de conteúdos em áudio, atividades pedagógicas e experiências de reflexão compartilhada. Criado por Luciano Pires e Bárbara Stock, o programa nasceu a partir do podcast Café com Leite e busca desenvolver capacidades fundamentais para a vida em sociedade: compreender emoções, construir valores, comunicar ideias, argumentar com respeito, raciocinar de forma crítica e assumir responsabilidades. O projeto foi concebido para atuar em sintonia com a proposta pedagógica das escolas, ampliando oportunidades de desenvolvimento humano e fortalecendo competências previstas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).




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