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sábado, 12 de setembro de 2026

O que homens e mulheres buscam quando decidem melhorar o rosto?

Pesquisa mostra avanço do público masculino e mudança na relação de homens e mulheres com cirurgia plástica, prevenção do envelhecimento e resultados naturais


A cirurgia plástica facial deixa de seguir uma divisão tão rígida entre procedimentos femininos e masculinos, mas homens e mulheres ainda chegam aos consultórios com expectativas e motivações diferentes. A pesquisa anual da Academia Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva Facial (AAFPRS) mostra que a procura cresce entre os dois públicos e que os tratamentos menos invasivos já representam 80% dos procedimentos realizados.

Rinoplastia, lifting facial e blefaroplastia permanecem entre as principais cirurgias faciais, enquanto neurotoxinas e preenchedores lideram entre os tratamentos não cirúrgicos. Para David Di Sessa, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a escolha não deve começar pelo gênero, mas pela alteração que o paciente deseja tratar. “Homens e mulheres envelhecem e percebem o rosto de maneiras diferentes, mas a indicação precisa partir da anatomia, da queixa e do resultado esperado por aquela pessoa”, explica.

Entre as mulheres, a pesquisa chama atenção para uma relação cada vez mais direta entre envelhecimento, mudanças hormonais e procura por tratamentos faciais. Em 2025, 45% dos cirurgiões consultados pela AAFPRS relatam aumento de pacientes que mencionam menopausa ou perimenopausa como motivo para buscar atendimento, e 28% no levantamento anterior. Nessa fase, alterações de colágeno, volume facial e qualidade da pele podem modificar a percepção do rosto e levar à procura por procedimentos.

“Na mulher, é comum a queixa aparecer quando o espelho começa a mostrar uma aparência diferente da forma como ela se sente. A região dos olhos pode parecer mais cansada, o contorno facial muda e a flacidez se torna mais perceptível. Isso não significa que toda paciente precise de cirurgia. A avaliação mostra se há indicação de blefaroplastia, lifting facial, tratamentos regenerativos ou apenas acompanhamento”, afirma Di Sessa.

Outro movimento identificado pela AAFPRS é a procura mais precoce por cuidados estéticos. Entre os especialistas ouvidos, 57% registram aumento de pacientes com menos de 30 anos interessados em procedimentos cosméticos ou injetáveis, frequentemente com abordagens discretas e preventivas. O comportamento se aproxima do conceito de prejuvenation, no qual o objetivo deixa de ser apenas corrigir alterações já instaladas e passa a incluir preservação da estrutura facial e cuidados ao longo do envelhecimento.

No público masculino, o crescimento também aparece de forma consistente. Em 2025, 95% dos cirurgiões atenderam homens, contra 92% no ano anterior. A rinoplastia aparece como a cirurgia mais procurada por eles, seguida pela blefaroplastia, enquanto o transplante capilar continua sendo o único procedimento no qual os homens ainda superam de forma significativa as mulheres. Neurotoxinas, preenchedores e tratamentos de pele também ocupam espaço entre as escolhas masculinas.

“A procura masculina costuma vir acompanhada de um pedido muito claro, melhorar sem parecer que fez alguma coisa. Muitos homens querem corrigir uma característica que incomoda, recuperar um aspecto descansado ou suavizar sinais do envelhecimento, mas têm receio de perder os próprios traços. Por isso, planejamento e quantidade de intervenção são tão importantes quanto a técnica escolhida”, explica o cirurgião plástico.

A pesquisa norte-americana também relaciona parte dessa procura à vida profissional. Homens relatam interesse em parecer mais descansados, saudáveis e confiantes, inclusive no ambiente de trabalho, sem sinais evidentes de intervenção estética. Para Di Sessa, porém, gênero não funciona como protocolo de tratamento. “Existem tendências de procura, mas não existe um procedimento masculino ou feminino que possa ser indicado automaticamente. O tratamento adequado é aquele que respeita anatomia, idade, características individuais e, principalmente, o que o paciente realmente deseja mudar”, conclui. 



David Di Sessa - CRM-SP 112566 - RQE 32162. médico cirurgião plástico, graduado pela Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), com residência em Cirurgia Plástica em Campinas e estágio de aperfeiçoamento na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, sob orientação do professor Ivo Pitanguy. Com mais de 15 anos de experiência e mais de 5 mil procedimentos realizados, atua com foco em resultados naturais e na melhora da qualidade de vida dos pacientes, realizando cirurgias plásticas faciais, corporais e das mamas. É membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da American Society of Plastic Surgeons (ASPS), da Associação Paulista de Medicina (APM) e da Associação Médica Brasileira (AMB).
Instagram: @daviddisessa


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