Pesquisa mostra
avanço do público masculino e mudança na relação de homens e mulheres com
cirurgia plástica, prevenção do envelhecimento e resultados naturais
A cirurgia plástica facial deixa de seguir uma
divisão tão rígida entre procedimentos femininos e masculinos, mas homens e mulheres
ainda chegam aos consultórios com expectativas e motivações diferentes. A
pesquisa anual da Academia Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva
Facial (AAFPRS) mostra que a procura cresce entre os dois públicos e que os
tratamentos menos invasivos já representam 80% dos procedimentos realizados.
Rinoplastia, lifting facial e blefaroplastia
permanecem entre as principais cirurgias faciais, enquanto neurotoxinas e
preenchedores lideram entre os tratamentos não cirúrgicos. Para David Di Sessa,
cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a
escolha não deve começar pelo gênero, mas pela alteração que o paciente deseja
tratar. “Homens e mulheres envelhecem e percebem o rosto de maneiras
diferentes, mas a indicação precisa partir da anatomia, da queixa e do resultado
esperado por aquela pessoa”, explica.
Entre as mulheres, a pesquisa chama atenção para
uma relação cada vez mais direta entre envelhecimento, mudanças hormonais e
procura por tratamentos faciais. Em 2025, 45% dos cirurgiões consultados pela
AAFPRS relatam aumento de pacientes que mencionam menopausa ou perimenopausa
como motivo para buscar atendimento, e 28% no levantamento anterior. Nessa
fase, alterações de colágeno, volume facial e qualidade da pele podem modificar
a percepção do rosto e levar à procura por procedimentos.
“Na mulher, é comum a queixa aparecer quando o
espelho começa a mostrar uma aparência diferente da forma como ela se sente. A
região dos olhos pode parecer mais cansada, o contorno facial muda e a flacidez
se torna mais perceptível. Isso não significa que toda paciente precise de
cirurgia. A avaliação mostra se há indicação de blefaroplastia, lifting facial,
tratamentos regenerativos ou apenas acompanhamento”, afirma Di Sessa.
Outro movimento identificado pela AAFPRS é a
procura mais precoce por cuidados estéticos. Entre os especialistas ouvidos,
57% registram aumento de pacientes com menos de 30 anos interessados em
procedimentos cosméticos ou injetáveis, frequentemente com abordagens discretas
e preventivas. O comportamento se aproxima do conceito de prejuvenation,
no qual o objetivo deixa de ser apenas corrigir alterações já instaladas e
passa a incluir preservação da estrutura facial e cuidados ao longo do
envelhecimento.
No público masculino, o crescimento também aparece
de forma consistente. Em 2025, 95% dos cirurgiões atenderam homens, contra 92%
no ano anterior. A rinoplastia aparece como a cirurgia mais procurada por eles,
seguida pela blefaroplastia, enquanto o transplante capilar continua sendo o
único procedimento no qual os homens ainda superam de forma significativa as
mulheres. Neurotoxinas, preenchedores e tratamentos de pele também ocupam
espaço entre as escolhas masculinas.
“A procura masculina costuma vir acompanhada de um
pedido muito claro, melhorar sem parecer que fez alguma coisa. Muitos homens
querem corrigir uma característica que incomoda, recuperar um aspecto
descansado ou suavizar sinais do envelhecimento, mas têm receio de perder os
próprios traços. Por isso, planejamento e quantidade de intervenção são tão
importantes quanto a técnica escolhida”, explica o cirurgião plástico.
A pesquisa norte-americana também relaciona parte dessa procura à vida profissional. Homens relatam interesse em parecer mais descansados, saudáveis e confiantes, inclusive no ambiente de trabalho, sem sinais evidentes de intervenção estética. Para Di Sessa, porém, gênero não funciona como protocolo de tratamento. “Existem tendências de procura, mas não existe um procedimento masculino ou feminino que possa ser indicado automaticamente. O tratamento adequado é aquele que respeita anatomia, idade, características individuais e, principalmente, o que o paciente realmente deseja mudar”, conclui.
David Di Sessa - CRM-SP 112566 - RQE 32162. médico cirurgião plástico, graduado pela Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), com residência em Cirurgia Plástica em Campinas e estágio de aperfeiçoamento na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, sob orientação do professor Ivo Pitanguy. Com mais de 15 anos de experiência e mais de 5 mil procedimentos realizados, atua com foco em resultados naturais e na melhora da qualidade de vida dos pacientes, realizando cirurgias plásticas faciais, corporais e das mamas. É membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da American Society of Plastic Surgeons (ASPS), da Associação Paulista de Medicina (APM) e da Associação Médica Brasileira (AMB).
Instagram: @daviddisessa
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