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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Recuperação pós-parto exige tempo e atenção aos sinais que não devem ser ignorados

Dor, sangramento, cansaço e alterações emocionais podem fazer parte dos primeiros dias após o nascimento, mas sintomas intensos ou persistentes precisam de avaliação 
 

Depois de meses de acompanhamento durante a gestação, a chegada do bebê costuma concentrar toda a atenção da família. Para a mãe, porém, começa uma outra etapa que nem sempre recebe o mesmo espaço: a recuperação do parto. O corpo precisa cicatrizar, os hormônios passam por mudanças importantes, o sono fica fragmentado e, ao mesmo tempo, existe toda a adaptação à rotina de cuidados com o recém-nascido. Saber o que é esperado nesse período e reconhecer sinais de alerta é fundamental para que a mulher não normalize sintomas que precisam de avaliação.  

“O pós-parto é uma fase de muitas transformações e cada mulher terá uma experiência diferente. É esperado que exista cansaço, algum desconforto e alterações físicas e emocionais, mas isso não significa que a mulher precise suportar dor intensa ou qualquer sintoma que esteja piorando. O acompanhamento nesse período é tão importante quanto o pré-natal”, explica Dra. Karina Belickas, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana.  

Nos primeiros dias, é comum haver sangramento vaginal, chamado lóquio, que tende a mudar de intensidade, aspecto e odor progressivamente. Cólicas também podem acontecer, especialmente nos primeiros 7 dias, e durante a amamentação, quando a liberação de ocitocina contribui para a contração do útero. Após um parto vaginal, a região do períneo pode apresentar dor ou sensibilidade, principalmente quando houve laceração ou episiotomia. Já no caso da cesariana, é esperado algum desconforto e sensibilidade na região da incisão durante a cicatrização além de desconforto abdominal aos esforços devido a sutura das 7 camadas da parede abdominal .  

O importante é observar a evolução. “Uma das principais orientações é prestar atenção ao próprio corpo. O esperado é que os sintomas apresentem melhora progressiva. Quando uma dor aumenta em vez de diminuir, surge febre, o sangramento fica muito intenso ou aparecem outros sintomas que causem desconforto ou preocupação, é importante procurar atendimento médico”, orienta a médica. 
 

Nem tudo deve ser atribuído ao puerpério 

Entre os sinais que exigem avaliação estão sangramento vaginal muito intenso, febre, dor abdominal forte ou progressiva, secreção com odor desagradável, dificuldade para respirar, dor no peito, desmaio ou inchaço e dor importante em uma das pernas. Esses sintomas podem estar relacionados a complicações que precisam de atendimento rápido.  

A atenção também deve se estender à pressão arterial. Dor de cabeça intensa, alterações visuais, dor forte na parte superior do abdômen, falta de ar ou pressão elevada no período após o parto podem indicar complicações hipertensivas, mesmo em que manteve a pressão controlada durante a gestação, e não devem ser tratados simplesmente como cansaço ou consequências da privação de sono.  

A saúde emocional merece o mesmo cuidado. Oscilações de humor, choro fácil e maior sensibilidade podem aparecer nos primeiros dias, especialmente diante da mudança hormonal, do cansaço e da adaptação à nova rotina. No entanto, tristeza persistente, ansiedade intensa, sensação de incapacidade para cuidar do bebê, isolamento ou perda de interesse pelas atividades precisam ser avaliados.  

“O puerpério não é apenas uma recuperação física. Existe uma mudança emocional muito grande e uma cobrança, muitas vezes silenciosa, para que a mulher esteja feliz o tempo todo. Pedir ajuda não significa que ela não esteja feliz com a chegada do bebê ou que seja uma mãe ruim. Significa reconhecer que ela também precisa de cuidado”, afirma Dra. Karina.  

Outro ponto importante é não transformar a recuperação em uma corrida para voltar ao corpo ou à rotina anterior à gestação. O tempo necessário varia de acordo com o tipo de parto, as condições clínicas da mulher e possíveis intercorrências. Atividade física, retomada da vida sexual e retorno à rotina devem acontecer de forma gradual e individualizada, conforme a avaliação médica.  

A amamentação também pode fazer parte dos desafios dessa fase. Dor, fissuras, dificuldade na pega, ingurgitamento e dúvidas sobre a produção de leite são situações que podem gerar ansiedade, mas não precisam ser enfrentadas sozinhas. O suporte de profissionais capacitados pode ajudar a tornar o processo mais confortável para mãe e bebê.  

“Existe uma expectativa de que, depois do parto, a mulher simplesmente volte ao normal. Mas o pós-parto é uma continuidade do cuidado da gestação. O organismo passou por mudanças enormes e precisa de tempo. Recuperação não é voltar imediatamente a ser quem era antes, mas acompanhar como o corpo está respondendo e oferecer suporte quando necessário”, destaca a obstetra.  

A consulta pós-parto também não deve ser encarada apenas como uma avaliação da cicatrização. O acompanhamento deve considerar saúde física e emocional, amamentação, sono, contracepção, sexualidade, recuperação do parto e condições de saúde que já existiam antes da gestação ou que surgiram durante ela.  

Por isso, além de observar a própria recuperação, é importante que a mulher tenha uma rede de apoio e mantenha o acompanhamento profissional após o nascimento. O puerpério é uma fase de adaptação para toda a família, mas o cuidado com quem acabou de dar à luz não deve ficar em segundo plano.  



Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br

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