Apesar de ser uma das principais causas de morte entre mulheres, o infarto ainda é associado principalmente aos homens; cardiologista André Brandão, da Kora Saúde, explica os sintomas de alerta e a importância da prevenção
Quando se fala em riscos à saúde feminina, o câncer
de mama costuma ocupar um lugar de destaque nas discussões e campanhas de
conscientização. Porém, outro problema de saúde exige atenção urgente: as
doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no mundo
e provocam um número de óbitos superior ao de todos os tipos de câncer somados.
De acordo com a World Heart Federation, as doenças
cardiovasculares são responsáveis por aproximadamente 8,6 milhões de mortes de
mulheres todos os anos no mundo, o que representa mais de 23 mil óbitos por dia
e cerca de um terço do total de mortes femininas. No Brasil, dados da Sociedade
Brasileira de Cardiologia (SBC) reforçam o impacto das doenças do coração entre
as mulheres e a necessidade de ampliar a conscientização sobre prevenção,
diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Apesar dos números expressivos, o infarto ainda é
frequentemente associado ao público masculino, o que pode contribuir para que
muitas mulheres demorem mais tempo para reconhecer os sinais e buscar
atendimento médico.
“Ainda existe uma percepção equivocada de que as
doenças cardiovasculares são um problema predominantemente masculino. Essa
visão pode atrasar o diagnóstico nas mulheres, principalmente porque elas podem
apresentar sintomas diferentes dos homens. Em casos de infarto, cada minuto
conta: quanto mais rápido for o atendimento, maiores são as chances de reduzir
danos ao coração e complicações futuras”, explica o cardiologista
André Brandão, da Kora Saúde.
A dor intensa e aguda no peito é o sinal mais
conhecido do infarto, mas nem sempre aparece de forma evidente entre as
mulheres. Em muitos casos, os sintomas podem ser mais discretos e envolver
falta de ar sem motivo aparente, cansaço extremo fora do habitual, náuseas,
tonturas, desconforto abdominal ou dores que irradiam para as costas,
mandíbula, pescoço e braços, além da sensação de pressão no peito.
“Nas mulheres, nem sempre o infarto começa com
aquela dor clássica no peito que todos imaginam. Muitas vezes, o corpo
apresenta sinais mais sutis, como uma falta de ar inesperada, um cansaço
desproporcional ou um mal-estar que não melhora. O principal alerta é observar
mudanças fora do padrão e não minimizar sintomas persistentes”,
alerta o especialista.
Um dos grandes desafios para o diagnóstico precoce
é justamente o fato de esses sinais poderem ser confundidos com situações
comuns do dia a dia, como ansiedade, indigestão ou simplesmente excesso de
cansaço. No entanto, quando esses desconfortos surgem de forma diferente do
habitual, especialmente em mulheres que apresentam fatores de risco, eles
precisam ser investigados por uma equipe médica.
Além dos fatores tradicionais, como hipertensão,
diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e histórico familiar, as
mulheres possuem condições específicas que podem influenciar a saúde
cardiovascular ao longo da vida. A menopausa, por exemplo, provoca a redução
dos níveis de estrogênio, hormônio que exerce efeito protetor sobre o sistema
vascular. Da mesma forma, complicações durante a gestação, como pré-eclâmpsia e
hipertensão gestacional, além de condições como a Síndrome dos Ovários
Policísticos (SOP), podem aumentar a vulnerabilidade cardiovascular no futuro.
“O coração feminino passa por diferentes fases ao longo
da vida, e cada uma delas traz particularidades que precisam ser consideradas.
A menopausa representa uma mudança importante no perfil cardiovascular da
mulher, por isso o acompanhamento preventivo deve fazer parte da rotina de
cuidados antes mesmo do surgimento de sintomas”, destaca André
Brandão.
Segundo o cardiologista, a prevenção continua sendo
a principal estratégia para reduzir os riscos de doenças cardiovasculares. O
acompanhamento médico regular, a realização de exames de rotina e o controle dos
fatores de risco devem fazer parte dos cuidados em todas as fases da vida.
“A prevenção cardiovascular ainda é uma das
ferramentas mais importantes que temos. Pequenas mudanças incorporadas à
rotina, associadas ao acompanhamento adequado, podem fazer uma grande diferença
na redução do risco de doenças graves. Manter uma alimentação equilibrada,
praticar atividade física regularmente, controlar a pressão arterial, o
colesterol e a glicemia, além de evitar o tabagismo, são atitudes que protegem
o coração a longo prazo”, reforça.
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