No Setembro Amarelo, especialista explica como iluminação, ruídos, ventilação, cores e organização influenciam a sensação de acolhimento, o descanso e a concentração, sem substituir o acompanhamento em saúde mental.
A Organização Mundial da Saúde
recomenda que o ruído dentro dos quartos permaneça abaixo de 30 decibéis
durante a noite para favorecer um sono de boa qualidade. Embora nem sempre seja
possível controlar os sons externos, o dado demonstra como as características
dos ambientes interferem no descanso e podem contribuir para o cansaço, a
irritabilidade e a dificuldade de concentração.
Essa relação é estudada pela
neuroarquitetura, campo que entende conhecimentos sobre comportamento humano,
percepção e projeto dos espaços. A proposta não é tratar transtornos mentais
por meio da decoração, mas compreender como estímulos cotidianos podem aumentar
a sobrecarga ou favorecer uma sensação maior de conforto e segurança.
Segundo a arquiteta Germana Lara,
fundadora da Larc Arquitetura, luz excessiva, ruído constante, falta de
ventilação, circulação apertada e acúmulo visual podem tornar a permanência em
determinados locais mais desgastante. “O ambiente envia informações o tempo
inteiro. Quando existem muitos estímulos competindo pela atenção, o cérebro
precisa fazer um esforço maior para filtrar o que está ao redor, o que pode
aumentar a sensação de cansaço”, explica.
A iluminação precisa acompanhar a
função de cada espaço. Durante o dia, a entrada de luz natural ajuda a marcar a
passagem do tempo e favorece atividades que exigem atenção. À noite, luzes
menos intensas e bem direcionadas tornam o ambiente mais adequado ao descanso.
Um único ponto de luz muito forte nem sempre atende igualmente momentos de
trabalho, convivência e relaxamento.
No controle dos ruídos, cortinas,
tapetes, estofados, painéis e marcenaria podem ajudar a diminuir a reverberação
interna. Em reformas, a escolha de esquadrias, vedações e materiais adequados
amplia o isolamento. A ventilação e o conforto térmico também precisam ser
considerados, pois locais abafados, muito quentes ou com odores acumulados
podem provocar desconforto e prejudicar a permanência.
As cores influenciam a percepção, mas
não seguem uma fórmula universal. Tons suaves podem ser relaxantes para algumas
pessoas e monótonos para outras. Cores intensas podem transmitir energia, mas
causar excesso de estímulo quando utilizadas em grandes superfícies. “Antes de
escolher uma paleta com a promessa de acalmar ou aumentar a produtividade,
precisamos entender a rotina, as preferências e as sensibilidades de quem
utilizará o espaço”, orienta Germana.
Organização também não significa manter
uma casa sem objetos ou sinais de vida. O objetivo é facilitar a localização do
que é necessário, liberar áreas de circulação e reduzir obstáculos cotidianos.
Soluções de armazenamento, definição das funções de cada ambiente e presença de
elementos afetivos ajudam a criar pertencimento sem impor um padrão rígido de
comportamento.
No contexto do Setembro Amarelo, a arquiteta ressalta que um espaço acolhedor pode apoiar o bem-estar, mas não deve ser apresentado como tratamento. “O ambiente pode facilitar o descanso, oferecer privacidade e diminuir estímulos desconfortáveis. Ele não cura ansiedade ou depressão. Quando existe sofrimento persistente, isolamento ou prejuízo à rotina, é fundamental buscar acompanhamento profissional”, conclui.
Fonte: Larc Arquitetura | Germana Lara.
@larcarquitetura
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