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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O primeiro degrau da liderança continua quebrado para as mulheres

Mesmo com maior presença feminina no mercado, a promoção para o primeiro cargo de gestão permanece como um dos principais gargalos da carreira. Especialista analisa como critérios subjetivos, menor acesso a projetos estratégicos e falta de apoio gerencial reduzem a formação de novas líderes.

 

Para cada 100 homens promovidos ao primeiro cargo de gestão, apenas 93 mulheres alcançam a mesma posição. O dado é do relatório Women in the Workplace 2025, elaborado pela McKinsey & Company em parceria com a LeanIn.Org, a partir da análise de 124 organizações dos Estados Unidos e do Canadá. A diferença, conhecida como “degrau quebrado”, mostra que a desigualdade na liderança começa antes do acesso aos cargos executivos.

Embora mulheres e homens ingressem no mercado com formação e ambições profissionais semelhantes, as oportunidades que antecedem uma promoção nem sempre são distribuídas da mesma forma. Projetos estratégicos, exposição diante da alta liderança, gestão informal de equipes e participação em decisões relevantes costumam preparar um profissional para assumir o primeiro cargo de comando. Quando as mulheres têm menos acesso a essas experiências, chegam aos processos de promoção em desvantagem.

Para Alê Freitas, mentora em Liderança para mulheres, o problema também está nos critérios subjetivos utilizados para identificar quem está “pronto” para liderar. “Muitas mulheres são reconhecidas como excelentes profissionais, mas permanecem no lugar de quem executa, organiza e sustenta a operação. Enquanto isso, características como segurança, firmeza e potencial de liderança podem ser percebidas com mais facilidade nos homens, mesmo quando eles ainda não demonstraram todas as competências necessárias para a função”, explica.

O levantamento também revela uma diferença no apoio recebido no início da carreira: apenas 31% das mulheres em posições de entrada contam com um patrocinador profissional, ante 45% dos homens. Diferentemente da mentoria, esse apoio envolve alguém com influência que recomenda o profissional para uma promoção, amplia sua visibilidade e o conecta a oportunidades importantes dentro da organização.

Sem esse incentivo, muitas profissionais passam mais tempo tentando comprovar que estão prontas, enquanto colegas homens são promovidos com base no potencial de desenvolvimento. “Não basta dizer às mulheres que elas precisam se posicionar mais. A empresa deve observar quem recebe projetos desafiadores, quem é lembrado nas discussões sobre sucessão e quem tem o próprio potencial defendido por uma liderança. Sem essa análise, a meritocracia pode apenas reproduzir desigualdades que já existem”, afirma Alê.

Para reparar o primeiro degrau, a especialista defende critérios claros de promoção, acompanhamento dos indicadores por gênero e participação ativa das lideranças no desenvolvimento de novas gestoras. “Uma organização que só procura mulheres quando precisa preencher os cargos mais altos percebe o problema tarde demais. A formação de uma liderança diversa começa na primeira oportunidade de coordenar pessoas, conduzir um projeto estratégico e participar das decisões”, conclui.

 

Fonte: Alê Freitas — Mentora em Liderança para mulheres. CEO da Anima Impacto Consultoria.


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