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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Sua alimentação pode estar causando ansiedade e sintomas de depressão

Deficiências nutricionais, excesso de cafeína e outros fatores podem contribuir para sintomas frequentemente associados à saúde emocional


Ansiedade, dificuldade para dormir, cansaço e alterações de humor também podem estar relacionados a hábitos alimentares que passam despercebidos na rotina. No Setembro Amarelo, o consumo excessivo de cafeína e possíveis deficiências de nutrientes como ferro e vitamina B12 entram no radar de especialistas e podem ser considerados durante a investigação desses sintomas. Uma revisão sistemática publicada em 2026, que analisou 27 estudos, reforçou a associação entre doses mais altas de cafeína e o aumento de sintomas ansiosos. 

Bruna Makluf, nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit, healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição de precisão, explica que alterações nutricionais podem aparecer junto a sintomas normalmente associados ao estado emocional. “Nem todo cansaço, falta de concentração ou alteração de humor tem origem exclusivamente emocional. Quando existe deficiência de algum nutriente ou consumo excessivo de estimulantes, isso também precisa entrar na investigação. O exame ajuda a entender o que está acontecendo antes de qualquer suplementação”, afirma a nutricionista. 

O que merece atenção

  • Ferro baixo: Pode contribuir para cansaço e baixa disposição.
  • Vitamina B12 baixa: Pode provocar sintomas que se confundem com a depressão e estar associada à piora de manifestações depressivas.
  • Cafeína em excesso: Pode aumentar a agitação e intensificar sintomas de ansiedade.
  • Energéticos: Podem concentrar estimulantes e prejudicar o sono.


Ferro e vitamina B12 entram na investigação

Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2025, que reuniu 18 estudos e 1.408 participantes, encontrou associação entre deficiência de ferro, inclusive antes do desenvolvimento de anemia, e fadiga, pior qualidade de vida e sintomas de ansiedade.

A falta de vitamina B12 também pode causar cansaço e alterações neurológicas, segundo o National Institutes of Health, dos Estados Unidos. Estudos observacionais citados pela instituição investigam ainda a associação entre níveis reduzidos do nutriente e sintomas depressivos, sem estabelecer uma relação isolada de causa e efeito.

“Há pacientes que chegam à consulta com baixa disposição, dificuldade de concentração e cansaço persistente e acreditam que a origem seja apenas emocional. Os exames podem revelar uma deficiência que precisa ser corrigida ou, quando estão normais, ajudar a direcionar a investigação para outras causas”, explica a diretora de Nutrição.


Cafeína pode intensificar a ansiedade

O consumo elevado de cafeína é outro ponto de atenção. Uma revisão sistemática publicada em fevereiro de 2026 analisou 27 estudos e encontrou evidências predominantemente favoráveis à associação entre a substância e o aumento de sintomas ansiosos, principalmente conforme cresce a quantidade ingerida.

Além do café, energéticos, chás e outros produtos podem elevar a ingestão diária de cafeína. Pessoas que já apresentam ansiedade, agitação ou dificuldade para dormir podem ser mais sensíveis aos efeitos estimulantes.

“Não significa que todo mundo precise retirar o café da rotina. O ponto é avaliar quantidade, horário, frequência e resposta individual. Em pessoas mais suscetíveis a sintomas ansiosos, o excesso de cafeína pode aumentar a agitação e prejudicar o sono”, ressalta a especialista. 

O Ministério da Saúde também inclui a redução das doses diárias de cafeína entre as orientações relacionadas a hábitos saudáveis para pessoas com depressão.


Alimentação e saúde mental exigem cuidado integrado

Depressão e transtornos de ansiedade são condições multifatoriais. Exames laboratoriais, mudanças na dieta ou suplementação podem integrar o acompanhamento, mas não substituem avaliação psicológica, psiquiátrica ou médica quando indicada.

“A alimentação pode fazer parte do cuidado com a saúde mental quando existe uma deficiência nutricional ou um hábito capaz de agravar determinados sintomas. A nutrição não substitui psicoterapia, psiquiatria ou tratamento médico. O acompanhamento precisa considerar cada paciente de forma ampla e envolver diferentes profissionais quando necessário”, conclui Bruna Makluf.

Em situações de sofrimento intenso ou risco de suicídio, o Ministério da Saúde orienta procurar uma Unidade Básica de Saúde, CAPS ou serviços de urgência e emergência. O Centro de Valorização da Vida oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.

 


Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
Para mais informações, acesse: Linkedin e Instagram.



WeFit
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Fontes de Pesquisa:

Boletim Epidemiológico sobre suicídio no Brasil
https://www.cevs.rs.gov.br/upload/arquivos/202603/16164550-boletim-suicidio-2025-10-mar.pdf

Estudo sobre deficiência de ferro fadiga e sintomas de ansiedade
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40945632/

NIH sobre vitamina B12
https://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminB12-HealthProfessional/

Estudo sobre cafeína e ansiedade
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41549915/

Ministério da Saúde sobre depressão
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/depressao

 

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