Deficiências
nutricionais, excesso de cafeína e outros fatores podem contribuir para
sintomas frequentemente associados à saúde emocional
Ansiedade, dificuldade para dormir, cansaço e
alterações de humor também podem estar relacionados a hábitos alimentares que
passam despercebidos na rotina. No Setembro Amarelo, o consumo excessivo de
cafeína e possíveis deficiências de nutrientes como ferro e vitamina B12 entram
no radar de especialistas e podem ser considerados durante a investigação
desses sintomas. Uma revisão sistemática publicada em 2026, que analisou 27
estudos, reforçou a associação entre doses mais altas de cafeína e o aumento de
sintomas ansiosos.
Bruna Makluf,
nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit,
healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição de
precisão, explica que alterações nutricionais podem aparecer junto a sintomas
normalmente associados ao estado emocional. “Nem todo cansaço, falta de
concentração ou alteração de humor tem origem exclusivamente emocional. Quando
existe deficiência de algum nutriente ou consumo excessivo de estimulantes,
isso também precisa entrar na investigação. O exame ajuda a entender o que está
acontecendo antes de qualquer suplementação”, afirma a nutricionista.
O que merece atenção
- Ferro
baixo: Pode contribuir para cansaço e baixa disposição.
- Vitamina
B12 baixa: Pode provocar sintomas que se confundem com a depressão e estar
associada à piora de manifestações depressivas.
- Cafeína
em excesso: Pode aumentar a agitação e intensificar sintomas de ansiedade.
- Energéticos:
Podem concentrar estimulantes e prejudicar o sono.
Ferro e vitamina B12 entram na
investigação
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em
2025, que reuniu 18 estudos e 1.408 participantes, encontrou associação entre
deficiência de ferro, inclusive antes do desenvolvimento de anemia, e fadiga,
pior qualidade de vida e sintomas de ansiedade.
A falta de vitamina B12 também pode causar cansaço
e alterações neurológicas, segundo o National Institutes of Health, dos Estados
Unidos. Estudos observacionais citados pela instituição investigam ainda a
associação entre níveis reduzidos do nutriente e sintomas depressivos, sem
estabelecer uma relação isolada de causa e efeito.
“Há pacientes que chegam à consulta com baixa
disposição, dificuldade de concentração e cansaço persistente e acreditam que a
origem seja apenas emocional. Os exames podem revelar uma deficiência que
precisa ser corrigida ou, quando estão normais, ajudar a direcionar a
investigação para outras causas”, explica a diretora de Nutrição.
Cafeína pode intensificar a
ansiedade
O consumo elevado de cafeína é outro ponto de
atenção. Uma revisão sistemática publicada em fevereiro de 2026 analisou 27
estudos e encontrou evidências predominantemente favoráveis à associação entre
a substância e o aumento de sintomas ansiosos, principalmente conforme cresce a
quantidade ingerida.
Além do café, energéticos, chás e outros produtos
podem elevar a ingestão diária de cafeína. Pessoas que já apresentam ansiedade,
agitação ou dificuldade para dormir podem ser mais sensíveis aos efeitos estimulantes.
“Não significa que todo mundo precise retirar o
café da rotina. O ponto é avaliar quantidade, horário, frequência e resposta
individual. Em pessoas mais suscetíveis a sintomas ansiosos, o excesso de
cafeína pode aumentar a agitação e prejudicar o sono”, ressalta a
especialista.
O Ministério da Saúde também inclui a redução das
doses diárias de cafeína entre as orientações relacionadas a hábitos saudáveis
para pessoas com depressão.
Alimentação e saúde mental
exigem cuidado integrado
Depressão e transtornos de ansiedade são condições
multifatoriais. Exames laboratoriais, mudanças na dieta ou suplementação podem
integrar o acompanhamento, mas não substituem avaliação psicológica,
psiquiátrica ou médica quando indicada.
“A alimentação pode fazer parte do cuidado com a
saúde mental quando existe uma deficiência nutricional ou um hábito capaz de
agravar determinados sintomas. A nutrição não substitui psicoterapia,
psiquiatria ou tratamento médico. O acompanhamento precisa considerar cada
paciente de forma ampla e envolver diferentes profissionais quando necessário”,
conclui Bruna Makluf.
Em situações de sofrimento intenso ou risco de
suicídio, o Ministério da Saúde orienta procurar uma Unidade Básica de Saúde,
CAPS ou serviços de urgência e emergência. O Centro de Valorização da Vida
oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
Para mais informações, acesse: Linkedin e Instagram.
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Fontes de Pesquisa:
Boletim Epidemiológico sobre suicídio no Brasil
https://www.cevs.rs.gov.br/upload/arquivos/202603/16164550-boletim-suicidio-2025-10-mar.pdf
Estudo sobre deficiência de ferro fadiga e sintomas de ansiedade
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40945632/
NIH sobre vitamina B12
https://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminB12-HealthProfessional/
Estudo sobre cafeína e ansiedade
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41549915/
Ministério da Saúde sobre depressão
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/depressao
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