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sábado, 12 de setembro de 2026

Mitos e verdades sobre oleação: o que o Ayurveda diz sobre o uso de óleos na pele e nos cabelos

Aquecer é obrigatório? Quanto mais tempo o produto ficar no cabelo, melhor? Todo mundo pode usar o mesmo óleo? Nina Habib, terapeuta ayurvédica e fundadora da Taila Veda, esclarece dúvidas sobre uma das práticas mais tradicionais do Ayurveda


A oleação ganhou espaço nos cuidados com a pele e, principalmente, com os cabelos, mas está longe de ser uma prática nova. No Ayurveda, os óleos fazem parte de uma tradição de cuidado que atravessa milhares de anos. Snehana é o termo relacionado à oleação; Abhyanga é a oleação acompanhada da massagem corporal; e Shiro Abhyanga é a prática direcionada à cabeça.

A diferença em relação a muitas das práticas que se popularizaram nas redes sociais está na lógica por trás do uso do óleo. Nessa tradição, não se trata simplesmente de escolher qualquer óleo vegetal e aplicá-lo sobre o corpo ou os cabelos. A escolha da base, as plantas presentes na formulação, a região de aplicação, as características individuais e o momento também são considerados.

O óleo escolhido importa, as plantas presentes naquela formulação importam, a região onde ele será aplicado importa e, principalmente, a pessoa e o momento também importam”, explica Nina Habib, terapeuta ayurvédica e fundadora da Taila Veda, marca brasileira de cosméticos ayurvédicos criada em 2018.

Com estudos e imersões na Índia, Nina aprofundou seus conhecimentos em áreas como Panchakarma, nutrição e culinária medicinal, Rasayana, Dravyaguna, diagnóstico pela língua e saúde da mulher. Ao traduzir essas práticas para a vida contemporânea, ela diferencia aquilo que pertence à tradição ayurvédica das adaptações que utiliza para tornar os rituais possíveis dentro da rotina atual.

A seguir, Nina esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre a oleação:


1. É obrigatório aquecer o óleo antes da aplicação? MITO! 

O óleo pode ser utilizado em temperatura ambiente ou levemente aquecido. Tradicionalmente, o óleo morno aparece em diferentes práticas ayurvédicas e pode tornar a aplicação mais confortável, principalmente nos dias frios, mas o aquecimento não precisa se transformar em uma regra.

Se a pessoa quiser aquecer, pode fazer isso suavemente em banho-maria. Se não quiser, pode utilizar em temperatura ambiente. Para mim, uma prática que realmente acontece na rotina é mais interessante do que um ritual tão cheio de regras que acaba nunca sendo feito”, afirma Nina.


2. Todo óleo funciona da mesma maneira? MITO!

Na visão do Ayurveda, a escolha do óleo também faz parte do cuidado. O óleo de gergelim, por exemplo, tem natureza mais aquecedora, nutritiva e envolvente e pode fazer mais sentido diante de características relacionadas a Vata, como ressecamento, frio, pele ou couro cabeludo secos. Já o coco possui natureza mais refrescante e pode ser escolhido quando se busca maior frescor ou em períodos mais quentes.

A escolha também pode mudar ao longo do tempo, já que o Ayurveda observa o estado atual, o clima, a estação e aquilo que o corpo apresenta naquele momento.

A pergunta ‘qual é o melhor óleo?’ quase nunca está completa. Precisamos perguntar: melhor para quem, em qual momento e para equilibrar quais qualidades?”, explica.


3. Um óleo ayurvédico é simplesmente qualquer óleo vegetal? MITO!

Existem diferentes preparações dentro do Ayurveda, e as plantas presentes em cada formulação também são consideradas de acordo com suas características. Por isso, a análise não se limita à escolha entre bases como gergelim ou coco, mas envolve a preparação como um todo e a finalidade para a qual foi desenvolvida.


4. Na oleação capilar, é preciso encher o comprimento dos fios de óleo? MITO!

No Shiro Abhyanga, o foco está na cabeça e no couro cabeludo. O óleo pode ser distribuído em pequenas quantidades em diferentes regiões, seguido de massagem com as pontas dos dedos. A aplicação no comprimento ou nas pontas pode ser feita, mas não constitui o centro dessa prática.

Gosto de dizer que o couro cabeludo é o solo dos fios e, por isso, o cuidado começa nele. A oleação capilar que se popularizou nas redes sociais muitas vezes colocou toda a atenção no fio; no Shiro Abhyanga, estamos falando da cabeça e do couro cabeludo”, afirma Nina.


5. O cabelo precisa estar limpo para fazer a oleação? MITO!

A oleação pode ser realizada antes da lavagem, inclusive com o couro cabeludo sujo. É dessa forma que Nina costuma adaptar a prática à própria rotina: aplica o óleo diretamente no couro cabeludo, massageia, deixa agir e depois realiza a lavagem normalmente.


6. O Ayurveda orienta a oleação da cabeça apenas uma ou duas vezes por semana? MITO!

Aqui está uma das principais diferenças entre tradição e adaptação. Na visão tradicional do Ayurveda seguida por Nina, a aplicação de óleo na cabeça aparece como uma prática mais frequente e pode fazer parte dos cuidados diários. Isso não significa, porém, que a mesma frequência precise ser reproduzida na vida contemporânea.

Para tornar a prática viável atualmente, Nina costuma orientar quem está começando a fazer a oleação uma vez por semana. Em períodos de cuidado mais intensivo, trabalha com duas a três aplicações semanais e, posteriormente, a frequência pode ser ajustada para manutenção.

Essa frequência é uma adaptação que utilizo para tornar uma prática tradicional possível dentro de uma rotina contemporânea, e não uma regra clássica dizendo que o Ayurveda manda fazer duas vezes por semana”, explica.


7. Existe um tempo perfeito para deixar o óleo agir? MITO!

As duas horas não constituem uma regra universal estabelecida pelo Ayurveda. Esse é o período que Nina costuma utilizar em seu próprio ritual e orientar para os óleos capilares da Taila Veda.

Eu gosto de deixar pelo menos duas horas, mas não existe um tempo perfeito. Se a pessoa consegue permanecer mais tempo, ótimo. Se naquele dia a rotina permite apenas trinta minutos antes da lavagem, também está tudo bem. O cuidado não está apenas no número de horas. Está também na massagem, na frequência e na continuidade”, explica.


8. Quanto mais tempo o óleo ficar, necessariamente melhor? MITO!

Permanecer mais tempo com o óleo pode fazer parte do ritual, mas não existe uma relação proporcional entre número de horas e resultado.

Não é porque alguém deixou quatro horas que necessariamente fez uma prática duas vezes melhor do que quem deixou duas. O tempo é apenas uma parte de um cuidado que também envolve escolha, toque e constância”, afirma Nina.


9. Pode dormir com óleo no cabelo? DEPENDE!

Na visão tradicional aprendida por Nina, a preferência seria realizar a oleação durante o dia e retirar o óleo antes de dormir. Na adaptação para a vida contemporânea, porém, ela considera que o ritual pode ser flexibilizado quando a aplicação noturna é a maneira possível de manter a prática.

Adaptar não significa ignorar a tradição. Significa saber de onde a prática veio, compreender como ela foi ensinada e, a partir daí, encontrar uma forma consciente de trazê-la para a vida que temos hoje”, diz.


10. Cabelo oleoso não pode receber óleo? MITO!

Oleosidade e nutrição não são a mesma coisa. Um couro cabeludo oleoso também pode receber a prática, desde que sejam consideradas a escolha do óleo, a quantidade utilizada e a maneira de aplicação.


11. Todo mundo deve usar o mesmo óleo? MITO!

A escolha pode variar conforme aquilo que é observado em determinado momento. No Força de Gaya, da Taila Veda, por exemplo, existem versões com TCM de coco e óleo de gergelim. A base de TCM tem natureza mais refrescante e pode ser escolhida quando se busca maior frescor ou durante períodos mais quentes. Já o gergelim possui natureza mais aquecedora e nutritiva e pode fazer mais sentido diante de ressecamento, frio, couro cabeludo seco ou fios que pedem mais nutrição.

Isso não significa que uma pessoa precise utilizar sempre a mesma base. As necessidades podem mudar de acordo com o momento, o corpo e as estações do ano.


12. Oleação é apenas hidratação? MITO!

Reduzir Snehana à hidratação deixa de fora parte da lógica dessa prática dentro do Ayurveda. Sneha é uma palavra que estabelece uma relação entre óleo e afeto, e a oleação envolve tanto a substância escolhida quanto o toque.

Quando massageamos o couro cabeludo ou o corpo, existe um momento de percepção que não acontece quando simplesmente aplicamos um cosmético e seguimos o dia”, afirma Nina.

Para Nina, adaptar práticas ayurvédicas à vida contemporânea não significa reproduzir rigidamente uma rotina tradicional, nem retirar sua lógica até transformá-la apenas em uma tendência de beleza. O ponto de partida está em compreender a origem e o propósito da prática para, então, encontrar maneiras possíveis de incorporá-la ao cotidiano.

O Ayurveda não precisa se tornar mais uma cobrança. Para mim, ele precisa ensinar observação. Saber o que estamos utilizando, entender por que aquele óleo faz sentido naquele momento, observar como o corpo responde e construir constância”, conclui.


Para colocar a oleação em prática

Força de Gaya com óleo de gergelim: óleo capilar formulado com Amla, babosa, Bhringaraj e alecrim, tendo o óleo de gergelim como base. Segundo o catálogo da Taila Veda, a versão de energia quente é indicada especialmente para períodos frios ou cabelos muito ressecados.

Força de Gaya com TCM de coco: traz as mesmas quatro plantas, mas utiliza óleo de coco fracionado como base. De energia fria na classificação ayurvédica apresentada pela marca, é a versão indicada para períodos mais quentes e couro cabeludo sensível ou inflamado.

Óleo Shatavari: óleo corporal feminino formulado com raiz de Shatavari e óleo de gergelim. A orientação é aquecer levemente entre as mãos e aplicar com movimentos circulares no ventre ou em outras partes do corpo.

 

Taila Veda

 

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