Mudanças no currículo, reforço de português e matemática, tutoria para alunos com defasagem e novas estratégias de aprendizagem estão entre as medidas adotadas pela rede estadual
O desempenho dos
estudantes da rede estadual de São Paulo no Pisa (Programa Internacional de
Avaliação de Estudantes) 2025 colocou o estado entre os melhores resultados da
América Latina. Os estudantes paulistas tiveram desempenho semelhante aos do
Chile e do Uruguai nas três áreas avaliadas, matemática, leitura e ciências, e
ficaram acima da média brasileira em todas elas.
O bom resultado
paulista contrasta com o pior desempenho registrado por alunos de países mais
desenvolvidos na história do exame - mais de 760 mil alunos de 91 países
participaram. Entre 2022 e 2025, foram registradas quedas na pontuação de
países como Dinamarca (-29), Noruega (-24) e Suécia (-21).
O resultado é
observado após uma série de mudanças implementadas pelo Governo de São Paulo
desde 2023, que envolveu a organização do currículo, o aumento da carga horária
de aulas de língua portuguesa e matemática, ações para recompor aprendizagens e
a adoção de atividades voltadas ao desenvolvimento de competências aplicadas ao
cotidiano.
O que
mudou no currículo?
A partir de 2024,
a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) atualizou as
matrizes curriculares com o objetivo de ampliar as oportunidades de
aprendizagem e aproximar os conteúdos escolares de situações que fazem parte da
vida dos estudantes.
Nos anos finais do
Ensino Fundamental e no Ensino Médio, houve aumento do número de aulas semanais
de língua portuguesa e matemática. Também foram incluídas educação financeira,
orientação de estudos em matemática e língua portuguesa e aulas de projeto de
vida para estudantes de escolas de tempo parcial e integral.
No Ensino Médio, a
organização dos itinerários formativos também foi alterada. As 11 opções
existentes foram reduzidas a três: Exatas, Humanas e Ensino Médio Técnico.
Como a
rede enfrentou as defasagens de aprendizagem?
Além das mudanças
curriculares, a Secretaria adotou medidas específicas para estudantes que ainda
apresentavam dificuldades de aprendizagem relacionadas ao período da pandemia.
Uma delas é o
programa de Tutoria de Aprendizagem, iniciado no segundo semestre de 2024 para
estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. O programa foi ampliado em
2026 e passou a atender mais de 230 mil estudantes, com 3.500 professores
tutores distribuídos pelas 91 Unidades Regionais de Ensino.
As turmas de
tutoria são menores, com entre 10 e 15 alunos, e têm de três a quatro aulas
semanais, com foco em língua portuguesa e matemática. A metodologia utilizada é
baseada no Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA).
O modelo foi inicialmente testado em um projeto-piloto da Universidade de Stanford. Nas avaliações no primeiro e no segundo semestre de 2026, os estudantes apresentaram evolução de 1,7 a 2,9 vezes mais rápida que a média dos estudantes da rede regular.
Educação financeira e robótica
A disciplina de
educação financeira foi incluída, em 2024, para estudantes do 7º e 8º ano do
Ensino Fundamental e da 1ª e 2ª série do Ensino Médio. As aulas abordam temas
como planejamento de orçamento, uso consciente do crédito, prevenção do
endividamento e fundamentos de investimentos.
Já as aulas de
robótica foram integradas à disciplina de tecnologia e inovação para estudantes
do 7º e 8º ano do Ensino Fundamental a partir de 2024. Em 2025, 423 mil alunos
participaram de projetos práticos de robótica, com mais de 3 milhões de atividades
concluídas. Em uma pesquisa interna realizada com 32,3 mil estudantes, 78%
afirmaram perceber conexões diretas entre a robótica e outras disciplinas,
enquanto 82% relataram evolução na aprendizagem.
Projeto
de vida
A disciplina
passou a fazer parte da matriz de todos os estudantes dos anos finais do Ensino
Fundamental, com uma aula semanal fixa. As atividades trabalham
autoconhecimento, planejamento do futuro e tomada de decisões.
Aprendizagem
de inglês
A plataforma
digital SPeak é disponibilizada do 7º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do
Ensino Médio. Em 2025, 1,7 milhão de estudantes estavam ativos na plataforma,
que registrou 58,9 milhões de lições concluídas. A taxa de acesso chegou a
94,8% dos alunos dessas etapas.
Também há o
programa Open English, voltado a estudantes selecionados a partir do
Saresp do 9º ano. As aulas são realizadas durante a 1ª série do Ensino Médio e
preparam os alunos para concorrer às vagas do programa Prontos pro Mundo, que
oferece 1.000 oportunidades anuais de intercâmbio de três meses em países como
Austrália, Canadá, Irlanda e Nova Zelândia.
Tecnologia
aplicada às ciências
A plataforma Alura
foi utilizada, em 2025, por 1,2 milhão de estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino
Fundamental e da 2ª e 3ª série do Ensino Médio. Ao longo do ano, foram enviados
7,3 milhões de projetos.
Entre os conteúdos
trabalhados estão ciência de dados, bioinformática, programação em Python,
modelagem 3D, simulações de ecossistemas e princípios de inteligência artificial
aplicados às ciências biológicas e ambientais.
O que
os resultados do Pisa mostram?
Na edição de 2025,
São Paulo apresentou resultados semelhantes aos do Chile e do Uruguai nas três
áreas avaliadas. Em matemática e ciências, o desempenho paulista foi superior
ao do Chile; em leitura, ficou acima do resultado do Uruguai. Em todas as
áreas, São Paulo ficou acima da média brasileira.
Outro resultado é
a diferença entre estudantes das redes pública e particular. Entre os dez
estados brasileiros com melhor desempenho no Pisa 2025, São Paulo registrou a
menor distância entre as duas redes. Em ciências, área principal da avaliação
nesta edição, a diferença observada em São Paulo foi 23,5 pontos menor que a
registrada em Minas Gerais, estado com a segunda menor distância entre as redes
nesse grupo.
Sobre
o Pisa
Diferentemente
de exames curriculares como o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e
o Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo),
que medem o aprendizado de conteúdos previstos na BNCC (Base Nacional
Curricular Comum) e no Currículo Paulista por ano escolar, o Pisa é uma
avaliação amostral e internacional focada em letramento prático e na capacidade
de resolver problemas do cotidiano. A amostra do Pisa reúne estudantes de 15
anos matriculados a partir do 7º ano do Ensino Fundamental, independentemente
da série em que se encontram. No Brasil, foram avaliados 30.140 alunos. Em São
Paulo, foram 2.239 alunos, selecionados por meio de sorteio.


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