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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Entenda as ações do Governo de São Paulo que fizeram a rede pública estadual alcançar resultado histórico no Pisa 2025

Mudanças no currículo, reforço de português e matemática, tutoria para alunos com defasagem e novas estratégias de aprendizagem estão entre as medidas adotadas pela rede estadual

 

O desempenho dos estudantes da rede estadual de São Paulo no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) 2025 colocou o estado entre os melhores resultados da América Latina. Os estudantes paulistas tiveram desempenho semelhante aos do Chile e do Uruguai nas três áreas avaliadas, matemática, leitura e ciências, e ficaram acima da média brasileira em todas elas.

 

O bom resultado paulista contrasta com o pior desempenho registrado por alunos de países mais desenvolvidos na história do exame - mais de 760 mil alunos de 91 países participaram. Entre 2022 e 2025, foram registradas quedas na pontuação de países como Dinamarca (-29), Noruega (-24) e Suécia (-21). 

 

O resultado é observado após uma série de mudanças implementadas pelo Governo de São Paulo desde 2023, que envolveu a organização do currículo, o aumento da carga horária de aulas de língua portuguesa e matemática, ações para recompor aprendizagens e a adoção de atividades voltadas ao desenvolvimento de competências aplicadas ao cotidiano.

 

O que mudou no currículo?

A partir de 2024, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) atualizou as matrizes curriculares com o objetivo de ampliar as oportunidades de aprendizagem e aproximar os conteúdos escolares de situações que fazem parte da vida dos estudantes.

 

Nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, houve aumento do número de aulas semanais de língua portuguesa e matemática. Também foram incluídas educação financeira, orientação de estudos em matemática e língua portuguesa e aulas de projeto de vida para estudantes de escolas de tempo parcial e integral.

 

No Ensino Médio, a organização dos itinerários formativos também foi alterada. As 11 opções existentes foram reduzidas a três: Exatas, Humanas e Ensino Médio Técnico.

 

Como a rede enfrentou as defasagens de aprendizagem?

Além das mudanças curriculares, a Secretaria adotou medidas específicas para estudantes que ainda apresentavam dificuldades de aprendizagem relacionadas ao período da pandemia.

 

Uma delas é o programa de Tutoria de Aprendizagem, iniciado no segundo semestre de 2024 para estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. O programa foi ampliado em 2026 e passou a atender mais de 230 mil estudantes, com 3.500 professores tutores distribuídos pelas 91 Unidades Regionais de Ensino.

 

As turmas de tutoria são menores, com entre 10 e 15 alunos, e têm de três a quatro aulas semanais, com foco em língua portuguesa e matemática. A metodologia utilizada é baseada no Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA).

 

O modelo foi inicialmente testado em um projeto-piloto da Universidade de Stanford. Nas avaliações no primeiro e no segundo semestre de 2026, os estudantes apresentaram evolução de 1,7 a 2,9 vezes mais rápida que a média dos estudantes da rede regular.

 

Educação financeira e robótica

A disciplina de educação financeira foi incluída, em 2024, para estudantes do 7º e 8º ano do Ensino Fundamental e da 1ª e 2ª série do Ensino Médio. As aulas abordam temas como planejamento de orçamento, uso consciente do crédito, prevenção do endividamento e fundamentos de investimentos.

 

Já as aulas de robótica foram integradas à disciplina de tecnologia e inovação para estudantes do 7º e 8º ano do Ensino Fundamental a partir de 2024. Em 2025, 423 mil alunos participaram de projetos práticos de robótica, com mais de 3 milhões de atividades concluídas. Em uma pesquisa interna realizada com 32,3 mil estudantes, 78% afirmaram perceber conexões diretas entre a robótica e outras disciplinas, enquanto 82% relataram evolução na aprendizagem.

 

Projeto de vida


A disciplina passou a fazer parte da matriz de todos os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, com uma aula semanal fixa. As atividades trabalham autoconhecimento, planejamento do futuro e tomada de decisões.

 

Aprendizagem de inglês


A plataforma digital SPeak é disponibilizada do 7º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio. Em 2025, 1,7 milhão de estudantes estavam ativos na plataforma, que registrou 58,9 milhões de lições concluídas. A taxa de acesso chegou a 94,8% dos alunos dessas etapas.

 

Também há o programa Open English, voltado a estudantes selecionados a partir do Saresp do 9º ano. As aulas são realizadas durante a 1ª série do Ensino Médio e preparam os alunos para concorrer às vagas do programa Prontos pro Mundo, que oferece 1.000 oportunidades anuais de intercâmbio de três meses em países como Austrália, Canadá, Irlanda e Nova Zelândia.

 

Tecnologia aplicada às ciências


A plataforma Alura foi utilizada, em 2025, por 1,2 milhão de estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e da 2ª e 3ª série do Ensino Médio. Ao longo do ano, foram enviados 7,3 milhões de projetos.

 

Entre os conteúdos trabalhados estão ciência de dados, bioinformática, programação em Python, modelagem 3D, simulações de ecossistemas e princípios de inteligência artificial aplicados às ciências biológicas e ambientais.

 

O que os resultados do Pisa mostram?


Na edição de 2025, São Paulo apresentou resultados semelhantes aos do Chile e do Uruguai nas três áreas avaliadas. Em matemática e ciências, o desempenho paulista foi superior ao do Chile; em leitura, ficou acima do resultado do Uruguai. Em todas as áreas, São Paulo ficou acima da média brasileira.

 

Outro resultado é a diferença entre estudantes das redes pública e particular. Entre os dez estados brasileiros com melhor desempenho no Pisa 2025, São Paulo registrou a menor distância entre as duas redes. Em ciências, área principal da avaliação nesta edição, a diferença observada em São Paulo foi 23,5 pontos menor que a registrada em Minas Gerais, estado com a segunda menor distância entre as redes nesse grupo.

 


Sobre o Pisa

Diferentemente de exames curriculares como o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e o Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), que medem o aprendizado de conteúdos previstos na BNCC (Base Nacional Curricular Comum) e no Currículo Paulista por ano escolar, o Pisa é uma avaliação amostral e internacional focada em letramento prático e na capacidade de resolver problemas do cotidiano. A amostra do Pisa reúne estudantes de 15 anos matriculados a partir do 7º ano do Ensino Fundamental, independentemente da série em que se encontram. No Brasil, foram avaliados 30.140 alunos. Em São Paulo, foram 2.239 alunos, selecionados por meio de sorteio.


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