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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Presbiopia depois dos 40: novas tecnologias ampliam as possibilidades além dos óculos

 Especialista explica como diferentes perfis visuais exigem soluções personalizadas para leitura, telas, direção e atividades do dia a dia  

 

A dificuldade para ler mensagens no celular, enxergar letras pequenas ou trabalhar diante de uma tela costuma aparecer a partir dos 40 anos. É quando começa a se manifestar com mais frequência a presbiopia, conhecida como vista cansada, uma alteração natural do envelhecimento em que o cristalino perde gradualmente a capacidade de mudar de forma para focalizar objetos próximos. 

Em uma atualização publicada em fevereiro de 2026, a Organização Mundial da Saúde estima que mais de 800 milhões de pessoas tenham comprometimento da visão de perto associado à presbiopia e projeta que a condição alcance 2,1 bilhões de pessoas até 2030. No Brasil, o envelhecimento da população amplia a relevância do tema: dados divulgados pelo IBGE em dezembro de 2025 mostram que o número de pessoas com 60 anos ou mais chegou a 34,1 milhões em 2024, crescimento de 53,3% em relação a 2012.

Para Arthur van den Berg, médico oftalmologista, especialista em lentes intraoculares de alta tecnologia e criador do Protocolo VDB, entender essa mudança é o primeiro passo para discutir alternativas além da simples multiplicação dos óculos ao longo da rotina. Com 20 anos de carreira e mais de 20 mil cirurgias realizadas, o médico defende que a decisão deve começar pela avaliação das necessidades visuais de cada paciente.

“Não existe uma única solução para todas as pessoas. Antes de discutir qualquer procedimento, é preciso entender como aquele paciente trabalha, dirige, pratica esportes, usa telas, lê e quais são suas expectativas. A estratégia precisa acompanhar a vida do paciente, e não apenas um número encontrado no exame”, afirma van den Berg. 


O que acontece com a visão depois dos 40

A presbiopia ocorre porque o cristalino, estrutura natural localizada dentro do olho e responsável por ajudar no foco, torna-se progressivamente menos flexível. Com isso, atividades como ler, usar o celular, trabalhar diante do computador ou enxergar pequenos detalhes de perto podem começar a exigir mais esforço. Entre os sinais mais comuns estão a necessidade de afastar textos e telas, cansaço visual e dor de cabeça.

É nesse período que muitas pessoas passam a incorporar diferentes óculos à rotina, seja para leitura, computador ou outras atividades. Eles continuam sendo uma das principais formas de correção da presbiopia, mas não são a única alternativa disponível. Dependendo das características dos olhos, da idade, do grau, da condição do cristalino e das necessidades visuais de cada paciente, outras estratégias podem ser avaliadas pelo oftalmologista, incluindo lentes de contato, procedimentos a laser para correção do grau em casos selecionados e, quando indicado, procedimentos cirúrgicos com implante de lentes intraoculares.

Segundo Arthur van den Berg, a dificuldade para enxergar de perto já é motivo para uma avaliação oftalmológica, principalmente quando começa a interferir nas atividades cotidianas. “Quando a pessoa percebe que precisa afastar o celular, aumentar constantemente a fonte da tela, buscar mais iluminação para ler ou começa a depender dos óculos para tarefas que antes realizava naturalmente, é importante investigar. Primeiro precisamos entender se aquela dificuldade é realmente decorrente da presbiopia e avaliar toda a saúde do olho. Só depois é possível discutir qual caminho faz sentido”, explica.

A presbiopia pode ser tratada de diferentes formas, e a cirurgia com lentes intraoculares é uma das opções para pacientes que desejam reduzir a dependência dos óculos. A indicação é feita a partir de uma avaliação individual, que considera aspectos como córnea, retina, grau, características do cristalino, presença ou não de catarata, histórico ocular e expectativas do paciente.

Embora o procedimento cirúrgico seja relativamente rápido, van den Berg ressalta que o resultado começa muito antes do centro cirúrgico, com a correta seleção do paciente, da lente e da estratégia para cada olho. 

“Para pacientes que buscam mais liberdade dos óculos, a cirurgia com lentes intraoculares é uma alternativa que pode proporcionar maior independência visual no dia a dia, quando houver indicação. A escolha da lente e da técnica é personalizada de acordo com a saúde ocular, as características do cristalino e a rotina de cada paciente”, afirma van den Berg.


Lentes intraoculares ampliaram as possibilidades

As lentes intraoculares evoluíram para diferentes desenhos ópticos. Hoje existem, entre outras opções, modelos monofocais, multifocais, trifocais e de profundidade de foco estendida, conhecidos como EDOF. Cada tecnologia apresenta características próprias e pode priorizar diferentes distâncias de visão.

Uma revisão científica publicada em 2026 sobre as tecnologias utilizadas para correção da presbiopia reforçou justamente a necessidade de selecionar a lente de acordo com as necessidades individuais do paciente. Os autores destacam que anatomia ocular, expectativas e demandas visuais devem fazer parte da decisão e que tecnologias mais recentes ainda precisam de acompanhamento contínuo por estudos clínicos.

“Quando o objetivo é buscar maior independência dos óculos, a escolha da lente deve considerar as características de cada olho e a rotina do paciente. Hoje, contamos com diferentes tecnologias que permitem personalizar o tratamento e buscar o melhor resultado visual para cada perfil. Essa precisão começa na avaliação e se estende à escolha da lente e ao planejamento da cirurgia”, explica o oftalmologista.

No PROTOCOLO VDB®, essa avaliação é estruturada a partir do Mapa da Sua Visão, que integra exames, características dos olhos e demandas do estilo de vida para orientar um planejamento individualizado. A proposta é avaliar não apenas a condição ocular, mas também as distâncias e atividades que mais interferem no cotidiano do paciente.


Independência visual também passa pela rotina

A busca por maior independência dos óculos se relaciona ainda à mudança no perfil de quem atravessa os 40, 50 e 60 anos mantendo uma rotina profissional, esportiva e social ativa. Trabalhar em diferentes telas, dirigir, viajar, correr, cozinhar e acompanhar informações no celular exigem transições frequentes entre visão de longe, intermediária e de perto.

Para van den Berg, é nesse ponto que a discussão deixa de ser exclusivamente sobre acuidade visual. “Enxergar bem também significa ter autonomia para realizar atividades sem precisar interromper o tempo todo o que está fazendo para procurar ou trocar os óculos. Quando existe indicação médica, as lentes intraoculares podem proporcionar maior independência visual e ampliar a liberdade no dia a dia”, ressalta.

Nesse contexto, a evolução das tecnologias para correção da presbiopia amplia as possibilidades para quem deseja manter uma rotina ativa com mais praticidade visual. Para quem começa a perceber que os braços parecem “curtos demais” para afastar o celular ou o cardápio, portanto, a mudança pode ser natural da idade. O que mudou foi o número de possibilidades disponíveis para lidar com ela. Entre elas, estão as tecnologias que, quando houver indicação médica, podem proporcionar maior independência visual, liberdade no dia a dia e qualidade de vida.

   

Arthur van den Berg - médico oftalmologista, cirurgião e criador do PROTOCOLO VDB®, com 20 anos de atuação na medicina e mais de 20 mil cirurgias realizadas. Especializado em cirurgia do cristalino e lentes intraoculares de alta tecnologia, trabalha com planejamento individualizado para pacientes que buscam maior independência dos óculos, sempre de acordo com a indicação médica de cada caso. Realizou sua formação em Oftalmologia na Santa Casa de São Paulo, especializado em cirurgia de implante de lentes intraoculares de alta tecnologia pela Medical University of South Carolina, nos Estados Unidos, pós-graduado em Liderança Cirúrgica pela Universidade de Harvard e doutorando pela Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, onde desenvolve pesquisa relacionada a lentes intraoculares de alta tecnologia. Também participou, durante mais de cinco anos, da formação e do treinamento de novos cirurgiões na instituição e é autor de dezenas de artigos científicos publicados em revistas internacionais. À frente do PROTOCOLO VDB®, reúne exames de alta precisão, tecnologia, experiência cirúrgica e análise do estilo de vida de cada paciente para definir a estratégia mais adequada. Seu trabalho tem como principais áreas a cirurgia do cristalino, presbiopia, catarata, correção de astigmatismo e lentes intraoculares, com foco em independência visual, liberdade no dia a dia e qualidade de vida.
Para mais informações, acesse instagram e linkedin.


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