Ampolas produzidas
por farmácias magistrais chegam com valores inferiores ao Mounjaro e ganham
espaço entre pacientes que buscam alternativas acessíveis.
Enquanto o lançamento do Ozivy, o "Ozempic
brasileiro", dominou os noticiários nas últimas semanas, outro segmento do
mercado de emagrecedores cresceu de forma expressiva: o de tirzepatida
manipulada. Diferentemente do Mounjaro, caneta autoinjetável industrializada
que chegou às farmácias em maio de 2025 por valores a partir de R$ 1.400
mensais após o reajuste de 2026, a versão produzida por magistrais chega ao
paciente em ampolas de vidro, com dose personalizada conforme prescrição
médica, a uma fração do custo.
"Os fabricantes começam vendendo em torno de
200 pedidos e rapidamente, quando atingem seu público-alvo e firmam parcerias
com médicos, chegam a 600, 800, 1.000 entregas por mês. É um crescimento de
aproximadamente 20% a cada 30 dias", afirma Ricardo Canteras, diretor
Comercial e de Operações da Temp Log, única operadora de cadeia fria do Brasil
especializada no transporte de produtos para a medicina estética e que
registrou aumento significativo no último ano.
A operação começa quando os laboratórios recebem o
insumo farmacêutico ativo, a maioria importado da China por distribuidores
intermediários, e produzem as ampolas individuais conforme prescrição médica.
“Coletamos os pedidos já embalados e os entregamos diretamente na residência do
paciente, em todo o país. Um frasco equivale a aproximadamente quatro semanas
de tratamento”, comenta Canteras.
O deslocamento, porém, exige cuidados específicos
já que, ao contrário das versões industrializadas, os recipientes de vidro são
mais frágeis e demandam acondicionamento reforçado para evitar danos no percurso.
"As canetas praticamente não apresentam risco
de avaria já com as ampolas, o cuidado precisa ser redobrado. Os laboratórios
têm utilizado, além do plástico bolha, estruturas de proteção mais robustas
para garantir que o frasco chegue intacto ao destino", explica. As
exigências de temperatura são as mesmas, ou seja, manutenção entre 2°C e 8°C do
início ao fim da distribuição.
A permissão para produzir a tirzepatida no Brasil
foi consolidada pela Nota Técnica 92/2024 da Anvisa, que estabelece que a substância
pode ser feita por farmácias magistrais desde que atendidas as Boas Práticas de
Manipulação com receita individualizada e controle de qualidade e
rastreabilidade.
A patente do Mounjaro segue válida até 2036, o que
torna o modelo personalizado a única alternativa acessível disponível para
pessoas que buscam o tratamento sem arcar com o custo do produto
industrializado.
"Enquanto a Anvisa permitir a manipulação,
acredito que esse mercado continuará em expansão, pois a demanda é real e o
acesso pela via magistral ainda é a principal porta de entrada para grande
parte dos pacientes", conclui Ricardo.
TEMP LOG
www.templog.net
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