Para muitas famílias, o cachorro não é apenas um animal de estimação, é um membro da casa. E, assim como qualquer outro integrante do lar, também precisa de cuidados médicos preventivos para que tenha uma boa qualidade de vida - além, é claro, de evitar a circulação de doenças típicas desses pets, como a raiva e a cinomose. Entender, portanto, quais vacinas um cachorro precisa tomar deixa de ser apenas uma recomendação veterinária e passa a ser uma responsabilidade essencial de todo tutor.
As vacinas V8 e V10 estão entre as mais importantes
do calendário vacinal canino. Chamadas de vacinas múltiplas (ou polivalentes),
são responsáveis por imunizar os cães contra um conjunto de vírus e bactérias
comuns no ambiente, especialmente perigosos para filhotes. A primeira protege
contra oito agentes infecciosos, incluindo cinomose;
parvovirose; adenovirose canina e leptospirose. Já a V10, por
sua vez, inclui tudo que a V8 oferece, além de uma proteção ampliada contra leptospirose,
expandindo sua cobertura para quatro sorovares da doença.
Ambas se destacam pois, além de protegerem o pet
contra doenças altamente fatais, também impedem que contaminem seres humanos,
pelo alto grau de contágio de algumas delas, como acontece com a
leptospirose. Hoje
em dia, a WSAVA (Associação Mundial de Veterinários de Pequenos
Animais) determina que o filhote precisa até de quatro doses de v8 ou v10,
dependendo da região onde esse animal se encontra, considerando que existem
locais mais endêmicos que outros. Todo ano, o pet deve passar pelo
veterinário a fim de manter esse protocolo em dia.
Não há como deixar de fora dessa lista a vacina
contra a raiva, a mais crítica para esses pets. Isso porque, diferentemente de
outras doenças, ela não se trata apenas de uma proteção do pet, mas
de um imunizante contra uma doença fatal, zoonótica e sem
cura. No Brasil, o protocolo padrão determina a aplicação da primeira dose
a partir dos três meses de idade, com reforço anual obrigatório independentemente
de raça.
Segundo dados do Ministério da Saúde, nosso país
está há 10 anos sem casos de raiva humana transmitida por cães - não porque
doença desapareceu, mas sim pelo fato de estar controlada graças à vacinação
canina. Sem essa conscientização e cumprimento, o risco de infecção aumenta drasticamente,
assim como sua evolução rápida para sintomas neurológicos graves. Um único
animal diagnosticado pode colocar várias pessoas em risco.
Garantir que um cachorro esteja devidamente
vacinado não deve ser encarado como uma tarefa isolada — nem exclusivamente do
veterinário, nem apenas do tutor. Trata-se de uma responsabilidade
compartilhada, onde a informação precisa circular com clareza e
constância. Nesse sentido, enquanto os profissionais de saúde animal precisam
orientar, educar e reforçar a importância dos protocolos vacinais, é
responsabilidade do pai e mãe do pet assumir uma postura ativa, buscando
entender o porquê de cada vacina, os riscos envolvidos e os impactos da
negligência.
Ao manter esse calendário em dia, o tutor não está
apenas protegendo seu companheiro, mas contribuindo para um ambiente mais
seguro para todos. Criar uma cultura de prevenção no cuidado com os pets não
precisa ser complexo – contudo, quando o conhecimento falta, a prevenção
falha, sendo que as consequências, quase sempre, poderiam ser evitadas.
Nathali Vieira - médica veterinária na Pet de TODOS.
Pet de TODOShttps://petdetodos.com.br/
Nenhum comentário:
Postar um comentário