Escrito por Vinícius Ferreira, romance policial
noir aborda a exclusão social e a corrupção presentes no Brasil ao narrar as
investigações de um crime brutal
Na
pacata Cataguases, do interior de Minas Gerais, os habitantes costumam ter
uma vida tão tranquila que investigar crimes hediondos raramente
faz parte da rotina policial. Porém, essa quietude se transforma
em medo quando três crianças são encontradas mortas em um galpão abandonado em
uma área residencial nobre.
Bartolomeu
Franco assume a investigação desse caso, ao lado do parceiro Cenoura, no
romance policial Não
existe acaso no inferno,
escrito por Vinícius
Ferreira. As vítimas foram
encontradas com maquiagem e uniformes escolares, sem nenhum sinal de
violência. Em suas gargantas, havia um anel metálico com uma
expressão em latim, e o local onde estavam havia
sido registrado como uma igreja – apesar de ser um espaço
desabitado.
Enquanto descobrem
novas informações, principalmente sobre um fanático religioso obcecado
pelo “décimo primeiro mandamento”, os protagonistas adentram um labirinto de
corrupção que desafia as estruturas de uma sociedade marcada pelo
silêncio. Durante o trabalho, ambos revelam como um crime perverso pode
acontecer à vista daqueles que, da janela de seus condomínios caros,
preferem ignorar a dor de seus vizinhos.
Ao
atravessar temas como as desigualdades sociais e os abusos de poder, o
autor revela um Brasil sombrio através das lentes
do noir. A partir de elementos clássicos desse
subgênero policial, a obra imerge em uma realidade que
muitos fingem não existir, mas que permeia todas as relações no país.
Quantas doses de verdades existem numa mentira?
O que é a mentira? É com intenção de mentir que se anuncia uma meia verdade? O
meu xadrez, o meu quebra-cabeça. Fazia os movimentos, a montagem. Ambos não me
estimulavam e nem me divertiam. Eu tinha raiva. Muita raiva por saber que o
Laércio Mendes não se preocupava em apurar suas informações. Não investigava,
não checava nem mesmo a idoneidade das fontes dele. Na sua balança ética, eram
os montantes depositados na conta de cada um dos pratos os responsáveis
pela decisão de qual devia pesar mais.
(Não existe acaso no
inferno, p. 79)
À
medida que a trama avança, os leitores também precisam questionar seus
limites éticos devido à ambiguidade moral dos
personagens. Bartolomeu, por exemplo, precisou colocar o pai em um
asilo e alimenta a culpa de não dar atenção à família. Apesar dos diversos
problemas com o patriarca, que sempre desaprovou a profissão do filho,
vive o sonho de uma conciliação aparentemente impossível por causa da
demência do velho.
“A
ideia deste livro nasceu de uma história que ouvi quando era criança, sobre um
amigo do meu tio que havia comprado uma casa antiga. Ao iniciar os trabalhos de
demolição, o proprietário teria descoberto um cadáver oculto no revestimento do
banheiro. Essa história me perseguiu por anos, porque ninguém nunca soube
de quem era o corpo, e me trouxe uma reflexão: nem todos os mortos têm seus
nomes conhecidos”, afirma o escritor.
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| Divulgação Faria e Silva |
FICHA TÉCNICA
Título: Não existe acaso no inferno
Autor: Vinícius Ferreira
Editora: Faria e Silva
ISBN: 9786560252974
Páginas: 168
Preço: R$ 50,42 (físico) | R$ 37,70 (e-book)
Onde encontrar: Amazon | Alta Books
Vinícius
Ferreira é professor de Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade
Federal de Juiz de Fora (UFJF), doutor em Estudos Literários, mestre em Letras
e especialista em Ciências Humanas, com pesquisas relacionadas a ensino de
literatura, colonialismo e desigualdade cultural. Como escritor, publicou
os livros de contos “Uma ou outra forma de tirania”, “As mãos
ásperas” e “Acerto de contas”, além das novelas “E se estivesse
escuro?” e “Noturno em Vista Alegre”. Em 2021, seu conto “O Mineiro” conquistou
a segunda colocação no concurso Ana Maria Martins, promovido pela União
Brasileira de Escritores (UBE). Agora, lança o romance noir Não existe acaso
no inferno.
Instagram: @viniciusferreiranoir

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