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sábado, 11 de abril de 2026

Não existe acaso no inferno

 

Escrito por Vinícius Ferreira, romance policial noir aborda a exclusão social e a corrupção presentes no Brasil ao narrar as investigações de um crime brutal

 

Na pacata Cataguases, do interior de Minas Gerais, os habitantes costumam ter uma vida tão tranquila que investigar crimes hediondos raramente faz parte da rotina policial. Porém, essa quietude se transforma em medo quando três crianças são encontradas mortas em um galpão abandonado em uma área residencial nobre.

Bartolomeu Franco assume a investigação desse caso, ao lado do parceiro Cenoura, no romance policial Não existe acaso no inferno, escrito por Vinícius Ferreira. As vítimas foram encontradas com maquiagem e uniformes escolares, sem nenhum sinal de violência. Em suas gargantas, havia um anel metálico com uma expressão em latim, e o local onde estavam havia sido registrado como uma igreja – apesar de ser um espaço desabitado.

Enquanto descobrem novas informações, principalmente sobre um fanático religioso obcecado pelo “décimo primeiro mandamento”, os protagonistas adentram um labirinto de corrupção que desafia as estruturas de uma sociedade marcada pelo silêncio. Durante o trabalho, ambos revelam como um crime perverso pode acontecer à vista daqueles que, da janela de seus condomínios caros, preferem ignorar a dor de seus vizinhos.

Ao atravessar temas como as desigualdades sociais e os abusos de poder, o autor revela um Brasil sombrio através das lentes do noir. A partir de elementos clássicos desse subgênero policial, a obra imerge em uma realidade que muitos fingem não existir, mas que permeia todas as relações no país.

Quantas doses de verdades existem numa mentira? O que é a mentira? É com intenção de mentir que se anuncia uma meia verdade? O meu xadrez, o meu quebra-cabeça. Fazia os movimentos, a montagem. Ambos não me estimulavam e nem me divertiam. Eu tinha raiva. Muita raiva por saber que o Laércio Mendes não se preocupava em apurar suas informações. Não investigava, não checava nem mesmo a idoneidade das fontes dele. Na sua balança ética, eram os montantes depositados na conta de cada um dos pratos os responsáveis pela decisão de qual devia pesar mais. 
(Não existe acaso no inferno, p. 79)

À medida que a trama avança, os leitores também precisam questionar seus limites éticos devido à ambiguidade moral dos personagens. Bartolomeu, por exemplo, precisou colocar o pai em um asilo e alimenta a culpa de não dar atenção à família. Apesar dos diversos problemas com o patriarca, que sempre desaprovou a profissão do filho, vive o sonho de uma conciliação aparentemente impossível por causa da demência do velho.

“A ideia deste livro nasceu de uma história que ouvi quando era criança, sobre um amigo do meu tio que havia comprado uma casa antiga. Ao iniciar os trabalhos de demolição, o proprietário teria descoberto um cadáver oculto no revestimento do banheiro. Essa história me perseguiu por anos, porque ninguém nunca soube de quem era o corpo, e me trouxe uma reflexão: nem todos os mortos têm seus nomes conhecidos”, afirma o escritor.

Divulgação
 Faria e Silva

FICHA TÉCNICA

Título: Não existe acaso no inferno
Autor
: Vinícius Ferreira
Editora: Faria e Silva
ISBN: 9786560252974
Páginas: 168
Preço: R$ 50,42 (físico) | R$ 37,70 (e-book)
Onde encontrarAmazon | Alta Books

 

Vinícius Ferreira é professor de Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), doutor em Estudos Literários, mestre em Letras e especialista em Ciências Humanas, com pesquisas relacionadas a ensino de literatura, colonialismo e desigualdade cultural. Como escritor, publicou os livros de contos “Uma ou outra forma de tirania”, “As mãos ásperas” e “Acerto de contas”, além das novelas “E se estivesse escuro?” e “Noturno em Vista Alegre”. Em 2021, seu conto “O Mineiro” conquistou a segunda colocação no concurso Ana Maria Martins, promovido pela União Brasileira de Escritores (UBE). Agora, lança o romance noir Não existe acaso no inferno.

Instagram@viniciusferreiranoir


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