Lindo ver as imagens da Lua bem de pertinho feitas pelos astronautas da Artemis, a bolinha em cinza, em cores, no escuro, no claro. E a Terra, outra bolinha, mas nos mesmos dias pegando fogo em seus atritos políticos, religiosos, de poder. Tudo na mesma semana, ironia.
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Não é de hoje que andamos vivendo é literalmente no tal Mundo da
Lua. Distraídos, meio alheios ao tanto que acontece ao nosso redor, sem
prestar atenção ao que aparece tão claro à nossa frente, inclusive aos
perigos que avançam, como foguetes. Que começam, como dizemos, lá em cima, em
quem está no topo da cadeia de comandos, muitas vezes, eleitos. |
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Como suportar silente tanta violência, tantas guerras, ameaças?
O perigo claro de saber de um homem a cada dia mais desequilibrado e perigoso
dirigindo a maior potência do planeta, ameaçando acabar com uma civilização,
como disse com todas as letras, e praticamente nada acontecer de objetivo, a
não ser umas declarações bem chinfrins e fraquinhas aqui e ali. Ficamos todos
esperando com o coração aos pulos o relógio bater nove da noite, hora limite
imposta, vendo o sobe e desce dos mercados, acompanhando como se fosse ficção
o que se desenrolava. Aí aparece o anúncio de uma trégua tão frágil que não
precisou nem de duas semanas para derreter; em algumas horas já era dúvida,
tão mal combinada entre todos. Assustador, porque a escala está avançando –
não só no Oriente Médio, mas nas esquinas do nosso continente. Assim seguimos
para o próximo capítulo, próxima temporada, ameaça, devaneio, manchete.
Claro, com muita gente ganhando dinheiro com tudo isso. |
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A natureza fica tentando mandar sinais de todos os tipos, e até
São Paulo assistiu a beleza de um arco-íris duplo no amanhecer desses dias
tensos, uma rara visão e formação nessa atabalhoada metrópole. Aqui onde a
polícia mata, despreparada e assustada, por qualquer movimento em falso, como
uma mão bater em um retrovisor de uma viatura. A mesma que protege o coronel
feminicida destruidor de vidas, e pagando a ele caros soldos por entre as
frágeis grades de cadeia especial. |
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Mas os tabefes vêm de todo os lados. Já está sabendo do
documentário Netflix com a entrevista de uma risonha Suzane von Richthofen?
Sim, aquela lá que planejou a morte dos pais a pauladas. Tá na boa: ganhou,
dizem, meio milhão de reais, para dar entrevista, mostrar o filho. O atual
marido ganhou para dar entrevista; quem mais falar ganhou também. Fora levar
– digamos, cuidar do espólio – outros cinco milhões deixados por um
tio falecido recentemente. Virou mesmo um ícone do crime, dessa nova
modalidade de influencers que matam, roubam, seduzem, exploram, mentem,
etc, etc, que essa lista é longa. A glamourização do mal. |
Talvez tudo isso
explique, enquanto continuamos passivamente no Mundo da Lua, porque tudo só
piora. E, pelo visto, ainda planejam literalmente que em breve ocupemos esse
tal mundo. Olha a gravidade. Precisaremos por os pés no chão antes disso.
MARLI GONÇALVES – Jornalista, cronista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
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