Dificuldades nas tarefas domésticas, associadas a mudanças de humor e disposição, podem sinalizar a necessidade de avaliação profissional, segundo especialista do CEJAM
Pequenas
mudanças no comportamento e na rotina de pessoas idosas despontam como os primeiros indícios de perda
de autonomia. Variações no
ritmo das atividades diárias, um maior cansaço para tarefas simples,
esquecimentos frequentes ou a diminuição da participação social costumam surgir de forma gradual e, muitas vezes, são atribuídas ao envelhecimento natural.
No
entanto, especialistas alertam que esses
sinais, aparentemente inofensivos, podem
sinalizar
o início de um quadro de fragilidade física ou cognitiva. Dificuldades progressivas em
atividades antes triviais, como organizar a casa, preparar refeições ou cuidar
da própria higiene, associadas
a oscilações na
disposição,
iniciativa ou humor, demandam atenção imediata e apontam para a necessidade de avaliação profissional.
Segundo
Dr. Raul Queiroz Mota de Sousa, médico da Família e
Comunidade, da UBS Jardim Valquíria, unidade administrada pelo CEJAM – Centro
de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, em parceria com a Secretaria
Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), o declínio da autonomia raramente acontece de forma repentina.
“Na
maioria dos casos, esse processo ocorre de forma lenta e progressiva. O que
costuma aparecer primeiro são pequenas variações no
ritmo do idoso: ele passa a caminhar mais devagar, se cansa com mais facilidade
ou começa a evitar
atividades que antes fazia naturalmente. Quando percebidas no início, há mais
oportunidade de intervir e preservar a funcionalidade”, explica.
Outro
sinal silencioso é o isolamento social, percebido pela redução do
convívio com
familiares, amigos ou grupos comunitários. Esse afastamento pode estar relacionado a limitações físicas, mas
também a questões emocionais
ou cognitivas.
“O
isolamento muitas vezes antecede sinais mais claros de declínio. Pode surgir
por medo de quedas, insegurança para realizar tarefas ou até por alterações de
memória e humor. Por isso, quando o idoso começa a se afastar das atividades
sociais, é importante que a família observe com atenção e busque orientação”,
acrescenta o especialista.
Nas
unidades de saúde gerenciadas pelo CEJAM, a identificação precoce dessas
transformações é um pilar fundamental da linha de cuidado voltada à saúde da pessoa
idosa.
A partir dos 60 anos, todos os pacientes são submetidos à Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (AMPI), uma
ferramenta robusta que rastreia aspectos físicos, cognitivos e sociais para antecipar e
identificar vulnerabilidades.
De
acordo com o médico, é esse acompanhamento contínuo e personalizado que permite
uma compreensão aprofundada das necessidades de cada paciente. Perceber mudanças que fogem do padrão habitual e buscar
prontamente orientação de profissionais de saúde são ações que podem
transformar o prognóstico, garantindo um diagnóstico mais precoce e a adoção de
estratégias eficazes para preservar a autonomia e a qualidade de vida ao longo
de todo o envelhecimento.
“O monitoramento longitudinal possibilita observar mudanças sutis e agir antes que a perda de autonomia se consolide. A partir da avaliação, conseguimos direcionar intervenções proporcionais ao grau de vulnerabilidade, fortalecendo a funcionalidade e a participação social do idoso”, finaliza.
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial

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