Esse importante alimento, que está na base
nutricional de várias populações mundo afora, infelizmente tem sido uma das
vítimas das informações falsas e mitos que não têm nenhuma comprovação
Em
tempos de redes sociais, em que mentiras e informações falsas viraliza a uma
velocidade assustadora, é importante refletirmos sobre a qualidade das
informações que recebemos e compartilhamos. Quando essas informações erradas
podem afetar a nossa saúde e alimentação, o cuidado precisa ser redobrado.
O leite, alimento que está na base nutricional de várias populações mundo
afora, infelizmente tem sido uma das vítimas das fake news. Inúmeros perfis nas
redes sociais e até mesmo em veículos de comunicação com certa credibilidade
difundem recorrentemente informações equivocadas e, por vezes, até falsas sobre
o leite.
Para não cair nas armadilhas das falsas informações e deixar de usufruir os
vários benefícios que esse importante alimento pode oferecer, confira cinco
mitos sobre o leite, que estão de contato:
1 - O leite é um alimento inflamatório
Essa é uma mentira recorrente, e que pode estar impactando no não
cumprimento da meta definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que
preconiza o consumo de 200 litros per capita anuais, para uma dieta considerada
saudável e balanceada. De acordo com a nutricionista Carolina Nobre, que atua
no centro clínico Órion Complex, em Goiânia, esse questionamento se difundiu
muito em conteúdos sensacionalistas da internet.
Segundo ela, o leite não é inflamatório para a grande maioria da população
mundial. O que há, na verdade, são peculiaridades sobre de cada organismo em
relação ao consumo do leite. “Muitas vezes, encontramos pessoas
produzindo conteúdo rápido e superficial, que é o que mais vende e chama
atenção, mas não fazem uma pesquisa de fato ou aprofundam o conteúdo. Na
verdade, o que existe são particularidades de cada organismo, e essas
afirmações generalistas só colaboram para a desinformação”, explica a
nutricionista.
Segundo a nutricionista, é um equívoco atribuir ao leite, em especial o de
vaca, o poder de inflamar ou não a um único alimento. “Temos que olhar para o
contexto da alimentação. Uma pessoa que tem em sua rotina o hábito de comer
muitos alimentos industrializados, embutidos, e cheios de conservantes, cria um
contexto propício para essa inflamação do corpo. A verdade é que apenas pessoas
com alergia à Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) ou intolerância à
lactose podem ter desconforto após o consumo. E mesmo assim, aquelas que têm
intolerância podem consumir o leite sem lactose ou fazer uso de medicamentos
que ajudam na digestão da lactase”, explica a nutricionista.
2. O leite desnatado é leite integral com água
Essa é outra mentira antiga sobre o leite de vaca. O leite, naturalmente,
já é composto por 87% de água, mas em momento algum nos processos de
esterilização e de pasteurização é inserido água no alimento, seja o leite
integral, semidesnatado ou desnatado. De acordo com Vinícius Junqueira, diretor
da indústria de laticínios Marajoara, em Goiás, o que diferencia esses três
tipos de leite é o percentual de gordura em cada um.
“Os leites desnatados ou semidesnatados, nada mais são do que o leite integral
com um percentual de gordura bem menor. Não há inserção de água nesse processo,
só a redução da quantidade de gordura. A redução desse teor não afeta em nada o
nível de nutrientes, que são a vitaminas, proteínas e sais minerais. O que é
reduzido de fato é só a gordura do leite””, explica o diretor da indústria.
3. É necessário ferver o leite de caixinha antes de consumir
Esse é um mito sobre leite que pode ter se mantido devido às antigas formas
de comercialização do produto, quando muitas vezes era vendido em embalagens de
plásticos (o antigo leite de saquinho) ou diretamente pelo produtor. Mas, com o
advento do processo UHT (Ultra High Temperature ou Ultra Alta
Temperatura) e das embalagens longa vida, o procedimento de ferver o leite para
ser consumido é totalmente desnecessário, a não ser que você prefira um leite
quentinho ou morno.
Vinícius Junqueira, da indústria Marajoara, explica que o UHT é um processo de
esterilização que elimina 99,9% das bactérias do leite, não sendo necessário
fervê-lo antes do consumo. E o envase em embalagem asséptica, hermética e sem
contato com a luz, assegura a conservação do alimento fora de refrigeração por
até quatro meses. Ele só lembra porém, que após aberta a embalagem, aí sim o
leite deve ser mantido refrigerado e consumido em até três dias. “Com o uso da
técnica UHT e das embalagens longa vida é possível transportar o produtor para
distâncias bem maiores e com isso chegar a muito mais pessoas”, diz Vinícius.
4. Alergia ao leite e intolerância à lactose são a mesma coisa
Essa é uma mentira que pode custar caro para a saúde de quem a considera
verdade. De acordo com a nutricionista Yumi Kuramoto, nutricionista que atende
no Órion Complex, em Goiânia, intolerância à lactose e alergia ao leite são
coisas bem diferentes e requerem cuidados específicos ao se consumir o
leite.
Segundo ela, a alergia é um quadro mais grave em que o sistema imunológico da
pessoa reage a determinados alimentos ou alguns de seus componentes. Para
algumas pessoas, o leite pode ser um desses alimentos alérgicos, e nessa
situação o seu consumo deve ser totalmente restringido. Já a intolerância à
lactose não é uma alergia, mas sim uma dificuldade maior de digerir esse açúcar
existente no leite. “Essa é uma reação que pode ou não ocorrer e varia de
pessoa para para pessoa, inclusive, pode ser que a intolerância não se
manifeste numa determinada fase de vida, mas ocorra em outro momento”,
esclarece a nutricionista.
Ela destaca que hoje, para contornar essa questão da intolerância à lactose, já
existem várias opções de medicamentos modernos que auxiliam na digestão da
lactose e há também o leite sem lactose, em cujo a composição, este tipo de
açúcar já é processado. “Vale lembrar que os sintomas de alergia costumam ser
bem mais intensos e graves do que a intolerância alimentar, que em geral se
restringem a um desconforto intestinal”, alerta Yumi.
5. O leite UHT é totalmente modificado e cheio de substâncias tóxicas
Essa é uma mentira que já foi desmentida por informações do Ministério da
Agricultura e Pecuária (Mapa). Em reportagem publicada no site do órgão, em 23
de abril de 2023, o MAPA esclarece que o processo térmico UHT nada mais é do
que um tratamento ao qual o leite de vaca é submetido para eliminar
microorganismos patogênicos — que fazem mal à saúde — e deteriorantes, que são
bactérias que estragam o produto.
O processamento térmico não tem nenhuma relação com a adição de substâncias
tóxicas para conservar o alimento. Na verdade, o tratamento é uma esterilização
que também garante que o leite se mantenha em temperatura ambiente sem a
necessidade de refrigeração. Inclusive, a adição de conservantes no leite de
caixinha é proibida por lei no Brasil e fiscalizada pelo Mapa.
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