Lasers, peelings e
outros procedimentos ampliam as possibilidades de tratamento das marcas
deixadas pela varicela.
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Entre 2015 e 2025, o Brasil notificou 196.621 casos
de varicela, segundo dados do Ministério da Saúde. A doença, popularmente
conhecida como catapora, evolui sem gravidade na maioria das vezes, mas pode
deixar consequências permanentes na pele, como manchas e cicatrizes, impactando
a aparência e a autoestima.
No entanto, com a evolução das tecnologias estéticas
observada nos últimos anos, já é possível amenizar e até mesmo remover as
cicatrizes deixadas pela doença no próprio consultório
dermatológico.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia
Dermatológica (SBCD) um dos tratamentos indicados é a dermoabrasão, que suaviza
marcas causadas por acne, catapora ou pequenas irregularidades da superfície da
pele. Por meio dele, uma máquina elétrica remove as camadas superiores da pele,
como se fosse um lixamento, conferindo um contorno mais uniforme à superfície.
A SBCD aponta que tratamentos com laser e outras fontes de luz também estão
entre as alternativas indicadas para o tratamento das cicatrizes. Esses
recursos utilizam luz de alta energia, estimulando a formação de colágeno e
promovendo uma renovação controlada da superfície cutânea.
Um exemplo de tecnologia disponível no mercado é o Laser
Chrome, recomendado para tratar, principalmente,
cicatrizes, acnes, estrias, flacidez, fungóide e manchas na pele. O equipamento
pode ser configurado para atuar de forma ablativa ou não ablativa, conforme a
indicação clínica.
No modo ablativo, o feixe de luz promove a
renovação da camada superficial da pele. Já na modalidade não ablativa, a
energia alcança camadas mais profundas da derme de maneira focalizada, sem
causar danos relevantes aos tecidos ao redor.
Outro exemplo é o Youlaser Prime, desenvolvido pela empresa italiana Quanta
System. O equipamento combina dois comprimentos de onda que podem
atuar de forma simultânea ou sequencial. A proposta é promover um
rejuvenescimento mais abrangente, alcançando tanto a superfície quanto camadas
mais profundas da pele, com indicação para cicatrizes, flacidez, manchas e
irregularidades de textura.
A biomédica e coordenadora do Suporte Clínico da MedSystems, Raquel Nato, explica que o laser age estimulando a renovação celular e
a produção de colágeno exatamente nas áreas afetadas pela cicatriz. “Com
sessões bem indicadas, conseguimos reduzir a profundidade, a irregularidade e o
contraste das marcas, promovendo uma recuperação estética bastante expressiva”,
afirma.
“Hoje, raramente, falamos em um único tratamento
isolado. A associação de tecnologias permite resultados mais naturais e
progressivos, respeitando a individualidade de cada pele. O importante é que o
paciente saiba que existem soluções eficazes e seguras para tratar cicatrizes
de catapora”, complementa.
Outros procedimentos ajudam no
tratamento de cicatrizes
Além da dermoabrasão e dos lasers, outros
procedimentos podem ser utilizados para amenizar cicatrizes. Um deles é o peeling
químico que, segundo a SBCD, promove a remoção da camada superior da pele e
estimula a formação de colágeno.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) explica que diferentes agentes podem ser empregados nesse processo. O ácido tricloroacético, por exemplo, pode ser associado a outros componentes para a realização de peelings médios voltados ao tratamento de rugas e cicatrizes. Já o ácido salicílico é utilizado em peelings superficiais, contribuindo para a melhora do aspecto da pele, a redução de manchas e o controle da acne.
Outra técnica citada pela SBCD é o microagulhamento. Nesse procedimento, aparelhos com pequenas agulhas realizam microperfurações na pele, estimulando a produção de colágeno e favorecendo a suavização das cicatrizes. Em alguns casos, o tratamento cirúrgico também pode ser indicado, com a remoção da cicatriz e posterior união da pele de maneira menos evidente.
Há também o preenchimento cutâneo, com a aplicação injetável de substâncias sob cicatrizes deprimidas para deixar a pele mais uniforme. A SBD ressalta que o ácido hialurônico é o principal preenchedor utilizado, já que é uma substância produzida pelo próprio organismo, responsável por manter formas e contornos.
Com o passar dos anos, essa produção diminui, o que
justifica sua reposição em alguns tratamentos. Os preenchedores são combinados
a outros procedimentos, como toxina botulínica, lasers e peelings,
com o objetivo de aprimorar o resultado final, conforme a SBD.
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