Excesso de gordura corporal impulsiona casos de hipertensão e especialistas explicam como reverter o quadro
Em meio ao avanço
da obesidade, uma condição muitas vezes silenciosa ganha força e preocupa
especialistas: a hipertensão arterial. Estima-se que entre 26% e 35% da
população adulta brasileira conviva com a doença, que é um dos principais
fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência
renal.
O cenário reflete
um estilo de vida marcado pelo consumo crescente de alimentos ultraprocessados,
ricos em sódio, gorduras e açúcares, aliado ao sedentarismo e à predisposição
genética. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 65% dos adultos apresentam
sobrepeso ou obesidade, condição diretamente associada ao aumento da pressão
arterial.
Segundo o
cirurgião bariátrico Dr. José Afonso Sallet, a hipertensão não surge de forma
isolada, mas como resultado de múltiplos fatores. “Estamos falando de uma
doença multifatorial, que envolve questões ambientais, comportamentais e
genéticas. Quando não controlada, pode evoluir para complicações graves, como
doença coronariana, insuficiência cardíaca, renal, infarto e AVC”, explica.
A alimentação,
nesse contexto, ocupa papel central tanto na prevenção quanto no tratamento. A
nutricionista do Instituto Sallet, Dra Ana Beatriz Guiesser, ressalta que
pequenas mudanças já são capazes de impactar positivamente os níveis de pressão
arterial. “Reduzir o consumo de sal, evitar alimentos ultraprocessados, moderar
a ingestão de álcool e manter uma rotina alimentar equilibrada são medidas
fundamentais. Mesmo quem ainda não tem diagnóstico de hipertensão pode se
beneficiar dessas adaptações como forma de prevenção”, afirma.
Na prática, as
escolhas do dia a dia fazem diferença. Observar a lista de ingredientes nos
rótulos, priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e reduzir o
uso de temperos industrializados são estratégias eficazes. A inclusão de
alimentos ricos em potássio, como frutas, verduras e legumes, também contribui
para o controle da pressão arterial, assim como preferir preparações assadas ou
grelhadas em vez de frituras.
Para pacientes com
obesidade, a cirurgia bariátrica pode ser uma ferramenta importante no controle
da hipertensão, mas está longe de ser uma solução isolada. “A cirurgia é
altamente eficaz, mas não é um milagre. O grande desafio está na manutenção dos
resultados a longo prazo, o que exige mudança de hábitos e acompanhamento
contínuo”, destaca o Dr. Sallet.
O especialista
reforça que o sucesso do tratamento depende de uma abordagem integrada. “A
prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada e o
acompanhamento com uma equipe multiprofissional são essenciais para garantir
não apenas a perda de peso, mas a sustentação desses resultados e a melhora
global da saúde”, conclui.
Ana Beatriz Guiesser - Possui especialização em Nutrição Desportiva e Qualidade de Vida – FEFISA, (2013), especialização em Obesidade, Emagrecimento e Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (2011), especialização em Nutrição Humana aplicada à Nutrição Clínica pelo Centro Universitário Ítalo Brasileiro (2010), graduada pelo Centro Universitário São Camilo (2007).
Dr. José Afonso Sallet - Médico-Diretor do Instituto de Medicina Sallet- Depto de Cirurgia Bariátrica e Metabólica;
Mestre em Cirurgia Digestiva- UNICAMP/ SP; Cirurgião de Excelência em Cirurgia Bariátrica e Metabólica conferido pelo Surgical Review Corporation (SRC®); Especialista e Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC); Médico-Diretor do Centro de Excelência em Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SRC®) do Hospital e Maternidade Vitória/SP; Especialista em Cirurgia Digestiva e Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD); Especialista em Cirurgia Laparoscópica e Cirurgia Endoscópica da Obesidade (CBCD); Titular da Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (ASMBS); Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM); Titular da Federação Internacional de Cirurgia de Obesidade (IFSO); Titular da Sociedade Americana de Gastroenterologia e Cirurgia Endoscópica (SAGES); Coordenador do Protocolo Brasileiro do Balão Intragástrico no Ministério da Saúde do Brasil.
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