Especialistas alertam para impactos físicos, emocionais e metabólicos dessa fase e reforçam que sintomas não devem ser negligenciados
A menopausa, marco natural na vida da mulher, ainda é
cercada por desinformação e subestimação dos seus impactos. Longe de
representar apenas o fim do período reprodutivo, essa fase envolve mudanças
hormonais significativas que afetam a saúde física, emocional e a qualidade de
vida.
Caracterizada pela ausência de menstruação por 12 meses
consecutivos, a menopausa costuma ocorrer por volta dos 50 anos e é precedida
por um período de transição, o climatério. É nesse momento que surgem os
primeiros sintomas, muitas vezes ignorados ou tratados como parte inevitável do
envelhecimento.
Entre os sinais mais comuns estão ondas de calor, distúrbios do
sono, alterações de humor, redução da libido e dificuldades cognitivas leves,
conhecidas como “névoa mental”. Esses sintomas podem ocorrer antes mesmo da
última menstruação e persistir por anos, afetando diretamente o desempenho
profissional, as relações pessoais e o bem-estar geral.
“As mulheres não precisam aceitar o sofrimento como algo normal. A
menopausa é uma fase natural, mas os sintomas devem ser tratados quando
impactam a qualidade de vida”, afirma a ginecologista e associada da AMCR, Dra.
Ana Maria Larotonda Vieira Crosera.
A intensidade dos sintomas varia significativamente entre as
mulheres. Enquanto algumas apresentam manifestações leves, outras enfrentam
quadros mais intensos, especialmente quando há associação com insônia,
ansiedade ou sobrecarga emocional.
Além dos sintomas mais conhecidos, a menopausa traz efeitos
silenciosos e progressivos. A queda do estrogênio contribui para a perda de
massa óssea, aumento do colesterol e maior risco de doenças cardiovasculares,
que estão entre as principais causas de mortalidade feminina.
“O risco cardiovascular aumenta após a menopausa, mas isso não
significa que seja inevitável. A prevenção, com acompanhamento médico e
mudanças de estilo de vida, faz toda a diferença”, explica a ginecologista e
associada da AMCR, Dra. Zoila Isabel Medina de la Paz.
Outro ponto de atenção é a composição corporal. Estudos recentes
indicam que o metabolismo pode desacelerar, favorecendo o ganho de peso e o
acúmulo de gordura abdominal — fator diretamente associado ao aumento do risco
cardíaco.
A saúde óssea também merece destaque. Após os 30 anos, a perda de
massa óssea se torna progressiva e se acelera no climatério, elevando o risco
de osteoporose. Nesse contexto, a prática regular de atividade física,
especialmente musculação, é considerada uma das principais estratégias de
prevenção.
“Se tivéssemos que escolher um único exercício para essa fase,
seria a musculação. Ela ajuda a preservar músculos, ossos e o metabolismo”,
destaca a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Zoila Isabel Medina de la
Paz.
A alimentação também precisa ser ajustada. A recomendação é
priorizar proteínas, fibras e gorduras saudáveis, além de reduzir o consumo de
açúcar, álcool e ultraprocessados, que podem intensificar sintomas como ondas
de calor e distúrbios do sono.
No campo emocional, a menopausa pode desencadear irritabilidade,
ansiedade, tristeza e alterações na autoestima. Esses sintomas, embora comuns,
devem ser acompanhados de perto, já que impactam diretamente a qualidade de
vida e podem se agravar sem suporte adequado.
“A saúde mental deve sempre ser avaliada. Muitas mulheres relatam
sensação de perda de controle emocional e mudanças na identidade, o que exige
acolhimento e acompanhamento especializado”, reforça a ginecologista e
associada da AMCR, Dra. Zoila Isabel Medina de la Paz.
Quando os sintomas são mais intensos, a terapia hormonal surge
como uma das principais opções de tratamento. Considerada padrão-ouro, ela pode
aliviar sintomas e prevenir complicações como osteoporose e doenças
cardiovasculares, desde que indicada de forma individualizada.
“A terapia hormonal é eficaz e segura para muitas mulheres,
especialmente quando iniciada no momento adequado. O mais importante é avaliar
cada caso de forma personalizada”, afirma a ginecologista e associada da AMCR,
Dra. Denise Helena Piovesan Maciel.
Para mulheres que não podem ou não desejam utilizar hormônios,
existem alternativas não hormonais, incluindo medicamentos, fitoterápicos e
mudanças no estilo de vida, que também contribuem para o controle dos sintomas.
Independentemente da abordagem, especialistas são unânimes: o
acompanhamento médico contínuo é fundamental. A menopausa deve ser encarada
como uma fase que exige cuidado multidisciplinar, envolvendo diferentes
especialidades.
“A menopausa não é uma doença, mas é uma fase que precisa de
atenção. Com informação e cuidado, é possível atravessá-la com mais qualidade
de vida e bem-estar”, conclui a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Denise
Helena Piovesan Maciel.
AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil

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