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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Menopausa deixa de ser tabu e exige cuidado integral com a saúde da mulhe

Especialistas alertam para impactos físicos, emocionais e metabólicos dessa fase e reforçam que sintomas não devem ser negligenciados 


A menopausa, marco natural na vida da mulher, ainda é cercada por desinformação e subestimação dos seus impactos. Longe de representar apenas o fim do período reprodutivo, essa fase envolve mudanças hormonais significativas que afetam a saúde física, emocional e a qualidade de vida. 

Caracterizada pela ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, a menopausa costuma ocorrer por volta dos 50 anos e é precedida por um período de transição, o climatério. É nesse momento que surgem os primeiros sintomas, muitas vezes ignorados ou tratados como parte inevitável do envelhecimento. 

Entre os sinais mais comuns estão ondas de calor, distúrbios do sono, alterações de humor, redução da libido e dificuldades cognitivas leves, conhecidas como “névoa mental”. Esses sintomas podem ocorrer antes mesmo da última menstruação e persistir por anos, afetando diretamente o desempenho profissional, as relações pessoais e o bem-estar geral. 

“As mulheres não precisam aceitar o sofrimento como algo normal. A menopausa é uma fase natural, mas os sintomas devem ser tratados quando impactam a qualidade de vida”, afirma a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Ana Maria Larotonda Vieira Crosera. 

A intensidade dos sintomas varia significativamente entre as mulheres. Enquanto algumas apresentam manifestações leves, outras enfrentam quadros mais intensos, especialmente quando há associação com insônia, ansiedade ou sobrecarga emocional. 

Além dos sintomas mais conhecidos, a menopausa traz efeitos silenciosos e progressivos. A queda do estrogênio contribui para a perda de massa óssea, aumento do colesterol e maior risco de doenças cardiovasculares, que estão entre as principais causas de mortalidade feminina. 

“O risco cardiovascular aumenta após a menopausa, mas isso não significa que seja inevitável. A prevenção, com acompanhamento médico e mudanças de estilo de vida, faz toda a diferença”, explica a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Zoila Isabel Medina de la Paz. 

Outro ponto de atenção é a composição corporal. Estudos recentes indicam que o metabolismo pode desacelerar, favorecendo o ganho de peso e o acúmulo de gordura abdominal — fator diretamente associado ao aumento do risco cardíaco. 

A saúde óssea também merece destaque. Após os 30 anos, a perda de massa óssea se torna progressiva e se acelera no climatério, elevando o risco de osteoporose. Nesse contexto, a prática regular de atividade física, especialmente musculação, é considerada uma das principais estratégias de prevenção. 

“Se tivéssemos que escolher um único exercício para essa fase, seria a musculação. Ela ajuda a preservar músculos, ossos e o metabolismo”, destaca a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Zoila Isabel Medina de la Paz. 

A alimentação também precisa ser ajustada. A recomendação é priorizar proteínas, fibras e gorduras saudáveis, além de reduzir o consumo de açúcar, álcool e ultraprocessados, que podem intensificar sintomas como ondas de calor e distúrbios do sono. 

No campo emocional, a menopausa pode desencadear irritabilidade, ansiedade, tristeza e alterações na autoestima. Esses sintomas, embora comuns, devem ser acompanhados de perto, já que impactam diretamente a qualidade de vida e podem se agravar sem suporte adequado. 

“A saúde mental deve sempre ser avaliada. Muitas mulheres relatam sensação de perda de controle emocional e mudanças na identidade, o que exige acolhimento e acompanhamento especializado”, reforça a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Zoila Isabel Medina de la Paz. 

Quando os sintomas são mais intensos, a terapia hormonal surge como uma das principais opções de tratamento. Considerada padrão-ouro, ela pode aliviar sintomas e prevenir complicações como osteoporose e doenças cardiovasculares, desde que indicada de forma individualizada. 

“A terapia hormonal é eficaz e segura para muitas mulheres, especialmente quando iniciada no momento adequado. O mais importante é avaliar cada caso de forma personalizada”, afirma a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Denise Helena Piovesan Maciel. 

Para mulheres que não podem ou não desejam utilizar hormônios, existem alternativas não hormonais, incluindo medicamentos, fitoterápicos e mudanças no estilo de vida, que também contribuem para o controle dos sintomas. 

Independentemente da abordagem, especialistas são unânimes: o acompanhamento médico contínuo é fundamental. A menopausa deve ser encarada como uma fase que exige cuidado multidisciplinar, envolvendo diferentes especialidades. 

“A menopausa não é uma doença, mas é uma fase que precisa de atenção. Com informação e cuidado, é possível atravessá-la com mais qualidade de vida e bem-estar”, conclui a ginecologista e associada da AMCR, Dra. Denise Helena Piovesan Maciel.

AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil

 

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