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“Muita gente ainda encara como algo simples, mas existem situações
que exigem avaliação imediata”, explica a Dra. Naiana Rocha Arcanjo,
otorrinolaringologista e otoneurologista do Hospital de Olhos de Pernambuco
(HOPE). “Quando surge de forma súbita, intensa ou diferente do habitual, ou vem
acompanhada de sintomas como fraqueza, dormência, dificuldade para falar, visão
dupla, perda de consciência ou dor de cabeça forte, é fundamental procurar
atendimento com urgência”, orienta.
Segundo a especialista, identificar a origem nem sempre é tarefa
simples, já que diferentes sistemas do organismo podem estar envolvidos. “Nem
sempre o problema está restrito ao labirinto. Sinais como alteração na
coordenação, palpitações, sensação de desmaio ou episódios ligados ao estresse
podem indicar causas neurológicas, cardíacas, metabólicas ou emocionais”,
destaca. “Esses fatores podem inclusive se associar e exigir acompanhamento
conjunto com outros profissionais”, completa.
Para ajudar a população a compreender melhor, ela esclarece
diferenças básicas entre termos frequentemente confundidos. “Tontura é um
conceito amplo, que engloba várias sensações. Já a vertigem é quando há
percepção de giro, enquanto o desequilíbrio está relacionado à dificuldade de
se manter em pé ou caminhar”, explica.
A tentativa de resolver o problema por conta própria é outro ponto
de preocupação. “Um erro comum é usar medicamentos sem orientação, acreditando
que tudo se resume à ‘labirintite’”, alerta. “Além disso, ignorar sinais
associados ou buscar soluções na internet pode mascarar doenças e atrasar o
tratamento adequado”, acrescenta.
Os impactos no cotidiano também são relevantes. “Sem o cuidado
correto, há risco de quedas, fraturas e acidentes, especialmente entre pessoas
mais velhas. Isso compromete diretamente a segurança e a qualidade de vida”,
afirma.
Na prática clínica, a investigação envolve diferentes etapas. “O
diagnóstico é feito a partir da história do paciente, exame físico e testes
específicos. Em alguns casos, solicitamos audiometria, exames vestibulares,
laboratoriais ou de imagem, mas nenhum deles, isoladamente, confirma a causa”,
esclarece.
Há ainda influência direta dos hábitos diários. “Estresse,
ansiedade, noites mal dormidas, alimentação inadequada, sedentarismo e consumo
excessivo de cafeína ou álcool podem desencadear ou agravar os episódios”,
ressalta.
Entre idosos, a atenção deve ser redobrada. “Existe um declínio
natural do equilíbrio, além do uso de múltiplos medicamentos e presença de
doenças associadas. Por isso, qualquer episódio precisa ser valorizado para
evitar complicações mais graves”, pontua.
As possibilidades terapêuticas variam conforme o diagnóstico.
“Podemos utilizar medicamentos, realizar manobras específicas, indicar
reabilitação vestibular e orientar mudanças no estilo de vida. Tudo depende da
causa identificada”, afirma.
Como mensagem central da campanha, a especialista reforça a
importância da conscientização. “Tontura tem causa, diagnóstico e tratamento. O
mais importante é não banalizar, evitar automedicação e buscar avaliação
adequada”, finaliza a Dra. Naiana Rocha Arcanjo.

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