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O avanço da variante BA.3.2 da covid-19, já identificada em mais de 20 países e com disseminação recente nas Américas, reacendeu o alerta de autoridades sanitárias e da comunidade científica. Apelidada de “Cicada”, a cepa chama atenção pela alta transmissibilidade e pelo número elevado de mutações, o que pode impactar a eficácia das vacinas atuais, segundo especialistas ouvidos pela imprensa nacional.
Embora não haja evidências de maior gravidade nos quadros
clínicos, o cenário reforça a necessidade de atenção em diferentes frentes de
controle – incluindo pontos menos visíveis da cadeia da saúde, como a gestão de
resíduos gerados em atendimentos médicos.
Presentes em hospitais, clínicas e consultórios, os resíduos de
serviços de saúde (RSS) incluem materiais como luvas, máscaras, gazes,
seringas, agulhas, amostras biológicas e itens contaminados por fluidos
corporais. Quando não recebem o tratamento adequado, esses resíduos podem atuar
como vetores de contaminação — seja pelo contato direto de profissionais e da
população, seja pela exposição de trabalhadores da coleta ou até pela
contaminação do solo e da água. Em casos de agentes infecciosos, como o vírus
da covid-19, o manejo incorreto ao longo do armazenamento, transporte ou
descarte amplia o risco de disseminação. Apesar de o Brasil contar com
tecnologias consolidadas para esse processamento, especialistas apontam que o
principal gargalo continua sendo a gestão na origem, sobretudo entre pequenos
geradores.
No Rio Grande do Sul, o tema ganha relevância adicional diante do
contexto recente de pressão sobre o sistema de saúde e da reorganização de
estruturas após eventos extremos. A avaliação é de que falhas no manejo desses
resíduos podem ampliar riscos ambientais e sanitários em um momento de maior
vulnerabilidade.
Segundo João Martins, engenheiro ambiental e CEO da Vida
Tecnologia Ambiental, ainda há lacunas importantes na rotina operacional. “Os
sistemas de tratamento estão disponíveis, mas a eficiência depende de como o
processo começa. Pequenos geradores, muitas vezes, não têm clareza sobre o
destino final dos resíduos, o que aumenta o risco ao longo de toda a cadeia”,
afirma.
Ele destaca que o investimento em capacitação contínua e na
correta destinação é determinante para reduzir falhas. “Treinamento,
padronização e a contratação de empresas com capacidade técnica comprovada são
o que garantem segurança e rastreabilidade. Em um cenário de risco biológico
crescente, isso deixa de ser um diferencial e passa a ser uma exigência básica.
Diante de variantes com maior capacidade de disseminação, o controle sanitário
precisa ir além da assistência direta e incorporar práticas consistentes em
toda a cadeia – do atendimento ao descarte final”, diz.

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