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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Abril Azul: por que o autismo ainda é diagnosticado tardiamente e como isso impacta a vida de milhões de brasileiros?

Especialista explica sinais menos conhecidos do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e reforça a importância do diagnóstico correto para reduzir sofrimento e ampliar qualidade de vida 


No Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), um desafio segue presente na saúde pública: o diagnóstico tardio. Mesmo com o avanço da informação, muitos casos seguem anos sem identificação, especialmente quando os sinais não correspondem ao padrão mais reconhecido.
 

Isso acontece porque o autismo não se manifesta de forma única. Há diferentes níveis e apresentações, o que dificulta a identificação, sobretudo em pessoas que desenvolvem estratégias para mascarar comportamentos ao longo da vida. Entre os sinais menos evidentes estão dificuldades na comunicação social, sensibilidade sensorial aumentada, padrões repetitivos e resistência a mudanças. Frequentemente, esses aspectos são interpretados de forma equivocada, atrasando a busca por avaliação especializada. 

“O autismo não é um quadro homogêneo. Ele se apresenta de formas diversas, e muitos sinais podem ser sutis ou confundidos com traços de personalidade ou outras condições”, explica o médico psiquiatra Dr. Guido Boabaid May, fundador da GnTech.

Nesse cenário, avanços da medicina têm permitido abordagens mais personalizadas, tornando o tratamento mais assertivo desde o início. A farmacogenética, por exemplo, analisa como o organismo de cada pessoa responde aos medicamentos, auxiliando o médico na escolha das opções mais adequadas. “Utilizar informações genéticas para orientar a prescrição representa uma mudança importante no cuidado em saúde mental. Reduz o modelo empírico e aumenta as chances de resposta terapêutica”, destaca.
 

O atraso no diagnóstico traz consequências relevantes. Sem o reconhecimento correto, aumentam as chances de intervenções pouco eficazes e de diagnósticos equivocados, como ansiedade ou depressão isoladas. “Quando o diagnóstico não acontece no tempo adequado, a pessoa pode passar anos lidando com dificuldades sem compreender sua origem, o que intensifica o sofrimento emocional”, afirma o psiquiatra. 

Os impactos também se estendem à qualidade de vida. A falta de compreensão sobre o próprio funcionamento pode afetar relações sociais, desempenho acadêmico e trajetória profissional, além de comprometer a saúde mental. Por outro lado, o diagnóstico correto abre caminho para estratégias mais adequadas. “O diagnóstico não rotula, ele orienta. Ele permite acesso a intervenções, promove autonomia e melhora o bem-estar”, reforça. 

“Falar sobre autismo de forma responsável é essencial para ampliar o conhecimento da população, reduzir estigmas e facilitar o acesso ao cuidado. Quanto mais cedo identificamos e mais preciso é o tratamento, maiores são as chances de evolução clínica e qualidade de vida”, conclui.
 

Guido Boabaid May - Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 110 mil consultas realizadas, mais de 1.100 pacientes em tratamento guiado com teste farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, com mais de 25 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro "Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025.


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