Especialista explica sinais menos conhecidos do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e reforça a importância do diagnóstico correto para reduzir sofrimento e ampliar qualidade de vida
No Abril Azul, mês de conscientização
sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), um desafio segue
presente na saúde pública: o diagnóstico tardio. Mesmo com o avanço da
informação, muitos casos seguem anos sem identificação, especialmente quando os
sinais não correspondem ao padrão mais reconhecido.
Isso acontece porque o autismo não se manifesta de forma única. Há diferentes níveis e apresentações, o que dificulta a identificação, sobretudo em pessoas que desenvolvem estratégias para mascarar comportamentos ao longo da vida. Entre os sinais menos evidentes estão dificuldades na comunicação social, sensibilidade sensorial aumentada, padrões repetitivos e resistência a mudanças. Frequentemente, esses aspectos são interpretados de forma equivocada, atrasando a busca por avaliação especializada.
“O autismo não é um quadro homogêneo. Ele se apresenta de formas
diversas, e muitos sinais podem ser sutis ou confundidos com traços de
personalidade ou outras condições”, explica o médico psiquiatra Dr. Guido
Boabaid May, fundador da GnTech.
Nesse cenário, avanços da medicina têm permitido abordagens
mais personalizadas, tornando o tratamento mais assertivo desde o início. A
farmacogenética, por exemplo, analisa como o organismo de cada pessoa responde
aos medicamentos, auxiliando o médico na escolha das opções mais adequadas.
“Utilizar informações genéticas para orientar a prescrição representa uma
mudança importante no cuidado em saúde mental. Reduz o modelo empírico e
aumenta as chances de resposta terapêutica”, destaca.
O atraso no diagnóstico traz consequências relevantes. Sem o reconhecimento correto, aumentam as chances de intervenções pouco eficazes e de diagnósticos equivocados, como ansiedade ou depressão isoladas. “Quando o diagnóstico não acontece no tempo adequado, a pessoa pode passar anos lidando com dificuldades sem compreender sua origem, o que intensifica o sofrimento emocional”, afirma o psiquiatra.
Os impactos também se estendem à qualidade de vida. A falta de compreensão sobre o próprio funcionamento pode afetar relações sociais, desempenho acadêmico e trajetória profissional, além de comprometer a saúde mental. Por outro lado, o diagnóstico correto abre caminho para estratégias mais adequadas. “O diagnóstico não rotula, ele orienta. Ele permite acesso a intervenções, promove autonomia e melhora o bem-estar”, reforça.
“Falar sobre autismo de forma responsável é essencial para ampliar
o conhecimento da população, reduzir estigmas e facilitar o acesso ao cuidado.
Quanto mais cedo identificamos e mais preciso é o tratamento, maiores são as
chances de evolução clínica e qualidade de vida”, conclui.
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