O tratamento da obesidade no Brasil passa por uma
rápida transformação impulsionada por medicamentos de última geração e pela
digitalização da prescrição médica. Dados inéditos da plataforma Memed,
líder e pioneira em prescrição digital no país, indicam crescimento acelerado
no uso de injetáveis, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” e
maior adesão à prescrição digital para o tratamento deste quadro clínico em
todo território nacional.
Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, o número
de médicos ativos prescrevendo tratamentos para perda de peso na plataforma
cresceu cerca de 222%, enquanto o volume de prescrições digitais associadas à
obesidade aumentou 218% no mesmo período. Apenas entre 2025 e 2026, a chegada
de novos profissionais à plataforma acelerou o ritmo de indicações destes
medicamentos em 83% em relação ao ano anterior.
O levantamento também aponta uma mudança expressiva
no perfil farmacológico das prescrições, com o avanço na indicação de terapias
baseadas em análogos do GLP-1 e outras moléculas de nova geração. A semaglutida
registrou aumento aproximado de 1.017% no volume de prescrições entre 2022 e
2025. Já a tirzepatida tornou-se o segundo medicamento mais prescrito
na plataforma, para pacientes com diagnóstico de obesidade em 2025, superando
tratamentos tradicionais.
Também houve crescimento de cerca de 1.054% na
prescrição de inibidores de SGLT2, como a dapagliflozina, indicando uma
abordagem terapêutica mais abrangente, voltada não apenas à redução de peso,
mas também à proteção cardiovascular e metabólica. Além dos medicamentos principais,
a indicação de suplementos como vitamina B12 e vitamina D também aumentou,
sugerindo um acompanhamento clínico mais integral.
Segundo Fábio Tabalipa,
Diretor Médico e Head de Dados da Memed, “O que vemos é uma mudança de paradigma no tratamento da obesidade.
Medicamentos mais eficazes, aliados à prescrição digital, estão permitindo
intervenções mais precoces, acompanhamento contínuo e maior adesão dos
pacientes. Isso tende a reduzir complicações associadas e reposicionar a
obesidade como uma doença crônica tratável, e não apenas uma condição ligada ao
estilo de vida”, explica.
O perfil dos pacientes mostra predominância de
adultos entre 35 e 49 anos, faixa responsável por cerca de 43% das prescrições.
O pico de procura ocorre aos 43 anos. As mulheres representam aproximadamente
64% do volume total identificado na plataforma, enquanto pacientes com mais de
65 anos respondem por menos de 9%, resultado que os especialistas atribuem à
priorização de outras condições clínicas nessa fase da vida.
O estudo também aponta expansão relevante no
tratamento entre crianças e adolescentes. Entre 2024 e 2025, o volume de
prescrições para pacientes menores de 18 anos aumentou cerca de 739%, enquanto
a base de pediatras e endocrinologistas pediátricos utilizando a plataforma
cresceu 700% no período. Diferentemente do público adulto, o perfil
infantojuvenil apresenta distribuição equilibrada entre meninos e meninas.
“O crescimento da obesidade infantil é
particularmente preocupante porque aumenta o risco de doenças cardiovasculares,
diabetes e outras complicações já nas primeiras décadas de vida. A
identificação e o tratamento precoces são fundamentais para interromper esse
ciclo”, afirma Fábio Tabalipa, Diretor Médico e Head de Dados da Memed.
O manejo da obesidade envolve múltiplas
especialidades médicas. Endocrinologistas concentram a maior densidade de
prescrições, enquanto cirurgiões bariátricos apresentam alta intensidade de
acompanhamento e a medicina de família amplia o acesso ao tratamento.
A adoção de terapias inovadoras também varia entre
os estados e não segue necessariamente o tamanho populacional. O Rio Grande do
Sul lidera proporcionalmente a prescrição de novas moléculas, com cerca de 26%
das receitas contendo medicamentos como tirzepatida e semaglutida.
Amapá e Mato Grosso também registram taxas elevadas, superiores a 11%. São
Paulo concentra o maior volume absoluto de prescrições com 4,9%, enquanto o
Distrito Federal apresenta a maior densidade de pacientes por médico, 13
pacientes únicos por prescritor, indicando elevada demanda por atendimento
especializado.
“Os dados mostram que o tratamento da obesidade
está se expandindo em todo o país, tanto em número de profissionais envolvidos
quanto na adoção de terapias mais avançadas, inclusive fora dos grandes
centros”, finaliza Fábio Tabalipa, Diretor Médico e Head de Dados
da Memed.
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