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O diagnóstico precoce de doenças oculares é um dos principais aliados na prevenção da cegueira e da baixa visão e pode evitar até 80% dos casos de deficiência visual, segundo a Organização Mundial da Saúde. O alerta ganha destaque no Abril Marrom, mês dedicado à conscientização dessas condições.
A
campanha reforça a importância do acompanhamento oftalmológico regular, já que
muitas doenças evoluem de forma silenciosa, causando danos irreversíveis quando
descobertas tardiamente. Embora o tema envolva todas as faixas etárias, o
cuidado deve ser redobrado entre a população idosa, uma vez que o avanço da
idade aumenta o risco de problemas que afetam a capacidade visual e comprometem
a autonomia e a qualidade de vida.
Para
esclarecer o tema, o oftalmologista Dr. Luiz G. Caprio, do AME Carapicuíba,
unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada
pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, responde às
principais dúvidas sobre o tema:
A perda de visão faz parte do envelhecimento ou sempre indica doença?
Algumas
alterações são esperadas com o envelhecimento, como a presbiopia, que é a
dificuldade para enxergar de perto causada pela perda de flexibilidade do
cristalino.
No
entanto, qualquer mudança deve ser avaliada por um profissional. Sintomas como
perda progressiva da visão, piora em apenas um dos olhos, presença de manchas
no campo visual ou redução da percepção periférica não são normais e costumam
indicar doenças que exigem diagnóstico e tratamento.
Quais são as principais causas de cegueira e baixa visão em idosos?
As
principais causas são catarata, degeneração macular relacionada à idade (DMRI),
glaucoma e erros refrativos não corrigidos. Entre elas, a catarata é a mais
comum e ocorre quando o cristalino perde a transparência, provocando visão
embaçada e maior sensibilidade à luz. Já o glaucoma afeta o nervo óptico, o que
leva à perda gradual da visão periférica, muitas vezes de forma silenciosa.
Quais fatores aumentam o risco de perda de visão na velhice?
A
idade avançada é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de
doenças oculares, especialmente quando associada a hábitos e condições de vida
que impactam diretamente a saúde dos olhos. Fatores como tabagismo, consumo de
álcool, exposição excessiva à luz ultravioleta, alimentação inadequada e
obesidade estão associados a um maior risco de alterações na visão. Além disso,
histórico familiar e o uso prolongado de medicamentos, como corticosteroides,
também estão relacionados a esses riscos.
Como diabetes e hipertensão afetam a visão?
O
diabetes pode causar retinopatia diabética, condição em que os vasos sanguíneos
da retina são danificados, podendo levar a vazamentos, formação de vasos
anormais e perda progressiva da visão. A hipertensão também afeta os vasos da
retina, provocando alterações na circulação ocular. Quando não controladas,
ambas levam a complicações.
Quais sinais de alerta não devem ser ignorados?
Alguns
sintomas exigem avaliação imediata, como perda súbita de visão, flashes de luz,
aparecimento repentino de “moscas volantes”, dor ocular intensa e sensação de
sombra ou “cortina” no campo visual. Esses sinais podem indicar quadros graves,
como descolamento de retina ou glaucoma agudo, que também oferecem o risco da
perda permanente da visão se não tratados rapidamente.
Com que frequência o idoso deve ir ao oftalmologista?
A
recomendação é que pessoas com 65 anos ou mais realizem exames oftalmológicos
completos a cada 1 ou 2 anos. Para pacientes com doenças crônicas, como
diabetes, ou com fatores de risco, o acompanhamento deve ser mais frequente,
conforme orientação médica.
Como a baixa visão afeta a autonomia do idoso no dia a dia?
A
baixa visão compromete atividades básicas, como se vestir, se alimentar e se
locomover, além de dificultar tarefas mais complexas, como administrar
medicamentos e finanças. Também pode aumentar o risco de quedas e favorecer o
isolamento social.
Qual o principal alerta para idosos e familiares?
Muitas
doenças oculares são silenciosas e evoluem lentamente. Quando os sintomas
aparecem, a complicação pode estar avançada. Por isso, não é recomendado
esperar sinais para procurar atendimento. O acompanhamento regular é
fundamental para o diagnóstico precoce e a prevenção da cegueira.
Programa Acompanhante de Idosos e o cuidado com a saúde ocular
O
cuidado com a visão está diretamente ligado à manutenção da autonomia e da
qualidade de vida. Nesse contexto, o CEJAM gerencia o Programa Acompanhante de
Idosos (PAI), uma iniciativa da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo
voltada ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Nas
UBSs Vera Cruz, Jardim Maracá e Jardim Comercial, administradas pelo CEJAM em
São Paulo, o programa oferece assistência domiciliar personalizada, com apoio
às atividades diárias e acompanhamento em consultas e exames. O PAI também
contribui para o diagnóstico precoce ao identificar possíveis sinais e
sintomas, além de auxiliar aqueles que já apresentam alguma limitação visual.
Com
foco na prevenção de quedas e em estímulos cognitivos e motores, atua na
manutenção da independência e da capacidade funcional dos idosos. A iniciativa
reforça o compromisso do CEJAM com a promoção da saúde e a redução de agravos,
especialmente entre populações mais vulneráveis.
@cejamoficial

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