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terça-feira, 21 de abril de 2026

Aumento de casos envolvendo Salmonella e resistência bacteriana expõe limites do modelo avicultura atual

Debate realizado no Korin BIO aponta desafios persistentes no controle do uso de antibióticos e destaca impactos além do campo 


O avanço da resistência bacteriana e sua relação com o modelo de produção animal estiveram no centro dos debates do Korin BIO, evento promovido pela Korin, grupo voltado ao agronegócio e à alimentação orgânica. Especialistas alertam que o uso recorrente de antibióticos na cadeia produtiva é um dos principais fatores para o desenvolvimento de microrganismos mais resistentes.

Estimativas globais indicam que a resistência antimicrobiana já está associada a cerca de 5 milhões de mortes por ano no mundo, superando doenças como HIV e malária. Mantido o ritmo atual, esse número pode chegar a 39 milhões de mortes anuais até 2050, ultrapassando os casos de mortes por câncer.

“O fenômeno da resistência bacteriana não ocorre apenas no Brasil, mas sim em todos os países que enfrentam problemas gravíssimos relacionados ao tema”, afirma Luiz Demattê, diretor da Korin Alimentos e Sustentabilidade.

Em locais de grande produção de proteína animal, esses insumos ainda são utilizados não apenas para tratamento de doenças, mas também, em muitos casos, como promotores de crescimento em animais saudáveis. Esse padrão favorece a seleção de bactérias resistentes, que podem chegar aos seres humanos tanto pelo consumo de alimentos quanto pela exposição indireta no ambiente.



Estudo preliminar UNESP

Dados de uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (UNESP), no campus de Botucatu, ajudam a ilustrar esse cenário. O estudo identificou diferenças relevantes na presença e no comportamento de bactérias ao longo da cadeia produtiva, ao comparar sistemas convencionais e modelos livres de antibióticos.

Foram analisadas mais de 2 mil amostras em diferentes etapas - das granjas ao produto final - e mostrou que a Salmonella esteve presente em 14,47% das amostras em sistemas convencionais, índice esperado para esse tipo de produção. Já em sistemas livres de antibióticos, a taxa caiu para 2,22%.

“Nesta pesquisa, observamos uma redução expressiva da presença de Salmonella no sistema livre de antibióticos. É um resultado consistente e que indica como o modelo produtivo influencia diretamente a microbiota”, explica o pesquisador Dr. Fábio Possebon, da UNESP.

Além da incidência, o estudo também avaliou o perfil de resistência das bactérias. Os resultados indicam que, no sistema convencional, há maior presença de microrganismos com resistência a antibióticos relevantes para a saúde humana.“Mesmo quando falamos de bactérias que fazem parte da microbiota, a preocupação está no nível de resistência. Em caso de infecção, o tratamento tende a ser mais difícil”, afirma Possebon.Nesse cenário, os dados reforçam que a resistência bacteriana é um reflexo direto do modelo de produção de alimentos. A evolução desse cenário dependerá, cada vez mais, da capacidade do setor em equilibrar produtividade, segurança e impacto ambiental.
 


Korin


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