Novos estudos
reforçam que infecções bucais podem desencadear inflamações sistêmicas e
permitir a entrada de bactérias na corrente sanguínea, impactando órgãos vitais
A saúde bucal vai muito além da estética e da
região da própria boca. Evidências científicas recentes reforçam um alerta
ainda pouco difundido fora da odontologia: problemas dentários e gengivais
silenciosos podem estar associados ao aumento do risco de doenças graves, como
infarto, AVC e até demência. O conceito de que a boca é uma porta de entrada
para o organismo ganha força à medida que estudos reforçam como infecções
bucais podem afetar todo o corpo.
De acordo com a dentista e diretora da Neodent,
Dra. Priscila Cordeiro, a cavidade oral funciona como um dos principais pontos
de contato com o meio externo. “Tudo o que ingerimos passa pela boca e a mucosa
bucal é altamente vascularizada. Quando há inflamações, infecções ou feridas,
bactérias podem entrar na corrente sanguínea com mais facilidade”, explica. Os
microrganismos podem atingir outras regiões do corpo e contribuir para inflamações
em vasos sanguíneos, podendo afetar órgãos como o coração e o cérebro. Entre os
principais fatores de risco estão as doenças periodontais, como a gengivite e a
periodontite, que frequentemente evoluem de forma silenciosa. Sem dor nos
estágios iniciais, essas condições podem se transformar em inflamações crônicas
relevantes. Além disso, infecções dentárias, normalmente geradas por cáries
profundas, e até a perda dentária, também podem ter impacto sistêmico, podendo
comprometer a nutrição e a qualidade de vida.
Nesses casos, soluções como os implantes dentários
ganham destaque ao possibilitar a reabilitação funcional da mastigação e a
preservação da saúde óssea, contribuindo para o equilíbrio do organismo como um
todo. “A odontologia moderna oferece soluções cada vez mais integradas, desde
tratamentos periodontais até reabilitações com implantes, que contribuem não
apenas para a estética, mas para a saúde como um todo”, ressalta a Dra.
Priscila.
A relação entre a saúde bucal e as doenças
cardiovasculares já é um dos pontos consolidados. Segundo a especialista, a
periodontite contribui para um estado inflamatório sistêmico que favorece a
formação de placas de gordura nas artérias — processo conhecido como
aterosclerose — podendo elevar o risco de infarto e AVC. “Não se trata de uma
causa única, mas é um fator de risco relevante e, principalmente, evitável com
cuidados diários e acompanhamento odontológico adequado”, destaca.
Outro campo que vem ganhando atenção é a ligação
entre doenças bucais e o declínio cognitivo. Estudos recentes indicam que
bactérias e mediadores inflamatórios originados na boca podem alcançar o
cérebro e contribuir para processos inflamatórios neurológicos ao longo do
tempo. Embora ainda esteja em investigação, essa associação acende um sinal de
alerta para a importância da saúde bucal na prevenção de doenças
neurodegenerativas.
Sinais silenciosos e prevenção
Sangramento gengival, mau hálito persistente,
retração gengival, mobilidade dentária e sensibilidade são alguns dos sinais
frequentemente ignorados, mas que podem indicar problemas mais sérios.
Alterações na posição dos dentes também devem ser avaliadas, pois impactam
diretamente a higiene e o equilíbrio da mordida. Para pacientes com aparelhos
ortodônticos a atenção deve ser redobrada, já que esses dispositivos exigem
cuidados específicos para evitar o acúmulo de placa bacteriana. Nesses casos,
alinhadores ortodônticos transparentes são uma alternativa que facilita a
higiene e favorece a manutenção da saúde bucal durante o tratamento.
Segundo a dentista especialista em Ortodontia da
ClearCorrect, Fernanda Santini, os alinhadores oferecem diversos benefícios
“Além de praticamente imperceptíveis, os alinhadores proporcionam mais
comodidade no dia a dia e facilitam a higienização bucal quando comparados aos
aparelhos tradicionais. Isso permite ao paciente manter seus hábitos de
escovação e uso do fio dental com facilidade, favorecendo um tratamento mais
equilibrado e com resultados previsíveis”.
A prevenção continua sendo a principal aliada. Hábitos simples, como a escovação adequada, o uso diário do fio dental e as visitas regulares ao dentista, podem evitam o avanço de infecções e o comprometimento de outros sistemas do organismo. O controle de fatores de risco, como o tabagismo e o diabetes, também é determinante.
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