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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Covid longa em crianças: estudo aponta quatro sinais de alerta e orienta pais sobre prevenção


Pesquisa publicada na revista The Lancet indica que risco pode aumentar a cada nova infecção; especialistas alertam para sintomas persistentes após a doença
 

 

Embora a Covid-19 em crianças seja, na maioria dos casos, leve e de curta duração, pesquisas recentes apontam que a doença pode deixar sintomas persistentes. Um estudo publicado na revista científica The Lancet mostra que a chamada Covid longa em crianças e adolescentes é uma condição real e que o risco de desenvolvê-la pode aumentar a cada nova infecção pelo vírus. 

O alerta ocorre em um momento de alta circulação de vírus respiratórios no país. Uma nova edição do Boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgada no mês de março, aponta aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o país. Segundo a análise, o cenário tem sido impulsionado principalmente pelo crescimento das hospitalizações por rinovírus em crianças e adolescentes de 2 a 14 anos e pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças menores de 2 anos. 

Nesse contexto, especialistas destacam a importância de atenção aos sintomas e ao histórico de infecções. Diferentemente dos adultos, crianças nem sempre conseguem explicar com clareza o que estão sentindo. O estudo aponta que o risco de complicações aumenta a partir da segunda ou terceira infecção. Assim, mesmo quando a primeira Covid se manifesta apenas como um resfriado leve, uma nova contaminação pode estar associada ao surgimento de sintomas que persistem por meses. 

Alguns desses sinais podem ser confundidos com mudanças de comportamento ou dificuldades escolares. Por isso, médicos orientam que pais e responsáveis fiquem atentos a sintomas que podem indicar a necessidade de avaliação médica: 

·         Cansaço extremo: quando a criança que era ativa passa a ter dificuldade para correr ou brincar como antes.

·         Névoa mental: dificuldade de concentração, esquecimentos frequentes ou queda repentina no desempenho escolar.

·         Dores persistentes: dores de cabeça frequentes ou dores abdominais recorrentes sem causa aparente.

·         Coração acelerado: sensação de batimentos fortes ou falta de ar com esforços leves. 

Outro ponto de atenção é o possível impacto no sistema cardiovascular. “O vírus pode provocar processos inflamatórios no organismo, incluindo inflamação do músculo do coração, chamada miocardite, além de alterações na circulação que nem sempre aparecem em exames comuns. Por isso, se a criança apresentar sintomas persistentes após a Covid, é importante procurar avaliação médica”, afirma Carolina Affonseca, médica pediatra e professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Educação Médica.

 

Como reduzir os riscos

A médica reforça que a prevenção e o acompanhamento após a infecção ajudam a reduzir o risco de complicações. Entre as principais orientações estão: 

·         Vacinação em dia: as vacinas reduzem significativamente o risco de formas graves da doença e ajudam a diminuir a probabilidade de complicações prolongadas.

·         Atenção aos sintomas após a infecção: após um episódio de Covid, é recomendado observar a criança nas semanas seguintes. Mudanças no sono, no humor ou na disposição devem ser relatadas ao pediatra.

·         Diagnóstico adequado: atualmente, médicos utilizam questionários clínicos e exames laboratoriais que podem auxiliar na investigação de sintomas persistentes relacionados à Covid.

 


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