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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Dia do DNA: o que os testes genéticos revelam sobre o risco de câncer, e o que ainda não mostram


Celebrado em 25 de abril, o Dia do DNA convida a um olhar mais atento sobre o papel da genética na saúde. No campo da oncologia, os avanços tecnológicos têm ampliado o acesso a testes que identificam predisposições hereditárias ao câncer, abrindo caminho para estratégias mais precoces de prevenção e acompanhamento. Ao mesmo tempo, especialistas alertam para a importância de interpretar esses dados com responsabilidade, sem gerar alarme ou falsas conclusões. 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, o INCA, entre 5% e 10% dos casos de câncer estão associados a fatores hereditários. Isso significa que a maioria dos tumores ainda está relacionada a fatores ambientais, estilo de vida e envelhecimento. Ainda assim, a identificação de mutações genéticas específicas pode ser determinante para rastreamento, diagnóstico precoce e definição de estratégias terapêuticas mais assertivas. 

Nos últimos anos, os testes genéticos ganharam popularidade, inclusive fora do ambiente clínico, com a expansão dos testes de ancestralidade e painéis diretos ao consumidor. Embora alguns desses exames tragam informações sobre variantes genéticas associadas a determinadas doenças, eles não substituem a avaliação médica nem têm caráter diagnóstico. “No contexto da oncogenética, é fundamental diferenciar testes recreativos, como os de ancestralidade, dos testes clínicos voltados para avaliação de risco hereditário de câncer. Nem toda alteração genética identificada representa, de fato, um aumento significativo de risco, e a interpretação desses resultados deve sempre ser feita por um especialista”, explica a Dra. Luissa Hikari Hayashi Araujo, médica geneticista e especialista em oncogenética do IOP. 

Os testes genéticos clínicos são indicados a partir de critérios bem definidos, como histórico familiar relevante ou diagnóstico de câncer em idade precoce. Esses exames permitem identificar alterações em genes associados ao aumento de risco para determinados tumores, como BRCA1 e BRCA2. A partir dessas informações, é possível orientar estratégias personalizadas de acompanhamento, com vigilância mais próxima, ajustes no estilo de vida e, em alguns casos, medidas preventivas. Além disso, os resultados também têm impacto direto na definição do tratamento. Em situações específicas, como no câncer de mama associado a variantes patogênicas nesses genes, o conhecimento da alteração genética pode modificar a conduta cirúrgica e terapêutica, permitindo abordagens mais direcionadas e eficazes. 

Atualmente, a oncogenética já consegue mapear predisposições para diferentes tipos de câncer, entre eles mama, ovário, colorretal, próstata, pâncreas, estômago, tireoide e melanoma, além de síndromes hereditárias mais raras. Ainda assim, é importante destacar que esses testes não têm função diagnóstica. Eles apontam uma probabilidade aumentada ao longo da vida, não uma certeza. Na prática, isso significa que nem toda pessoa com uma mutação desenvolverá a doença, assim como a ausência dessas alterações não exclui o risco, já que a maioria dos casos está ligada a fatores ambientais e comportamentais. 

O avanço da tecnologia também tem ampliado a precisão desses exames, com painéis multigênicos cada vez mais acessíveis e completos. No entanto, é importante reforçar que predisposição genética não significa desenvolvimento inevitável da doença. “Receber a informação de uma predisposição genética não deve ser motivo de pânico, mas sim uma oportunidade de cuidado. Com acompanhamento adequado, conseguimos personalizar estratégias de rastreamento e, muitas vezes, reduzir significativamente o risco ou identificar a doença em fases iniciais”, complementa a especialista. 

No IOP, Instituto de Oncologia do Paraná, a oncogenética integra o cuidado multidisciplinar, oferecendo avaliação individualizada, aconselhamento genético e definição de condutas baseadas em evidências. O objetivo é transformar informação em estratégia de cuidado, respeitando o contexto de cada paciente. 

Outro ponto de atenção é o limite desses exames. Nem todos os casos de câncer hereditário são identificáveis pelos testes atuais, e a ausência de mutações conhecidas não elimina completamente o risco. Por isso, o histórico familiar e a avaliação clínica continuam sendo fundamentais. 

No dia a dia, a genética deve ser vista como mais uma ferramenta dentro de um conjunto maior de cuidados. Alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do peso, não fumar e realizar exames preventivos seguem sendo pilares essenciais na redução do risco de câncer. 

Ao marcar o Dia do DNA, a discussão sobre genética e câncer ganha espaço não apenas como inovação tecnológica, mas como um convite à informação qualificada. Com o suporte de especialistas e instituições como o IOP, é possível utilizar esses avanços de forma consciente, ampliando as possibilidades de prevenção sem abrir espaço para interpretações equivocadas ou alarmismo.  



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