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sábado, 26 de julho de 2025

Volta às Aulas: como reconhecer e evitar a ansiedade estudantil

Supervisor do Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Inclusão da Faseh dá orientações para garantir um recomeço tranquilo 

 

No início do semestre letivo, com a volta às aulas, muitos estudantes enfrentam um aumento nos níveis de ansiedade. As mudanças na rotina, a pressão por resultados e a incerteza sobre o futuro podem desencadear sentimentos de angústia, medo e insegurança, que impactam o bem-estar dos alunos e influenciam seu desempenho acadêmico e social. 

Welder Rodrigo Vicente, professor de psicologia e Supervisor do Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Inclusão da Faseh, aponta os principais desafios enfrentados. “A adaptação ao ambiente escolar, que inclui a reintegração social com colegas e professores, além da pressão para se adequar ao ritmo das aulas e avaliações. Essa transição tem o potencial de gerar altos níveis de estresse e apreensão, especialmente em jovens que já apresentam alguma predisposição”. Segundo o psicólogo, outro obstáculo significativo é a expectativa em relação ao desempenho acadêmico. “Muitos graduandos sentem uma pressão interna ou externa para obter boas notas ou se destacar”. 

Alguns sinais que podem indicar que um estudante está sofrendo com a volta às aulas. Welder explica que os sintomas variam de um indivíduo para o outro, mas os mais comuns incluem: “Preocupação excessiva com o futuro, medo intenso de fracasso ou rejeição, irritabilidade e dificuldades de concentração, aumento da frequência cardíaca, sudorese excessiva, dores de cabeça tensionais, problemas gastrointestinais e fadiga constante. Também comportamentos como faltar às aulas ou evitar interações com colegas. E ainda insônia ou sonolência excessiva. Identificar esses sinais precocemente é crucial para que intervenções adequadas possam ser implementadas”. 

O docente destaca algumas medidas para prevenir e reduzir a sensação de nervosismo com a volta às aulas. “Adotar algumas práticas como técnicas de mindfulness e meditação, e fazer listas de tarefas diárias para ajudar a organizar as demandas acadêmicas e diminuir a sensação de sobrecarga dos alunos”.

O especialista enfatiza que as instituições de ensino têm um papel primordial na criação de um ambiente acolhedor e seguro. “Na implementação de programas de apoio psicológico e promover oficinas sobre gestão do estresse e técnicas de enfrentamento. Também é importante que as escolas ofereçam canais abertos para que os universitários possam expressar suas preocupações sem medo de julgamento”. 

Welder salienta que a cobrança da sociedade e as grandes expectativas contribuem para que a pessoa se sinta ansiosa. “A pressão social é um fator impactante na vida dos estudantes. Expectativas exacerbadas — seja por parte dos pais, amigos ou mesmo do próprio aluno. Essa pressão leva à comparação social negativa e os indivíduos se sentem inadequados em relação aos seus pares. Isso é particularmente verdadeiro nas redes sociais, onde as realizações dos outros são frequentemente destacadas”. 

Da mesma forma, enfatiza o especialista, as expectativas acadêmicas muitas vezes não refletem as capacidades individuais do estudante. “Como resultado, há uma carga emocional pesada capaz de desencadear episódios ansiosos durante o retorno às aulas”. 

O psicólogo reforça a necessidade urgente de promover uma cultura institucional que priorize a saúde mental. “É fundamental integrar discussões sobre bem-estar emocional no currículo escolar desde cedo. Além disso, criar um ambiente inclusivo onde todos se sintam valorizados faz muita diferença na forma como os alunos lidam com sua ansiedade. A colaboração entre educadores, profissionais da saúde e famílias é essencial para garantir uma abordagem completa no apoio aos estudantes durante períodos críticos como o retorno às aulas”. 

 

Faseh - integrante do Ecossistema Ânima


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