Pesquisa realizada aponta ainda que quase metade dos casos são diagnosticados em estágio avançados
Um
estudo realizado por pesquisadores do A.C.Camargo Cancer Center aponta o crescimento de casos de câncer de cavidade oral
(orofaringe) devido a infecção por papilomavírus humano (HPV), principalmente
nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Este crescimento segue uma tendência
global que vem ocorrendo também em países desenvolvidos como, Reino Unido,
Suécia e Finlândia.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a incidência desse tipo de câncer
entre homens aumentou 2,7% ao ano entre 2001 e 2017, com uma elevação
significativa entre homens não hispânicos brancos e idosos. No Brasil, a
ascensão ocorre especialmente entre homens com idades entre 55 e 59 anos.
A análise, que reuniu dados de 3.218 municípios brasileiros,
revelou ainda um cenário preocupante: cerca de 50% dessas cidades não contam
com dentistas especialistas para atuar na detecção precoce e encaminhamento dos
casos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 15
mil novos casos da doença para o triênio 2020–2022, sendo o câncer de
orofaringe cada vez mais relacionado à infecção pelo HPV – particularmente o
tipo 16, de alto risco oncogênico.
“Embora a taxa de mortalidade geral da doença esteja em declínio
nos últimos 30 anos, a baixa cobertura vacinal contra o HPV pode comprometer os
avanços obtidos”, destaca a Dra. Maria Paula Curado, chefe de Epidemiologia e
Estatística em Câncer, do A.C.Camargo. Ela ainda destaca que a vacinação é uma
das principais medidas preventivas, e vem registrando queda significativa entre
adolescentes brasileiros.
A análise também destaca que a maioria dos casos é diagnosticada
em estágios avançados da doença, com 43,88% dos pacientes em estágio IV. De
acordo com o Observatório do Câncer, também publicado pela instituição, as
taxas de sobrevida para o carcinoma de células escamosas de orofaringe são de
64%.
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