Por meio da escuta ativa na educação é possível se conectar com os interesses dos estudantes
O estudo “Aprendizagem na Educação Básica: situação brasileira no
pós-pandemia”, do Todos Pela Educação, revela que, mesmo com sinais de
recuperação, o cenário ainda não voltou ao que se observava em 2019. Esse
retrato demonstra a importância de as instituições de ensino adotarem a escuta
ativa na educação, promovendo a aprendizagem e, ao mesmo tempo, respeitando e
compreendendo as expressões, pensamentos e sentimentos das crianças.
Segundo o pedagogo Loris Malaguzzi, criador da abordagem Reggio
Emilia, essa escuta envolve observar com sensibilidade, interpretar com empatia
e responder com respeito. Em outras palavras, o professor reconhece a criança
como um sujeito potente e criativo, capaz de construir conhecimento e dialogar
com o mundo.
Nesse contexto, a escuta ativa transforma o processo de aprendizagem em uma experiência mais significativa, conectando as propostas
pedagógicas aos interesses dos estudantes. Com isso, o processo educativo
torna-se vivo, relacional, prazeroso, transformador e humano, assumindo um
papel essencial dentro do ambiente escolar.
Transformando relações
A escuta ativa na educação é uma das atitudes mais importantes
para a construção da identidade humana, pois atribui significado e valor às
perspectivas do outro. Praticá-la por meio de rodas de conversa, registros das
falas e ações dos pequenos, além da observação atenta, favorece a participação
delas no processo de aprendizagem com empolgação e curiosidade.
Essa prática também fortalece os vínculos entre pares, tornando-os mais próximos e significativos. Além disso, permite ao educador conhecer melhor as necessidades e interesses dos estudantes, dando-lhes voz e conectando seus saberes ao currículo escolar.
Uma aliada no desenvolvimento
No campo do desenvolvimento humano, a escuta ativa apoia a
construção da identidade, autonomia, autoconfiança e do pensamento crítico,
aspectos fundamentais na infância, fase de formação de si, do outro e do mundo
ao seu redor.
Ao criar um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor, é possível
estabelecer vínculos afetivos saudáveis, fortalecendo a autoestima e mostrando às crianças que elas são competentes e capazes de
transformar sua realidade. Não menos importante, promover espaços em que os
estudantes possam pensar criticamente e se comunicar de forma eficaz contribui
para a formação de sujeitos ativos em suas próprias histórias.
Os desafios da escuta ativa na educação
Apesar de seus benefícios, essa prática ainda enfrenta desafios. A falta de foco e de intencionalidade pedagógica sobre o que se deve realmente escutar e observar são grandes obstáculos no cotidiano escolar, podendo passar despercebidas informações e ações significativas.
Em suma, é necessário que o educador esteja plenamente presente,
com clareza sobre o que deseja escutar, abertura ao diálogo e disposição para
compreender o outro em sua totalidade. Em complemento, o apoio das famílias, por meio da prática dessa escuta em casa, é essencial para
consolidar vínculos e promover uma linguagem comum entre escola e comunidade.
Michele
Domingues Figueira - Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil
da unidade de Botucatu (SP) da Rede
de Colégios Santa Marcelina, instituição que alia tradição à uma
proposta educacional sociointeracionista e alinhada às principais tendências do
mercado de educação.

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